Resumo rápido
Albizia julibrissin Durazz. / Acácia-de-Constantinopla, também chamada de árvore-da-seda, árvore-da-seda-persa ou albízia, é uma árvore decídua da família Fabaceae, originária do sudoeste e do leste da Ásia, numa faixa que vai do Irã e do Azerbaijão até a China e a Coreia. Muito apreciada como ornamental, ela chama a…
Cuidado principal: Na MTC usa-se a casca (he huan pi) e a flor (he huan hua) como calmantes e “para o humor”, mas trata-se de registro tradicional em estudo, baseado em modelos animais de ansiedade e depressão, sem ensaio…
Albizia julibrissin Durazz. / Acácia-de-Constantinopla, também chamada de árvore-da-seda, árvore-da-seda-persa ou albízia, é uma árvore decídua da família Fabaceae, originária do sudoeste e do leste da Ásia, numa faixa que vai do Irã e do Azerbaijão até a China e a Coreia. Muito apreciada como ornamental, ela chama a atenção pela floração exuberante, formada por pompons de estames rosados, e pela folhagem delicada de folíolos miúdos, que a transformam em destaque de praças, parques e jardins.

Na medicina tradicional chinesa (MTC), a casca do caule e as flores da Albizia julibrissin são empregadas há séculos como calmantes e “para o humor”, e por isso a planta se tornou, em algumas culturas, um símbolo de felicidade e serenidade. A pesquisa moderna começou a investigar esses usos tradicionais, sobretudo em modelos animais de ansiedade e depressão, mas ainda não existem ensaios clínicos robustos que confirmem os efeitos em seres humanos.
Nomes Populares e Internacionais da Acácia-de-Constantinopla
- Português: acácia-de-constantinopla, acácia-rosa, albízia, árvore-da-seda, árvore-da-seda-persa, mimosa.
- Alemão: Persischer Seidenbaum, Schlafbaum, Seidenbaum.
- Chinês: he huan, he huan shu.
- Espanhol: acacia de Constantinopla, árbol de la seda, mimosa.
- Francês: acacia de Constantinople, arbre à soie, mimosa.
- Inglês: mimosa tree, Persian silk tree, pink silk tree, silk tree.
- Italiano: acacia di Costantinopoli, albero della seta, mimosa.
- Japonês: nemunoki.
Apesar dos nomes populares “acácia” e “mimosa”, a acácia-de-constantinopla não pertence ao gênero Acacia nem ao gênero Mimosa, e essa semelhança de nomes vem apenas do aspecto das folhas e das flores, parecido com o de outras leguminosas mimosoides.
Sinônimos Botânicos da Acácia-de-Constantinopla
O nome científico aceito é Albizia julibrissin Durazz., mas ao longo da história botânica a espécie recebeu outras denominações, que refletem as sucessivas reclassificações taxonômicas e ainda aparecem na literatura antiga e em catálogos de viveiros:
- Acacia julibrissin (Durazz.) Willd.
- Albizzia julibrissin Durazz.
- Feuilleea julibrissin (Durazz.) Kuntze
- Mimosa julibrissin (Durazz.) Scop.
Convém não confundir a acácia-de-constantinopla com Albizia lebbeck, conhecida como siris e, na tradição ayurvédica, como shirish. Trata-se de outra espécie do mesmo gênero, com composição e usos tradicionais próprios, e as informações de uma não devem ser transferidas para a outra.
Família Botânica: Fabaceae
A Albizia julibrissin pertence à vasta família Fabaceae, também conhecida como Leguminosae ou família das leguminosas, e, dentro dela, à subfamília Caesalpinioideae, no chamado clado mimosoide; o nome Mimosaceae, que às vezes aparece em obras mais antigas, corresponde a uma classificação de família que já não é usada. As Fabaceae formam uma das maiores famílias de plantas com flores, abrangendo uma enorme diversidade de árvores, arbustos e ervas, e se caracterizam pelos frutos em forma de vagem e pela capacidade de muitas espécies de fixar nitrogênio no solo, o que contribui para a fertilidade dos ecossistemas.
A família inclui plantas de grande importância econômica, alimentar e medicinal em todo o mundo, como o feijão, a ervilha, a lentilha, a soja e o amendoim. Muitas de suas espécies acumulam compostos bioativos, como flavonoides, saponinas e alcaloides, que despertam interesse em pesquisas farmacológicas, e a Albizia julibrissin é um bom exemplo dessa riqueza fitoquímica, com destaque para as saponinas da casca.
Partes Utilizadas da Acácia-de-Constantinopla
- Casca do caule
- Flores
- Folhas
- Sementes
Usos Etnobotânicos e Tradicionais da Acácia-de-Constantinopla
- Agitação e irritabilidade, em registro tradicional de uso calmante
- Ansiedade e humor deprimido, emprego tradicional da MTC ainda em estudo
- Dores e inchaços (fraturas, furúnculos), em aplicação tópica tradicional
- Insônia e sono agitado, uso tradicional sobretudo das flores
- Memória fraca e palpitações, em registro tradicional da MTC
- Tônico do “coração e do espírito”, segundo a concepção da MTC
Propriedades Terapêuticas da Acácia-de-Constantinopla
- Analgésico (registro tradicional; efeito investigado em estudos preliminares)
- Ansiolítico (efeito observado em modelos animais, sem ensaio clínico robusto)
- Antidepressivo (efeito observado em modelos animais, sem ensaio clínico robusto; não substitui medicamentos)
- Anti-inflamatório (atividade observada em estudos de laboratório)
- Antioxidante (atividade observada em estudos de laboratório)
- Cardiotônico (registro tradicional da MTC, sem comprovação clínica)
- Hipnótico (registro tradicional de indução do sono, em estudo)
- Sedativo (registro tradicional; pode somar efeito a outros sedativos)
Perfil Fitoquímico Detalhado da Acácia-de-Constantinopla
- Flavonoides (luteolina, quercetina)
- Glicosídeos fenólicos
- Lignanas
- Saponinas triterpenoides (julibrosídeos), concentradas na casca
Formas de Preparo e Administração da Acácia-de-Constantinopla
- Cápsulas
- Decocção (casca)
- Extrato fluido (somente sob orientação profissional)
- Extrato seco (somente sob orientação profissional; extratos concentrados da casca não são recomendados)
- Infusão (flores)
- Tintura
Sinergia com Outras Plantas Medicinais
Para Ansiedade e Insônia
Na fitoterapia tradicional, a Albizia julibrissin costuma ser associada à valeriana (Valeriana officinalis) e à passiflora (Passiflora incarnata), combinação tradicionalmente usada em quadros de nervosismo e sono agitado, na ideia de que as três plantas se complementam no relaxamento. Como todas têm efeito sedativo descrito, a soma pode aumentar a sonolência, e por isso a associação deve ser feita com orientação profissional e nunca antes de dirigir.
Para o Equilíbrio do Humor
A acácia-de-constantinopla também aparece, em registros de herbalistas, ao lado da erva-de-são-joão (Hypericum perforatum) ou da rhodiola (Rhodiola rosea), com a intenção tradicional de apoiar o equilíbrio emocional: na concepção da MTC, a Albizia acalma o espírito e alivia a estagnação do Qi, enquanto a erva-de-são-joão e a rhodiola entram com seu histórico de uso no humor e na adaptação ao estresse, respectivamente. Essa combinação pede cautela redobrada, porque a erva-de-são-joão interage com muitos medicamentos e porque um mecanismo serotoninérgico foi proposto para a Albizia em modelos animais, de modo que só deve ser considerada com acompanhamento profissional e jamais em substituição a antidepressivos.
Para Dores e Inchaços
Em registros tradicionais de dores e inchaços, como os associados a contusões ou furúnculos, a Albizia julibrissin é combinada com a cúrcuma (Curcuma longa) ou o gengibre (Zingiber officinale), duas plantas com atividade anti-inflamatória observada em estudos. A associação segue a lógica da tradição de reunir ervas de ação complementar, sem que haja estudos clínicos avaliando essa combinação específica, e não dispensa avaliação médica em caso de fratura ou inflamação persistente.
Receitas e Protocolos de Uso da Acácia-de-Constantinopla
Infusão Tradicional das Flores
Ingredientes: uma pequena porção de flores secas de acácia-de-constantinopla e uma xícara de água fervente.
Preparação: coloque as flores em uma xícara, cubra com a água recém-fervida e deixe em infusão, tampada, por alguns minutos antes de coar. Essa preparação é tradicionalmente usada para relaxar ao fim do dia, mas a quantidade e a frequência devem ser definidas com um profissional de saúde, e não convém dirigir depois de tomá-la.
Decocção Tradicional da Casca
Ingredientes: casca seca de acácia-de-constantinopla e água, na proporção indicada por um profissional de saúde.
Preparação: leve a casca e a água a uma panela, deixe ferver e cozinhe em fogo baixo por cerca de 20 a 30 minutos, depois coe. Na MTC, a decocção da casca (he huan pi) é a forma clássica de preparo da planta, mas, como a casca é rica em saponinas que podem irritar o estômago em doses altas, essa preparação só deve ser usada com orientação de um profissional de saúde.
Tintura de Uso Tradicional Calmante
Ingredientes: tintura de Albizia julibrissin de procedência confiável.
Preparação: a tintura é tradicionalmente usada como forma prática de consumo contínuo nos registros de uso calmante e de apoio ao humor, sempre diluída em um pouco de água. Consulte um profissional de saúde para definir a dose, a frequência e a duração do uso, sobretudo se você já toma algum medicamento que atue no sistema nervoso.
As preparações acima seguem registros tradicionais e não substituem orientação profissional. Antes de qualquer uso interno, consulte as contraindicações e interações descritas neste artigo.
Terapias Associadas à Acácia-de-Constantinopla
Aromaterapia
Embora o óleo essencial de Albizia julibrissin não seja amplamente comercializado, a fragrância adocicada das flores é tradicionalmente associada a sensações de relaxamento e leveza, e em algumas práticas as flores frescas são dispostas em ambientes para criar uma atmosfera de calma. Esse uso olfativo é apenas complementar e não substitui cuidados de saúde para quadros de estresse ou ansiedade.
Fitoterapia Chinesa Tradicional (MTC)
Na MTC, a Albizia julibrissin é uma erva clássica, conhecida como he huan pi (a casca) e he huan hua (a flor), classificada entre as ervas que “acalmam o espírito” (an shen) e que “nutrem o coração”. A tradição a emprega em quadros de inquietação emocional, tristeza, insônia, irritabilidade e memória fraca, especialmente quando atribuídos a emoções reprimidas ou à estagnação do Qi do fígado, e também a aplica topicamente sobre dores e inchaços. Esse registro tradicional está em estudo, com resultados obtidos sobretudo em modelos animais, e não autoriza o uso da planta no lugar de tratamento médico para depressão ou ansiedade.
Fitoterapia Ocidental
No herbalismo ocidental, a Albizia julibrissin vem ganhando espaço como planta de apoio ao sistema nervoso, sendo descrita por alguns herbalistas como moduladora do humor e mencionada em formulações voltadas ao bem-estar emocional em períodos de estresse. Os extratos da casca e das flores aparecem nesses contextos com a intenção tradicional de favorecer o relaxamento e o sono, mas a literatura científica disponível se limita a estudos laboratoriais e em animais, o que exige prudência e acompanhamento profissional.
Contraindicações e Efeitos Colaterais da Acácia-de-Constantinopla
Contraindicações Gerais
Na MTC usa-se a casca (he huan pi) e a flor (he huan hua) como calmantes e “para o humor”, mas trata-se de registro tradicional em estudo, baseado em modelos animais de ansiedade e depressão, sem ensaio clínico robusto. A acácia-de-constantinopla não trata depressão nem ansiedade e não deve substituir antidepressivos ou qualquer medicamento prescrito, e quem está em tratamento não deve interromper a medicação por conta própria. O uso é contraindicado para pessoas com alergia conhecida a plantas da família Fabaceae.
Gravidez, Lactação e Crianças
Na gravidez, a planta é contraindicada, porque a MTC a trata como estimulante uterino. Durante a lactação e em crianças, não deve ser usada, já que não há dados de segurança para esses grupos.
Interações Medicamentosas
Há risco de sedação aditiva quando a acácia-de-constantinopla é combinada com álcool, benzodiazepínicos, hipnóticos, antidepressivos e anti-histamínicos sedativos, o que pode aumentar a sonolência e a lentidão de reflexos. Existe ainda uma interação teórica com os inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS), já que um mecanismo serotoninérgico foi proposto em modelos animais, e por isso quem usa esses medicamentos precisa de orientação profissional antes de qualquer uso. Pessoas que tomam anticoagulantes também devem ter cautela, pois uma possível potencialização desses fármacos é apenas teórica e não foi descartada.
Efeitos Colaterais e Precauções
A casca é rica em saponinas (julibrosídeos), que podem causar irritação gástrica em dose alta, e por esse motivo extratos concentrados não são recomendados. Sonolência excessiva é o efeito mais esperado, sobretudo quando a planta é associada a outros sedativos, e não se deve dirigir nem operar máquinas após o uso. Diante de qualquer reação adversa, como desconforto digestivo ou sinais de alergia, o uso deve ser interrompido e um profissional de saúde deve ser procurado.
Curiosidades e Fatos Históricos da Acácia-de-Constantinopla
A Árvore da Felicidade
Na China, a Albizia julibrissin é carinhosamente chamada de “árvore da união feliz” (he huan shu), nome que nasce da observação de que suas folhas se fecham à noite, como um casal que dorme abraçado, e que fez da planta um símbolo de harmonia conjugal. As flores, com seus delicados filamentos rosados, aparecem com frequência em cerimônias de casamento e em imagens poéticas ligadas ao amor e à felicidade duradoura.
Um Presente da Pérsia
O epíteto específico “julibrissin” é uma corruptela da expressão persa “gul-i abrisham”, que significa “flor de seda”. A planta chegou à Europa no século XVIII pelas mãos do nobre italiano Filippo degli Albizzi, que levou sementes da Ásia e acabou homenageado no nome do gênero, Albizia; a beleza exótica e a textura sedosa das flores logo a tornaram uma favorita dos jardins ornamentais, espalhando sua presença muito além das terras de origem.
Comportamento Nictinástico
Uma das características mais curiosas da Albizia julibrissin é o comportamento nictinástico, isto é, o movimento pelo qual os folíolos se dobram e se fecham ao anoitecer e voltam a se abrir pela manhã, fenômeno também observado em outras leguminosas e para o qual se propõem funções como reduzir a perda de água. Em japonês, a planta é chamada de nemunoki, “árvore que dorme”, justamente por causa desse movimento diário das folhas.
Perguntas Frequentes sobre a Acácia-de-Constantinopla
A Acácia-de-Constantinopla É Segura para Consumo Diário?
Não há estudos de longo prazo que permitam afirmar a segurança do uso diário e prolongado, e a planta pode somar efeito a sedativos e interagir com antidepressivos. Por isso, qualquer uso regular deve ser combinado com um profissional de saúde, e a planta não deve ser usada na gravidez, na lactação nem em crianças.
A Acácia-de-Constantinopla Pode Substituir Antidepressivos?
Não. Na MTC usa-se a casca (he huan pi) e a flor (he huan hua) como calmantes e “para o humor”, mas esse é um registro tradicional em estudo, com resultados obtidos em modelos animais de ansiedade e depressão e sem ensaio clínico robusto. Quem está em tratamento não deve trocar nem suspender a medicação por conta própria, e o uso concomitante com ISRS exige orientação profissional.
Quais São os Efeitos Colaterais Conhecidos?
O efeito mais esperado é a sonolência, que pode se intensificar quando a planta é combinada com álcool, benzodiazepínicos, hipnóticos, antidepressivos ou anti-histamínicos sedativos, e por isso não se deve dirigir após o uso. A casca, rica em saponinas, pode irritar o estômago em dose alta, e pessoas sensíveis a leguminosas podem ter reações alérgicas.
Quem Não Deve Usar a Acácia-de-Constantinopla?
A planta é contraindicada na gravidez, já que a MTC a trata como estimulante uterino, e não deve ser usada durante a lactação nem em crianças. Pessoas alérgicas a plantas da família Fabaceae, quem usa sedativos, antidepressivos ou anticoagulantes e quem precisa dirigir ou operar máquinas também devem evitá-la ou buscar orientação profissional antes.
Como o Chá das Flores É Preparado Tradicionalmente?
Tradicionalmente, as flores secas são colocadas em infusão em água recém-fervida por alguns minutos, sem ferver junto, enquanto a casca é preparada por decocção. A quantidade e a frequência devem ser definidas com um profissional de saúde, que também avalia possíveis interações com medicamentos em uso.
Qual a Diferença entre a Acácia-de-Constantinopla e a Albizia lebbeck?
São espécies diferentes do mesmo gênero. A Albizia lebbeck, conhecida como siris e chamada de shirish na tradição ayurvédica, tem composição e usos tradicionais próprios, que não devem ser transferidos para a Albizia julibrissin, e vice-versa, de modo que convém sempre conferir o nome científico no rótulo de qualquer produto.
Aviso: este conteúdo é informativo e não substitui orientação de profissional de saúde. Consulte um médico ou fitoterapeuta antes de usar plantas medicinais, especialmente na gravidez, na lactação ou em uso de medicamentos.
Como citar este artigo
NATUGREENS. Acácia-de-Constantinopla (Albizia julibrissin): Benefícios e Usos. Natugreens, 4 nov. 2026. Disponível em: https://natugreens.com/pt/albizia-julibrissin-acacia-de-constantinopla/. Acesso em: 4 nov. 2026.
Natugreens. (2026). Acácia-de-Constantinopla (Albizia julibrissin): Benefícios e Usos. Natugreens. https://natugreens.com/pt/albizia-julibrissin-acacia-de-constantinopla/
Referências e Estudos Científicos
- PMC2019 Chang JS, et al. Albizia julibrissin Ameliorates Memory Loss Induced by Insomnia in Drosophila. Evid Based Complement Alternat Med. 2019.
- PMC2021 Han Q, et al. Oleanane-type saponins and prosapogenins from Albizia julibrissin and their cytotoxic activities. Phytochemistry. 2021.
- PMC2022 Huang B, et al. Two Lignan Glycosides from Albizia julibrissin Durazz. Noncompetitively Inhibit Serotonin Transporter. Pharmaceuticals (Basel). 2022.
- PMC2023 Huang B, et al. Molecular basis and mechanism of action of Albizia julibrissin in depression treatment and clinical application of its formulae. Chin Herb Med. 2023.
- PMC2025 Yang Y, et al. Pharmacological Spectrum of Substances Derived from Albizia julibrissin Durazz. Int J Mol Sci. 2025.
