Nogueira-Negra (Juglans nigra): Propriedades e Benefícios

21 Min de Leitura
🥈 5 Referências
Publicado em

Resumo rápido

Juglans nigra L. / Nogueira-Negra, também chamada de noz-negra, nogueira-preta ou nogueira-preta-americana, é uma árvore de folhas caducas da família Juglandaceae, originária do centro e do leste da América do Norte. A espécie é valorizada tanto pela madeira de alta qualidade quanto pelas nozes nutritivas, e sua longa…

Cuidado principal: Por pertencer à família das nozes de árvore, a nogueira-negra pode causar reação alérgica cruzada em quem já é alérgico a outras nozes (incluindo a noz comum, castanha-de-caju e amêndoa) e é contraindicada para quem tem…

Juglans nigra L. / Nogueira-Negra, também chamada de noz-negra, nogueira-preta ou nogueira-preta-americana, é uma árvore de folhas caducas da família Juglandaceae, originária do centro e do leste da América do Norte. A espécie é valorizada tanto pela madeira de alta qualidade quanto pelas nozes nutritivas, e sua longa história de uso tradicional inclui o emprego medicinal e alimentar por diversos povos nativos norte-americanos. Sua presença frequente em matas ciliares e florestas de planície revela a preferência por solos férteis e bem drenados, embora a árvore também se adapte a condições mais secas.

Nogueira-Negra (Juglans nigra) em ilustração botânica: ramo com folhas compostas pinadas, folíolos lanceolados e frutos globosos envoltos pelo invólucro verde típico da nogueira-negra.
Folhas compostas pinadas, com 15 a 23 folíolos lanceolados, e frutos globosos envoltos por um invólucro verde espesso.

Na medicina tradicional, a nogueira-negra é lembrada por propriedades antimicrobianas, antiparasitárias e adstringentes, atribuídas principalmente a compostos como a juglona e os taninos. Os registros de uso vão de infecções de pele e verminoses ao apoio à digestão. Esses mesmos compostos bioativos, somados à natureza alelopática da árvore, exigem atenção às contraindicações e às possíveis interações, sobretudo porque a espécie não deve ser confundida com a nogueira-comum, que fornece a noz de mesa. A pesquisa científica atual estuda em laboratório o perfil fitoquímico de Juglans nigra e investiga parte dos usos tradicionais. A maioria dos achados, porém, ainda não foi confirmada em estudos clínicos com seres humanos.

Índice expandir

Nomes Populares e Internacionais da Nogueira-Negra

  • Português: nogueira-negra, nogueira-preta, nogueira-preta-americana, noz-negra.
  • Alemão: Amerikanische Walnuss, Schwarznuss.
  • Espanhol: nogal americano, nogal negro.
  • Francês: noyer noir, noyer noir d’Amérique.
  • Inglês: American walnut, black walnut, eastern black walnut.
  • Italiano: noce nera, noce nera americana.

Sinônimos Botânicos da Nogueira-Negra

O nome botânico aceito para a espécie é Juglans nigra L., conforme a descrição de Carl Linnaeus, e é ele que aparece de forma predominante na literatura botânica e científica. Ao longo da história taxonômica da planta, porém, surgiram sinônimos que refletem reclassificações ou interpretações diferentes feitas por botânicos de épocas distintas. Mesmo assim, Juglans nigra L. continua sendo a designação padrão para esta nogueira nativa da América do Norte.

  • Wallia nigra (L.) Alef.

Família Botânica: Juglandaceae

A família Juglandaceae, à qual pertence Juglans nigra, reúne árvores e arbustos predominantemente decíduos, encontrados sobretudo em regiões temperadas e subtropicais do Hemisfério Norte. A família se destaca pela produção de nozes comestíveis e de madeira de alto valor comercial. Suas espécies têm folhas compostas pinadas, flores unissexuais reunidas na mesma planta (plantas monoicas) e frutos do tipo noz ou drupa. Além do gênero Juglans, o grupo inclui outros gêneros importantes, como Carya (hicórias e nogueiras-pecã) e Pterocarya (nogueiras-do-cáucaso).

Muitas plantas dessa família são ricas em compostos fitoquímicos como taninos, flavonoides e naftoquinonas, que explicam o interesse medicinal por elas e também a capacidade de interagir com o ambiente por meio de fenômenos como a alelopatia. A importância econômica e ecológica das Juglandaceae é ampla e abrange desde a produção de alimentos e madeira até seu papel nos ecossistemas florestais e na medicina tradicional de várias culturas.

Partes Utilizadas da Nogueira-Negra

  • Casca do tronco
  • Folhas
  • Invólucro verde do fruto (casca verde)
  • Nozes (sementes)
  • Óleo das nozes
  • Raízes

Usos Etnobotânicos e Tradicionais da Nogueira-Negra

  • Alívio de dores de dente (registro tradicional de mastigar a casca)
  • Anti-helmíntico (uso tradicional contra vermes e parasitas intestinais)
  • Antimicrobiano (uso tradicional em infecções bacterianas e fúngicas)
  • Câncer (registro popular; atividade antiproliferativa observada apenas em laboratório, sem comprovação clínica e sem substituir o tratamento oncológico)
  • Corante natural (invólucro verde do fruto)
  • Diabetes (registro tradicional do uso de folhas e raízes, sem comprovação clínica)
  • Eczema e psoríase (uso tradicional do extrato das folhas na pele)
  • Febre (registro tradicional, com raízes e folhas)
  • Feridas e inflamações cutâneas (aplicação tópica tradicional)
  • Infecções fúngicas (infecções nas unhas, micose e pé de atleta, em uso tópico tradicional)
  • Laxante suave (registro tradicional do chá da casca)
  • Prisão de ventre e diarreia (uso tradicional como estimulante e regulador intestinal)
  • Reumatismo (registro tradicional, com raízes e folhas)
  • Tônico digestivo (uso tradicional)
  • Úlceras internas e inflamações (registro tradicional de uso interno das folhas)
  • Varizes e hemorroidas (aplicação tópica tradicional)

Propriedades Terapêuticas da Nogueira-Negra

  • Adstringente (contrai tecidos e vasos sanguíneos, ação atribuída aos taninos)
  • Alterativo (termo da fitoterapia tradicional para plantas que ajudariam a restaurar as funções normais do corpo)
  • Antibacteriano (atividade observada em laboratório contra bactérias como Escherichia coli, Listeria, Salmonella e Staphylococcus aureus)
  • Antifúngico (uso tradicional em infecções por fungos, sobretudo na pele)
  • Anti-helmíntico (registro tradicional contra vermes intestinais)
  • Anti-inflamatório (redução de mediadores inflamatórios observada em células, em estudos preliminares)
  • Antimicrobiano (ação contra microrganismos patogênicos observada em laboratório)
  • Antioxidante (neutralização de radicais livres em ensaios de laboratório)
  • Antiparasitário (registro tradicional contra parasitas intestinais)
  • Antiproliferativo (atividade observada em estudos de laboratório, sem comprovação clínica)
  • Cardioprotetor (hipótese ligada aos ácidos graxos das nozes, sem estudos clínicos específicos com a espécie)
  • Catártico (registro tradicional de estímulo à evacuação, sobretudo com a casca)
  • Depurativo (conceito da fitoterapia tradicional ligado à ideia de purificar o sangue)
  • Dermatológico (uso tradicional em afecções de pele)
  • Estimulante pancreático (atribuição da fitoterapia tradicional, sem confirmação científica)
  • Hepatoprotetor (efeito protetor observado em estudo experimental com ratos, sem confirmação em humanos)
  • Hipoglicemiante (registro tradicional de redução do açúcar no sangue, sem comprovação clínica)
  • Hipolipemiante (efeito atribuído sobretudo ao perfil de ácidos graxos das nozes, ainda pouco estudado na espécie)
  • Tônico (registro tradicional de revigoramento geral do organismo)

Perfil Fitoquímico Detalhado da Nogueira-Negra

  • Ácido Alfa-Linolênico (ALA)
  • Ácido Ascórbico (Vitamina C)
  • Ácido Elágico
  • Ácido Gálico
  • Ácidos Fenólicos
  • Ácidos Graxos Essenciais
  • Ácidos Graxos Insaturados
  • Alcaloides
  • Cálcio
  • Cumarinas
  • Esteróis
  • Flavonoides (Apigenina, Luteolina, Quercetina)
  • Fósforo
  • Gama-Tocoferol (Vitamina E)
  • Glicose
  • Juglona (Naftoquinona)
  • Magnésio
  • Manganês
  • Mucilagens
  • Óleo Essencial
  • Polifenóis
  • Potássio
  • Saponinas
  • Sílica
  • Sitosterol
  • Sódio
  • Taninos
  • Tocoferóis
  • Triterpenos

Formas de Preparo e Administração da Nogueira-Negra

  • Cápsulas
  • Cataplasma
  • Chá (infusão/decocção)
  • Creme
  • Extrato fluido
  • Extrato seco
  • Óleo (das nozes)
  • Pomada
  • Tintura

Sinergia com Outras Plantas Medicinais

Infecções Parasitárias e Fúngicas

Na herbologia popular norte-americana, a nogueira-negra costuma aparecer ao lado de outras ervas de uso tradicional antiparasitário e antifúngico. A associação com absinto (Artemisia absinthium) e cravo-da-índia (Syzygium aromaticum) é uma das combinações mais citadas em protocolos tradicionais de desparasitação. O absinto contribui com lactonas sesquiterpênicas amargas, como a absintina, enquanto o cravo-da-índia fornece eugenol, composto com atividade antimicrobiana e antifúngica observada em laboratório. A ideia por trás da mistura é ampliar o espectro de ação contra parasitas intestinais e fungos como os causadores da candidíase, mas não há estudos clínicos que confirmem essa sinergia. Além disso, o absinto contém tujona, substância neurotóxica em doses elevadas, o que torna indispensável o acompanhamento profissional.

Saúde Digestiva e Trânsito Intestinal

Para apoiar a digestão e o trânsito intestinal, a tradição associa a nogueira-negra a ervas laxativas e carminativas. A cáscara-sagrada (Rhamnus purshiana, hoje classificada como Frangula purshiana) e o sene (Senna alexandrina) entram nessas fórmulas pelo efeito laxativo, enquanto o gengibre (Zingiber officinale) e a hortelã-pimenta (Mentha × piperita) são acrescentados pelo uso tradicional no alívio de gases e cólicas. Nos registros tradicionais, a combinação busca tanto a expulsão de parasitas quanto o conforto intestinal. Sene e cáscara-sagrada, porém, são laxantes estimulantes que não devem ser usados de forma prolongada, e somá-los à casca da nogueira-negra pode intensificar cólicas e diarreia.

Suporte Antioxidante e Anti-Inflamatório

Pelo perfil rico em polifenóis, com atividade antioxidante e anti-inflamatória observada em laboratório, a nogueira-negra também aparece em combinações com plantas que compartilham essas características, na busca de um suporte sistêmico. A cúrcuma (Curcuma longa), fonte de curcumina, e o chá-verde (Camellia sinensis), rico em catequinas, são as parceiras mais lembradas nesse tipo de fórmula, que a tradição associa à redução do estresse oxidativo e da inflamação crônica. A hipótese de que compostos de plantas diferentes tenham efeito mais amplo juntos do que isolados ainda não foi testada para essas combinações específicas. Por isso, elas devem ser vistas como registro de uso, e não como estratégia de prevenção de doenças degenerativas ou cardiovasculares.

Receitas e Protocolos de Uso da Nogueira-Negra

Cataplasma Tradicional para a Pele

Ingredientes: 2 colheres de sopa de invólucro verde do fruto da nogueira-negra, seco e moído, e água morna em quantidade suficiente para formar uma pasta.

Preparação: Misturar o pó com a água morna até obter uma pasta espessa e, antes do primeiro uso, aplicar uma pequena quantidade em área restrita da pele para verificar se há irritação, já que a juglona pode causar dermatite de contato e deixa a pele manchada de marrom. Se não houver reação, aplicar sobre a área afetada e cobrir com um pano limpo, deixando agir por 30 minutos a 1 hora, uma a duas vezes ao dia. A tradição usa esse cataplasma em micoses, pé de atleta e pequenas feridas superficiais, com base nas propriedades antifúngicas e antibacterianas atribuídas à planta, e feridas profundas, infectadas ou que não cicatrizam pedem avaliação médica.

Infusão Tradicional das Folhas

Ingredientes: Pequena quantidade de folhas secas de nogueira-negra, definida com orientação profissional, e uma xícara de água fervente.

Preparação: Colocar as folhas em uma xícara, adicionar a água fervente, tampar e deixar em infusão por 10 a 15 minutos antes de coar e consumir morno. A tradição usa essa infusão para auxiliar a digestão e, segundo registros populares, em casos de prisão de ventre leve, recorrendo às propriedades adstringentes e antimicrobianas atribuídas às folhas, mas como a planta contém juglona o uso interno deve ser pontual, nunca prolongado nem em dose concentrada, e a quantidade e a frequência precisam ser definidas individualmente. Consulte um profissional de saúde antes de usar e interrompa ao primeiro sinal de desconforto.

Óleo Infundido do Invólucro Verde

Ingredientes: Invólucro verde do fruto da nogueira-negra, fresco ou seco e picado, e óleo vegetal de sua preferência, como óleo de amêndoa, azeite de oliva ou óleo de jojoba.

Preparação: Encher um frasco de vidro com o material picado e cobri-lo completamente com o óleo, fechar bem e deixar macerar em local fresco e escuro por 4 a 6 semanas, agitando diariamente. Depois desse período, coar o óleo, descartar o material vegetal e guardar em frasco escuro. A tradição emprega esse óleo por via tópica em eczema, psoríase, verrugas e outras afecções de pele, com base nas propriedades dermatológicas e anti-inflamatórias atribuídas à planta, e o teste prévio em pequena área da pele é recomendado pelo mesmo risco de dermatite de contato.

Tintura do Invólucro Verde

Ingredientes: 1 parte de invólucro verde fresco do fruto da nogueira-negra, picado, e 2 partes de álcool de cereais a 70%.

Preparação: Colocar o material picado em um frasco de vidro, cobrir com o álcool, fechar hermeticamente e deixar macerar por 2 a 4 semanas em local escuro, agitando diariamente, antes de coar e armazenar a tintura em frasco de vidro escuro. Essa tintura é tradicionalmente usada em protocolos de desparasitação, mas, por se tratar de preparação concentrada de uma planta que contém juglona, não há dose segura definida para uso caseiro, e o uso interno sem acompanhamento deve ser evitado, nunca de forma prolongada e nunca na gravidez, na lactação ou em crianças. Consulte um profissional de saúde, que poderá avaliar se há indicação e qual a forma adequada de uso.

As preparações acima seguem registros tradicionais e não substituem orientação profissional. Antes de qualquer uso interno, consulte as contraindicações e interações descritas neste artigo.

Terapias Associadas à Nogueira-Negra

Fitoterapia Clínica

Na fitoterapia clínica, Juglans nigra é lembrada pelos compostos bioativos, como a juglona e os taninos, aos quais se atribuem propriedades antimicrobianas, antiparasitárias e adstringentes. Seu emprego tradicional se concentra em infecções fúngicas e parasitárias, internas e externas, e em afecções de pele como eczema e psoríase, embora a base científica para esses usos ainda seja sobretudo laboratorial. Quando usados, os extratos padronizados servem para uniformizar o teor de compostos ativos. Em qualquer caso, o acompanhamento de um profissional de saúde é indispensável para evitar interações e efeitos adversos, especialmente em pessoas com doenças gastrointestinais preexistentes ou em uso de anticoagulantes.

Homeopatia

Embora não esteja entre os medicamentos homeopáticos mais comuns, Juglans nigra pode ser considerada em homeopatia para quadros que lembram a ação da planta no nível físico, como problemas de pele com erupções e prurido ou distúrbios digestivos com prisão de ventre ou diarreia. A preparação segue os princípios de diluição e dinamização próprios da homeopatia, que se propõe a estimular a capacidade de reação do organismo. A escolha do medicamento e da potência é individualizada, com base na totalidade dos sintomas do paciente, incluindo aspectos mentais e emocionais, sob a orientação de um homeopata qualificado.

Terapia Floral

Juglans nigra não faz parte das 38 essências florais de Bach, e a essência Walnut desse sistema é preparada com Juglans regia, a nogueira-comum, que também precisa ser distinguida da nogueira-negra nesse contexto. As indicações de Walnut, ligadas a processos de transição e adaptação, à proteção contra influências externas indesejadas e à preservação da própria individualidade, pertencem, portanto, à nogueira-comum. Uma essência de nogueira-negra, caso venha a ser criada por outros sistemas florais, não deve herdar essas indicações por simples semelhança de nome. Na terapia floral, as essências são entendidas como apoio no campo emocional e funcionam como complemento, nunca como substituto, de outras abordagens de cuidado.

Contraindicações e Efeitos Colaterais da Nogueira-Negra

Contraindicações Gerais

Por pertencer à família das nozes de árvore, a nogueira-negra pode causar reação alérgica cruzada em quem já é alérgico a outras nozes (incluindo a noz comum, castanha-de-caju e amêndoa) e é contraindicada para quem tem essa alergia, já que as reações podem ir de dermatite de contato a anafilaxia. A expressão nozes de árvore designa um grupo alergênico, e não uma família botânica, o que explica a presença da castanha-de-caju e da amêndoa nessa lista. A planta contém juglona, substância com atividade biológica marcada: evitar uso interno prolongado ou em dose concentrada, e não usar na gravidez e na lactação por falta de dados de segurança. O possível efeito emenagogo atribuído à casca reforça essa restrição para gestantes, e pela mesma falta de dados de segurança o uso em crianças também deve ser evitado. Pessoas com distúrbios gastrointestinais crônicos, como úlceras ou síndrome do intestino irritável, devem usar a planta com cautela, porque os taninos podem irritar a mucosa digestiva. Quem tem doença hepática ou renal preexistente também deve evitar o uso, dado o potencial de toxicidade em doses altas.

Não Confundir com a Nogueira-Comum

Juglans nigra (nogueira-negra, usada tradicionalmente pela casca e pelo invólucro verde do fruto) é espécie diferente de Juglans regia (nogueira-comum, a noz de mesa vendida como alimento); não confundir usos nem transferir dados de segurança entre as duas. Informações sobre a noz comum, inclusive estudos nutricionais e de segurança alimentar, não valem automaticamente para a casca, as folhas ou o invólucro verde da nogueira-negra, partes que concentram juglona e taninos e que formam a base dos usos tradicionais descritos neste artigo.

Efeitos Colaterais Comuns

Os efeitos colaterais relatados costumam ser leves e incluem náuseas, vômitos, diarreia e desconforto abdominal, sobretudo com o uso da casca ou em doses elevadas. Na aplicação tópica, a juglona pode causar irritação e dermatite de contato em pessoas sensíveis. O uso prolongado ou em doses excessivas da casca já foi associado a um risco teórico de câncer de língua ou de lábio, embora a evidência científica seja limitada. Por isso, convém seguir as orientações de dose e de duração definidas por um profissional para reduzir os riscos.

Interações Medicamentosas

A nogueira-negra pode, em tese, interagir com anticoagulantes como a varfarina, por conter cumarinas capazes de potencializar o efeito anticoagulante e aumentar o risco de sangramentos. O alto teor de taninos também pode reduzir a absorção de outros medicamentos e suplementos tomados ao mesmo tempo. Pessoas com diabetes que usam hipoglicemiantes devem monitorar a glicose com atenção, pois a tradição atribui à planta um leve efeito hipoglicemiante que poderia se somar ao dos medicamentos. Consulte um profissional de saúde antes de iniciar o uso da nogueira-negra, especialmente se estiver tomando outros medicamentos, para evitar interações adversas.

Curiosidades e Fatos Históricos da Nogueira-Negra

Uma Árvore Longeva e de Madeira Nobre

A nogueira-negra é uma árvore imponente, capaz de atingir grande altura e de viver mais de um século, o que fez dela um símbolo de longevidade e resistência. Sua madeira escura e densa é muito valorizada na marcenaria fina e na fabricação de móveis de alto padrão, figurando entre as madeiras mais apreciadas da América do Norte. Historicamente, ela foi usada na fabricação de armas e instrumentos musicais, graças à durabilidade e à beleza. A presença em florestas nativas e a capacidade de adaptação a diferentes solos fazem dela uma espécie de destaque nos ecossistemas onde ocorre.

A Alelopatia e o Jardim

Uma das características mais curiosas da nogueira-negra é a alelopatia, ou seja, a produção de substâncias químicas, como a juglona, que inibem o crescimento de outras plantas ao redor. Esse mecanismo natural de defesa dá à árvore vantagem competitiva no habitat, mas representa um desafio para jardineiros e agricultores. Plantas sensíveis à juglona, como macieiras, mirtileiros e tomateiros, não devem ser cultivadas perto dela. Algumas espécies, por outro lado, como o bordo-açucareiro e o corniso (Cornus), toleram a juglona e convivem bem com a nogueira-negra, formando um conjunto equilibrado.

O Sabor Distinto das Nozes

As nozes da nogueira-negra têm sabor marcante e terroso, bem diferente do da noz comum, produzida pela nogueira-comum (Juglans regia). Trata-se de espécie distinta, que não deve ser confundida com a nogueira-negra nem nos usos culinários nem nos medicinais. Esse sabor intenso é apreciado em várias preparações, de sobremesas e bolos a pratos salgados e molhos. A colheita e o processamento, por outro lado, são trabalhosos por causa da casca dura e do invólucro verde pegajoso, que mancha as mãos. O esforço é compensado pelo valor nutricional e pelo sabor inconfundível dessas nozes, que se tornaram ingrediente gourmet em muitas cozinhas tradicionais e modernas.

Perguntas Frequentes sobre a Nogueira-Negra

A Nogueira-Negra É Segura para Consumo?

As nozes da nogueira-negra são consumidas como alimento e fornecem nutrientes como ácidos graxos ômega-3, proteínas e minerais, mas não são seguras para quem tem alergia a nozes de árvore. Já a casca, o invólucro verde e os extratos concentrados contêm juglona e taninos, que podem causar efeitos colaterais em doses elevadas ou em pessoas sensíveis. Por isso, essas partes só devem ser usadas com cautela e orientação profissional. Gestantes, lactantes, crianças e pessoas que tomam anticoagulantes ou medicamentos para diabetes precisam de atenção especial às contraindicações.

Quais São os Principais Usos Medicinais da Nogueira-Negra?

A tradição emprega a nogueira-negra pelas propriedades antiparasitárias, antimicrobianas, antifúngicas e adstringentes atribuídas a ela, em infecções intestinais por parasitas e fungos e em afecções de pele como eczema, psoríase, micose e pé de atleta. Ela também aparece em registros de apoio à digestão, como laxante suave e tônico intestinal. A pesquisa atual investiga em laboratório a atividade anti-inflamatória e antiproliferativa de seus polifenóis, mas esses resultados ainda não foram confirmados em estudos clínicos com seres humanos.

Como a Nogueira-Negra Interage com Outras Plantas no Jardim?

A nogueira-negra é conhecida pela alelopatia, pois libera no solo a juglona, substância que pode inibir o crescimento de muitas outras plantas. Espécies sensíveis, como macieiras, mirtileiros, pinheiros e tomateiros, não devem ser cultivadas perto dela. Por outro lado, várias plantas toleram a juglona e se desenvolvem bem nas proximidades, entre elas o bordo-açucareiro, a cerejeira, o corniso, o pessegueiro e diversas gramíneas e flores. Antes de plantar qualquer espécie perto de uma nogueira-negra, convém pesquisar a compatibilidade dela com a juglona.

Como Diferenciar a Nogueira-Negra da Nogueira-Comum?

A nogueira-negra (Juglans nigra) é nativa da América do Norte e usada tradicionalmente pela casca e pelo invólucro verde do fruto, enquanto a nogueira-comum (Juglans regia) produz a noz de mesa vendida como alimento. São espécies diferentes, e por isso não se devem confundir usos nem transferir dados de segurança entre as duas. Na cozinha, as nozes da nogueira-negra também se distinguem pelo sabor mais intenso e pela casca bem mais dura.

Quem Tem Alergia a Nozes Pode Usar a Nogueira-Negra?

A planta é contraindicada nesse caso: por pertencer à família das nozes de árvore, ela pode causar reação alérgica cruzada em quem já é alérgico a outras nozes, incluindo a noz comum, a castanha-de-caju e a amêndoa. As reações podem variar de dermatite de contato a anafilaxia, e um alérgeno específico da espécie, a proteína Jug n 4, já foi isolado e caracterizado em laboratório.

Gestantes e Lactantes Podem Usar a Nogueira-Negra?

Gestantes e lactantes não devem usar a nogueira-negra, porque a planta contém juglona, substância com atividade biológica marcada, e faltam dados de segurança para essas fases. O possível efeito emenagogo atribuído à casca reforça essa restrição. Pelo mesmo motivo, qualquer pessoa deve evitar o uso interno prolongado ou em dose concentrada, e crianças não devem receber preparações da planta sem orientação médica.

Aviso: este conteúdo é informativo e não substitui orientação de profissional de saúde. Consulte um médico ou fitoterapeuta antes de usar plantas medicinais, especialmente na gravidez, na lactação ou em uso de medicamentos.

Como citar este artigo

ABNT NATUGREENS. Nogueira-Negra (Juglans nigra): Propriedades e Benefícios. Natugreens, 3 nov. 2026. Disponível em: https://natugreens.com/pt/juglans-nigra-nogueira-negra/. Acesso em: 4 nov. 2026.
APA Natugreens. (2026). Nogueira-Negra (Juglans nigra): Propriedades e Benefícios. Natugreens. https://natugreens.com/pt/juglans-nigra-nogueira-negra/

Referências e Estudos Científicos

5 Referências Citadas

Nível de Evidência: 🥈 Moderado

Baseado em 5 Referências Citadas (5 Peer-Reviewed).

  1. PMC2022 Antora SA, et al. Quantification of Vitamins, Minerals, and Amino Acids in Black Walnut (Juglans nigra). Front Nutr. 2022.
  2. PMC2018 Ho KV, et al. Identifying Antibacterial Compounds in Black Walnuts (Juglans nigra) Using a Metabolomics Approach. Metabolites. 2018.
  3. PMC2019 Ho KV, et al. Black Walnut (Juglans nigra) Extracts Inhibit Proinflammatory Cytokine Production From Lipopolysaccharide-Stimulated Human Promonocytic Cell Line U-937. Front Pharmacol. 2019.
  4. PMC2024 Osztie R, et al. Comprehensive Characterization of Phytochemical Composition, Membrane Permeability, and Antiproliferative Activity of Juglans nigra Polyphenols. Int J Mol Sci. 2024.
  5. PMC2017 Zhang YZ, et al. Purification and Characterization of a Black Walnut (Juglans nigra) Allergen, Jug n 4. J Agric Food Chem. 2017.
Este artigo foi esclarecedor?
O que você achou deste artigo?
Nota média: -
Cuidados citados neste perfil

Este perfil trata de toxicidade. Leia a seção antes de qualquer uso.

Ler seção completa
Natugreens

Natugreens

Herbs and Medicinal Teas

A Equipe Editorial da Natugreens reúne profissionais multidisciplinares, com atuação em pesquisa, nutrição e comunicação científica. Nossa missão é oferecer conteúdos claros, responsáveis e baseados em evidências. Cada publicação passa por curadoria e revisão editorial. Assim, garantimos consistência, precisão e transparência nas informações apresentadas.