Eriobotrya japonica (Thunb.) Lindl. / Nêspera, também conhecida popularmente como ameixa-amarela no Brasil e magnório em algumas regiões de Portugal, é uma árvore frutífera subtropical da família Rosaceae, originária do sudeste da China. Descrita por Carl Peter Thunberg e posteriormente classificada por John Lindley, a nespereira é cultivada há mais de 2000 anos, não só pelos seus frutos saborosos, mas também pelas suas reconhecidas propriedades medicinais. As suas folhas, flores e frutos são utilizados na medicina tradicional asiática para tratar uma variedade de condições, desde problemas respiratórios a distúrbios digestivos e inflamatórios.
A nêspera tem sido objeto de crescente interesse científico devido à sua rica composição fitoquímica, que inclui triterpenoides, flavonoides, ácidos fenólicos e carotenoides. Estes compostos bioativos conferem à planta propriedades antioxidantes, anti-inflamatórias, antidiabéticas e anticancerígenas. A utilização da nêspera na fitoterapia moderna valida muitos dos seus usos etnobotânicos, consolidando o seu papel como uma planta medicinal versátil e promissora para a saúde humana.
Nomes Populares e Internacionais da Nêspera
-
- Português: nêspera, nespereira, ameixa-amarela (BR), ameixinha (BR), ameixa-de-inverno (BR), magnório (PT), manganório (PT), magnólio (PT), biba (Macau).
- Espanhol: níspero, níspero japonés, ciruela japonesa.
- Inglês: loquat, japanese medlar, japanese plum.
- Francês: néflier du japon, bibacier.
- Italiano: nespolo del giappone, nespola.
- Alemão: japanische mispel, wollmispel.
Sinónimos Botânicos da Nêspera
Os sinónimos botânicos mais comuns para Eriobotrya japonica incluem Mespilus japonica Thunb. e Photinia japonica (Thunb.) Benth. Embora o nome Eriobotrya japonica seja o mais amplamente aceite e utilizado na taxonomia botânica atual, a compreensão dos seus sinónimos é importante para a pesquisa e identificação em diferentes contextos históricos e regionais. A espécie foi originalmente descrita por Carl Peter Thunberg como Mespilus japonica e posteriormente reclassificada por John Lindley no género Eriobotrya.
Família Botânica: Rosaceae
A Eriobotrya japonica pertence à família Rosaceae, uma das maiores e mais economicamente importantes famílias de plantas com flores, que inclui mais de 2.500 espécies distribuídas em cerca de 90 géneros. Esta família é conhecida por incluir muitas frutas comestíveis populares, como maçãs, peras, pêssegos, cerejas, morangos e framboesas. As Rosaceae são caracterizadas por flores geralmente pentâmeras, com cinco sépalas, cinco pétalas e numerosos estames, e frutos variados, como pomos, drupas e aquénios.
A nespereira partilha muitas características botânicas com outras espécies da família Rosaceae, incluindo a estrutura floral e a composição química. A presença de compostos fenólicos, flavonoides e triterpenoides é comum em muitas plantas desta família, contribuindo para as suas propriedades medicinais e nutricionais. A diversidade genética e química dentro das Rosaceae oferece um vasto campo para a investigação de novos compostos bioativos e aplicações terapêuticas.
Partes Utilizadas da Nêspera
A nespereira é uma planta cujas diversas partes são aproveitadas para fins medicinais e culinários. As folhas são a parte mais comummente utilizada em preparações medicinais, especialmente em chás e extratos, devido ao seu rico perfil fitoquímico. Os frutos são amplamente consumidos frescos e transformados em geleias, compotas e licores. As sementes, embora exijam cautela devido à presença de glicosídeos cianogênicos, também são empregadas na produção de licores específicos. As flores, por sua vez, encontram aplicação na perfumaria, demonstrando a versatilidade desta planta.
- Folhas
- Frutos
- Sementes
- Flores
Usos Etnobotânicos e Tradicionais da Nêspera
A nespereira possui uma longa história de uso na etnobotânica e na medicina tradicional, especialmente na Ásia. As folhas são particularmente valorizadas na medicina tradicional chinesa e japonesa. São empregadas para aliviar a tosse, tratar a bronquite crônica e reduzir inflamações. Além disso, são utilizadas como expectorante natural e para auxiliar no tratamento de úlceras e problemas estomacais. Os frutos, ricos em nutrientes, são consumidos para promover a saúde geral e o bem-estar. Estes usos tradicionais são um testemunho da eficácia e da importância cultural da nespereira ao longo dos séculos.
- Alívio da tosse e expectoração
- Anti-inflamatório para doenças respiratórias
- Controle da diarreia
- Diurético
- Estimulante da digestão
- Redução de náuseas e vómitos
- Tratamento de bronquite crónica e asma
- Tratamento de problemas de pele
Propriedades Terapêuticas da Nêspera
A nespereira é reconhecida por uma gama impressionante de propriedades terapêuticas, muitas das quais têm sido validadas por estudos científicos modernos. Entre as suas ações mais notáveis, destacam-se as propriedades anti-inflamatórias, que ajudam a reduzir processos inflamatórios no corpo. Possui também efeitos antidiabéticos, contribuindo para o controlo dos níveis de açúcar no sangue. Como antioxidante, combate os radicais livres, protegendo as células do stress oxidativo. Além disso, atua como antitussígena, aliviando a tosse, e broncodilatadora, facilitando a respiração. É ainda expectorante, auxiliando na eliminação de secreções, hepatoprotetora, protegendo o fígado, e neuroprotetora, salvaguardando o sistema nervoso.
- Antibacteriano (combate bactérias)
- Anticancerígeno (previne o cancro)
- Antidiabético (ajuda a controlar o açúcar no sangue)
- Anti-inflamatório (reduz inflamações)
- Antioxidante (combate radicais livres)
- Antiviral (combate vírus)
- Hepatoprotetor (protege o fígado)
- Hipoglicemiante (reduz o açúcar no sangue)
- Imunomodulador (modula o sistema imunitário)
- Neuroprotetor (protege o sistema nervoso)
- Nefroprotetor (protege os rins)
Perfil Fitoquímico Detalhado da Nêspera
O perfil fitoquímico da Eriobotrya japonica é complexo e diversificado, sendo a base para as suas amplas propriedades terapêuticas. A planta é rica em triterpenos, incluindo ácido ursólico, ácido corosólico, ácido oleanólico, ácido maslínico e ácido tormentico, que são conhecidos pelas suas atividades anti-inflamatórias e antidiabéticas. Flavonoides como quercetina, kaempferol, apigenina e luteolina contribuem para as suas ações antioxidantes.
Outros compostos importantes incluem glicosídeos de sesquiterpeno, derivados de megastigmano, fenilpropanóides e ácidos orgânicos. Polifenóis como o ácido 3-cafeoilquínico (3-CQA) e o ácido 5-cafeoilquínico (5-CQA) também estão presentes. É importante notar a presença de glicosídeos cianogênicos, como a amigdalina, especialmente nas sementes e folhas jovens, que requerem cautela no consumo.
- Ácidos fenólicos (ácido clorogénico, ácido cafeico)
- Carotenoides (beta-caroteno, criptoxantina)
- Flavonoides (quercetina, rutina, apigenina, naringenina, epicatequina)
- Polissacarídeos
- Proantocianidinas (procianidina C1)
- Saponinas
- Taninos
- Triterpenoides (ácido ursólico, ácido oleanólico, ácido maslínico)
- Vitaminas (A, C, B6)
Formas de Preparo e Administração da Nêspera
A nespereira pode ser preparada e administrada de diversas maneiras, dependendo da parte da planta utilizada e do objetivo terapêutico. A decocção das folhas é uma forma comum de preparar chás medicinais, aproveitando as suas propriedades expectorantes e anti-inflamatórias. Extratos das folhas também são utilizados em formulações mais concentradas. Os frutos são versáteis e podem ser transformados em geleias, compotas e xaropes, além de serem consumidos frescos. Licores podem ser feitos tanto dos frutos quanto das sementes, embora estas últimas exijam um processamento cuidadoso devido à sua toxicidade potencial. A escolha da forma de preparo deve considerar a segurança e a eficácia desejada.
- Chá (infusão/decocção das folhas)
- Extrato fluido
- Extrato seco
- Fruto fresco
- Sumo
- Tintura
Sinergia com Outras Plantas Medicinais
A nespereira demonstra um potencial significativo para sinergia com outras plantas medicinais, otimizando os resultados terapêuticos em diversas condições. A combinação de diferentes ervas pode amplificar os efeitos benéficos e proporcionar uma abordagem mais holística à saúde. Esta prática é comum em sistemas de medicina tradicional, onde a interação entre os compostos bioativos de várias plantas é explorada para criar formulações mais potentes e equilibradas. A seguir, exploramos algumas combinações sugeridas para a nespereira.
Controle Glicémico
Para o suporte no controle da glicemia, a nêspera pode ser associada a plantas como a canela (Cinnamomum verum) e a gymnema (Gymnema sylvestre). A nêspera contribui com seus compostos hipoglicemiantes, enquanto a canela melhora a sensibilidade à insulina e a gymnema reduz a absorção de glicose. Esta combinação pode ser útil como adjuvante em programas de manejo da diabetes, sempre sob orientação profissional.
Saúde Respiratória
A nêspera pode ser combinada com plantas como o gengibre (Zingiber officinale) e o eucalipto (Eucalyptus globulus) para potenciar os efeitos expectorantes e anti-inflamatórios. Esta sinergia é benéfica no tratamento de tosses, bronquites e outras condições respiratórias, ajudando a aliviar a congestão e a promover a eliminação de muco. Os compostos ativos da nêspera, como os triterpenoides, atuam em conjunto com os óleos essenciais destas plantas para um efeito mais abrangente.
Suporte Antioxidante
A combinação da nêspera com outras frutas ricas em antioxidantes, como bagas de açaí (Euterpe oleracea) ou romã (Punica granatum), pode criar uma potente sinergia para combater o stress oxidativo. Os flavonoides e carotenoides da nêspera complementam os antioxidantes destas frutas, oferecendo uma proteção celular reforçada contra os danos dos radicais livres e contribuindo para a saúde geral e o antienvelhecimento.
Receitas e Protocolos de Uso da Nêspera
A nespereira oferece diversas opções de preparo e uso, desde chás simples até xaropes mais elaborados, permitindo que os seus benefícios sejam incorporados na rotina diária. É fundamental seguir as instruções de preparação e dosagem para garantir a segurança e a eficácia. As receitas apresentadas a seguir são exemplos de como a nespereira pode ser utilizada para promover a saúde e o bem-estar, aproveitando as suas propriedades medicinais e nutricionais. A criatividade na cozinha e na fitoterapia pode expandir ainda mais as possibilidades de uso desta planta.
Chá de Folhas de Nêspera para Tosse
Ingredientes: 10-15 folhas secas de nespereira, 500 ml de água.
Preparação: Lave bem as folhas e coloque-as numa panela com a água. Leve ao lume e deixe ferver por 15-20 minutos. Coe e beba morno. Pode adicionar mel e limão a gosto. Consumir 2-3 chávenas por dia para aliviar a tosse, bronquite e dores de garganta. As folhas da nêspera são ricas em triterpenoides que possuem propriedades expectorantes e anti-inflamatórias.
Infusão de Flores de Nêspera para Digestão
Ingredientes: 1 colher de sopa de flores secas de nespereira, 250 ml de água fervente.
Preparação: Coloque as flores numa chávena e adicione a água fervente. Tape e deixe em infusão por 10 minutos. Coe e beba após as refeições. Esta infusão é útil para estimular a digestão, aliviar náuseas e reduzir o desconforto gastrointestinal. As flores contêm flavonoides que contribuem para estas propriedades.
Compota de Nêspera para Saúde Intestinal
Ingredientes: 500 g de nêsperas maduras, 100 g de açúcar (ou adoçante a gosto), sumo de 1 limão.
Preparação: Lave, descasque e retire os caroços das nêsperas. Corte a polpa em pedaços e coloque numa panela com o açúcar e o sumo de limão. Cozinhe em lume brando, mexendo ocasionalmente, até as nêsperas ficarem macias e a compota atingir a consistência desejada (cerca de 20-30 minutos). Armazene em frascos esterilizados. Consumir uma porção diária para promover a regularidade intestinal e fornecer fibras dietéticas.
Tintura de Folhas de Nêspera
Ingredientes: 50 g de folhas secas de nespereira picadas, 250 ml de álcool de cereais a 70%.
Preparação: Coloque as folhas num frasco de vidro escuro e cubra com o álcool. Feche bem e deixe macerar por 2-4 semanas em local fresco e escuro, agitando diariamente. Coe e armazene a tintura. Tomar 20-30 gotas diluídas em água, 2-3 vezes ao dia, para suporte anti-inflamatório e antioxidante. Esta forma concentrada é eficaz para aproveitar os fitoquímicos das folhas.
Xarope de Nêspera para Imunidade
Ingredientes: 1 kg de nêsperas maduras, 500 g de açúcar mascavado, 500 ml de água, sumo de 1 limão.
Preparação: Lave as nêsperas, retire as sementes e a casca. Corte a polpa em pedaços. Em uma panela, adicione a polpa, o açúcar e a água. Cozinhe em fogo baixo, mexendo ocasionalmente, até obter uma consistência de xarope (cerca de 30-40 minutos). Adicione o sumo de limão nos últimos 5 minutos. Coe a mistura, se desejar um xarope mais liso, e armazene em frasco esterilizado. Consuma 1 colher de sopa, 2 vezes ao dia, para fortalecer a imunidade e como auxiliar em gripes e resfriados.
Terapias Associadas à Nêspera
A nespereira não se limita apenas ao uso tradicional, sendo também integrada em diversas terapias associadas que exploram as suas propriedades de forma mais estruturada e científica. A sua aplicação em diferentes abordagens terapêuticas demonstra a versatilidade e o reconhecimento dos seus benefícios. Desde a fitoterapia clínica, que padroniza os extratos para um uso mais preciso, até a medicina tradicional chinesa, que a incorpora em complexas formulações herbais, a nespereira desempenha um papel importante. Estas terapias complementam-se, oferecendo um espectro alargado de opções para o tratamento de diversas condições de saúde.
Aromaterapia
O óleo essencial extraído das folhas ou flores da nêspera, embora menos comum, pode ser explorado na aromaterapia pelas suas potenciais propriedades relaxantes e anti-inflamatórias. Pode ser utilizado em difusores para purificar o ar ou em massagens diluído em óleos vegetais para aliviar tensões musculares e inflamações cutâneas. A investigação sobre o óleo essencial de nêspera ainda está em desenvolvimento, mas o seu perfil fitoquímico sugere um potencial promissor para aplicações terapêuticas.
Fitoterapia Clínica
Na fitoterapia clínica, os extratos padronizados de folhas de nespereira são utilizados para o manejo de condições como diabetes tipo 2 e inflamações crônicas. A dosagem é cuidadosamente ajustada com base na concentração de compostos ativos, como o ácido corosólico. A nespereira é frequentemente incorporada em formulações herbais complexas para otimizar os resultados terapêuticos. A prescrição e o acompanhamento devem ser realizados por um profissional de saúde qualificado para garantir a segurança e eficácia do tratamento.
Homeopatia
Embora não seja um remédio homeopático tão proeminente quanto outras plantas, a nêspera pode ser utilizada em preparações homeopáticas para sintomas específicos relacionados com as suas propriedades medicinais. Por exemplo, pode ser considerada para condições respiratórias com tosse seca e irritativa, ou para distúrbios digestivos leves, seguindo os princípios da similitude e da diluição infinitesimal. A sua aplicação na homeopatia requer uma avaliação individualizada por um profissional qualificado.
Medicina Tradicional Chinesa (MTC)
Na MTC, as folhas de nespereira (conhecidas como Pi Pa Ye) são valorizadas por suas propriedades de limpar o calor do pulmão, aliviar a tosse e transformar a fleuma. São usadas para tratar tosse com expectoração amarela, bronquite e outras afecções respiratórias. O fruto (Pi Pa Guo) é considerado nutritivo e refrescante. A nespereira é frequentemente combinada com outras ervas em fórmulas tradicionais para equilibrar o corpo e restaurar a saúde, seguindo os princípios da MTC.
Contraindicações e Efeitos Colaterais da Nêspera
Contraindicações Gerais
A nêspera é geralmente considerada segura quando consumida em quantidades alimentares. No entanto, o consumo de extratos concentrados ou chás em doses elevadas pode apresentar contraindicações. Indivíduos com alergia conhecida a plantas da família Rosaceae devem ter cautela. Mulheres grávidas e a amamentar devem consultar um profissional de saúde antes de usar preparações medicinais de nêspera, devido à falta de estudos conclusivos sobre a sua segurança nestes grupos. Pessoas com condições médicas preexistentes, especialmente diabetes ou distúrbios de coagulação, devem usar a nêspera com moderação e sob supervisão médica, devido aos seus efeitos hipoglicemiantes e potenciais interações com medicamentos.
Efeitos Colaterais Comuns
Os efeitos colaterais da nêspera são raros e geralmente leves. Em alguns casos, o consumo excessivo de frutos pode causar desconforto gastrointestinal, como inchaço ou diarreia, devido ao seu teor de fibras. As sementes da nêspera contêm pequenas quantidades de cianeto glicosídico, que pode ser tóxico se ingerido em grandes quantidades. Por isso, as sementes não devem ser consumidas. Reações alérgicas, embora raras, podem ocorrer e manifestar-se como erupções cutâneas ou prurido em indivíduos sensíveis.
Interações Medicamentosas
Devido às suas propriedades hipoglicemiantes, a nêspera pode potenciar os efeitos de medicamentos antidiabéticos, levando a uma hipoglicemia. Pacientes diabéticos que utilizam insulina ou outros hipoglicemiantes orais devem monitorizar cuidadosamente os seus níveis de açúcar no sangue ao consumir nêspera em doses terapêuticas. Além disso, a nêspera pode ter um ligeiro efeito anticoagulante, o que pode aumentar o risco de hemorragia em indivíduos que tomam medicamentos anticoagulantes, como a varfarina. Recomenda-se precaução e consulta médica nestes casos.
Curiosidades e Fatos Históricos sobre a Nespereira
A história da nespereira é rica e fascinante, entrelaçando-se com a cultura e a botânica de diversas civilizações. Desde a sua origem nas montanhas da China até à sua disseminação global, a planta acumulou um legado de usos e significados. As curiosidades e factos históricos não só enriquecem o nosso conhecimento sobre a Eriobotrya japonica, mas também destacam a sua importância ao longo do tempo, tanto como fonte de alimento e medicina quanto como elemento cultural. Explorar estes aspetos oferece uma perspetiva mais profunda sobre esta notável árvore frutífera.
Origem e Disseminação
A nespereira, apesar do nome japonica, é nativa das regiões montanhosas do sul-central da China. Foi introduzida no Japão há mais de mil anos, onde se tornou amplamente cultivada e apreciada. A partir do Japão, a planta foi levada para outras partes do mundo, incluindo a Europa, no século XVIII. Sua capacidade de adaptação a diferentes climas, de subtropicais a temperados amenos, contribuiu para sua disseminação global. A nespereira é um testemunho da antiga troca cultural e botânica entre o Oriente e o Ocidente.
Simbolismo Cultural
Na cultura chinesa, a nêspera é um símbolo de ouro e riqueza devido à sua cor dourada. É frequentemente utilizada em arranjos ornamentais e em celebrações para simbolizar desejos auspiciosos e as Cinco Prosperidades. A fruta também é mencionada em diversas obras da literatura chinesa medieval, incluindo poemas de Li Bai, um dos maiores poetas da Dinastia Tang. Este simbolismo cultural destaca a importância da nespereira não apenas como alimento e remédio, mas também como um elemento significativo na arte e tradição.
Variedades e Cultivo
Existem diversas variedades de nêspera, com diferenças no tamanho, cor e sabor dos frutos. As variedades de polpa vermelha e polpa branca são as mais comuns, cada uma com características nutricionais e organolépticas distintas. A nespereira é uma árvore de fácil cultivo, que prefere solos bem drenados e exposição solar plena, sendo relativamente resistente a pragas e doenças.
Perguntas Frequentes sobre a Nespereira
Para esclarecer dúvidas comuns e fornecer informações adicionais sobre a nespereira, compilamos uma série de perguntas frequentes. Estas questões abordam desde a segurança do consumo das suas partes até as suas aplicações medicinais e culinárias. O objetivo é oferecer um guia prático e acessível para quem deseja conhecer melhor esta planta versátil. As respostas são baseadas em conhecimentos científicos e etnobotânicos, visando promover um uso informado e consciente da Eriobotrya japonica.
As Sementes da Nêspera São Comestíveis?
As sementes da nêspera não são recomendadas para consumo devido à presença de glicosídeos cianogênicos, como a amigdalina, que podem ser tóxicos em grandes quantidades. Embora o sabor amargo geralmente impeça a ingestão excessiva, é mais seguro descartá-las. Pequenas quantidades podem ser usadas para fazer licores, mas com processamento adequado para reduzir a toxicidade.
Qual a Melhor Forma de Consumir a Nêspera?
A nêspera é melhor consumida fresca, diretamente da árvore, quando está macia e laranja. Também pode ser utilizada em geleias, compotas, tortas, sucos e smoothies. As folhas são frequentemente preparadas como chá ou extrato para fins medicinais. A versatilidade da fruta permite diversas formas de consumo, adaptando-se a diferentes preferências e necessidades.
A Nespereira Ajuda no Controle do Diabetes?
Sim, estudos indicam que as folhas da nespereira contêm ácido corosólico, que possui propriedades hipoglicemiantes e pode auxiliar no controle dos níveis de açúcar no sangue. Extratos de folhas de nespereira são utilizados na medicina tradicional para este fim. No entanto, é fundamental que pessoas com diabetes consultem um profissional de saúde antes de incorporar a nespereira em seu tratamento, para evitar interações e garantir a dosagem correta.
A Nespereira Pode Ser Usada Durante a Gravidez?
Devido à presença de glicosídeos cianogênicos nas sementes e folhas jovens, e à falta de estudos conclusivos sobre a segurança em gestantes, é aconselhável que mulheres grávidas ou a amamentar evitem o consumo de extratos ou grandes quantidades de folhas de nespereira. O consumo ocasional de frutos maduros é geralmente considerado seguro, mas a consulta médica é sempre recomendada.
Referências e Estudos Científicos
- Sinha, K., Mishra, N. P., Singh, J., & Khanuja, S. P. S. “Tinospora cordifolia (Guduchi), a reservoir plant for therapeutic applications: A review.” Indian Journal of Traditional Knowledge. 2004. https://nopr.niscpr.res.in/bitstream/123456789/9359/1/IJTK%203%283%29%20257-270.pdf.
- Kumar, P., et al. “Tinospora cordifolia (Giloy): Phytochemistry, Ethnopharmacology, Clinical Application and Conservation Strategies.” Current Pharmaceutical Biotechnology. 2020. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32351180/.
- Sharma, P., et al. “The chemical constituents and diverse pharmacological importance of Tinospora cordifolia.” Heliyon. 2019. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/31701036/.
- Nagral, A., et al. “Herbal Immune Booster-Induced Liver Injury in the COVID-19 Pandemic – A Case Series.” Journal of Clinical and Experimental Hepatology. 2021. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34230786/.
- Kulkarni, A. V., et al. “Tinospora Cordifolia (Giloy)-Induced Liver Injury During the COVID-19 Pandemic – Multicenter Nationwide Study From India.” Hepatology Communications. 2022. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/35037744/.
- Philips, C. A., & Theruvath, A. H. “A comprehensive review on the hepatotoxicity of herbs used in the Indian (Ayush) systems of alternative medicine.” Medicine (Baltimore). 2024. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/38640296/.
- Gupta, A., et al. “Tinospora cordifolia (Giloy): An insight on the multifarious pharmacological paradigms of a most promising medicinal ayurvedic herb.” Heliyon. 2024. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/38390130/.
- Drugs.com. “Tinospora.” Drugs.com. 2024. https://www.drugs.com/npp/tinospora.html.
- Liu, Y., Zhang, W., Xu, C., & Li, X. “Biological Activities of Extracts from Loquat (Eriobotrya japonica Lindl.): A Review.” International Journal of Molecular Sciences. 2016. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/27929430/.
-
Zhu, X., Wang, L., Zhao, T., & Jiang, Q. “Traditional uses, phytochemistry, pharmacology, and toxicity of Eriobotrya japonica leaves: A summary.” Journal of Ethnopharmacology. 2022. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/35870687/.
- El Aouni, N., et al. “Eriobotrya japonica (Thunb.) Lindl.: Ethnomedicinal uses, phytochemical contents and pharmacological properties: A Review.” Ethnobotany Research and Applications. 2025. https://ethnobotanyjournal.org/index.php/era/article/view/6901.
- Syahputra, R. A., et al. “Eriobotrya japonica a review: Phytochemical constituents, pharmacological activities, and potential applications.” Journal of Ethnopharmacology. 2025. https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S2666154325004624.
- Infante-Rodríguez, D. A., et al. “Phytochemical composition of Eriobotrya japonica (Thunb.) Lindl. fruit and leaves from Mexico.” Revista Mexicana de Ciencias Forestales. 2024. http://www.scielo.org.mx/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2007-42982024000401231.
- Bisso, B. N., et al. “Phytochemical Analysis and Antifungal Potentiating Activity of Eriobotrya japonica (Thunb.) Lindl. Leaves.” Molecules. 2022. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/35464619/.
- Maher, K., et al. “Anti-inflammatory and antioxidant properties of Eriobotrya japonica (Thunb.) Lindl. leaves.” Journal of Ethnopharmacology. 2015. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/26124811/.
- Mogole, L., et al. “Phytochemical screening, anti-oxidant activity and alpha-amylase inhibition study using different extracts of loquat (Eriobotrya japonica) leaves.” Heliyon. 2020. https://www.cell.com/heliyon/fulltext/S2405-8440(20)31579-6.
- Goulas, V., et al. “Phytochemical content, antioxidants and cell wall metabolism of two loquat (Eriobotrya japonica) cultivars under different storage regimes.” Food Chemistry. 2014. https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0308814614000752.
-
Zhang, L., et al. “UHPLC-QTOF-MS based metabolomics and biological activities of different parts of Eriobotrya japonica.” Food Research International. 2021. https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0963996921001411.
- Dhiman, A., et al. “Current Status of Loquat (Eriobotrya Japonica Lindl.): Bioactive Functions, Preservation Approaches, and Processed Products.” Food Reviews International. 2022. https://www.tandfonline.com/doi/abs/10.1080/87559129.2020.1866007.
- Healthline. “7 Surprising Benefits of Loquats.” Healthline. https://www.healthline.com/nutrition/loquats.
- WebMD. “Health Benefits of Loquat.” WebMD. https://www.webmd.com/diet/health-benefits-loquat.
- USDA Plants Database. “Eriobotrya japonica (Thunb.) Lindl.” USDA Plants Database. https://plants.usda.gov/plant-profile/ERJA3.
- Missouri Botanical Garden. “Eriobotrya japonica – Plant Finder.” Missouri Botanical Garden. http://www.missouribotanicalgarden.org/plantfinder/PlantFinderDetails.aspx?taxonid=286498.
- North Carolina State University Extension. “Eriobotrya japonica (Japanese Medlar, Japanese Plum, Loquat).” NCSU Extension. https://plants.ces.ncsu.edu/plants/eriobotrya-japonica/.
- UF/IFAS EDIS. “ENH394/ST235: Eriobotrya japonica: Loquat.” UF/IFAS EDIS. https://edis.ifas.ufl.edu/publication/ST235.
- Useful Tropical Plants. “Eriobotrya japonica.” Useful Tropical Plants. https://tropical.theferns.info/viewtropical.php?id=Eriobotrya+japonica.
- PFAF. “Eriobotrya japonica Loquat, Japanese.” Plants for a Future. https://pfaf.org/user/plant.aspx?latinname=Eriobotrya+japonica.
- Simão-Bianchini, R. “Eriobotrya.” Flora e Funga do Brasil. 2020. https://floradobrasil.jbrj.gov.br/FB87434.
- Xu, X., et al. “Key Bioactive Constituents in Loquat and Their Potential Health Benefits.” Bioactive Compounds and Health. 2025. https://bioscipublisher.com/index.php/be/article/html/3976/.