Tinospora cordifolia (Willd.) Miers / Guduchi, também conhecida como giloy ou semente da lua com folhas de coração, é uma trepadeira herbácea da família Menispermaceae, nativa do Sul e Sudeste Asiático. Amplamente utilizada na medicina Ayurvédica, esta planta é valorizada pelas suas propriedades imunomoduladoras, anti-inflamatórias e antioxidantes, sendo um pilar na fitoterapia tradicional indiana.
Na tradição Ayurvédica, a Tinospora cordifolia é frequentemente referida como “Amrita”, que significa “néctar da imortalidade”, devido à sua capacidade de promover a longevidade e a vitalidade. A investigação científica moderna tem vindo a validar muitos dos seus usos tradicionais, destacando a sua rica composição fitoquímica. Esta planta tem sido objeto de inúmeros estudos que exploram os seus potenciais efeitos anti-inflamatórios, antioxidantes, antidiabéticos e hepatoprotetores, consolidando o seu papel como uma das plantas medicinais mais importantes e estudadas no contexto da fitoterapia global.
Nomes Populares e Internacionais da Guduchi
- Português: guduchi, giloy, semente da lua com folhas de coração, amrita, amruth, raiz da imortalidade.
- Espanhol: guduchi, giloy, semilla de luna con hojas de corazón.
- Inglês: guduchi, giloy, heart-leaved moonseed, Indian tinospora, amrita.
- Francês: guduchi, giloy.
- Italiano: guduchi, giloy.
- Alemão: guduchi, giloy.
Nomes Populares e Internacionais do Guduchi
Sinónimos Botânicos da Guduchi
A Tinospora cordifolia (Willd.) Miers possui alguns sinónimos botânicos que podem ser encontrados na literatura. Entre os mais comuns, destacam-se Menispermum cordifolium Willd. e Cocculus cordifolius (Willd.) DC. Estas denominações históricas refletem as diferentes classificações taxonómicas ao longo do tempo, contudo, Tinospora cordifolia é o nome atualmente aceite e amplamente reconhecido na botânica e farmacologia modernas. Outro sinónimo menos comum é Tinospora glabra (N.Burman) Merr.
Família Botânica: Menispermaceae
A Tinospora cordifolia pertence à família Menispermaceae, um grupo de plantas dicotiledóneas que inclui diversas espécies com propriedades medicinais. Esta família é caracterizada por trepadeiras lenhosas ou herbáceas, com folhas alternas e flores unissexuais. A Menispermaceae é distribuída principalmente em regiões tropicais e subtropicais, e muitas das suas espécies são conhecidas pela presença de alcaloides e outros compostos bioativos.
A família Menispermaceae é reconhecida pela sua diversidade química, que contribui para as suas aplicações na medicina tradicional. A Tinospora cordifolia, em particular, destaca-se pela sua riqueza em fitoquímicos que lhe conferem um amplo espectro de atividades farmacológicas. A compreensão da sua classificação botânica é fundamental para o estudo aprofundado das suas propriedades e para a sua correta identificação.
Partes Utilizadas da Guduchi
- Caule (o mais comum e estudado)
- Folhas
- Raízes
As partes da Tinospora cordifolia mais frequentemente utilizadas para fins medicinais incluem os caules, as folhas e as raízes. O caule, em particular, é a parte mais valorizada devido à sua concentração de compostos bioativos.
Usos Etnobotânicos e Tradicionais da Guduchi
- Anemia
- Artrite reumatoide (anti-inflamatório)
- Aumento da imunidade (imunomodulador)
- Diabetes (hipoglicemiante)
- Diarreia crónica e disenteria
- Distúrbios digestivos e dispepsia
- Estresse e ansiedade (adaptogénico)
- Febre (antipirético)
- Gota
- Icterícia (hepatoprotetor)
- Problemas de pele
- Tónico geral e rejuvenescedor (rasayana)
A Tinospora cordifolia é tradicionalmente empregada em diversas aplicações etnobotânicas, sendo valorizada por suas propriedades anti-inflamatórias, antipiréticas (reduz a febre), antitumorais e antioxidantes. É utilizada no tratamento de condições como diarreia crónica, disenteria, febre e icterícia. Além disso, atua como hepatoprotetor, hipoglicemiante (reduz o açúcar no sangue), hipolipemiante (reduz os lípidos no sangue), imunomodulador e osteoprotetor, contribuindo para a saúde digestiva e o bem-estar geral.
Propriedades Terapêuticas da Guduchi
- Adaptogénico (ajuda o corpo a adaptar-se ao estresse)
- Antibacteriano (combate bactérias)
- Anticancerígeno (potencial na prevenção e tratamento do câncer)
- Antidiabético (ajuda a controlar o açúcar no sangue)
- Antiespasmódico (alivia espasmos)
- Anti-artrítico (combate a artrite)
- Anti-inflamatório (reduz inflamações)
- Antioxidante (combate radicais livres)
- Antipirético (reduz a febre)
- Antiviral (combate vírus)
- Cardioprotetor (protege o coração)
- Hepatoprotetor (protege o fígado)
- Imunomodulador (modula o sistema imunitário)
- Neuroprotector (protege o sistema nervoso)
As propriedades terapêuticas da Tinospora cordifolia são vastas e incluem ações antibacterianas (combate bactérias), anticancerígenas (previne o câncer), antidiabéticas (ajuda a controlar o açúcar no sangue), anti-inflamatórias (reduz inflamações), antioxidantes (combate radicais livres) e antipiréticas (reduz a febre). Além disso, a planta é reconhecida como cardioprotetora (protege o coração), hepatoprotetora (protege o fígado), hipoglicemiante (reduz o açúcar no sangue), imunomoduladora (modula o sistema imunitário), neuroprotetora (protege o sistema nervoso) e osteoprotetora (protege os ossos), oferecendo um amplo espectro de benefícios para a saúde.
Perfil Fitoquímico Detalhado da Guduchi
- Alcaloides: berberina, jatrorrizina, magnoflorina, palmatina, tinosporina.
- Diterpenoides: cordifoliosídeos A-E, furanoditerpenoides, tinosporídeo, tinosporona.
- Esteroides: beta-sitosterol, ecdisterona.
- Glicosídeos: syringen, tinocordisídeo.
- Outros Compostos: ácidos fenólicos, compostos alifáticos, flavonoides, lignanas, polissacarídeos, sesquiterpenoides.
O perfil fitoquímico da Tinospora cordifolia é rico e diversificado, incluindo importantes classes de compostos como alcaloides (berberina, palmatina, tinosporina), fitoesteróis (beta-sitosterol), glicosídeos (tinosporídeo, cordifoliosídeo), lignanas, polissacarídeos e terpenoides (tinosporona, tinosporol). Estes componentes bioativos são responsáveis pela vasta gama de atividades farmacológicas atribuídas à planta, conferindo-lhe as suas propriedades medicinais e terapêuticas.
Formas de Preparo e Administração da Guduchi
- Decocção (chá do caule)
- Extratos padronizados (cápsulas, comprimidos)
- Pó (do caule seco)
- Suco fresco do caule
- Tinturas
A Tinospora cordifolia pode ser administrada de diversas formas, dependendo da finalidade terapêutica e da preferência individual. As preparações mais comuns incluem cápsulas, decocções (chás), extratos fluidos, extratos secos, pós e tinturas. Cada forma de preparo oferece uma concentração e biodisponibilidade distintas dos compostos ativos da planta, permitindo uma aplicação versátil na fitoterapia.
Sinergia com Outras Plantas Medicinais
Suporte Imunológico
A Tinospora cordifolia, conhecida como guduchi, demonstra sinergia notável com outras plantas para fortalecer o sistema imunológico. A combinação com Withania somnifera (ashwagandha) e Ocimum sanctum (tulsi) pode potencializar os efeitos adaptogénicos e imunomoduladores. O guduchi, com seus polissacarídeos e alcaloides, atua em conjunto com os withanolides da ashwagandha e os eugenóis do tulsi, promovendo uma resposta imune equilibrada e robusta, essencial para a resistência a infeções e o bem-estar geral.
Saúde Hepática
A combinação de guduchi com Phyllanthus emblica (amla) e Andrographis paniculata (kalmegh) é eficaz para a proteção e regeneração hepática. Esta sinergia é particularmente útil em casos de toxicidade hepática ou para manter a saúde do fígado. O guduchi oferece propriedades hepatoprotetoras e antioxidantes, enquanto amla e kalmegh contribuem com compostos que desintoxicam o fígado e promovem a função biliar, resultando numa ação protetora e reparadora sobre o órgão.
Controlo Glicémico
A associação de guduchi com Momordica charantia (melão-de-São-Caetano) e Pterocarpus marsupium (kino indiano) pode ser benéfica para o controlo dos níveis de glicose no sangue. Esta combinação é valorizada na medicina Ayurvédica para o manejo da diabetes. Os alcaloides e glicosídeos da Tinospora cordifolia atuam em conjunto com os charantinas do melão-de-São-Caetano e os pterostilbenos do kino indiano, promovendo a sensibilidade à insulina e a redução da glicemia, oferecendo um suporte natural para a saúde metabólica.
Controlo Glicémico
Para o controlo da glicemia, o guduchi pode ser associado a Momordica charantia (melão-de-são-caetano) e Pterocarpus marsupium (kino indiano). Esta combinação é utilizada tradicionalmente para otimizar a regulação do açúcar no sangue. Os compostos ativos do guduchi, como os diterpenoides, atuam sinergicamente com a charantina do melão-de-são-caetano e os flavonoides do kino indiano, promovendo a sensibilidade à insulina e reduzindo a absorção de glicose, o que é benéfico para indivíduos com diabetes tipo 2.
Receitas e Protocolos de Uso da Guduchi
Decocção para Imunidade
Ingredientes: 10-15 cm de caule fresco de Tinospora cordifolia (guduchi), 2 chávenas de água.
Preparação: Lave bem o caule e corte-o em pequenos pedaços. Esmague ligeiramente os pedaços para libertar os sucos. Coloque o caule esmagado numa panela com a água e leve a ferver. Reduza o lume e deixe cozinhar em lume brando até que a água se reduza para metade (aproximadamente 1 chávena). Coe e beba morno. Consuma 1 chávena por dia para fortalecer o sistema imunológico e como tónico geral. Esta decocção é tradicionalmente usada para febres e para aumentar a resistência do corpo.
Pó de Guduchi para Diabetes
Ingredientes: 1 colher de chá (3-5 g) de pó de guduchi seco.
Preparação: Misture o pó de guduchi com água morna ou mel e consuma uma vez ao dia, antes das refeições. Esta forma de administração é tradicionalmente utilizada para ajudar a gerir os níveis de açúcar no sangue em indivíduos com diabetes tipo 2. É importante monitorizar os níveis de glicose regularmente e consultar um profissional de saúde para ajustar a dosagem e evitar interações com medicamentos antidiabéticos.
Pó de Guduchi para Suporte Digestivo
Ingredientes: 1 colher de chá de pó de Tinospora cordifolia (guduchi), 1 chávena de água morna ou mel.
Preparação: Misture o pó de guduchi na água morna ou com uma colher de mel até formar uma pasta homogénea. Consuma esta mistura uma ou duas vezes ao dia, preferencialmente antes das refeições. Este protocolo é benéfico para melhorar a digestão, aliviar a acidez e apoiar a saúde gastrointestinal. O pó de guduchi é conhecido pelas suas propriedades amargas que estimulam o apetite e a função digestiva.
Suco Fresco para Febre
Ingredientes: 20-30 cm de caule fresco de guduchi, 50 ml de água.
Preparação: Lave bem o caule fresco e corte-o em pequenos pedaços. Triture os pedaços com a água num liquidificador até obter uma pasta homogénea. Coe a pasta através de um pano fino para extrair o suco. Consumir 15-20 ml do suco fresco, uma vez ao dia, preferencialmente pela manhã. Este suco é conhecido pelas suas propriedades antipiréticas e pode ajudar a reduzir a febre e a inflamação.
Tintura de Guduchi para Stress Adaptogénico
Ingredientes: 200 g de caule seco de Tinospora cordifolia (guduchi) picado, 1 litro de álcool a 70%.
Preparação: Coloque o caule picado num frasco de vidro escuro e cubra com o álcool. Feche bem e deixe macerar por 2 a 4 semanas em local fresco e escuro, agitando diariamente. Após o período de maceração, coe a mistura através de um pano fino ou filtro de café e armazene a tintura resultante num frasco de vidro escuro. Tome 20-30 gotas diluídas em água, duas a três vezes ao dia, para ajudar o corpo a adaptar-se ao stress e promover a vitalidade geral. A tintura concentra os compostos ativos da planta, oferecendo um efeito adaptogénico mais pronunciado.
Terapias Associadas à Guduchi
Ayurveda
Na medicina Ayurvédica, a Tinospora cordifolia, ou guduchi, é reverenciada como uma das ervas mais importantes, classificada como rasayana, o que significa que promove a longevidade e rejuvenesce o corpo. É amplamente utilizada para equilibrar os três doshas (Vata, Pitta e Kapha) e é considerada um tónico amargo que purifica o sangue e o fígado. O guduchi é prescrito para uma vasta gama de condições, incluindo febres crónicas, diabetes, doenças autoimunes e distúrbios digestivos, devido às suas propriedades adaptogénicas, imunomoduladoras e anti-inflamatórias. A sua aplicação no Ayurveda é holística, visando restaurar o equilíbrio e a saúde integral do indivíduo.
Fitoterapia Moderna
A fitoterapia moderna tem demonstrado um crescente interesse na Tinospora cordifolia, com estudos a investigar as suas propriedades farmacológicas e potenciais aplicações clínicas. Extratos padronizados de guduchi são utilizados como suplementos para suporte imunológico, controlo glicémico e como agentes anti-inflamatórios. A pesquisa foca-se na identificação e isolamento dos seus compostos bioativos, como alcaloides e glicosídeos, para desenvolver terapias mais direcionadas. A fitoterapia moderna integra o conhecimento tradicional com a evidência científica, posicionando o guduchi como uma planta promissora para diversas condições de saúde, incluindo o manejo de doenças crónicas e o fortalecimento da imunidade.
Contraindicações e Efeitos Colaterais da Guduchi
Contraindicações Gerais
A Tinospora cordifolia, ou guduchi, é geralmente considerada segura quando utilizada nas doses recomendadas. Contudo, deve ser evitada por indivíduos com hipersensibilidade conhecida a qualquer um dos seus componentes. Mulheres grávidas e lactantes devem consultar um profissional de saúde antes de usar guduchi, devido à falta de estudos conclusivos sobre a sua segurança nestes grupos. Pessoas com doenças autoimunes devem usar com cautela, pois o guduchi possui propriedades imunomoduladoras que podem interagir com a condição.
Efeitos Colaterais Comuns
Embora raros, alguns efeitos colaterais podem ocorrer com o uso de Tinospora cordifolia. Os mais comuns incluem distúrbios gastrointestinais leves, como náuseas, vómitos, diarreia ou obstipação. Em alguns casos, pode ocorrer uma leve erupção cutânea. Estes efeitos são geralmente transitórios e desaparecem com a interrupção do uso ou ajuste da dose. É importante observar que o uso excessivo ou prolongado de guduchi, especialmente de produtos adulterados, tem sido associado a casos de lesão hepática, conforme relatado em estudos recentes na Índia.
Interações Medicamentosas
A Tinospora cordifolia pode interagir com certos medicamentos. Devido às suas propriedades hipoglicemiantes, pode potenciar o efeito de medicamentos para diabetes, levando a uma hipoglicemia. Indivíduos que tomam imunossupressores devem usar guduchi com cautela, pois a planta pode estimular o sistema imunológico, o que pode ser contraproducente. Também pode interagir com anticoagulantes, aumentando o risco de hemorragias. É crucial consultar um profissional de saúde antes de combinar guduchi com qualquer medicação, para evitar interações adversas e garantir a segurança do tratamento.
Curiosidades sobre a Guduchi
A Lenda de Amrita: O Néctar da Imortalidade
Na mitologia hindu, o guduchi é associado ao “Amrita”, o néctar da imortalidade. A lenda conta que, durante o Samudra manthan (o batimento do oceano de leite pelos deuses e demónios para obter o néctar), algumas gotas de Amrita caíram na Terra, dando origem à Tinospora cordifolia. Esta crença mítica sublinha a profunda reverência pela planta na cultura indiana e a sua reputação como um rejuvenescedor e promotor da saúde. A planta é frequentemente cultivada em jardins domésticos na Índia, sendo considerada um símbolo de vitalidade e bem-estar.
Crescimento em Outras Árvores
Uma curiosidade interessante sobre a Tinospora cordifolia é a sua capacidade de crescer em outras árvores, como a mangueira ou o nim. Acredita-se que o guduchi que cresce em árvores de nim (Azadirachta indica) absorve algumas das propriedades medicinais do nim, tornando-o ainda mais potente. Este fenómeno é conhecido como “Nim Giloy” e é altamente valorizado na medicina Ayurvédica, sendo considerado superior em termos de eficácia terapêutica.
Planta Adaptogénica
O guduchi é classificado como um adaptogénio, o que significa que ajuda o corpo a adaptar-se ao stress físico, químico e biológico, restaurando o equilíbrio homeostático. Esta propriedade única permite que a planta atue de forma não específica, aumentando a resistência geral do organismo a diversos fatores de stress. A sua capacidade de modular a resposta ao stress torna-a valiosa para a manutenção da saúde e do bem-estar em um mundo moderno.
Estudos Científicos Modernos
Nas últimas décadas, a Tinospora cordifolia tem sido objeto de intensa investigação científica, que tem validado muitos dos seus usos tradicionais. Estudos fitoquímicos identificaram uma vasta gama de compostos bioativos, incluindo alcaloides, diterpenoides e glicosídeos, que são responsáveis pelas suas propriedades terapêuticas. A pesquisa tem-se focado nos seus efeitos imunomoduladores, anti-inflamatórios, antioxidantes e antidiabéticos, com resultados promissores que apoiam a sua aplicação em diversas áreas da saúde. Esta validação científica tem impulsionado o interesse global pelo guduchi como um suplemento natural com grande potencial terapêutico.
Guduchi e a Medicina Ayurvédica
O guduchi é uma das ervas mais importantes e versáteis da medicina Ayurvédica, sendo mencionada em textos clássicos como o Charaka Samhita e o Sushruta Samhita. É classificada como uma “rasayana”, uma categoria de ervas que promovem a saúde, a longevidade e a resistência a doenças. A sua utilização remonta a milhares de anos, com registos que descrevem o seu uso para uma ampla gama de condições, desde febres crónicas até distúrbios metabólicos. A sua adaptabilidade e os seus múltiplos benefícios consolidaram o seu lugar como um pilar fundamental da fitoterapia indiana.
Perguntas Frequentes sobre a Guduchi
A Guduchi Pode Ser Consumida Diariamente?
Sim, a guduchi pode ser consumida diariamente em doses moderadas, geralmente sob a forma de decocção ou pó, para suporte imunológico e bem-estar geral. Contudo, é sempre aconselhável consultar um profissional de saúde ou um praticante de Ayurveda para determinar a dosagem e a duração adequadas, especialmente em casos de condições de saúde específicas ou uso prolongado.
A Guduchi Ajuda a Controlar o Açúcar no Sangue?
Sim, a Tinospora cordifolia possui propriedades hipoglicemiantes e é tradicionalmente utilizada no Ayurveda para ajudar a gerir os níveis de açúcar no sangue. Estudos científicos têm demonstrado que pode melhorar a sensibilidade à insulina e reduzir a glicemia. No entanto, não deve substituir a medicação prescrita para diabetes e deve ser usada com acompanhamento médico para evitar hipoglicemia.
Crianças Podem Consumir Guduchi?
O uso de guduchi em crianças deve ser feito com cautela e sob a supervisão de um profissional de saúde qualificado. Embora seja considerada segura em doses apropriadas, a dosagem deve ser ajustada de acordo com a idade e o peso da criança. É frequentemente utilizada para fortalecer a imunidade e ajudar no tratamento de febres em crianças, mas a consulta médica é fundamental.
A Guduchi Pode Causar Lesão Hepática?
Embora a Tinospora cordifolia seja tradicionalmente valorizada pelas suas propriedades hepatoprotetoras, houve relatos de lesão hepática associada ao seu uso, principalmente em casos de produtos adulterados ou uso excessivo. É crucial adquirir guduchi de fontes confiáveis e seguir as dosagens recomendadas. Se ocorrerem sintomas de disfunção hepática, como icterícia ou fadiga extrema, o uso deve ser interrompido e um médico deve ser consultado imediatamente.
Qual a Melhor Forma de Consumir Guduchi?
A melhor forma de consumir guduchi depende da condição a ser tratada e da preferência individual. As formas mais comuns incluem decocções (chás), pós, tinturas e extratos padronizados em cápsulas. A decocção é ideal para uso diário e suporte imunológico, enquanto os extratos podem oferecer uma dosagem mais concentrada para condições específicas. Um profissional de Ayurveda pode recomendar a forma e a dosagem mais adequadas para cada caso.
O Que é o Chá de Guduchi?
O chá de guduchi é uma infusão ou decocção preparada a partir do caule da planta Tinospora cordifolia. É uma bebida tradicionalmente consumida na medicina Ayurvédica devido às suas propriedades medicinais, como o suporte imunológico, a redução da febre e a regulação dos níveis de açúcar no sangue. Pode ser feito com caule fresco ou seco, e é valorizado pelo seu sabor amargo e pelos seus benefícios para a saúde geral.
Quais São os Principais Benefícios do Chá de Guduchi?
Os principais benefícios do chá de guduchi incluem o fortalecimento do sistema imunológico, a redução da inflamação, a proteção do fígado, a regulação dos níveis de açúcar no sangue e a diminuição da febre. É também conhecido pelas suas propriedades adaptogénicas, que ajudam o corpo a lidar com o estresse. Além disso, pode auxiliar na digestão e na melhoria da saúde da pele, tornando-o um tónico versátil para o bem-estar.
Como Preparar o Chá de Guduchi?
Para preparar o chá de guduchi, pode-se usar cerca de 10-15 cm de caule fresco, cortado em pedaços e ligeiramente esmagado, ou 1 colher de chá de pó de caule seco. Ferva o caule fresco em 500 ml de água até reduzir para metade, coe e beba. Se usar pó, adicione-o a 250 ml de água fervente e cozinhe por 5-7 minutos. O chá pode ser consumido morno, uma ou duas vezes ao dia, dependendo da condição a ser tratada e da orientação de um profissional de saúde.
Existem Contraindicações Para o Consumo de Chá de Guduchi?
Sim, existem contraindicações para o consumo de chá de guduchi. Não é recomendado para mulheres grávidas ou lactantes, indivíduos com doenças autoimunes (como lúpus ou artrite reumatoide) e pessoas com hipersensibilidade à planta. Deve ser usado com cautela por diabéticos devido ao seu efeito hipoglicemiante e por aqueles que tomam medicamentos imunossupressores ou que afetam o fígado. É sempre aconselhável consultar um profissional de saúde antes de iniciar o consumo.
O Chá de Guduchi tem Efeitos Colaterais?
Os efeitos colaterais do chá de guduchi são geralmente raros e leves. Podem incluir distúrbios gastrointestinais como náuseas, vómitos ou diarreia, especialmente em doses elevadas. Em casos raros, podem ocorrer reações alérgicas cutâneas. É importante estar atento a qualquer reação adversa e descontinuar o uso se estas ocorrerem. A consulta com um profissional de saúde pode ajudar a determinar a dosagem adequada e a minimizar o risco de efeitos indesejados.
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