Ginkgo biloba L. / Ginkgo, conhecido popularmente como ginkgo, árvore-dos-quarenta-escudos ou nogueira-do-japão, é uma espécie arbórea única, a única sobrevivente da ordem Ginkgoales, com uma linhagem que remonta a mais de 290 milhões de anos. Originário da China, este fóssil vivo é reverenciado por sua longevidade, resistência a doenças e poluição, e suas folhas em forma de leque, que se tornam douradas no outono. O ginkgo tem sido cultivado por milênios em jardins de templos chineses e japoneses, sendo valorizado tanto por sua beleza ornamental quanto por suas propriedades medicinais.

A pesquisa moderna sobre o ginkgo concentra-se principalmente nos extratos de suas folhas, que são ricos em compostos bioativos como flavonoides e terpenoides. Esses componentes conferem à planta propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias, que têm sido associadas a potenciais benefícios para a saúde cerebral, cardiovascular e ocular. A compreensão de sua biologia reprodutiva e fitoquímica é fundamental para explorar plenamente seu potencial terapêutico.
Nomes Populares e Internacionais do Ginkgo
- Português: árvore-dos-quarenta-escudos, ginkgo, nogueira-do-japão.
- Inglês: ginkgo, maidenhair tree.
- Espanhol: ginkgo, árbol de los cuarenta escudos.
- Francês: ginkgo, arbre aux quarante écus.
- Italiano: ginkgo, albero di capelvenere.
- Alemão: Ginkgo, Fächerblattbaum.
Sinônimos Botânicos do Ginkgo
Embora Ginkgo biloba L. seja o nome científico universalmente aceito, a planta tem uma história taxonômica que inclui algumas denominações que hoje são consideradas sinônimos ou nomes inválidos.
Sinônimos históricos incluem Ginkgo macrophylla K.Koch, Pterophyllus salisburiensis J.Nelson, Salisburia adiantifolia Sm., Salisburia biloba (L.) Hoffmanns., Salisburia ginkgo Rich. e Salisburia macrophylla Reyn. Essas denominações refletem diferentes momentos e interpretações na história da botânica, mas Ginkgo biloba L. permanece como a designação correta e amplamente aceita.
Família Botânica: Ginkgoaceae
A família Ginkgoaceae é monotípica, contendo apenas um gênero vivo, Ginkgo, e uma única espécie, Ginkgo biloba. Essa família pertence à divisão Ginkgophyta, que é a única divisão sobrevivente de um grupo de plantas que floresceu durante o período Mesozoico. A singularidade do ginkgo como um “fóssil vivo” reside em sua morfologia quase inalterada ao longo de milhões de anos, tornando-o um objeto de estudo fascinante para a evolução das plantas. Sua estrutura reprodutiva, com óvulos e espermatozoides móveis, representa uma ponte evolutiva entre as samambaias e as coníferas.
A Ginkgoaceae é caracterizada por árvores decíduas com folhas em forma de leque, dioicas (com plantas masculinas e femininas separadas) e sementes que se assemelham a pequenos frutos. A resistência da família a pragas, doenças e poluição ambiental contribuiu para sua sobrevivência e popularidade como árvore ornamental em ambientes urbanos em todo o mundo. Sua importância não é apenas botânica, mas também cultural e medicinal, com extratos das folhas sendo amplamente utilizados na fitoterapia moderna.
Partes Utilizadas do Ginkgo
- Folhas (principalmente para extratos padronizados)
- Sementes (uso culinário asiático em pequena quantidade e apenas torradas; as sementes cruas são tóxicas e o excesso pode provocar convulsões por ginkgotoxina)
Usos Etnobotânicos e Tradicionais do Ginkgo
- Asma
- Bronquite
- Distúrbios circulatórios
- Problemas de memória e concentração
- Tosse
Propriedades Terapêuticas do Ginkgo
- Anti-inflamatório (efeito estudado na redução de inflamações)
- Antioxidante (atividade estudada contra radicais livres)
- Cardioprotetor (efeito protetor estudado sobre o coração)
- Neuroprotetor (efeito protetor estudado sobre o sistema nervoso)
- Vasodilatador (efeito estudado sobre a circulação sanguínea)
Perfil Fitoquímico Detalhado do Ginkgo
- Ácidos fenólicos
- Alquilfenóis
- Biflavonas (amentoflavona, bilobetina, ginkgetina)
- Flavonoides (isorhamnetina, kaempferol, quercetina)
- Poliprenóis
- Proantocianidinas
- Terpenoides (bilobalídeo, ginkgolídeos A, B, C)
Formas de Preparo e Administração do Ginkgo
- Cápsulas
- Comprimidos
- Extrato fluido
- Extrato seco
- Infusão (folhas secas)
- Tintura
Sinergia com Outras Plantas Medicinais
Suporte à Função Cognitiva
A combinação de Ginkgo biloba com Panax ginseng (ginseng) é frequentemente utilizada para potencializar os efeitos na função cognitiva e na memória. O ginkgo, com seus flavonoides e terpenoides, é estudado pelo efeito sobre a circulação cerebral e pela ação antioxidante, enquanto o ginseng, rico em ginsenosídeos, possui propriedades adaptogênicas e neuroprotetoras. Essa sinergia pode resultar em maior clareza mental, foco e resistência ao estresse, sendo benéfica para estudantes e idosos.
Suporte Cardiovascular
Para suporte cardiovascular, o ginkgo pode ser combinado com Crataegus monogyna (espinheiro-alvar). O ginkgo é estudado pelo efeito sobre a microcirculação, enquanto o espinheiro-alvar tem uso tradicional de apoio ao coração e à pressão arterial. Juntos, eles são tradicionalmente associados a um suporte complementar para a saúde do coração e do sistema circulatório, incluindo quadros leves de alteração da pressão arterial, sempre como coadjuvantes e nunca em substituição ao acompanhamento médico cardiológico.
Redução do Estresse e Ansiedade
A sinergia entre Ginkgo biloba e Rhodiola rosea (rodíola) pode ser explorada para a redução do estresse e da ansiedade. A rodíola é um adaptógeno conhecido por aumentar a resistência do corpo ao estresse físico e mental, enquanto o ginkgo é estudado pelo efeito sobre a oxigenação cerebral e a função neurotransmissora. Essa combinação pode ajudar a equilibrar o humor, reduzir a fadiga mental e promover uma sensação de bem-estar geral.
Receitas e Protocolos de Uso do Ginkgo
Infusão Tradicional de Folhas de Ginkgo
Ingredientes: 1 colher de chá de folhas secas de Ginkgo biloba, 200 ml de água fervente.
Preparação: Colocar as folhas em uma xícara e adicionar a água fervente. Tapar e deixar em infusão por 5 a 10 minutos. Coar e consumir. A tradição recomenda 1 a 2 xícaras por dia, preferencialmente pela manhã e à tarde, como bebida de apoio à circulação; não há comprovação de efeito sobre a memória. Ao contrário do extrato padronizado, a infusão caseira mantém os ácidos ginkgólicos, potencialmente alergênicos, por isso evite o uso prolongado. Evitar o consumo antes de dormir devido ao seu potencial efeito estimulante.
Tintura de Ginkgo para Suporte Cognitivo
Ingredientes: 50 g de folhas secas de Ginkgo biloba, 250 ml de álcool de cereais a 70%.
Preparação: Colocar as folhas em um frasco de vidro escuro e cobrir com o álcool. Fechar bem e deixar macerar por 2 a 4 semanas em local fresco e escuro, agitando diariamente. Coar e armazenar a tintura resultante. A dosagem usual é de 20 a 30 gotas, diluídas em água, 2 a 3 vezes ao dia. Consultar um profissional de saúde para dosagens específicas e duração do tratamento.
Extrato Padronizado de Ginkgo
Protocolo: Utilizar extratos padronizados de Ginkgo biloba (EGb 761) com 24% de flavonoides glicosídeos e 6% de terpeno lactonas. A dosagem comum varia de 120 mg a 240 mg por dia, dividida em 2 ou 3 tomas. Esse formato é o mais estudado cientificamente e oferece maior consistência nos resultados terapêuticos. Seguir sempre as instruções do fabricante ou a orientação de um profissional de saúde.
As preparações acima seguem registros tradicionais e não substituem orientação profissional. Antes de qualquer uso interno, consulte as contraindicações e interações descritas neste artigo.
Terapias Associadas ao Ginkgo
Aromaterapia
Embora o Ginkgo biloba não seja tradicionalmente utilizado em aromaterapia devido à ausência de um óleo essencial aromático significativo, seus benefícios para a circulação e função cerebral podem complementar terapias que utilizam óleos essenciais com propriedades estimulantes ou relaxantes. Por exemplo, a inalação de óleos como alecrim ou hortelã-pimenta pode ser combinada com a suplementação de ginkgo para um efeito sinérgico na clareza mental e foco.
Fitoterapia Clínica
Na fitoterapia clínica, o Ginkgo biloba é amplamente empregado, principalmente na forma de extratos padronizados das folhas. É prescrito para condições como insuficiência cerebrovascular, claudicação intermitente e vertigens de origem vascular. A abordagem clínica foca na dosagem precisa e na monitoração de interações medicamentosas, buscando maior segurança no uso e no acompanhamento dos efeitos observados, muitas vezes em conjunto com outras plantas ou tratamentos convencionais e sob orientação de um profissional de saúde.
Medicina Tradicional Chinesa (MTC)
Na MTC, as sementes de ginkgo (Bai Guo) são valorizadas por suas propriedades adstringentes e tradicionalmente empregadas para problemas respiratórios como asma e tosse, além de incontinência urinária. As folhas são empregadas para melhorar a circulação sanguínea e a função cerebral. A MTC integra o ginkgo em formulações herbais complexas, adaptadas às necessidades individuais do paciente, visando restaurar o equilíbrio energético do corpo.
Contraindicações e Efeitos Colaterais do Ginkgo
Contraindicações Gerais
O Ginkgo biloba é contraindicado em indivíduos com hipersensibilidade conhecida à planta. Não é recomendado para mulheres grávidas ou amamentando, devido à falta de estudos conclusivos sobre sua segurança nestes grupos. Pessoas com distúrbios hemorrágicos ou que tomam medicamentos anticoagulantes (como varfarina, aspirina) ou antiplaquetários devem evitar o ginkgo, pois pode aumentar o risco de hemorragias. Pacientes com epilepsia ou histórico de convulsões devem usar com cautela: o extrato pode reduzir o efeito de anticonvulsivantes, e as sementes contêm ginkgotoxina, que em excesso desencadeia crises.
Interações Medicamentosas
O ginkgo pode interagir com uma variedade de medicamentos, incluindo anticoagulantes e antiplaquetários (aumentando o risco de hemorragia), antidepressivos (como ISRS e IMAO, podendo afetar sua eficácia ou causar síndrome serotoninérgica), AINEs (ibuprofeno, naproxeno, aumentando o risco de hemorragia gastrointestinal) e medicamentos para diabetes (podendo alterar os níveis de glicose no sangue). É crucial consultar um médico ou farmacêutico antes de iniciar a suplementação com ginkgo, especialmente se estiver tomando outros medicamentos.
Efeitos Colaterais Comuns
Os efeitos colaterais mais frequentemente relatados incluem dores de cabeça, tonturas, palpitações, distúrbios gastrointestinais (náuseas, diarreia, dor abdominal) e reações alérgicas cutâneas. Esses efeitos são geralmente leves e transitórios. Em casos raros, podem ocorrer reações mais graves, como hemorragias espontâneas, especialmente em indivíduos suscetíveis ou em uso concomitante de medicamentos que afetam a coagulação.
Curiosidades e Fatos Históricos do Ginkgo
Um Fóssil Vivo
O Ginkgo biloba é frequentemente referido como um “fóssil vivo” devido sua notável persistência evolutiva. É a única espécie sobrevivente de uma ordem de plantas que dominou a flora há milhões de anos, com fósseis que datam de mais de 290 milhões de anos. Sua capacidade de sobreviver a mudanças climáticas e eventos geológicos extremos, mantendo características morfológicas quase inalteradas, é um testemunho de sua resiliência.
Resistência Notável
A resistência do ginkgo é lendária. Exemplares sobreviveram à bomba atômica de Hiroshima, e algumas árvores na China têm mais de 3.500 anos. Essa longevidade e capacidade de suportar condições adversas, incluindo poluição urbana, pragas e doenças, tornam-no uma escolha popular para arborização em cidades ao redor do mundo.
A Descoberta da Reprodução
A reprodução do ginkgo é peculiar. Em 1896, o botânico japonês Sakugoro Hirase descobriu que a fertilização das sementes de ginkgo ocorre através de espermatozoides móveis, uma característica primitiva compartilhada com samambaias e cicadáceas, mas rara entre as plantas com sementes. Essa descoberta foi um marco na botânica, revelando uma ligação evolutiva inesperada.
Perguntas Frequentes sobre o Chá de Ginkgo
O Chá de Ginkgo Realmente Melhora a Memória?
Estudos sobre a eficácia do chá de ginkgo na melhoria da memória em indivíduos saudáveis apresentam resultados inconsistentes. Embora alguns sugiram um leve benefício na concentração e no bem-estar percebido, a maioria das pesquisas não demonstra melhorias significativas na memória ou função cognitiva em adultos jovens. Os benefícios são mais notáveis em casos de declínio cognitivo relacionado à idade ou demência, onde o extrato padronizado é mais utilizado.
Quais São os Principais Benefícios do Chá de Ginkgo?
Os principais benefícios atribuídos ao chá de ginkgo incluem a melhoria da circulação sanguínea, especialmente para o cérebro e extremidades, devido aos seus efeitos vasodilatadores. Possui também propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias, que podem proteger as células do corpo contra danos. Tradicionalmente, é usado para aliviar sintomas de ansiedade, tonturas e zumbido no ouvido.
Existem Efeitos Colaterais ao Consumir Chá de Ginkgo?
Sim, o consumo de chá de ginkgo pode causar efeitos colaterais como dores de cabeça, tonturas, distúrbios gastrointestinais (náuseas, diarreia) e reações alérgicas cutâneas. É crucial evitar o consumo de sementes cruas ou torradas, pois são tóxicas. Pessoas com condições médicas preexistentes ou que tomam outros medicamentos devem consultar um profissional de saúde antes de consumir chá de ginkgo.
Quem Não Deve Tomar Chá de Ginkgo?
Mulheres grávidas ou amamentando, pessoas com distúrbios hemorrágicos, epilepsia ou histórico de convulsões devem evitar o chá de ginkgo. Além disso, indivíduos que tomam medicamentos anticoagulantes, antiplaquetários, antidepressivos ou para diabetes devem ter cautela e procurar orientação médica devido ao risco de interações medicamentosas.
Qual a Diferença entre o Chá de Ginkgo e o Extrato Padronizado?
O chá de ginkgo é feito a partir das folhas secas da planta e contém uma variedade de compostos em concentrações variáveis. O extrato padronizado (EGb 761), por outro lado, é um produto concentrado e purificado, com quantidades específicas de flavonoides glicosídeos (24%) e terpeno lactonas (6%). Esse extrato é o mais utilizado em estudos clínicos e é considerado mais potente e consistente em seus efeitos terapêuticos do que o chá.
Aviso: este conteúdo é informativo e não substitui orientação de profissional de saúde. Consulte um médico ou fitoterapeuta antes de usar plantas medicinais, especialmente na gravidez, na lactação ou em uso de medicamentos.
Referências e Estudos Científicos
- DOI2008 Mahadevan, S., & Park, Y. (2008). Ginkgo biloba: An Overview of Clinical Evidence. Journal of Clinical Pharmacology, 48(8), 913-923. ↗
- DOI2000 Kennedy, D. O., Scholey, A. B., & Wesnes, K. A. (2000). The dose-dependent cognitive effects of acute administration of Ginkgo biloba to healthy young volunteers. Psychopharmacology, 151(4), 416-423. ↗
- PMC2019 Singh SK, et al. Neuroprotective and Antioxidant Effect of Ginkgo biloba Extract Against AD and Other Neurological Disorders. Neurotherapeutics : the journal of the American Society for Experimental NeuroTherapeutics. 2019.
