Pistacia lentiscus L. / Lentisco é um arbusto perene ou pequena árvore dioica da família Anacardiaceae, nativo da Bacia do Mediterrâneo. A espécie se distribui amplamente desde o Marrocos e a Península Ibérica até a Turquia e o Irã. Há milênios o lentisco é valorizado sobretudo por sua resina aromática, o mástique, que ainda hoje é colhida de forma tradicional na ilha grega de Quios (Chios). O produto ficou conhecido como “lágrimas de Quios”, nome que remete às gotas que escorrem do tronco. Essa resina vem sendo empregada como tempero, como goma de mascar e na medicina tradicional, que lhe atribui diversas propriedades medicinais ainda em estudo pela ciência.

A Pistacia lentiscus é rica em compostos bioativos, como flavonoides, ácidos fenólicos e triterpenos. Esses compostos estão por trás das atividades antibacteriana, anti-inflamatória e antioxidante observadas em estudos de laboratório e da ação antidiabética investigada mais recentemente em modelos experimentais. A Agência Europeia de Medicamentos (EMA) reconhece o mástique como medicamento tradicional à base de plantas para distúrbios dispépticos leves e inflamações leves da pele. Esse enquadramento se apoia no longo histórico de uso, e não em ensaios clínicos conclusivos. Os frutos, embora pouco consumidos, são comestíveis e têm sabor azedo que lembra o das uvas-passas. A pesquisa moderna continua explorando o potencial desta planta mediterrânea, sem que exista, até agora, comprovação clínica robusta para a maior parte dos usos populares.
Nomes Populares e Internacionais do Lentisco
Fora do Brasil, o lentisco recebe nomes ligados tanto à planta quanto à resina que produz. A lista abaixo reúne as denominações mais usadas nos principais idiomas europeus.
- Alemão: Mastixstrauch, Wilde Pistazie.
- Espanhol: árbol de la almáciga, entina, lentisco, mata charneca.
- Francês: arbre au mastic, lentisque, pistachier lentisque.
- Inglês: Chios mastic, lentisk, mastic, mastic resin plant, mastic tree.
- Italiano: albero del mastice, lentisco.
- Português: lentisco, mástique (nome dado à resina).
Sinônimos Botânicos do Lentisco
Entre os sinônimos botânicos da Pistacia lentiscus L. estão Lentiscus massiliensis Fourr., Pistacia brevifolia Gand., Pistacia lentiscus var. angustifolia DC. e Pistacia lentiscus var. chia (Duham.) DC. Ainda assim, o nome Pistacia lentiscus L. é o mais amplamente aceito e reconhecido na literatura botânica e científica. A variedade chia merece atenção especial por ser a fonte exclusiva da goma de mástique de Quios, uma resina de grande valor medicinal e comercial que dá fama à planta desde a Antiguidade.
Família Botânica: Anacardiaceae
A Pistacia lentiscus pertence à família Anacardiaceae, que reúne cerca de 80 gêneros e mais de 700 espécies de árvores e arbustos. O grupo é conhecido por suas resinas aromáticas e frutos do tipo drupa, como a mangueira (Mangifera indica), o cajueiro (Anacardium occidentale) e a pistacheira (Pistacia vera), que produz o pistache. Muitas espécies da família têm importância econômica, seja pela produção de frutos comestíveis, seja pela obtenção de resinas, óleos e madeiras. A presença de compostos fenólicos e terpenos, comum entre seus membros, ajuda a explicar tanto o interesse medicinal quanto o industrial. Esse parentesco tem consequência prática para a segurança, já que pessoas alérgicas a pistache, caju ou manga podem reagir também ao lentisco, como detalhado na seção de contraindicações.
Partes Utilizadas do Lentisco
A resina é a parte mais conhecida e estudada do lentisco, mas a tradição mediterrânea também aproveita folhas, frutos, cascas e ramos, cada um com uma composição química própria.
- Cascas
- Folhas
- Frutos
- Partes aéreas
- Resina (mástique)
Usos Etnobotânicos e Tradicionais do Lentisco
Os registros etnobotânicos da região mediterrânea descrevem o emprego tradicional do lentisco nas situações listadas abaixo. Elas refletem a experiência popular acumulada ao longo de séculos e não equivalem a comprovação de eficácia.
- Alívio de cólicas intestinais
- Asma
- Cicatrização de feridas
- Dermatites
- Diabetes (uso popular ainda em pesquisa científica)
- Dispepsia
- Distúrbios digestivos
- Doenças hepáticas
- Dor
- Febre
- Flatulência
- Fortalecimento das gengivas
- Hálito fresco
- Inflamações cutâneas
- Úlceras estomacais
A medicina popular também atribui à planta ação anti-inflamatória, antibacteriana, antifúngica e antioxidante. A pesquisa atual vem investigando essas características sobretudo em laboratório e em modelos animais, com poucos estudos em seres humanos até o momento.
Propriedades Terapêuticas do Lentisco
As propriedades abaixo resumem o que estudos experimentais e revisões científicas descrevem para extratos, óleo essencial e resina do lentisco. Na maior parte dos casos, os resultados vêm de ensaios de laboratório ou em animais, que ainda não autorizam conclusões sobre o efeito em pessoas.
- Antiaterogênico (efeito sobre a formação de placas nas artérias investigado em modelos experimentais, sem comprovação clínica)
- Antibacteriano (atividade observada em laboratório, inclusive contra Helicobacter pylori)
- Antidiabético (inibição de enzimas ligadas à digestão de carboidratos observada em estudos de laboratório)
- Anti-inflamatório (atividade observada em estudos experimentais e uso tradicional em inflamações leves da pele)
- Antimicrobiano (ação contra bactérias e fungos observada em ensaios de laboratório)
- Antimutagênico (proteção do material genético observada em ensaios de laboratório)
- Antioxidante (neutralização de radicais livres medida em ensaios de laboratório)
- Hepatoprotetor (proteção do fígado observada em modelos animais)
- Hipoglicemiante (redução da glicose no sangue observada em animais e em estudo piloto com voluntários saudáveis)
- Hipolipidêmico (redução de lipídios no sangue relatada em estudos preliminares)
Perfil Fitoquímico Detalhado do Lentisco
A composição química do lentisco varia conforme a parte da planta. A resina concentra triterpenos como os ácidos masticadienônico e isomasticadienônico, enquanto o óleo essencial é dominado por monoterpenos como alfa-pineno e limoneno. Folhas e frutos reúnem ácidos fenólicos, derivados galoilados do ácido quínico e flavonoides, e o óleo dos frutos fornece ácidos graxos como o oleico, o linoleico e o palmítico.
- Ácido 1,5-digaloil quínico
- Ácido 3,4,5-tri-O-galoil quínico
- Ácido 3,5-O-digaloil quínico
- Ácido 3-galoil quínico
- Ácido 5-galoil quínico
- Ácido cafeico
- Ácido ferúlico
- Ácido gálico
- Ácido isomasticadienônico
- Ácido linoleico
- Ácido linolênico
- Ácido masticadienônico
- Ácido morônico
- Ácido oleanônico
- Ácido oleico
- Ácido palmítico
- Ácido para-cumárico
- Ácido quínico
- Ácido tânico
- Ácido trans-cinâmico
- Ácido vanílico
- Aldeído oleanólico
- Alfa-pineno
- Apigenina
- Butispermol
- Canfeno
- Carotenoides
- Catequina
- Clorofila
- Esteroides
- Flavonoides
- Kaempferol
- Limoneno
- Luteolina
- Miricetina-3-O-glicosídeo
- Miricetina-3-O-ramnosídeo
- Quercetina
- Tirucalol
- Tocoferol
- Triterpenos
Formas de Preparo e Administração do Lentisco
O lentisco é preparado de várias maneiras, conforme a parte da planta e a finalidade tradicional, e as formas mais citadas na literatura aparecem na lista a seguir.
- Cápsulas
- Comprimidos
- Decocção
- Extrato fluido
- Extrato seco
- Goma de mascar (resina mástique)
- Infusão
- Óleo essencial
- Óleo graxo
- Tintura
- Uso tópico (cremes, pomadas)
Em geral, a resina aparece em cápsulas, comprimidos e goma de mascar, as folhas em infusões, decocções e tinturas, e o óleo essencial fica reservado ao uso aromático e tópico, sempre diluído. O uso interno da resina é recomendado só para adultos, e produtos concentrados devem seguir a orientação do fabricante e de um profissional de saúde.
Sinergia com Outras Plantas Medicinais
Saúde Digestiva
A tradição fitoterápica costuma associar a Pistacia lentiscus a plantas como a hortelã-pimenta (Mentha × piperita) e o gengibre (Zingiber officinale). A ideia é somar seus efeitos carminativos e anti-inflamatórios no alívio de queixas digestivas como dispepsia e flatulência. Segundo esse raciocínio, os triterpenos do lentisco, o mentol da hortelã e os gingeróis do gengibre atuariam de forma complementar para acalmar o trato digestivo e reduzir espasmos. Faltam, porém, estudos clínicos que avaliem essa combinação de forma direta.
Suporte Antioxidante
Como reforço antioxidante, o lentisco pode ser associado a plantas ricas em polifenóis, como o chá-verde (Camellia sinensis) ou a romã (Punica granatum). Em ensaios de laboratório, os flavonoides e fenólicos da Pistacia lentiscus, as catequinas do chá-verde e os elagitaninos da romã neutralizam radicais livres. A expectativa de um efeito somado na proteção das células contra o estresse oxidativo é registro tradicional e hipótese de pesquisa, e não um resultado demonstrado em pessoas.
Receitas e Protocolos de Uso do Lentisco
Cápsulas de Mástique para a Digestão
Ingredientes: mástique em pó, encontrado em lojas de produtos naturais, e cápsulas vazias de gelatina ou de origem vegetal.
Preparação: Encher as cápsulas vazias com o mástique em pó e guardá-las em frasco bem fechado, longe da umidade. Esse preparo é tradicionalmente usado em casos de dispepsia leve e desconforto digestivo, mas não substitui o acompanhamento médico de úlceras. A quantidade diária deve ser definida individualmente, por isso consulte um profissional de saúde antes de usar. O uso interno da resina é recomendado só para adultos, e se a dispepsia persistir além de 2 semanas de uso é preciso procurar avaliação médica em vez de prolongar a automedicação.
Infusão de Folhas de Lentisco
Ingredientes: folhas secas de Pistacia lentiscus e água fervente, em quantidade a ser orientada por um profissional de saúde.
Preparação: Colocar as folhas em uma xícara, cobrir com a água fervente, tampar e deixar em infusão por cerca de 10 minutos antes de coar. Na tradição mediterrânea, essa infusão é tomada depois das refeições e tradicionalmente usada para auxiliar a digestão e aliviar a flatulência, uso associado aos compostos fenólicos das folhas. Como não há dados de segurança suficientes para definir uma dose, consulte um profissional de saúde antes de usar e evite o uso prolongado, na gravidez, na lactação e em crianças.
Óleo de Mástique para Uso Tópico
Ingredientes: 5 gotas de óleo essencial de mástique e 30 ml de óleo vegetal carreador, como óleo de amêndoas-doces ou de jojoba.
Preparação: Misturar o óleo essencial de mástique ao óleo carreador em um frasco de vidro escuro e aplicar com massagem suave sobre áreas com inflamações leves da pele, pequenos ferimentos ou dores musculares. Esse uso tradicional se apoia nas atividades anti-inflamatória e antimicrobiana observadas em laboratório. Antes de aplicar em áreas maiores, fazer um teste em pequena região da pele e aguardar 24 horas, evitar feridas profundas ou infeccionadas, não aplicar em crianças pequenas sem orientação profissional e não usar em quem tem alergia a pistache, caju ou manga.
As preparações acima seguem registros tradicionais e não substituem orientação profissional. Antes de qualquer uso interno, consulte as contraindicações e interações descritas neste artigo.
Terapias Associadas ao Lentisco
Aromaterapia
O óleo essencial de Pistacia lentiscus é extraído principalmente das folhas e dos ramos e é rico em monoterpenos como alfa-pineno e limoneno. Na aromaterapia, é usado por suas notas frescas e resinosas, e a tradição o valoriza por qualidades purificantes, estimulantes e adstringentes. Pode ser difundido no ambiente com a intenção de favorecer a clareza mental e a sensação de respiração mais livre, ou diluído em óleos carreadores para massagens tradicionalmente usadas em dores musculares e inflamações leves. Acredita-se que o aroma do lentisco tenha efeito revigorante e de apoio ao sistema respiratório, o que explica sua presença em ambientes de meditação e em misturas para perfumar o ar. Esses efeitos, no entanto, dependem sobretudo da percepção individual e não têm comprovação clínica, e o óleo essencial não deve ser ingerido nem aplicado puro na pele.
Fitoterapia
Na fitoterapia, a Pistacia lentiscus aparece em extratos padronizados, tinturas e óleos empregados tradicionalmente em diversas queixas. O destaque é a resina de mástique, usada em problemas gastrointestinais como a dispepsia e, segundo a tradição, as úlceras pépticas, por conta da ação contra Helicobacter pylori e da atividade anti-inflamatória observadas em estudos. Extratos de folhas e frutos vêm sendo pesquisados por suas propriedades antioxidantes e antidiabéticas e já entram em formulações voltadas ao suporte metabólico, ainda que a eficácia clínica dessas formulações não esteja estabelecida. A fitoterapia moderna busca aproximar o conhecimento tradicional da validação científica, e qualquer uso prolongado ou associado a medicamentos deve ser acompanhado por um profissional de saúde.
Contraindicações e Efeitos Colaterais do Lentisco
Contraindicações Gerais
Os efeitos adversos do lentisco costumam ser descritos como raros, mas a segurança depende da parte da planta, da forma de preparo e de quem faz o uso. Há risco de alergia cruzada em quem é alérgico a outras Anacardiaceae (pistache, caju, manga), e essas pessoas devem evitar a resina, as folhas e o óleo essencial. O uso interno da resina (mástique) é recomendado só para adultos, e crianças não devem receber chá, extratos concentrados ou óleo essencial sem orientação de um pediatra. O lentisco não é recomendado na gravidez e na lactação por falta de dados de segurança nesses grupos.
Dispepsia que persiste além de 2 semanas de uso exige avaliação médica, não automedicação prolongada. Sintomas digestivos duradouros podem ter causas que precisam de diagnóstico, como úlcera, infecção por Helicobacter pylori ou doenças mais sérias do estômago e do esôfago.
Efeitos Colaterais Comuns
Quando ocorrem, os efeitos colaterais costumam ser leves e incluem desconforto gastrointestinal, como náuseas ou diarreia, sobretudo com quantidades elevadas de mástique. Na aplicação tópica, pode haver irritação na pele de pessoas sensíveis. Diante de qualquer reação alérgica, como coceira, inchaço ou falta de ar, ou de efeitos que persistam, o uso deve ser suspenso e um médico deve ser procurado.
Interações Medicamentosas
Estudos experimentais sugerem efeito do lentisco sobre a glicose e os lipídios do sangue. Por isso, a Pistacia lentiscus pode, em tese, somar-se à ação de medicamentos para diabetes, como insulina e hipoglicemiantes orais, e de remédios para baixar o colesterol, com risco de queda excessiva desses níveis. Quem usa anticoagulantes também deve ter cautela, pois alguns componentes do lentisco podem influenciar a coagulação. Qualquer pessoa que faça uso contínuo de medicamentos deve consultar um profissional de saúde antes de começar a usar o lentisco.
Cuidado de Nomenclatura
No português do Brasil, o nome aroeira se refere a outra espécie, Schinus terebinthifolia, que tem composição, usos e cuidados próprios, e por isso não deve ser tratado como sinônimo de lentisco. As informações deste artigo valem apenas para Pistacia lentiscus, e confundir as duas plantas na compra ou no preparo pode levar ao uso de uma espécie diferente da pretendida.
Curiosidades e Fatos Históricos do Lentisco
Possível Menção Bíblica
Alguns estudiosos identificam o lentisco com a palavra hebraica “bakha” (בכא), que aparece na Bíblia em passagens como a do vale de Baca, no Salmo 84. Como o termo parece derivar do verbo hebraico para “chorar” ou “lamentar”, a hipótese é que ele faça referência às “lágrimas” de resina que escorrem do tronco. Essa interpretação sugere uma ligação antiga da planta com as tradições culturais do Mediterrâneo e do Oriente Médio.
Origem do Mástique de Quios
O mástique, também chamado de “lágrimas de Quios”, vem da Pistacia lentiscus var. chia cultivada exclusivamente na ilha grega de Quios. A produção está tão ligada ao lugar que a União Europeia concedeu à resina o selo de Denominação de Origem Protegida (DOP). A colheita é um processo artesanal que remonta a milhares de anos, no qual os produtores fazem incisões na casca da árvore para que a resina escorra e se solidifique ao sol antes de ser recolhida. Essa tradição mostra a importância cultural e econômica do lentisco na região.
Goma de Mascar Desde a Antiguidade
O mástique é usado como goma de mascar há pelo menos 2.400 anos, com registros que remontam à Grécia Antiga, e os romanos também o empregavam para fortalecer as gengivas e refrescar o hálito. Na Idade Média, a resina era muito apreciada nos haréns dos sultões, tanto pelo hálito fresco e pelos usos cosméticos quanto pelas supostas qualidades curativas. O próprio nome guarda essa história, já que “mástique” vem do grego “mastichao”, que significa “mastigar”. A palavra tem parentesco com o latim “masticare”, origem do verbo mastigar em português e de “masticate” em inglês.
Perguntas Frequentes sobre o Lentisco
O Chá de Lentisco É Seguro para Crianças?
Não há dados de segurança suficientes para recomendar o chá de folhas de lentisco a crianças, e por isso ele só deve ser oferecido com orientação de um pediatra. O uso interno da resina (mástique) é recomendado só para adultos, e produtos concentrados ou óleo essencial não devem ser dados a crianças pequenas. Mesmo a resina mascada como goma pode provocar reações alérgicas em pessoas sensíveis, principalmente em quem já tem alergia a pistache, caju ou manga.
O Lentisco É Usado para Problemas Digestivos?
Sim, o lentisco é tradicionalmente usado para auxiliar a digestão e aliviar queixas como dispepsia e flatulência. A EMA reconhece o mástique como medicamento tradicional para distúrbios dispépticos leves, com base no histórico de uso. A ação contra Helicobacter pylori e a atividade anti-inflamatória da resina vêm sendo estudadas, mas os ensaios clínicos ainda são pequenos e não autorizam o uso por conta própria em casos de úlcera. Dispepsia que persiste além de 2 semanas de uso exige avaliação médica, não automedicação prolongada.
O Lentisco Tem Propriedades Antidiabéticas?
Estudos de laboratório e em animais investigam essa possibilidade com resultados que despertam interesse. Neles, extratos de diferentes partes da planta inibiram enzimas ligadas ao metabolismo de açúcares e gorduras, como alfa-glicosidase, alfa-amilase e lipase pancreática. Componentes triterpênicos da resina também mostraram, em modelos computacionais e celulares, ação sobre a enzima 11β-HSD1 e o receptor PPARγ. Os dados em pessoas ainda são preliminares, e o lentisco não deve ser visto como tratamento para o diabetes tipo 2 nem substituir medicamentos prescritos. Quem usa remédios para diabetes deve falar com o médico antes de consumir o lentisco, pelo risco de somar efeitos e baixar demais a glicose.
Quais Partes do Lentisco São Usadas?
As partes mais usadas da Pistacia lentiscus são a resina (mástique), as folhas e os frutos, sendo a resina a mais estudada pelas ações gastroprotetora e antimicrobiana observadas em pesquisas. Folhas e frutos são ricos em compostos fenólicos e flavonoides e entram em infusões e extratos estudados por suas atividades antioxidante, anti-inflamatória e antidiabética. Cascas e partes aéreas também contêm compostos bioativos e aparecem em registros da medicina tradicional.
Lentisco e Aroeira São a Mesma Planta?
Não, porque no português do Brasil aroeira é o nome de outra espécie, Schinus terebinthifolia, que pertence à mesma família botânica mas tem composição, usos e cuidados diferentes. As informações sobre o lentisco valem apenas para Pistacia lentiscus e não devem ser transferidas para a aroeira, nem o contrário.
Quem Deve Evitar o Lentisco?
Há risco de alergia cruzada em quem é alérgico a outras Anacardiaceae (pistache, caju, manga), e essas pessoas devem evitar a planta em qualquer forma. O lentisco não é recomendado na gravidez e na lactação por falta de dados, e o uso interno da resina é indicado só para adultos. Pessoas que usam anticoagulantes, medicamentos para diabetes ou remédios para colesterol devem conversar com um profissional de saúde antes do uso.
Aviso: este conteúdo é informativo e não substitui orientação de profissional de saúde. Consulte um médico ou fitoterapeuta antes de usar plantas medicinais, especialmente na gravidez, na lactação ou em uso de medicamentos.
Referências e Estudos Científicos
- PMC2023 El Omari N, et al. Expediting Multiple Biological Properties of Limonene and α-Pinene: Main Bioactive Compounds of Pistacia lentiscus L., Essential Oils. Front Biosci (Landmark Ed). 2023.
- PMC2024 Floris S, et al. Pistacia lentiscus: Phytochemistry and Antidiabetic Properties. Nutrients. 2024.
- PMC2020 Pachi VK, et al. Traditional uses, phytochemistry and pharmacology of Chios mastic gum (Pistacia lentiscus var. Chia, Anacardiaceae): A review. J Ethnopharmacol. 2020.
- PMC2022 Soulaidopoulos S, et al. Overview of Chios Mastic Gum (Pistacia lentiscus) Effects on Human Health. Nutrients. 2022.
- PMC2015 Vuorinen A, et al. Pistacia lentiscus Oleoresin: Virtual Screening and Identification of Masticadienonic and Isomasticadienonic Acids as Inhibitors of 11β-Hydroxysteroid Dehydrogenase 1. Planta Med. 2015.
