A alcachofra (Cynara scolymus L., hoje tratada por boa parte das referências taxonômicas como Cynara cardunculus subsp. scolymus) é uma planta perene da família Asteraceae, originária da região do Mediterrâneo e valorizada há milênios tanto na cozinha quanto na medicina popular. Civilizações antigas, como a egípcia e a grega, já a empregavam para fins alimentares e medicinais, segundo os relatos históricos, e suas brácteas e folhas continuam sendo as partes mais usadas, por concentrarem os compostos bioativos aos quais a tradição atribui as ações da planta.

Na tradição herbária, a alcachofra ocupa lugar de destaque entre as plantas usadas em queixas digestivas e hepáticas, com aplicações que vão do auxílio na digestão de gorduras até a proteção e a regeneração das células do fígado, ações estudadas sobretudo em modelos experimentais. A pesquisa científica moderna tem investigado vários desses usos tradicionais, com resultados mais consistentes para o alívio da dispepsia funcional e para a redução modesta do colesterol, e a riqueza de sua composição fitoquímica fez da alcachofra uma das plantas medicinais mais estudadas e utilizadas no mundo.
Nomes Populares e Internacionais da Alcachofra
- Alemão: Artischocke, Gemüseartischocke.
- Espanhol: alcachofa, alcaucil.
- Francês: artichaut.
- Inglês: artichoke, globe artichoke.
- Italiano: carciofo.
- Português: alcachofra (BR e PT); alcachofra-comum, alcachofra-cultivada, alcachofra-da-horta, alcachofra-rosa (PT).
Sinônimos Botânicos da Alcachofra
Cynara scolymus L. é o nome mais encontrado na literatura científica e, embora Cynara cardunculus subsp. scolymus seja a denominação atualmente aceita por boa parte das referências taxonômicas, o binômio de Lineu continua amplamente usado em publicações farmacológicas e fitoquímicas, sobretudo na Europa Central. Por esse motivo, este artigo adota Cynara scolymus no título, ao lado dos sinônimos e das designações relacionadas listados abaixo.
- Cynara cardunculus L. (nome da espécie em sentido amplo, que reúne a alcachofra e os cardos)
- Cynara cardunculus var. scolymus (L.) Fiori
- Cynara scolymus L.
O nome Cynara cardunculus subsp. cardunculus, que às vezes aparece nessas listas, designa outra subespécie, a do cardo, e por isso não deve ser tratado como sinônimo da alcachofra.
Família Botânica: Asteraceae
A família Asteraceae, antes chamada Compositae, é uma das maiores famílias de plantas com flores, com cerca de 1.900 gêneros e mais de 32.000 espécies distribuídas por todo o mundo. Seu traço mais marcante é a inflorescência em capítulo, na qual numerosas flores pequenas se reúnem em uma estrutura que imita uma única flor, e o grupo inclui plantas de grande importância econômica, alimentar e medicinal, como a alface, a calêndula, a camomila e o girassol.
A alcachofra segue essa arquitetura com uma particularidade: diferentemente da margarida e do girassol, cujos capítulos têm flores liguladas na margem, o seu capítulo é formado apenas por flósculos tubulares de cor violeta, envolvidos por brácteas cuja base carnosa, junto com o receptáculo, forma a parte comestível. A família é conhecida pela produção de compostos bioativos, especialmente flavonoides, lactonas sesquiterpênicas e óleos essenciais, e essa diversidade química tem sido objeto de intensa pesquisa farmacológica, com reflexos no desenvolvimento de fitoterápicos e suplementos alimentares.
Partes Utilizadas da Alcachofra
Na fitoterapia, a parte de maior interesse é a folha, matéria-prima das infusões e dos extratos padronizados, enquanto a base carnosa das brácteas e o receptáculo do capítulo, conhecido como coração da alcachofra, são consumidos principalmente como alimento.
- Brácteas
- Folhas
Usos Etnobotânicos e Tradicionais da Alcachofra
Os registros etnobotânicos descrevem o emprego tradicional da alcachofra sobretudo em queixas digestivas, ao lado de alguns usos populares ligados à pele e às vias urinárias que ainda carecem de confirmação clínica. Os principais usos citados são:
- Alívio de cólicas intestinais
- Alívio de dispepsia
- Alívio de flatulência
- Alívio de náuseas
- Apoio ao controle de peso (uso popular)
- Apoio ao sistema urinário
- Auxílio na digestão
- Auxílio no metabolismo lipídico
- Eczema (registro da medicina popular)
- Uso como diurético
Propriedades Terapêuticas da Alcachofra
As propriedades abaixo reúnem o que a tradição atribui à alcachofra e o que os estudos já observaram, com o grau de evidência indicado entre parênteses em cada caso.
- Antiespasmódico (uso tradicional para aliviar espasmos digestivos)
- Anti-inflamatório (atividade observada em estudos de laboratório)
- Antioxidante (neutraliza radicais livres em ensaios laboratoriais)
- Colagogo (favorece o fluxo de bile, motivo da contraindicação em obstrução biliar)
- Colerético (aumento da produção de bile observado em estudo clínico com voluntários)
- Diurético (uso tradicional para aumentar o volume de urina)
- Hepatoprotetor (proteção do fígado observada em estudos experimentais e em ensaios clínicos preliminares)
- Hipocolesterolêmico (redução modesta do colesterol observada em ensaios clínicos com extrato da folha)
- Hipoglicemiante (efeito sobre a glicemia investigado em estudos preliminares)
- Vasodilatador (relaxamento vascular observado em estudos de laboratório)
Perfil Fitoquímico Detalhado da Alcachofra
A folha da alcachofra tem composição dominada por derivados do ácido cafeoilquínico, com destaque para a cinarina e o ácido clorogênico, ao lado de flavonoides como a luteolina e seus glicosídeos, enquanto o capítulo comestível se destaca pelo teor de inulina, uma fibra solúvel. Os principais grupos e substâncias descritos na literatura são:
- Ácido clorogênico
- Ácidos cafeoilquínicos (monocafeoilquínicos e dicafeoilquínicos)
- Ácidos fenólicos
- Ácidos hidroxibenzoicos
- Ácidos hidroxicinâmicos
- Apigenina
- Cinarina
- Cinarosídeo
- Flavonas
- Flavonoides (luteolina, quercetina)
- Inulina
- Lactonas sesquiterpênicas (como a cinaropicrina)
- Lignanas
- Luteolina
- Polifenóis
- Proteínas
- Rutina
- Saponinas
- Taninos
- Triterpenos
- Veronicastrosídeo
- Vitamina C
Formas de Preparo e Administração da Alcachofra
As preparações mais comuns usam a folha seca ou extratos padronizados, e a escolha entre elas costuma depender da finalidade do uso e da orientação de um profissional de saúde:
- Cápsulas de extrato
- Chá (infusão)
- Extrato fluido
- Extrato seco
- Suco
- Tintura
Sinergia com Outras Plantas Medicinais
Saúde Digestiva e Hepática
Na tradição fitoterápica, a alcachofra é associada com frequência ao cardo-mariano (Silybum marianum) em fórmulas voltadas à saúde do fígado e ao alívio de desconfortos digestivos. A justificativa tradicional é somar a silimarina, principal complexo ativo do cardo-mariano, à cinarina e aos demais compostos da alcachofra, substâncias estudadas em modelos experimentais por sua ação sobre as células hepáticas, embora ainda faltem ensaios clínicos que confirmem um efeito sinérgico da combinação. Como o cardo-mariano também pertence às Asteraceae, essa associação deve ser evitada por quem tem alergia a plantas dessa família.
Perfil Lipídico
No campo do colesterol, a alcachofra aparece em associações tradicionais com o guggul (Commiphora mukul) ou com o feno-grego (Trigonella foenum-graecum). Os ensaios clínicos com extrato da folha de alcachofra observaram redução modesta do colesterol total, do LDL e dos triglicerídeos, enquanto o guggul e o feno-grego são investigados por mecanismos próprios sobre os lipídios do sangue, e a ideia da combinação é reunir essas ações, ainda sem estudos que comprovem vantagem real da mistura. Quem já usa medicamentos para colesterol, para diabetes ou anticoagulantes deve conversar com um profissional de saúde antes de combinar essas plantas.
Receitas e Protocolos de Uso da Alcachofra
Infusão de Alcachofra para Saúde Hepática
Preparo tradicionalmente usado para auxiliar a digestão de refeições gordurosas e apoiar a saúde do fígado, segundo o registro da fitoterapia popular.
Ingredientes:
- 1 colher de chá de folhas secas de alcachofra (Cynara scolymus)
- 250 ml de água fervente
Modo de Preparo:
- Leve a água ao fogo e espere levantar fervura.
- Acrescente as folhas secas de alcachofra à água.
- Tampe e deixe em infusão por 10 a 15 minutos.
- Coe e beba morno.
Posologia: a tradição recomenda beber de 2 a 3 xícaras ao dia, de preferência antes ou depois das refeições, como apoio à digestão e à saúde do fígado. Quem tem alergia a plantas da família Asteraceae deve evitar este chá, e quem tem obstrução das vias biliares ou cálculo biliar não deve usá-lo sem acompanhamento médico, conforme descrito nas Contraindicações.
Extrato Fluido de Alcachofra para Dispepsia
Forma concentrada tradicionalmente usada para aliviar a sensação de estômago pesado e de digestão lenta típica da dispepsia funcional, queixa em que o extrato da folha já foi avaliado em ensaio clínico controlado.
Ingredientes:
- Extrato fluido padronizado de alcachofra (concentração conforme indicação do fabricante)
Modo de Uso:
- Dilua a dose indicada pelo fabricante ou pelo profissional de saúde (em geral, de 20 a 30 gotas) em um pouco de água.
- Tome 2 a 3 vezes ao dia, antes das principais refeições.
Posologia: siga as orientações do profissional de saúde ou as instruções do fabricante quanto à dose e à duração do uso, e interrompa a administração em caso de desconforto abdominal ou de qualquer sinal de reação alérgica.
As preparações acima seguem registros tradicionais e não substituem orientação profissional. Antes de qualquer uso interno, consulte as contraindicações e interações descritas neste artigo.
Terapias Associadas à Alcachofra
Fitoterapia
A alcachofra está entre as plantas mais valorizadas na fitoterapia, que a emprega tradicionalmente em queixas ligadas ao sistema digestivo e ao fígado. As ações colagoga, colerética, hepatoprotetora e hipocolesterolêmica são as mais citadas na literatura, com evidência clínica mais sólida para o aumento da produção de bile e para a redução modesta do colesterol, e a prática fitoterápica utiliza as folhas e as brácteas em diversas formas, como infusões, extratos e tinturas, sempre dentro dos limites de segurança descritos nas Contraindicações.
Nutrição Funcional
Na nutrição funcional, a alcachofra é considerada um alimento nutracêutico pela composição em compostos bioativos, como a cinarina e os flavonoides, e em fibras, sobretudo a inulina. Ela entra em planos alimentares como apoio à digestão de gorduras, à função hepática e ao equilíbrio do perfil lipídico, mas sua inclusão na dieta complementa, e não substitui, o acompanhamento de quem busca cuidar da saúde metabólica ou já convive com doenças crônicas.
Contraindicações e Efeitos Colaterais da Alcachofra
A alcachofra costuma ser considerada segura para a maioria dos adultos quando usada nas doses habituais, mas há contraindicações claras e alguns efeitos colaterais que precisam ser levados em conta antes de qualquer uso medicinal.
Contraindicações
A alcachofra (Cynara scolymus) é contraindicada em obstrução das vias biliares e em casos de cálculo biliar (colelitíase) sem acompanhamento médico, porque estimula a secreção de bile. Quem tem alergia a plantas da família Asteraceae (margarida, camomila, girassol, arnica) deve evitar, pelo risco de reação cruzada.
- Alergia a plantas da família Asteraceae: pessoas com alergia conhecida a plantas como ambrósia, crisântemos e margaridas podem reagir à alcachofra com dermatite de contato, asma ou até anafilaxia, e devem evitar a planta em qualquer forma.
- Cálculo biliar e obstrução das vias biliares: por seu efeito colagogo, que estimula a secreção de bile, a alcachofra é contraindicada em obstrução dos ductos biliares e em cálculos biliares, pois pode agravar a condição, e qualquer uso nesses casos depende de avaliação médica.
- Fermentação intestinal: em casos de fermentação intestinal excessiva, o uso da alcachofra pode não ser recomendado, porque tende a intensificar o desconforto.
- Gravidez e amamentação: a alcachofra é contraindicada durante a gravidez pelo potencial efeito emenagogo descrito na literatura tradicional e desaconselhada durante a lactação, pois pode alterar o sabor do leite materno.
Interações Medicamentosas
- Anticoagulantes: embora não haja estudos conclusivos, algumas fontes atribuem à alcachofra um leve efeito anticoagulante, ligado à presença de cumarinas, e recomendam cautela e acompanhamento médico em quem usa medicamentos como a varfarina, além da suspensão do uso antes de cirurgias.
- Hipoglicemiantes: como o efeito da alcachofra sobre a glicemia é investigado em estudos, quem usa medicamentos para diabetes deve conversar com o médico antes de associar a planta ao tratamento, para evitar quedas excessivas do açúcar no sangue.
Efeitos Colaterais
- Distúrbios gastrointestinais: raramente, o consumo excessivo de alcachofra pode causar gases, dor de estômago ou diarreia.
- Reações alérgicas: em pessoas sensíveis, podem ocorrer erupções na pele, urticária, inchaço ou dificuldade para respirar, situação que exige suspensão imediata e atendimento médico.
Curiosidades e Fatos Históricos da Alcachofra
A alcachofra tem uma história longa e foi valorizada por diversas civilizações ao longo dos séculos. Relatos antigos indicam que os egípcios já conheciam a planta e que os gregos levaram seu cultivo à Sicília e à Magna Grécia, enquanto a mitologia grega a associa à ninfa Cynara, que, segundo uma das versões do mito, teria sido transformada nessa planta por Zeus depois de rejeitá-lo. Na Roma Antiga, a alcachofra era considerada um alimento nobre e chegou a ser tida como afrodisíaca.
O nome alcachofra vem do árabe andaluz al-kharshuf, termo que muitos autores traduzem como “planta espinhosa”, em referência à morfologia da planta. A alcachofra é parente próxima do cardo e foi selecionada para o consumo humano ao longo de séculos de cultivo, e no Brasil a produção comercial se concentra no interior de São Paulo, com destaque para os municípios de Piedade e São Roque.
Perguntas Frequentes sobre a Alcachofra
A Alcachofra Ajuda a Emagrecer?
Não há evidência de que a alcachofra, sozinha, leve ao emagrecimento. O uso popular a associa ao controle de peso por causa do efeito diurético tradicional, que aumenta a eliminação de líquidos e não de gordura, e pela relação com o metabolismo das gorduras, já que estudos com o extrato da folha observaram redução modesta do colesterol e dos triglicerídeos. A inulina presente na planta pode favorecer a saciedade, mas o resultado sobre o peso depende do conjunto da alimentação e da rotina.
Qual a Melhor Forma de Consumir Alcachofra para a Saúde do Fígado?
Na tradição, a forma mais citada é a infusão das folhas secas, que fornece compostos como a cinarina, estudados por sua ação sobre o fígado, e o extrato fluido é uma alternativa mais concentrada. Como a planta estimula a secreção de bile, quem tem doença no fígado ou na vesícula precisa consultar um profissional de saúde, que vai definir a forma e a dose adequadas para cada caso.
Existem Interações Medicamentosas Importantes com a Alcachofra?
Não há estudos conclusivos sobre interações relevantes, mas algumas fontes atribuem à alcachofra um leve efeito anticoagulante, ligado à presença de cumarinas, o que pede cautela e acompanhamento médico em quem usa anticoagulantes como a varfarina, além da suspensão do uso antes de cirurgias. Quem toma medicamentos para diabetes também deve consultar o médico antes de usar a planta, porque o efeito dela sobre a glicemia é investigado em estudos.
A Alcachofra É Segura para Todos?
A alcachofra costuma ser segura para a maioria dos adultos, mas é contraindicada para pessoas com alergia a plantas da família Asteraceae, para gestantes e lactantes e para quem tem obstrução dos ductos biliares ou cálculos biliares. Em doses elevadas, pode causar distúrbios gastrointestinais leves, por isso o ideal é consultar um profissional de saúde antes de começar, sobretudo em caso de doenças preexistentes.
Quem Tem Pedra na Vesícula Pode Usar Alcachofra?
A alcachofra não deve ser usada nessa situação sem acompanhamento médico, porque é contraindicada em obstrução das vias biliares e em casos de cálculo biliar (colelitíase): ela estimula a secreção de bile e pode agravar o quadro. Qualquer uso nesse contexto depende da avaliação de um médico que conheça o histórico do paciente.
Qual Parte da Alcachofra É Usada em Chás e Extratos?
Na fitoterapia, a parte mais usada é a folha, matéria-prima das infusões e dos extratos padronizados, embora as brácteas também apareçam entre as partes empregadas. Já a base carnosa das brácteas e o receptáculo do capítulo, conhecido como coração da alcachofra, são consumidos sobretudo como alimento.
Aviso: este conteúdo é informativo e não substitui orientação de profissional de saúde. Consulte um médico ou fitoterapeuta antes de usar plantas medicinais, especialmente na gravidez, na lactação ou em uso de medicamentos.
Referências e Estudos Científicos
Ver Todas as 8 Referências Citadas
Estudos Científicos Peer-Reviewed (7)
- PMC2015 Ben Salem M, et al. Pharmacological Studies of Artichoke Leaf Extract and Their Health Benefits. Plant Foods Hum Nutr. 2015.
- PMC2003 Holtmann G, et al. Efficacy of artichoke leaf extract in the treatment of patients with functional dyspepsia: a six-week placebo-controlled, double-blind, multicentre trial. Aliment Pharmacol Ther. 2003.
- PMC2022 Kamel AM, et al. Therapeutic Potential of Artichoke in the Treatment of Fatty Liver: A Systematic Review and Meta-Analysis. J Med Food. 2022.
- PMC1994 Kirchhoff R, et al. Increase in choleresis by means of artichoke extract. Phytomedicine. 1994.
- PMC2024 Porro C, et al. Functional and Therapeutic Potential of Cynara scolymus in Health Benefits. Nutrients. 2024.
- PMC2000 Romano C, et al. A case of allergy to globe artichoke and other clinical cases of rare food allergy. J Investig Allergol Clin Immunol. 2000.
- PMC2018 Sahebkar A, et al. Lipid-lowering activity of artichoke extracts: A systematic review and meta-analysis. Crit Rev Food Sci Nutr. 2018.
Leituras Complementares (1)
- Horto Didático de Plantas Medicinais do HU/CCS, UFSC. Alcachofra.
