Hena (Lawsonia inermis): Propriedades e Benefícios

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Lawsonia inermis L. / Hena

Conhecida popularmente como hena, a Lawsonia inermis L. é um arbusto da família Lythraceae descrito por Carl Linnaeus. Originária do nordeste da África tropical, da Península Arábica e do sul do Paquistão, a espécie é hoje amplamente cultivada em regiões quentes de vários continentes. Valorizada há milênios como corante natural de cabelos, unhas e pele, a hena também ocupa lugar de destaque nas medicinas tradicionais, que lhe atribuem empregos variados. A pesquisa moderna, por sua vez, investiga os compostos bioativos de suas folhas, sobretudo a lawsona, com resultados que ainda vêm, em grande parte, de estudos de laboratório e em animais.

Hena (Lawsonia inermis) em ilustração botânica, com ramos de folhas opostas, elípticas e inteiras e panículas de pequenas flores claras, a planta da hena que fornece o pigmento lawsona.
A hena forma um arbusto de folhas opostas, elípticas e inteiras, com pequenas flores perfumadas de quatro pétalas reunidas em panículas terminais.
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Nomes Populares e Internacionais da Hena

  • Português: hena, henna.
  • Alemão: Henna, Henna-Strauch.
  • Espanhol: alheña, arjeña, henna.
  • Francês: henné.
  • Inglês: Egyptian privet, henna, henna tree, mignonette tree.
  • Italiano: hennè.

Sinônimos Botânicos da Hena

Entre os sinônimos botânicos de Lawsonia inermis L. figuram Alcanna spinosa (L.) Gaertn., Casearia multiflora Spreng., Lawsonia alba Lam. nom. illeg., Lawsonia speciosa L., Lawsonia spinosa L. e Rotantha combretoides Baker. Essas denominações refletem a complexidade taxonômica da espécie e as diferentes classificações adotadas ao longo da história da botânica. Apesar dessa variedade de nomes, Lawsonia inermis L. é o nome aceito atualmente pela maioria das autoridades científicas e o único que deve ser usado para identificar a planta em rótulos e publicações.

Família Botânica: Lythraceae

A Lawsonia inermis pertence à família Lythraceae, que reúne cerca de 30 gêneros e 600 espécies distribuídas principalmente em regiões tropicais e subtropicais. A família é conhecida por incluir plantas de flores vistosas e frutos capsulares. Muitas espécies dessa família têm importância econômica e medicinal em diversas culturas ao redor do mundo, e a hena se destaca entre elas pelas aplicações como corante e pelo lugar que ocupa na medicina popular de vários povos.

Partes Utilizadas da Hena

  • Casca
  • Flores
  • Folhas
  • Raízes
  • Sementes

As folhas secas e moídas formam o pó de hena usado como corante e nas preparações de uso externo. A casca, as flores, as raízes e as sementes aparecem sobretudo em registros da medicina tradicional, muitos deles ligados a um uso interno que hoje não é recomendado.

Usos Etnobotânicos e Tradicionais da Hena

Os registros etnobotânicos atribuem à hena os empregos populares listados abaixo, que refletem a tradição e não substituem diagnóstico nem tratamento médico. Parte deles envolve uso interno, prática que hoje não é recomendada por falta de dados de segurança.

  • Alívio de dores de cabeça (hemicrania)
  • Alívio de dores lombares (lumbago)
  • Antisséptico e antifúngico de uso externo
  • Bronquite
  • Condições oftálmicas
  • Icterícia
  • Leucoderma
  • Queda de cabelo
  • Sarna
  • Úlceras

Propriedades Terapêuticas da Hena

As atividades a seguir derivam de registros tradicionais e de estudos de laboratório ou em animais, sem confirmação em ensaios clínicos robustos, e por isso indicam linhas de pesquisa, não efeitos garantidos.

  • Analgésico (alívio da dor descrito no uso tradicional e em modelos experimentais)
  • Antibacteriano (atividade contra bactérias observada em estudos de laboratório)
  • Antifúngico (atividade contra fungos observada em estudos de laboratório)
  • Anti-inflamatório (redução de processos inflamatórios observada em estudos experimentais)
  • Antioxidante (neutralização de radicais livres em ensaios de laboratório)
  • Antiparasitário (atividade contra parasitas descrita em estudos preliminares)
  • Antiproliferativo (atividade observada em estudos de laboratório, sem comprovação clínica)
  • Cicatrizante (registro tradicional e estudos preliminares em modelos animais)
  • Hepatoprotetor (efeito observado em estudos com animais, sem comprovação clínica)
  • Hipoglicemiante (redução da glicose observada em estudos com animais, sem comprovação clínica)

Perfil Fitoquímico Detalhado da Hena

  • Alcaloides
  • Carboidratos
  • Cumarinas
  • Epicatequina
  • Flavonoides
  • Glicosídeos
  • Lawsona (lawsone, ácido hennotânico)
  • Leucocianidina
  • Polifenóis
  • Proteínas
  • Quercetina
  • Quinonas
  • Saponinas
  • Taninos
  • Triterpenoides
  • Xantonas

A lawsona, uma naftoquinona concentrada nas folhas, é o pigmento responsável pela cor alaranjada que a hena deixa na pele e nos fios, já que se liga à queratina. É também o composto mais estudado nas pesquisas sobre a planta, inclusive pelo papel que desempenha na hemólise descrita em pessoas com deficiência de G6PD.

Formas de Preparo e Administração da Hena

  • Cataplasma
  • Decocção
  • Extrato
  • Infusão
  • Óleo
  • Pó
  • Tintura

O pó, o cataplasma e o óleo correspondem às formas de uso externo, que são as mais difundidas e as únicas com tradição segura de emprego. Mesmo assim, devem ser feitas com hena pura e precedidas de um teste de sensibilidade em pequena área da pele. Decocção, infusão, extrato e tintura aparecem em registros tradicionais de uso interno, que hoje não é recomendado porque faltam dados de segurança e existem relatos de toxicidade. Qualquer interesse nessas formas deve passar antes por um profissional de saúde.

Sinergia com Outras Plantas Medicinais

Cuidado Capilar com Amla e Shikakai

Combinada com Phyllanthus emblica (amla, sin. Emblica officinalis) e Acacia concinna (shikakai), a hena integra uma associação tradicionalmente usada no cuidado capilar, inclusive em casos de queda de cabelo. A amla, rica em vitamina C e antioxidantes, é valorizada pela tradição na nutrição do couro cabeludo, e o shikakai atua como agente de limpeza suave, enquanto a hena confere cor e brilho aos fios. Não existem, porém, estudos clínicos que avaliem o efeito dessa combinação.

Associação Anti-Inflamatória com Boswellia e Cúrcuma

A associação da hena com Boswellia serrata (olíbano indiano) e Curcuma longa (açafrão-da-terra) aparece em formulações tradicionais voltadas a desconfortos inflamatórios e dores persistentes. A boswellia é conhecida pelos ácidos boswélicos, estudados como inibidores de mediadores inflamatórios, e a cúrcuma pela curcumina, também investigada por sua ação anti-inflamatória. Em tese, as três plantas atuariam por vias diferentes, hipótese que ainda não foi confirmada em estudos com a combinação. Como o uso interno da hena não é recomendado, essa associação só faz sentido em preparações de uso externo e com orientação de um profissional de saúde.

Saúde da Pele com Aloe Vera e Neem

Para a pele, a hena é tradicionalmente usada ao lado de Aloe vera e Azadirachta indica (neem) em preparações tópicas. A aloe vera é conhecida pelas propriedades hidratantes, calmantes e regeneradoras atribuídas ao seu gel, e o neem pelas ações antisséptica e antibacteriana, que se somam à atividade antifúngica e cicatrizante descrita para a hena. Essa combinação aparece em registros tradicionais de cuidado com pequenas queimaduras, cortes e irritações cutâneas, sem substituir o atendimento médico em lesões extensas, profundas ou infectadas.

Receitas e Protocolos de Uso da Hena

Cataplasma Tradicional para Irritações Cutâneas

Ingredientes: 2 colheres de sopa de pó de hena pura e água morna em quantidade suficiente para formar uma pasta.

Preparação: Misture o pó de hena com a água morna até obter uma pasta homogênea e aplique diretamente sobre a área da pele, deixando agir de 30 minutos a 1 hora antes de enxaguar com água. Esse cataplasma é tradicionalmente usado em inflamações cutâneas, queimaduras leves e pequenas feridas, em razão da ação antisséptica e cicatrizante atribuída à hena. Ele não deve ser aplicado em bebês nem em pessoas com deficiência de G6PD, e convém testá-lo antes em uma pequena área da pele.

Decocção e Infusão nos Registros Tradicionais

Ingredientes: casca seca de hena, no caso da decocção, ou folhas secas de hena, no caso da infusão, além de água em proporções que variam conforme a tradição.

Preparação: Nos registros tradicionais, a casca era fervida em fogo baixo e depois coada, e a bebida aparecia associada à icterícia e a outras queixas hepáticas. As folhas, por sua vez, eram abafadas em água fervente para preparar uma infusão usada em dores de cabeça e dores lombares. Esses preparos de uso interno não são recomendados hoje, porque não há dados de segurança e existem relatos de toxicidade. Por isso, este artigo não indica quantidades nem frequência de consumo: consulte um profissional de saúde antes de considerar qualquer uso interno da planta.

Óleo Capilar de Hena com Coco ou Azeite

Ingredientes: 50 g de pó de hena pura e 250 ml de óleo de coco ou azeite.

Preparação: Misture o pó de hena com o óleo em um recipiente de vidro e aqueça suavemente em banho-maria por 30 minutos, sem deixar ferver. Depois que esfriar, coe o óleo, descarte o resíduo sólido e guarde o óleo infundido em um frasco escuro. Aplique no cabelo e no couro cabeludo com uma massagem suave, uma ou duas vezes por semana, uso tradicionalmente voltado ao cuidado dos fios e à caspa. O óleo pode deixar um tom avermelhado sutil, e um teste de mecha e de sensibilidade antes da primeira aplicação é sempre recomendável.

Pasta de Hena para Tintura de Cabelo e Arte Corporal

Ingredientes: pó de hena pura, água morna e, opcionalmente, suco de limão e óleos essenciais.

Preparação: Misture o pó com água morna até formar uma pasta consistente. Para intensificar a cor e a durabilidade, a tradição acrescenta um pouco de suco de limão e algumas gotas de óleos essenciais como lavanda ou melaleuca (tea tree). Deixe a pasta repousar de 6 a 12 horas para a liberação do pigmento e aplique no cabelo limpo, para tingir, ou na pele, para desenhos temporários. Mantenha a pasta de 2 a 4 horas no cabelo ou de 1 a 6 horas na pele, conforme a intensidade de cor desejada, e enxágue abundantemente no final. Esse método é amplamente usado para colorir o cabelo de forma natural e na arte corporal tradicional, desde que se use pó de hena pura, nunca hena preta, e sem aplicação em bebês ou em pessoas com deficiência de G6PD.

As preparações acima seguem registros tradicionais e não substituem orientação profissional. Antes de qualquer uso interno, consulte as contraindicações e interações descritas neste artigo.

Terapias Associadas à Hena

Ayurveda

Na medicina ayurvédica, a hena é conhecida como mehendi e amplamente utilizada pelas propriedades de resfriamento e purificação que a tradição lhe atribui, sendo aplicada topicamente em inflamações, queimaduras e problemas de pele. Os textos ayurvédicos também citam o uso interno em distúrbios hepáticos e febres e o emprego como tônico para o cabelo, embora a ingestão da planta não seja recomendada hoje por falta de dados de segurança. A hena é considerada equilibradora dos doshas Pitta e Kapha, já que, segundo essa lógica, reduz o excesso de calor e de umidade no corpo, e costuma entrar em formulações com outras ervas voltadas à harmonia e ao bem-estar geral.

Fitoterapia Clínica

Na fitoterapia clínica moderna, extratos padronizados de Lawsonia inermis são investigados pelas atividades antioxidante, anti-inflamatória e hepatoprotetora. A lawsona, principal composto ativo, é estudada pela ação antimicrobiana e pela atividade antiproliferativa observada em laboratório, sem comprovação clínica. O emprego prático concentra-se no uso externo, como coadjuvante em cuidados com a pele e em infecções cutâneas leves, sempre com orientação profissional, enquanto o suporte hepático e outras aplicações internas continuam restritos ao campo da pesquisa. A investigação fitoquímica segue explorando possíveis aplicações e o desenvolvimento de fitofármacos baseados na planta, mas a maior parte das evidências disponíveis ainda vem de estudos pré-clínicos.

Medicina Unani

Na medicina unani, a hena é classificada como erva de natureza fria e seca e empregada para equilibrar os humores sanguíneo e biliar, com registros tradicionais de uso em febres, icterícia, doenças de pele e inflamações. Externamente, é aplicada em pastas em casos de dor de cabeça e de inflamação. Internamente, aparecia em decocções e infusões destinadas a purificar o sangue e a apoiar a função hepática, uso interno que não é recomendado atualmente. A medicina unani valoriza a hena, sobretudo, pela capacidade de resfriar o corpo que essa tradição lhe atribui.

Contraindicações e Efeitos Colaterais da Hena

Deficiência de G6PD e Bebês

A lawsona pode provocar hemólise em pessoas com deficiência de G6PD (glicose-6-fosfato desidrogenase), inclusive recém-nascidos expostos por via tópica, e por isso a hena é contraindicada para quem tem deficiência de G6PD e para bebês. Relatos de caso descrevem hemólise grave e icterícia acentuada em bebês e crianças com essa deficiência depois da simples aplicação da pasta na pele, quadro que pode exigir internação.

Hena Preta ou Hena Negra Não É Hena

A chamada hena preta ou hena negra não é hena: contém parafenilenodiamina (PPD), que causa dermatite grave, sensibilização permanente e cicatrizes. A pessoa sensibilizada ao PPD pode reagir depois a tinturas de cabelo e a outros produtos que contenham o mesmo composto. Por isso, tatuagens temporárias pretas e pós que prometem cor escura devem ser recusados, sobretudo em crianças.

Contraindicações Gerais

O uso interno da hena não é recomendado, pois não há dados de segurança e existem relatos de toxicidade, de modo que o emprego aceito se limita à aplicação externa da hena pura. Na gravidez, o uso tópico é tradicional em muitas culturas, mas não há dados para o uso interno, que deve ser evitado. Gestantes e lactantes devem buscar a orientação de um profissional de saúde antes de qualquer aplicação. Pessoas com alergia conhecida à hena, a outras plantas da família Lythraceae ou a qualquer componente do produto também devem evitar a planta. Crianças maiores só devem recebê-la por via tópica, com hena comprovadamente pura e sem deficiência de G6PD.

Efeitos Colaterais Comuns

Na forma pura e em aplicação externa, os efeitos colaterais da hena costumam ser raros e leves, como irritação cutânea, vermelhidão ou coceira em pessoas sensíveis. Um teste de contato em pequena área da pele antes da aplicação completa ajuda a verificar a sensibilidade individual. Nos registros de uso interno, doses elevadas foram associadas a desconforto gastrointestinal, como náuseas e diarreia. As reações graves costumam estar ligadas à contaminação com aditivos químicos, sobretudo o PPD, ou à hemólise em pessoas com deficiência de G6PD.

Interações Medicamentosas

Não há interações medicamentosas bem documentadas para a hena pura aplicada na pele. Como estudos em animais sugerem efeito hipoglicemiante, quem usa medicamentos para diabetes não deve recorrer à hena por via interna. A presença de cumarinas também levanta a possibilidade teórica de interação com anticoagulantes, ainda que a relevância clínica seja incerta. Em qualquer caso, quem estiver tomando outros medicamentos deve consultar um profissional de saúde antes de usar a planta, para evitar interações ou efeitos adversos.

Curiosidades e Fatos Históricos da Hena

Origens Antigas e Rituais

A hena tem uma história milenar, com indícios de uso que remontam a mais de 5.000 anos em regiões quentes do norte da África, do Oriente Médio e do sul da Ásia. Os antigos egípcios a usavam para tingir cabelos e unhas e no embalsamamento de múmias, por acreditarem em suas propriedades protetoras e rejuvenescedoras. Na Índia, no Paquistão e em muitas culturas árabes, a aplicação de hena (mehndi) faz parte de celebrações, casamentos e festivais como símbolo de boa sorte, fertilidade e beleza. Os desenhos complexos aplicados nas mãos e nos pés nessas ocasiões são verdadeiras obras de arte efêmeras, que desbotam aos poucos nas semanas seguintes.

Hena na Medicina Tradicional

Além do uso cosmético, a hena foi amplamente empregada na medicina tradicional, e as medicinas ayurvédica e unani lhe atribuem ações anti-inflamatórias, antissépticas e febrífugas. As folhas eram usadas em dores de cabeça, dores musculares, feridas, queimaduras e doenças de pele. Decocções e infusões eram preparadas para problemas hepáticos, icterícia e como tônico geral, práticas de uso interno que hoje não são recomendadas. A lawsona, principal composto ativo, é apontada pela pesquisa como responsável por boa parte das atividades descritas, entre elas a antimicrobiana e a antioxidante observadas em laboratório.

A Hena e a Cultura Popular

A hena ultrapassou suas origens geográficas e culturais e se tornou um fenômeno global, com artistas que viajam pelo mundo para compartilhar essa arte milenar. Na cultura ocidental, ganhou popularidade como alternativa natural e temporária às tatuagens permanentes e passou a figurar em muitos produtos capilares naturais pela cor e pelo brilho que confere aos fios. Assim, mantém viva uma tradição ancestral que continua a fascinar pessoas em todo o mundo.

Confusões com Outros Nomes Populares

No Brasil, os nomes resedá e rosedá, que alguns textos atribuem à hena, designam na verdade Lagerstroemia indica, arbusto ornamental da mesma família Lythraceae. Já bogari corresponde a Jasminum sambac, um jasmim da família Oleaceae. Por isso, nenhum desses nomes serve para identificar a Lawsonia inermis, e quem procura pó ou folhas de hena deve conferir sempre o nome científico no rótulo.

Perguntas Frequentes sobre a Hena

A Hena Pura É Segura para o Cabelo?

Para a maioria das pessoas, a hena pura (Lawsonia inermis) é bem tolerada no cabelo e tradicionalmente usada para dar brilho aos fios e no cuidado com a caspa. O pó precisa ser 100% puro, sem aditivos químicos como o PPD, que podem causar reações alérgicas graves, e o uso é contraindicado para pessoas com deficiência de G6PD. Antes da aplicação completa, faça sempre um teste de mecha e de sensibilidade na pele.

Qual a Diferença entre Hena Pura e Hena Preta?

A hena pura (Lawsonia inermis) produz tons que vão do laranja ao castanho-avermelhado e não deixa a pele preta. A chamada hena preta ou hena negra não é hena: contém parafenilenodiamina (PPD), que causa dermatite grave, sensibilização permanente e cicatrizes. Por isso, verifique a lista de ingredientes e recuse qualquer produto ou tatuagem temporária que contenha PPD.

A Hena Pode Ser Usada em Bebês e Crianças?

Em bebês, a hena é contraindicada, porque a lawsona pode provocar hemólise em pessoas com deficiência de G6PD, inclusive recém-nascidos expostos apenas por via tópica. Em crianças maiores, muitas culturas a aplicam em celebrações e rituais, mas somente com hena 100% natural, sem alergia conhecida e sem deficiência de G6PD, e nunca com hena preta, pelos riscos ligados ao PPD. Consulte sempre um pediatra antes de qualquer aplicação.

A Hena Cobre Cabelos Brancos?

Sim, a hena pura pode cobrir cabelos brancos, mas o resultado é um tom avermelhado ou acobreado que depende da cor natural dos fios e do tempo de aplicação. Para tons mais escuros, ela costuma ser combinada com outras plantas, como o índigo. Como não clareia o cabelo e apenas deposita cor sobre ele, a hena cria um efeito de reflexos naturais.

Quanto Tempo Dura a Cor da Hena no Cabelo?

A cor da hena no cabelo é considerada permanente, porque o pigmento se liga à queratina do fio, embora a intensidade possa desbotar um pouco com as lavagens e a exposição ao sol. Em média, o tom permanece vibrante por 4 a 6 semanas, conforme a frequência de lavagem e os produtos usados, e o crescimento dos fios novos exige retoques na raiz.

A Hena Pode Ser Usada Durante a Gravidez?

Na gravidez, o uso tópico da hena pura é tradicional em muitas culturas, mas não há dados para o uso interno, que deve ser evitado. Como acontece com qualquer produto à base de plantas, gestantes e lactantes devem consultar um médico ou profissional de saúde antes do uso. Depois do nascimento, a pasta nunca deve ser aplicada no bebê, pelo risco de hemólise em caso de deficiência de G6PD.

Aviso: este conteúdo é informativo e não substitui orientação de profissional de saúde. Consulte um médico ou fitoterapeuta antes de usar plantas medicinais, especialmente na gravidez, na lactação ou em uso de medicamentos.

Referências e Estudos Científicos

3 Referências Citadas

Baseado em 3 Referências Citadas (3 Peer-Reviewed).

  1. PMC2024 Batiha GE, et al. Therapeutic potential of Lawsonia inermis Linn: a comprehensive overview. Naunyn Schmiedebergs Arch Pharmacol. 2024.
  2. PMC2014 Badoni Semwal R, et al. Lawsonia inermis L. (henna): ethnobotanical, phytochemical and pharmacological aspects. J Ethnopharmacol. 2014.
  3. PMC2013 Li Q, et al. [Advances in studies on chemical constituents and biological activities of Lawsonia inermis]. Zhongguo Zhong yao za zhi = Zhongguo zhongyao zazhi = China journal of Chinese materia medica. 2013.
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