Petasites hybridus (L.) Gaertn., Mey. & Scherb. / Petasite, também conhecida popularmente como butterbur, chapéu de aba larga, língua-de-vaca, petásites ou chapéu-de-frade, é uma planta herbácea perene da família Asteraceae. Originária da Europa e do norte da Ásia, esta espécie é reconhecida por suas grandes folhas e pela inflorescência que surge antes da folhagem. Historicamente, a petasite tem sido utilizada na medicina tradicional para diversas condições, embora a pesquisa moderna se concentre principalmente em seus extratos livres de alcaloides pirrolizidínicos (APs).

A planta tem sido objeto de estudos devido às suas propriedades anti-inflamatórias e antiespasmódicas, atribuídas a compostos como a petasina e a isopetasina. Contudo, a presença de alcaloides pirrolizidínicos (APs) na planta in natura levanta preocupações significativas sobre sua toxicidade hepática e potencial carcinogenicidade. Por esta razão, apenas produtos de petasite processados para remover os APs são considerados seguros para uso como suplemento dietético.
Nomes Populares e Internacionais do Petasite
- Português: butterbur, chapéu de aba larga, chapéu-de-frade, língua-de-vaca, petasite, petásites.
- Inglês: bog rhubarb, butterbur, devil’s hat, pestilence wort, purple butterbur.
- Espanhol: mantecona, pata de caballo, petasites, sombrerera.
- Francês: chapeau du diable, grande bardane, pétasite officinal.
- Italiano: farfaraccio, petasite, tussilagine maggiore.
- Alemão: Butterblatt, Huflattich, Pestilenzkraut, Pestwurz.
Sinônimos Botânicos do Petasite
Além de Petasites hybridus (L.) Gaertn., Mey. & Scherb., outros sinônimos botânicos incluem Petasites officinalis Moench e Tussilago hybrida L. A nomenclatura pode variar em diferentes contextos e períodos históricos, mas Petasites hybridus é o nome científico mais amplamente aceito atualmente.
Família Botânica: Asteraceae
A Petasites hybridus pertence à família Asteraceae, uma das maiores e mais diversas famílias de plantas com flores, também conhecida como Compositae. Essa família inclui uma vasta gama de espécies, desde plantas ornamentais a culturas agrícolas e ervas medicinais, caracterizadas geralmente por inflorescências compostas por muitas flores pequenas. A família Asteraceae é rica em compostos bioativos, como flavonoides, sesquiterpenos e alcaloides, que conferem propriedades medicinais a muitas de suas espécies.
Partes Utilizadas do Petasite
- Folhas
- Raízes
- Rizomas
Usos Etnobotânicos e Tradicionais do Petasite
- Alívio de dores causadas por pedras nos rins ou na bexiga.
- Alívio de dores de cabeça e enxaquecas.
- Alívio de sintomas de alergias sazonais (rinite alérgica).
- Melhora do ritmo respiratório em casos de bronquite crônica ou asma.
- Tratamento de infecções, febre, gripes e resfriados (medicina tradicional austríaca e checa).
- Uso externo como compressas para inflamações cutâneas.
Propriedades Terapêuticas do Petasite
- Analgésico (uso tradicional para aliviar a dor)
- Anti-inflamatório (efeito estudado na redução de inflamações)
- Antiespasmódico (estudado na prevenção de ou alivia espasmos musculares)
- Diurético (efeito estudado sobre a produção de urina)
Perfil Fitoquímico Detalhado do Petasite
- Alcaloides Pirrolizidínicos (APs)
- Flavonoides
- Isopetasina
- Petasina
- Sesquiterpenos
Formas de Preparo e Administração do Petasite
- Cápsulas (extratos padronizados e livres de APs)
- Chá (tradicionalmente, mas não recomendado devido aos APs)
- Compressas (uso externo)
- Extratos fluidos
- Tinturas
Sinergia com Outras Plantas Medicinais
Alívio de Enxaquecas
A petasite pode ser combinada com outras plantas com propriedades analgésicas e anti-inflamatórias, como o gengibre (Zingiber officinale) ou a febre-do-feno (Tanacetum parthenium), para potencializar o suporte tradicional ao alívio de enxaquecas. A sinergia visa um efeito mais abrangente na redução da dor e da inflamação associadas às crises, sempre com extratos certificados como livres de alcaloides pirrolizidínicos.
Suporte Respiratório
Para condições respiratórias como asma e bronquite, a petasite pode ser usada em conjunto com plantas broncodilatadoras e expectorantes, como o tomilho (Thymus vulgaris) ou a hera (Hedera helix). Essa combinação tem uso tradicional de apoio à função pulmonar e ao alívio da tosse e da congestão, sem substituir o acompanhamento médico em quadros respiratórios crônicos.
Receitas e Protocolos de Uso do Petasite
Uso em Cápsulas para Enxaqueca
A forma mais segura e comum de utilizar a petasite é por meio de extratos padronizados e certificados como livres de alcaloides pirrolizidínicos (APs), geralmente disponíveis em cápsulas. Para a prevenção de enxaquecas em adultos, a orientação é seguir rigorosamente a dosagem indicada no rótulo de um produto certificado, respeitando o período de uso recomendado pelo fabricante. É fundamental consultar um profissional de saúde antes de iniciar o uso, garantindo a escolha de um produto de qualidade comprovada e livre de APs.
Compressas para Dores Locais
Para uso externo, as folhas frescas de petasite podem ser maceradas e aplicadas como compressas sobre áreas com dores musculares ou inflamações leves. No entanto, esta aplicação deve ser feita com cautela devido à presença de APs nas folhas frescas, não sendo recomendada para uso em pele lesionada. A aplicação tópica de extratos livres de APs em cremes ou pomadas é uma alternativa mais segura.
As preparações acima seguem registros tradicionais e não substituem orientação profissional. Antes de qualquer uso interno, consulte as contraindicações e interações descritas neste artigo.
Terapias Associadas ao Petasite
Fitoterapia Ocidental
Na fitoterapia ocidental, a petasite é valorizada por suas propriedades anti-inflamatórias e antiespasmódicas, sendo utilizada principalmente como suporte no manejo de enxaquecas e rinite alérgica. A ênfase é dada ao uso de extratos padronizados e seguros, que garantam a ausência de alcaloides pirrolizidínicos (APs).
Homeopatia
Em homeopatia, a petasite (conhecida como Petasites officinalis) é utilizada para tratar sintomas como dores de cabeça, congestão nasal e tosse, seguindo os princípios da medicina homeopática de diluição e dinamização. A escolha do remédio homeopático e a dosagem são individualizadas e devem ser determinadas por um homeopata qualificado.
Contraindicações e Efeitos Colaterais do Petasite
Contraindicações
- Alergia: Pessoas com alergia conhecida à petasite ou a outras plantas da família Asteraceae (como ambrósia, crisântemos, margaridas) devem evitar o uso.
- Gravidez e Amamentação: Contraindicada devido à falta de dados de segurança e ao risco potencial de danos ao feto ou ao lactente, especialmente se contiver APs.
- Doenças Hepáticas: Indivíduos com doenças hepáticas preexistentes devem evitar o uso de produtos não certificados como livres de APs, devido ao risco de hepatotoxicidade.
- Insuficiência Renal: Recomenda-se cautela e orientação médica para pacientes com insuficiência renal.
- Hipoglicemia e Hipertensão: Aconselha-se supervisão médica, pois a planta pode influenciar os níveis de açúcar no sangue e a pressão arterial.
Efeitos Colaterais
- Comuns: Arrotos, diarreia, sonolência, erupções cutâneas e desconforto estomacal.
- Raros: Casos raros de lesão hepática foram associados a produtos que se declaravam livres de APs, indicando a importância da qualidade e certificação.
- Alcaloides Pirrolizidínicos (APs): Produtos que contêm APs podem causar danos ao fígado e pulmões, além de serem potencialmente cancerígenos. O uso tópico em pele lesionada também pode permitir a absorção de APs.
Curiosidades e Fatos Históricos do Petasite
Origem do Nome
O nome popular butterbur (em inglês) é atribuído ao uso tradicional de suas grandes folhas para embrulhar manteiga em climas quentes, ajudando a mantê-la fresca. Em outras línguas, os nomes populares podem ser traduzidos como “chapéu do diabo” ou “chapéu de aba larga”, referindo-se ao tamanho e formato de suas folhas.
Uso Histórico
Historicamente, a petasite foi utilizada para tratar uma variedade de doenças, incluindo febre, gripes, resfriados e até mesmo a peste, o que lhe rendeu o nome de pestilence wort em inglês. Sua aplicação em compressas para inflamações e feridas também é um uso etnobotânico bem documentado.
Perguntas Frequentes sobre o Petasite
A Petasite É Segura para Todos?
Não. A petasite natural contém alcaloides pirrolizidínicos (APs) que são tóxicos para o fígado e potencialmente cancerígenos. Apenas extratos de petasite que foram processados para remover os APs são considerados seguros para uso, sendo crucial verificar a certificação de que o produto é livre de APs.
A Petasite Pode Ser Usada Durante a Gravidez ou Amamentação?
Não é recomendado. Devido à falta de dados de segurança e ao risco potencial de danos ao feto ou ao lactente, o uso de petasite é contraindicado durante a gravidez e a amamentação, especialmente se o produto não for garantidamente livre de APs.
Quais São os Principais Usos da Petasite?
Os principais usos da petasite, em extratos livres de APs, incluem o suporte tradicional e estudado na prevenção de enxaquecas e na redução dos sintomas de rinite alérgica, aproveitando suas propriedades anti-inflamatórias e antiespasmódicas valorizadas nessas aplicações.
Quais São os Efeitos Colaterais Comuns da Petasite?
Os efeitos colaterais mais comuns incluem arrotos, diarreia, sonolência, erupções cutâneas e desconforto estomacal. Em casos raros, mesmo produtos declarados livres de APs foram associados a lesões hepáticas, o que reforça a importância de escolher produtos de qualidade certificada.
Por que a Certificação Livre de APs É Tão Importante?
A certificação garante que o processo de extração removeu os alcaloides pirrolizidínicos responsáveis pela toxicidade hepática e pelo potencial carcinogênico associados à planta in natura. Sem essa garantia de qualidade, mesmo um produto vendido como fitoterápico pode representar risco real ao fígado. Por isso, especialistas recomendam adquirir apenas extratos padronizados de fabricantes que comprovem, em laudo, a ausência desses compostos.
A Petasite Pode Substituir o Tratamento Médico da Enxaqueca?
Não. A petasite é estudada como suporte complementar na prevenção de crises, mas não substitui o diagnóstico, o acompanhamento e o tratamento prescritos por um médico, especialmente em casos de enxaqueca frequente ou incapacitante. Seu uso deve ser sempre conversado previamente com um profissional de saúde, sobretudo por quem já utiliza outras medicações.
Aviso: este conteúdo é informativo e não substitui orientação de profissional de saúde. Consulte um médico ou fitoterapeuta antes de usar plantas medicinais, especialmente na gravidez, na lactação ou em uso de medicamentos.
Referências e Estudos Científicos
Estudos Científicos Peer-Reviewed (1)
- PMC2024 Tepper SJ, et al. Nutraceuticals and Headache 2024: Riboflavin, Coenzyme Q10, Feverfew, Magnesium, Melatonin, and Butterbur. Current pain and headache reports. 2025.
Fontes Institucionais (1)
- GOV National Center for Complementary and Integrative Health (NCCIH). Butterbur. NCCIH.
Leituras Complementares (1)
- European Medicines Agency (EMA). Assessment report on Petasites hybridus (L.) Gaertn., Mey. & Scherb. rhizoma. EMA.
