Tussilago farfara L. / Tussilagem, conhecida popularmente como tussilagem, unha-de-cavalo ou coltsfoot, é uma planta herbácea perene da família Asteraceae. Originária da Europa e da Ásia Ocidental, esta espécie disseminou-se por diversos continentes devido às suas reconhecidas propriedades medicinais. A tussilagem é utilizada há milênios na medicina tradicional, sendo mencionada em textos antigos como um remédio para problemas respiratórios. Suas flores amarelas, que surgem antes das folhas, são colhidas para a preparação de infusões, extratos e outros produtos fitoterápicos.

Na tradição herbária europeia, a tussilagem ocupa um lugar de destaque como planta expectorante e anti-inflamatória, com aplicações que vão do alívio de distúrbios gastrointestinais até condições respiratórias, sustentadas por uma composição fitoquímica rica em alcaloides pirrolizidínicos (PAs), flavonoides e sesquiterpenos. A pesquisa científica moderna tem validado muitos dos usos tradicionais da tussilagem, mas também levantou preocupações significativas devido à toxicidade dos PAs, o que exige cautela redobrada antes de qualquer uso.
Nomes Populares e Internacionais da Tussilagem
- Português: erva-de-São-Quirino, farfária, farfugio, tussilagem, unha-de-asno, unha-de-cavalo.
- Inglês: ass’s foot, Bull’s foot, colt’s foot, coltsfoot, coughwort, English tobacco, farfara, fieldhove, foal’s foot, foalswort, hallfoot, horse foot, horsehoof, tash plant, winter heliotrope.
- Espanhol: espatas, fárfara, gordolobo, pata de asno, pata de caballo, pata de mulo, pata de vaca, patabuey, pie de caballo, pie de mulo, potas, sombrerera, tussilago, uña de asno, uña de caballo.
- Francês: chou de vigne, filius ante patrem, herbe aux pattes, herbe de Saint-Quirin, pas d’âne, pas de cheval, pied de cheval, racine de peste, taconnet, tussilage, tussilage farfara, tussilage pas-d’âne.
- Italiano: farfara, farfugio, paparacchio, passo d’asino, tossilaggine, tossilagine comune, unghia cavallina.
- Alemão: gemeiner Huflattich, Huflattich, Sauplotschen.
Sinônimos Botânicos da Tussilagem
Tussilago farfara L. é o nome científico aceito. Contudo, na literatura, podem ser encontrados outros sinônimos, embora menos comuns. É crucial a identificação botânica correta para evitar confusões com outras espécies.
Família Botânica: Asteraceae
A Tussilago farfara pertence à família Asteraceae, uma das maiores famílias de plantas com flores, que inclui mais de 32.000 espécies. Essa família é caracterizada por inflorescências em capítulo, onde numerosas flores pequenas se agrupam para formar uma estrutura que se assemelha a uma única flor. As Asteraceae são conhecidas pela produção de compostos bioativos, como lactonas sesquiterpénicas, flavonoides e óleos essenciais, que conferem propriedades medicinais a muitas de suas espécies.
A tussilagem partilha características morfológicas típicas da família, incluindo flores compostas por flósculos tubulares no disco central e flores liguladas nas margens, e essa diversidade química tem sido objeto de intensa pesquisa farmacológica, contribuindo para o desenvolvimento de fitofármacos e suplementos alimentares.
Partes Utilizadas da Tussilagem
- Flores
- Folhas
- Raízes (menos comum)
Usos Etnobotânicos e Tradicionais da Tussilagem
- Alívio de tosse e bronquite
- Anti-inflamatório para condições respiratórias
- Expectorante para facilitar a eliminação de muco
- Tratamento de asma e tosse convulsa
- Uso externo para problemas de pele e inflamações
Propriedades Terapêuticas da Tussilagem
- Anti-inflamatório (efeito estudado na redução de inflamações)
- Antiespasmódico (uso tradicional para aliviar espasmos musculares, especialmente no trato respiratório)
- Antitússico (suprime a tosse)
- Expectorante (facilita a expulsão de muco)
- Neuroprotetor (efeito protetor estudado sobre as células cerebrais)
Perfil Fitoquímico Detalhado da Tussilagem
- Ácidos Fenólicos (como ácido cafeico e ácido clorogênico, com propriedades antioxidantes)
- Alcaloides Pirrolizidínicos (PAs) (como senecionina e senkirkina, com potencial hepatotóxico)
- Flavonoides (incluindo quercetina, kaempferol, apigenina, com propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias)
- Mucilagens (polissacarídeos que conferem propriedades demulcentes e suavizantes)
- Sesquiterpenos (como tussilagona, com atividade anti-inflamatória e antitússica)
Formas de Preparo e Administração da Tussilagem
- Cataplasma
- Chá (infusão)
- Extrato fluido
- Extrato seco
- Pomada
- Xarope
Sinergia com Outras Plantas Medicinais
Tussilagem e Alcaçuz para Problemas Respiratórios
A combinação de tussilagem com alcaçuz (Glycyrrhiza glabra) é frequentemente empregada, na tradição herbária, para potencializar os efeitos expectorantes e anti-inflamatórios em condições respiratórias, já que o alcaçuz, com suas propriedades demulcentes, complementa a ação da tussilagem ajudando a acalmar as vias aéreas irritadas e a favorecer a eliminação de muco. Essa combinação tradicional é referida sobretudo para casos de bronquite, tosse persistente e asma, sempre sob orientação de um profissional de saúde diante dos riscos já descritos para a tussilagem.
Tussilagem e Malva para Irritações da Garganta
Para irritações da garganta e tosse seca, a tussilagem é tradicionalmente combinada com malva (Malva sylvestris), rica em mucilagens que formam uma camada protetora sobre as membranas mucosas, aliviando a irritação e a inflamação. Juntas, essas plantas oferecem, segundo o uso popular, um efeito suavizante e protetor indicado para acalmar a tosse e a dor de garganta, sem que isso substitua avaliação médica.
Receitas e Protocolos de Uso da Tussilagem
Infusão Tradicional para Tosse e Congestão
Ingredientes: uma pequena quantidade de folhas secas de tussilagem, água fervente, mel (opcional).
Preparação: colocar as folhas em uma xícara e cobrir com água acabada de ferver, deixando em infusão por alguns minutos antes de coar e adoçar com mel, se desejado. Devido à toxicidade hepática documentada dos alcaloides pirrolizidínicos presentes na espécie, essa infusão não deve ser preparada nem consumida sem orientação e acompanhamento de um profissional de saúde, que definirá se o uso é apropriado e por quanto tempo.
Cataplasma Tradicional para Inflamações Cutâneas
Ingredientes: folhas frescas de tussilagem, água quente.
Preparação: amassar as folhas frescas até formar uma pasta e aquecê-la ligeiramente em água quente, sem ferver, antes de aplicá-la sobre a área afetada da pele, como feridas, úlceras ou inflamações, cobrindo com um pano limpo por 30 minutos a 1 hora e repetindo até duas vezes ao dia. Esse cataplasma é associado, na tradição popular, a um efeito calmante e protetor sobre a pele irritada, mas mesmo o uso externo deve ser suspenso diante de qualquer reação e avaliado por um profissional de saúde.
As preparações acima seguem registros tradicionais e não substituem orientação profissional. Antes de qualquer uso interno, consulte as contraindicações e interações descritas neste artigo.
Terapias Associadas à Tussilagem
Aromaterapia
Embora a tussilagem não seja comumente utilizada em aromaterapia devido à ausência de um óleo essencial amplamente comercializado, seus componentes voláteis podem ter um papel em misturas herbais para inalação, cujos vapores de infusões de tussilagem podem auxiliar no alívio de sintomas respiratórios, como tosse e congestão, proporcionando um efeito calmante nas vias aéreas.
Fitoterapia
Na fitoterapia, a tussilagem é valorizada por suas propriedades expectorantes, antitússicas e anti-inflamatórias, sendo utilizada na forma de extratos, tinturas e chás para uma variedade de condições respiratórias, incluindo bronquite, asma e tosse persistente. A fitoterapia moderna busca isolar e padronizar os compostos ativos da planta, como os sesquiterpenos, para maximizar os benefícios terapêuticos e minimizar os riscos associados aos alcaloides pirrolizidínicos, que continuam sendo o principal fator limitante do uso da espécie.
Contraindicações e Efeitos Colaterais da Tussilagem
Apesar de seus usos tradicionais, a tussilagem (Tussilago farfara) apresenta sérias preocupações de segurança devido à presença de alcaloides pirrolizidínicos (PAs), que são hepatotóxicos e podem causar danos hepáticos agudos e crônicos, além de serem carcinogênicos e mutagênicos. Há inclusive um caso fatal documentado de dano hepático em um recém-nascido cuja mãe consumiu chá de tussilagem durante a gravidez, o que ilustra a gravidade do risco. Por essa razão, o uso da planta é fortemente desaconselhado e, em países como a Alemanha e a Áustria, está sujeito a proibição ou restrição regulatória: a Áustria proíbe a flor em chás, e a Alemanha só permite produtos com teor de alcaloides pirrolizidínicos abaixo do limite regulatório de segurança.
Contraindicações Principais
- Gravidez e Amamentação: a tussilagem é formalmente contraindicada durante a gravidez e a amamentação, pois os PAs podem atravessar a placenta e ser excretados no leite materno, causando danos ao feto ou ao bebê.
- Doença Hepática: indivíduos com problemas hepáticos preexistentes são particularmente vulneráveis aos efeitos tóxicos dos PAs.
- Crianças: o uso em crianças é estritamente contraindicado, devido à maior sensibilidade e à menor capacidade de desintoxicação nessa faixa etária.
- Alergia a Asteraceae: pessoas com alergia conhecida a plantas da família Asteraceae (como ambrósia, crisântemos, malmequeres) podem apresentar reações alérgicas.
- Uso a Longo Prazo ou Frequente: o uso prolongado ou repetido, mesmo em pequenas doses, aumenta o risco de acumulação de PAs no fígado e de dano hepático irreversível, por isso deve ser evitado em qualquer circunstância.
Efeitos Colaterais Potenciais
- Danos Hepáticos: a complicação mais grave, podendo levar à cirrose e à insuficiência hepática.
- Coágulos Sanguíneos: relatos de casos associam o consumo de tussilagem à formação de coágulos.
- Reações Alérgicas: dermatite de contato, erupções cutâneas e, em casos raros, anafilaxia.
- Interações Medicamentosas: possível interação com medicamentos que afetam o fígado ou com anticoagulantes.
Diante desse quadro, qualquer uso de Tussilago farfara só deveria ocorrer sob orientação médica rigorosa e com produtos que garantam ausência de alcaloides pirrolizidínicos, algo raro e difícil de assegurar em preparações tradicionais; na prática, recomenda-se evitar a planta, especialmente na gravidez, na lactação, em crianças e em qualquer uso prolongado.
Curiosidades e Fatos Históricos da Tussilagem
Origem do Nome
O nome do gênero, Tussilago, deriva do latim tussis (tosse) e ago (agir ou atuar), refletindo seu uso tradicional como remédio para a tosse, enquanto o epíteto específico farfara, também de origem latina, refere-se à forma de suas folhas, que se assemelham a um casco de cavalo, daí o nome popular coltsfoot em inglês.
Símbolo da Primavera
A tussilagem é frequentemente considerada um dos primeiros sinais da primavera, pois suas flores amarelas brilhantes surgem no final do inverno ou início da primavera, muitas vezes antes do aparecimento das folhas, fenômeno que lhe valeu o nome popular filius ante patrem (filho antes do pai) em algumas culturas.
Uso Antigo e Popular
Historicamente, a tussilagem foi amplamente utilizada em diversas culturas, desde a medicina tradicional chinesa até as práticas herbais europeias, e era comum fumar as folhas secas para aliviar a asma e a bronquite, prática hoje desaconselhada devido à toxicidade dos alcaloides pirrolizidínicos.
Perguntas Frequentes sobre a Tussilagem
A Tussilagem É Segura para Consumo?
Devido à presença de alcaloides pirrolizidínicos (PAs), tóxicos para o fígado e potencialmente carcinogênicos, o consumo de tussilagem não é recomendado, e países como Alemanha e Áustria restringem ou proíbem sua venda. É fundamental evitar produtos de tussilagem que não sejam certificados como livres de PAs.
Quais São os Principais Usos Tradicionais da Tussilagem?
Tradicionalmente, a tussilagem foi utilizada para tosse, bronquite, asma e congestão, além de aplicações externas em problemas de pele e inflamações, mas esses usos são hoje questionados diante dos riscos de toxicidade hepática associados à planta.
Existem Alternativas Seguras à Tussilagem para Problemas Respiratórios?
Sim: existem alternativas mais seguras e já documentadas no próprio site para queixas respiratórias, como o verbasco e o tomilho, além do gengibre, do alcaçuz (com moderação e sem PAs), da malva e da camomila, sendo sempre recomendável consultar um profissional de saúde ou fitoterapeuta antes de qualquer uso.
A Tussilagem Pode Ser Usada Durante a Gravidez ou Amamentação?
Não. A tussilagem é estritamente contraindicada durante a gravidez e a amamentação, já que os alcaloides pirrolizidínicos atravessam a placenta e são excretados no leite materno, podendo causar danos graves ao feto ou ao bebê; há inclusive registro de um caso fatal associado a esse uso.
Como Posso Identificar a Tussilagem?
A tussilagem (Tussilago farfara) é facilmente identificável por suas flores amarelas brilhantes, que surgem no início da primavera antes das folhas; estas, quando aparecem, têm forma que lembra um casco de cavalo, com face superior verde e face inferior esbranquiçada e lanosa.
Aviso: este conteúdo é informativo e não substitui orientação de profissional de saúde. Consulte um médico ou fitoterapeuta antes de usar plantas medicinais, especialmente na gravidez, na lactação ou em uso de medicamentos.
Referências e Estudos Científicos
- PMC2020 Chen, S., Dong, L., Quan, H., Zhou, X., Ma, J., Xia, W., Zhou, H., & Fu, X. (2020). A review of the ethnobotanical value, phytochemistry, pharmacology, toxicity and quality control of Tussilago farfara L. (coltsfoot). Journal of Ethnopharmacology, 267, 113478. Recuperado de PMC PubMed Central
- PMC2026 Zheng H, Li Y, Zhang Y, et al. Sesquiterpenoids from Tussilago farfara: full structure elucidation, anti-diabetic and anti-inflammatory signaling pathways. Chinese Journal of Natural Medicines. 2026.
- PMC2025 Kolarijani NR, Zamani S, Gharibshahian M, et al. Accelerating burn wound healing using alginate/carboxymethyl cellulose nanogel containing Tussilago farfara and ZnO nanoparticle. Burns. 2025.
