Poucas plantas se apresentam de forma tão literal quanto a Sanguinaria canadensis. Basta romper o rizoma para que escorra um látex denso, de um vermelho alaranjado que mancha os dedos e explica de uma só vez o nome do gênero, o nome popular em inglês e boa parte da fama que a espécie acumulou ao longo de quatro séculos de observação europeia. Trata-se de uma Papaveraceae, parente próxima da papoula e da celidônia, e do único representante vivo do gênero Sanguinaria.
A espécie é nativa da metade oriental da América do Norte, do centro e leste do Canadá até o centro e leste dos Estados Unidos, onde habita o piso de florestas decíduas maduras. Seu ciclo aéreo é curtíssimo: a planta pertence ao grupo funcional das efêmeras de primavera, que aproveitam a janela de luz entre o degelo e o fechamento do dossel das árvores para emergir, florescer e frutificar, recolhendo-se depois ao rizoma pelo resto do ano. Uma população inteira pode passar de invisível a florida e de volta a invisível em menos de três meses.
Este perfil reúne o que a literatura botânica registra sobre a espécie: taxonomia formal confirmada nas bases de nomenclatura, morfologia com medidas, ecologia de habitat, práticas de cultivo em jardim de sub-bosque, fenologia e polinização, distinção em campo de espécies parecidas, composição química descritiva, registro histórico e etnográfico, e situação de conservação. Nada aqui é orientação de uso: a planta é tóxica em todas as suas partes, e o texto descreve o organismo, não maneiras de empregá-lo.
A sanguinária é o único representante vivo do gênero Sanguinaria, parente próxima da papoula e da celidônia dentro das Papaveraceae.

Taxonomia
O gênero Sanguinaria é monotípico, isto é, contém uma única espécie aceita. O nome foi validado por Lineu em 1753, no primeiro volume de Species Plantarum, obra que marca o ponto de partida da nomenclatura botânica moderna. A classificação atual, seguindo o sistema APG adotado pelo Plants of the World Online, é a seguinte:
- Reino: Plantae
- Clado: Angiospermas, eudicotiledôneas
- Ordem: Ranunculales
- Família: Papaveraceae Juss., 1789
- Subfamília: Papaveroideae
- Gênero: Sanguinaria Dill. ex L., 1753
- Espécie: Sanguinaria canadensis L., 1753
O binômio foi conferido no International Plant Names Index, que registra a publicação original em Species Plantarum de 1753 e atribui a autoria a Lineu, e no Plants of the World Online do Royal Botanic Gardens, Kew, onde Sanguinaria canadensis L. figura como nome aceito.
Sinônimos
Como acontece com espécies muito coletadas e muito variáveis, a sanguinária acumulou uma longa lista de nomes que hoje estão reduzidos à sinonímia. Em nível de gênero, Belharnosia Adans. é sinônimo de Sanguinaria. Entre os sinônimos da espécie, registram-se:
- Belharnosia canadensis (L.) Nieuwl.
- Sanguinaria acaulis Moench
- Sanguinaria canadensis var. rotundifolia (Greene) Fedde
- Sanguinaria canadensis var. stenopetala Pursh
- Sanguinaria grandiflora Raf.
- Sanguinaria vernalis Salisb.
- Sanguinaria virginiana Gaertn.
Diversas variedades descritas por Fedde em 1909, como australis, dilleniana e mesochora, e formas posteriores como colbyorum Benke e incarnata Farw., correspondem a variação populacional contínua e não são reconhecidas hoje como táxons distintos. A exceção de interesse hortícola é a forma multiplex (E.H.Wilson) Weath., de flores dobradas, tratada abaixo na seção de cultivo.
Etimologia
O nome do gênero deriva do latim sanguis, sangue, em referência direta ao látex vermelho que a planta exsuda quando ferida. O epíteto canadensis significa simplesmente do Canadá e aponta para a procedência do material que chegou à Europa nas primeiras remessas coloniais, embora a espécie ocorra em área muito mais ampla do que o território canadense. Em português, os nomes correntes são sanguinária e sanguinária-do-canadá; em inglês, bloodroot, literalmente raiz de sangue.
Descrição Morfológica da Sanguinária
A sanguinária é uma erva perene glabra, de rizoma ramificado, que atinge cerca de 40 centímetros de altura e excepcionalmente 60 centímetros. O aspecto durante a floração é peculiar e ajuda no reconhecimento imediato: cada broto produz uma única folha, que emerge enrolada como um manto ao redor do botão floral, de modo que a flor parece brotar de dentro da folha. Só depois de a flor abrir e murchar é que a lâmina se desenrola por completo e assume seu tamanho definitivo. Toda a parte aérea desaparece no verão.
Folhas
A folha é solitária, basal e de pecíolo longo, com até 15 centímetros de comprimento, carnoso e igualmente carregado de látex. A lâmina alcança 25 centímetros de largura e tem contorno orbicular-reniforme a cordado-sagitado, com cinco a sete lobos palmados de recorte profundo e margem crenada a ondulada. A face superior é glauca, de um verde azulado acinzentado que a distingue de quase todas as vizinhas de sub-bosque, e a nervação palmada aparece bem marcada por transparência. A expansão foliar continua por várias semanas depois da floração, e o pico de área foliar coincide com o momento em que o dossel da floresta já se fechou.
Flores
As flores são solitárias, terminais em um escapo, e notáveis pela brevidade: cada uma dura poucos dias, e uma população pode passar do auge ao fim da floração em menos de uma semana. As duas sépalas medem cerca de 1 centímetro e caem no momento da antese. As pétalas são brancas, ocasionalmente rosadas, oblongas a oblanceoladas, com 15 a 30 milímetros de comprimento, e ocorrem em número variável, em geral oito a doze, com as externas mais compridas que as internas. Os estames são numerosos, com anteras amarelo-douradas que contrastam com o branco das pétalas, e o ovário é súpero, com dois carpelos e estigma bilobado. A flor não produz néctar, apenas pólen.
Frutos e Sementes
O fruto é uma cápsula fusiforme, glabra, de 35 a 60 milímetros de comprimento, que se abre por duas valvas quando madura. As sementes são numerosas, aproximadamente esféricas, de 2 a 3 milímetros, e variam de negras a vermelho-alaranjadas, com superfície discretamente reticulada. Cada semente traz um elaiossoma, apêndice carnoso e rico em lipídios que funciona como recompensa para formigas e sustenta o mecanismo de dispersão descrito na seção de fenologia. A maturação ocorre entre quatro e seis semanas após a floração, com as cápsulas já secando enquanto a folha ainda está plenamente expandida.
Rizoma
O rizoma é o órgão mais característico da espécie e a razão do nome. Cresce horizontal ou obliquamente a poucos centímetros da superfície, mede de 5 a 15 centímetros de comprimento por 1 a 2,5 centímetros de diâmetro, ramifica-se com a idade e forma colônias clonais compactas. A superfície externa é castanho-avermelhada e o interior é de um vermelho alaranjado vivo, que escurece com a exposição ao ar. Ao ser cortado, libera látex abundante da mesma cor. Esse látex é irritante para pele e mucosas e mancha tecidos de forma persistente.
Distribuição e Habitat
A área nativa da sanguinária cobre o centro e o leste do Canadá e o centro e leste dos Estados Unidos. No Canadá, ocorre de Nova Escócia e Novo Brunswick a Quebec, Ontário e Manitoba. Nos Estados Unidos, estende-se da Nova Inglaterra ao norte da Flórida e, para o oeste, até Dakota do Norte, Dakota do Sul, Nebraska, Kansas, Oklahoma e Texas oriental. Os Apalaches centrais concentram as populações mais densas e a maior variação morfológica.
O habitat típico é o piso de bosques decíduos mesofíticos, com solo profundo, rico em matéria orgânica e bem drenado. A espécie aparece com frequência em planícies de inundação, em margens de riachos e em encostas voltadas para o norte, onde a umidade se mantém mais estável ao longo do verão. Ocorre também, com menos frequência, em clareiras, prados e dunas estabilizadas, e apenas raramente em terrenos perturbados, o que faz dela um bom indicador de floresta madura. A faixa altitudinal documentada vai do nível do mar a cerca de 1.300 metros.
O clima da área de ocorrência é temperado continental a temperado úmido, com invernos frios e precipitação bem distribuída. O rizoma exige um período prolongado de frio para quebrar a dormência, o que limita fortemente o cultivo em climas amenos. A espécie não ocorre naturalmente no Brasil nem em nenhum ponto da América do Sul, e não há registro de naturalização fora de sua área nativa.
Cultivo
No hemisfério norte, a sanguinária é uma peça clássica de jardim de sub-bosque, cultivada pela floração precoce e pela folhagem glauca que preenche o canteiro depois que as flores passam. Fora das zonas de inverno rigoroso, contudo, o cultivo é difícil ou inviável, e no Brasil só faz sentido cogitá-lo em pontos de altitude com frio marcado, como a Serra Gaúcha, a Serra Catarinense e a região de Campos do Jordão. Mesmo aí o resultado é incerto.
Propagação
A divisão de rizomas é o método mais confiável. Faz-se no outono, depois da senescência da folha, separando segmentos que contenham ao menos duas gemas e replantando-os na horizontal, a três ou cinco centímetros de profundidade. A propagação por semente é mais lenta e exige atenção: as sementes são recalcitrantes, perdem viabilidade rapidamente ao secar e devem ser semeadas logo após a colheita. A germinação depende de estratificação dupla, um período quente seguido de um período frio, e costuma ocorrer só na segunda primavera. Plantas de semente levam de três a cinco anos até a primeira floração.
Exigências
O solo ideal é o de floresta: friável, profundo, com alto teor de húmus e drenagem livre, com pH entre levemente ácido e neutro. Solos encharcados ou compactados são o principal fator de fracasso. A luminosidade deve reproduzir o regime natural, com sol direto no início da primavera e sombra durante o verão, o que se obtém plantando sob árvores decíduas. A umidade precisa ser constante no período de crescimento e pode cair depois que a folha seca. Uma camada de cinco a oito centímetros de folhas secas repostas a cada outono cumpre ao mesmo tempo o papel de cobertura morta e de adubação.
Pragas Comuns
A espécie é pouco atacada, provavelmente por causa dos alcaloides presentes em todos os tecidos. Lesmas e caracóis danificam folhas jovens em primaveras chuvosas, e cervídeos raramente comem a planta, embora possam quebrar as flores ao circular. Entre as doenças, a podridão de rizoma associada a fungos oportunistas em solo encharcado é a mais séria, e o mofo cinzento causado por Botrytis cinerea aparece quando há excesso de umidade combinado com pouca ventilação.
Colheita e Seleções Ornamentais
Em jardim, o único manejo de porte é a divisão periódica das touceiras, feita a cada quatro ou cinco anos para evitar adensamento excessivo. Entre as seleções cultivadas, a forma multiplex é de longe a mais difundida: suas flores dobradas lembram peônias em miniatura, duram mais que as da forma simples porque não há pólen a ser removido pelos visitantes, e como não produzem sementes viáveis a planta só se multiplica por divisão. Circulam ainda seleções de pétalas estreitas e de pétalas com base rosada, todas raras no comércio.
Fenologia
A floração acontece no início da primavera do hemisfério norte, entre março e maio conforme a latitude e a altitude, e coloca a sanguinária entre as primeiras espécies a florir no piso da floresta. As flores abrem sob sol da manhã e fecham à noite e em dias nublados. A antese é protogínica: o estigma torna-se receptivo antes que as anteras da mesma flor liberem pólen, arranjo que favorece o cruzamento entre indivíduos. Se a polinização cruzada não acontece na janela de poucos dias em que a flor persiste, os estames se curvam sobre o estigma e ocorre autopolinização.
Como a flor oferece pólen e não néctar, os visitantes eficazes são sobretudo abelhas coletoras de pólen, com destaque para abelhas solitárias dos gêneros Andrena e Lasioglossum. Moscas, pequenos besouros e vespas também visitam as flores, com contribuição menor para o transporte de pólen. A frutificação segue rapidamente, com cápsulas maduras entre maio e junho.
A dispersão é o capítulo mais estudado da história natural da espécie. Ela é mirmecocórica: o elaiossoma de cada semente atrai formigas, principalmente dos gêneros Aphaenogaster e Formica, que carregam a semente até o formigueiro, consomem o apêndice e descartam a semente intacta nas câmaras de resíduo. O resultado é um deslocamento modesto, em geral de poucos metros, mas para um microambiente úmido, rico em nutrientes e protegido de predadores de sementes. Esse alcance curto explica por que a espécie coloniza áreas novas com lentidão e por que raramente reaparece em florestas secundárias jovens.
Espécies Relacionadas e Confusões
Sendo o único membro de seu gênero, a sanguinária não tem congêneres com que possa ser confundida. As comparações relevantes se fazem com outras Papaveraceae de látex colorido e com efêmeras de primavera que compartilham o mesmo habitat.
Dentro da família, três espécies aparecem com frequência nas comparações. Chelidonium majus L., a celidônia eurasiática, produz látex alaranjado e alcaloides isoquinolínicos do mesmo grupo, mas tem caule ramificado, folhas compostas e flores amarelas pequenas em umbelas. Macleaya cordata (Willd.) R.Br., asiática, também acumula sanguinarina, porém é um arbusto herbáceo de dois a três metros com inflorescências plumosas. Stylophorum diphyllum (Michx.) Nutt. divide com a sanguinária os bosques do leste norte-americano, mas tem látex amarelo, caule folhoso e flores amarelas.
Entre as vizinhas de floração simultânea, a distinção é feita por caracteres simples. Thalictrum thalictroides (L.) A.J.Eames & B.Boivin, a rue-anemone, tem flores brancas ou rosadas parecidas, mas reunidas em grupos de duas a cinco sobre folhas compostas ternadas e sem qualquer látex. Hepatica spp. apresentam flores solitárias de porte similar, com tépalas azuis, lilases ou brancas, e folhas trilobadas coriáceas que persistem pelo inverno. Podophyllum peltatum L. tem folha palmada grande de aspecto próximo, porém cada haste fértil traz duas folhas e a flor fica pendente na axila entre elas.
O caractere decisivo em campo é o látex. Nenhuma outra planta da flora do leste da América do Norte produz exsudado vermelho alaranjado comparável ao do rizoma da sanguinária, e um corte superficial resolve qualquer dúvida de identificação.
Fitoquímica
O perfil químico da espécie é dominado por alcaloides isoquinolínicos, concentrados em dois grupos estruturais. O primeiro é o dos benzofenantridínicos, ao qual pertencem a sanguinarina e a queleritrina, os dois compostos majoritários do rizoma, além de sanguilutina, quelilutina, quelirubina e sanguirubina em proporções menores. O segundo é o dos protopínicos, representado sobretudo por protopina e alocriptopina. A sanguinarina responde pela cor do látex e, junto com a queleritrina, forma a maior parte da fração alcaloídica.
A distribuição pela planta é bastante desigual. O rizoma concentra as maiores quantidades, as raízes vêm em seguida, e folhas, flores e frutos apresentam teores comparativamente baixos. Há ainda variação temporal: os níveis de sanguinarina no rizoma atingem o máximo durante a floração e o início da frutificação. Estudos de ecologia química em populações silvestres registram influência de altitude, teor de água do rizoma, sítio de coleta e genótipo sobre a concentração final, o que faz de material silvestre uma matéria quimicamente heterogênea.
Do ponto de vista de segurança, a sanguinária é tóxica em todas as suas partes. A sanguinarina é um alcaloide citotóxico que interfere na bomba de sódio e potássio das membranas celulares, e o látex é corrosivo para pele e mucosas, capaz de causar queimadura química e destruição de tecido no contato direto. A ingestão de qualquer parte da planta provoca envenenamento, com irritação do trato digestório entre as manifestações iniciais. A toxicidade se estende a animais domésticos: cães, gatos e herbívoros de pequeno porte são suscetíveis, e por isso a espécie é desaconselhada em jardins com trânsito de animais.
História e Etnobotânica
O primeiro registro europeu detalhado da espécie precede em mais de um século a descrição de Lineu. Jacques-Philippe Cornut publicou em 1635, na Canadensium Plantarum Historia, uma ilustração da planta em floração com o rizoma exposto, obra que documenta o interesse imediato que o látex vermelho despertou nos naturalistas franceses. Lineu formalizou o binômio em 1753 a partir de material norte-americano que circulava nos herbários europeus.
Povos indígenas do leste da América do Norte, entre eles Algonquinos, Cherokees e Iroqueses, empregavam o látex do rizoma como pigmento. Fontes etnográficas dos séculos XVIII e XIX descrevem seu uso na pintura corporal, na decoração de objetos e na tintura de cestaria e de fibras têxteis, com tons que iam do laranja ao vermelho intenso conforme o mordente aplicado. Registros do mesmo período mencionam que colonos europeus adotaram a planta como corante, e a raiz figurou entre os produtos florestais coletados e comercializados nos Apalaches.
A química da espécie entrou na literatura em 1827, quando James Freeman Dana isolou a sanguinarina, um dos primeiros alcaloides vegetais obtidos na América do Norte. No século XX, a sanguinarina foi incorporada a produtos de higiene bucal comercializados nos Estados Unidos nas décadas de 1980 e 1990. O episódio terminou mal: investigações associaram o uso prolongado desses produtos ao aparecimento de leucoplasia oral, e eles foram retirados do mercado. O caso é hoje citado na literatura como exemplo de composto vegetal cuja aplicação comercial foi revertida por evidência de dano.
Conservação
A sanguinária não consta com avaliação global publicada na Lista Vermelha da IUCN. A referência de status para a América do Norte é o NatureServe, autoridade de listagem vermelha para plantas da região, que atribui à espécie o rank global G5, correspondente a segura. A avaliação reflete a área de ocorrência ampla e o grande número de populações documentadas.
O quadro é menos tranquilo em escala local. Diversas jurisdições atribuem ranks estaduais restritivos, e a espécie recebe designações de proteção em partes da borda de sua distribuição, entre elas o estatuto de espécie explotavelmente vulnerável em Nova York e de espécie de preocupação especial em Rhode Island. A organização United Plant Savers inclui a sanguinária em sua lista At-Risk e recomenda o cultivo em substituição à coleta silvestre. A espécie não está listada em nenhum apêndice da CITES.
As ameaças documentadas se somam em três frentes. A coleta comercial de rizomas em populações silvestres provocou declínios localizados nos Apalaches, agravados pelo fato de que a remoção do rizoma mata a planta e de que a recolonização por semente é lenta. A fragmentação e a conversão de floresta madura eliminam o habitat de que a espécie depende, sem substituto em floresta secundária jovem. E plantas invasoras de sub-bosque, com destaque para Alliaria petiolata e Microstegium vimineum, ocupam o mesmo estrato e suprimem a regeneração.
Curiosidades
- A flor não tem néctar nenhum a oferecer. Todo o investimento em recompensa foi para o pólen, e as abelhas que a visitam saem carregadas dele e de nada mais.
- A folha funciona como embalagem. Ela emerge do solo enrolada em torno do botão floral e só se abre depois que a flor desabrocha, arranjo que protege a estrutura reprodutiva das geadas tardias do início da primavera.
- As formigas são o meio de transporte da espécie, e não um meio muito veloz: cada semente viaja poucos metros até o formigueiro, o que ajuda a explicar por que a sanguinária aparece em florestas antigas e quase nunca em capoeiras recentes.
- A ilustração de Cornut, de 1635, mostrava a planta com o rizoma cortado à vista. Foi uma escolha deliberada do artista, já que sem esse detalhe o nome que a espécie viria a receber um século depois não faria sentido algum.
- A forma de flores dobradas é estéril e todos os exemplares em cultivo descendem, por divisão sucessiva de rizoma, de um punhado de plantas originais encontradas no meio de populações silvestres.
Aviso: este conteúdo é informativo e não substitui orientação de profissional de saúde. Consulte um médico ou fitoterapeuta antes de usar plantas medicinais, especialmente na gravidez, na lactação ou em uso de medicamentos.
Referências e Estudos Científicos
Ver Todas as 10 Referências Citadas
Estudos Científicos Peer-Reviewed (1)
- PEER NatureServe. Sanguinaria canadensis (Bloodroot). NatureServe Explorer. Arlington: NatureServe. ↗
Leituras Complementares (9)
- Cornut, J.-P. Canadensium Plantarum Historia. Paris: Simon Le Moyne, 1635. ↗
- 1997 Flora of North America Editorial Committee (Ed.). Flora of North America North of Mexico, vol. 3: Magnoliidae and Hamamelidae. Nova York e Oxford: Oxford University Press, 1997.
- International Plant Names Index. Sanguinaria canadensis L., Sp. Pl. (1753). Royal Botanic Gardens Kew, Harvard University Herbaria e Australian National Herbarium. ↗
- Linnaeus, C. Species Plantarum, vol. 1. Estocolmo: Laurentius Salvius, 1753. ↗
- Plants of the World Online. Sanguinaria canadensis L. Royal Botanic Gardens, Kew. ↗
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- 2001 Salmore, A. K.; Hunter, M. D. Elevational trends in defense chemistry, vegetation, and reproduction in Sanguinaria canadensis. Journal of Chemical Ecology, 27(9), 1713-1727, 2001.
- 2001 Salmore, A. K.; Hunter, M. D. Environmental and genotypic influences on isoquinoline alkaloid content in Sanguinaria canadensis. Journal of Chemical Ecology, 27(9), 1729-1747, 2001.
- United Plant Savers. Species At-Risk List: Bloodroot (Sanguinaria canadensis). Rutland: United Plant Savers. ↗
