Bidens pilosa L. / Picão-Preto é uma planta herbácea anual da família Asteraceae, amplamente distribuída nas regiões tropicais e subtropicais do mundo. Tanto no Brasil quanto em Portugal, a espécie é conhecida popularmente pelo nome de picão-preto. Valorizada pela medicina tradicional por seus múltiplos usos populares, a planta é fácil de reconhecer pelos frutos alongados, chamados popularmente de sementes. Eles se prendem a roupas e pelos de animais e, assim, favorecem a dispersão da espécie.

Há gerações, a Bidens pilosa é empregada em diferentes culturas para uma grande variedade de queixas de saúde. Pesquisas etnobotânicas e estudos de laboratório investigam muitos desses usos tradicionais e apontam a planta como fonte promissora de compostos bioativos. Entre eles estão flavonoides e poliacetilenos, associados a atividades anti-inflamatórias, antioxidantes e antimicrobianas observadas sobretudo em estudos pré-clínicos.
Nomes Populares e Internacionais do Picão-Preto
O picão-preto acumula dezenas de nomes populares no Brasil, reflexo da ampla distribuição da planta pelo território brasileiro. A lista abaixo reúne os nomes mais consagrados em português, ao lado das denominações usadas em espanhol e em inglês.
- Português: amor-seco, carrapicho-de-agulha, cuambu, erva-picão, fura-capa, picão, picão-do-campo, picão-preto, pico-pico, piolho-de-padre.
- Espanhol: aceitilla, amor seco, cadillo, masquia.
- Inglês: beggar ticks, black-jack, cobbler’s pegs, hairy beggarticks.
Sinônimos Botânicos do Picão-Preto
A taxonomia da Bidens pilosa L. acumula alguns sinônimos botânicos que refletem a complexidade de sua classificação ao longo do tempo. Esses nomes ainda aparecem com frequência na literatura científica e em bases de dados botânicas, e conhecê-los ajuda a identificar a espécie com precisão em diferentes contextos.
- Bidens adhaerescens Vell.
- Bidens alausensis Kunth
- Bidens chilensis DC.
- Bidens hirsuta Nutt.
- Bidens leucantha (L.) Willd.
- Bidens montaubani Phil.
- Bidens reflexa Link
- Bidens scandicina Kunth
- Bidens sundaica var. minor Blume
- Coreopsis leucantha L.
- Kerneria pilosa Lowe
Família Botânica: Asteraceae
A Bidens pilosa pertence à família Asteraceae, uma das maiores e mais diversas entre as plantas com flores. Antes conhecida como Compositae, a família se caracteriza pelas inflorescências em capítulo, nas quais muitas flores pequenas se agrupam de modo a parecer uma única flor. O grupo inclui numerosas espécies de grande importância econômica, alimentar e medicinal.
As Asteraceae são reconhecidas pela produção de uma vasta gama de compostos bioativos, como lactonas sesquiterpênicas, flavonoides e óleos essenciais, que respondem pelas propriedades medicinais de muitas de suas espécies. Essa diversidade química tem sido objeto de intensa investigação farmacológica e já contribuiu para o desenvolvimento de diversos fitofármacos.
Partes Utilizadas do Picão-Preto
A medicina popular aproveita principalmente as partes aéreas do picão-preto, em especial folhas e ramos, e alguns registros mencionam o uso da planta inteira. Em qualquer caso, o material deve vir de locais limpos e livres de contaminação, como se explica nas contraindicações.
- Folhas
- Partes aéreas
- Ramos
- Toda a planta
Usos Etnobotânicos e Tradicionais do Picão-Preto
Os usos a seguir reúnem registros da medicina popular de diferentes países e não equivalem a eficácia comprovada. Quadros graves ou infecciosos exigem diagnóstico e acompanhamento médico, e a planta nunca deve ocupar o lugar do tratamento indicado pelo profissional de saúde.
- Abscessos
- Afecções e irritações da pele
- Aftas
- Alergias (alívio de sintomas)
- Amigdalite
- Angina
- Blenorragia
- Cefaleia (dor de cabeça)
- Cicatrização de feridas
- Colesterol
- Cólicas
- Conjuntivite
- Diabetes (uso popular como complemento, nunca como substituto do tratamento)
- Disenteria
- Dismenorreia
- Distúrbios hepáticos
- Distúrbios menstruais
- Dor de dente (odontalgia)
- Dores osteoarticulares
- Edemas
- Emagrecimento (uso popular como auxiliar em dietas)
- Escorbuto
- Fadiga
- Faringite
- Febre
- Gastroenterite
- Hemorroidas
- Hepatite (uso popular, sem dispensar o acompanhamento médico)
- Herpes
- Hipertensão
- Icterícia
- Inapetência
- Indigestão
- Infecções do estômago e dos rins
- Infecções urinárias e vaginais
- Inflamações da boca e da garganta
- Intoxicação alimentar
- Irritação interna
- Laringite
- Leucorreia
- Malária (registro tradicional, que não substitui o tratamento antimalárico)
- Micoses
- Oftalgias
- Otorrinalgias
- Pâncreas (distúrbios)
- Problemas do estômago
- Resfriados
- Reumatismo
- Úlceras gastroduodenais
- Verminoses
Propriedades Terapêuticas do Picão-Preto
As propriedades listadas combinam registros da medicina popular com atividades observadas em estudos de laboratório e em animais. Poucos desses efeitos foram confirmados em ensaios clínicos com seres humanos, o que pede cautela na interpretação de cada item.
- Adstringente (contrai os tecidos e reduz secreções)
- Amarga (sabor amargo associado, na tradição, ao estímulo da digestão)
- Antiartrítica (registro tradicional em artrite, com efeito estudado em modelos animais)
- Antibacteriana (atividade observada em estudos de laboratório)
- Antiblenorrágica (registro tradicional em blenorragia, sem substituir o tratamento médico)
- Antidiarreica (uso tradicional em quadros de diarreia)
- Antidisentérica (uso tradicional em disenteria)
- Antiedematosa (registro tradicional na redução de edemas)
- Antiemética (uso tradicional em náuseas e vômitos)
- Antiescorbútica (registro tradicional no escorbuto)
- Antiespasmódica (uso tradicional no alívio de espasmos)
- Anti-hemorroidária (uso tradicional em hemorroidas)
- Anti-inflamatória (atividade observada em estudos pré-clínicos)
- Antileucorreica (registro tradicional em leucorreia)
- Antimalárica (atividade investigada em laboratório, que não substitui o tratamento da malária)
- Antimicrobiana (atividade observada em estudos de laboratório)
- Antiodontálgica (uso popular no alívio da dor de dente)
- Antioxidante (atividade observada em estudos de laboratório)
- Antipirética (uso tradicional em estados febris)
- Antirreumática (registro tradicional em dores reumáticas)
- Antisséptica (uso tópico tradicional na limpeza de ferimentos)
- Aperitiva (registro tradicional como estimulante do apetite)
- Carminativa (uso tradicional no alívio de gases)
- Catártica (efeito laxativo descrito na tradição)
- Cercaricida (ação sobre cercárias, larvas do esquistossomo, observada em laboratório)
- Cicatrizante (uso tradicional no auxílio à cicatrização)
- Depurativa (registro tradicional como depurativo do organismo)
- Desobstruente hepática (registro tradicional em afecções do fígado)
- Diurética (registro tradicional de aumento do volume urinário)
- Emenagoga (registro tradicional de estímulo à menstruação, motivo para evitar a planta na gravidez)
- Emoliente (uso tópico para amaciar e suavizar a pele)
- Estimulante (registro tradicional como tônico geral)
- Expectorante (uso tradicional para facilitar a eliminação de muco)
- Galactagoga (registro popular de estímulo à produção de leite, mas o uso na lactação deve ser evitado)
- Hemostática (uso tópico tradicional em pequenos sangramentos)
- Hepatoprotetora (efeito observado em estudos pré-clínicos)
- Hipoglicemiante (efeito observado em estudos com animais, que exige cautela com antidiabéticos)
- Hipotensora (registro tradicional de redução da pressão arterial)
- Imunomoduladora (atividade investigada em estudos pré-clínicos)
- Mucilaginosa (contém mucilagem)
- Sedativa (registro tradicional como calmante)
- Sialagoga (estimula a salivação)
- Tônica do sangue (registro popular)
- Vermífuga (uso tradicional em verminoses)
- Vulnerária (uso tradicional no cuidado de feridas)
Perfil Fitoquímico Detalhado do Picão-Preto
O picão-preto tem um perfil químico particularmente rico, no qual se sobressaem flavonoides, poliacetilenos, triterpenos e fitosteróis, grupos que concentram boa parte das pesquisas sobre a espécie. Os poliacetilenos, como o fenil-heptatriino, também respondem pela fototoxicidade descrita no uso tópico da planta.
- Acetilenos
- Ácido linoleico
- Ácido nicotínico
- Ácido p-cumárico
- Ácido salicílico
- Ácido tânico
- Ácidos orgânicos
- Alfa-felandreno
- Alfa-pineno
- Aminas
- Apigenina
- Beta-amirina
- Beta-D-glucopiranosiloxi-3-hidroxi-6(E)-tetradeceno-8,10,12-triino
- Beta-sitosterol
- Bioflavonoides
- Cadineno
- Cálcio
- Chalconas
- Cumarinas
- Esculetina
- Esteróis
- Fenilacetileno (1-fenil-1,3-diin-5-en-7-ol-acetato)
- Fenil-heptatriino
- Fitosterina-B
- Fitosteróis
- Flavonoides
- Fósforo
- Friedelan-3-beta-ol
- Friedelina
- Glicosídeos (flavona metoxilada, quercetina-3,3′-dimetoxi-7-O-α-L-ramnopiranosil-(1→6)-β-D-glucopiranose, quercetina-3,3′-dimetoxi-7-O-β-D-glucopiranose)
- Glicosídeos de aurona
- Hidrocarbonetos
- Limoneno
- Lupeol
- Luteolina
- Mucilagem
- Okanina-3-glicosídeo
- Óleo essencial
- Poliacetilenos
- Quercetina
- Sais de potássio
- Sílica
- Taninos
- Timol
- Trideca-2,12-dieno-4,6,8,10-tetraina-1-ol
- Trideca-3,11-dieno-5,7,9-triina-1,2-diol
- Trideca-5-eno-7,9,11-trieno-3-ol
- Tridecapentin-1-eno
- Triterpenos
- Xantofilas
Formas de Preparo e Administração do Picão-Preto
Na tradição popular, a infusão e a decocção das partes aéreas secas são as formas mais comuns de uso interno, enquanto banhos, cataplasmas e compressas concentram o uso externo sobre a pele e as articulações.
- Banho
- Cataplasma
- Compressas
- Decocção
- Infusão (chá)
- Suco de folhas frescas
O suco de folhas frescas também aparece nos registros populares, mas exige planta de procedência garantida, já que a espécie acumula metais pesados e nitratos do solo. Não existe dose padronizada e validada em estudos clínicos para o picão-preto, de modo que a quantidade de planta, a frequência e a duração do uso devem ser definidas caso a caso. Consulte um profissional de saúde antes de começar, sobretudo se houver uso contínuo de medicamentos.
Nas formas externas, a regra é manter a região da aplicação longe do sol nas horas seguintes, porque os poliacetilenos da planta são fototóxicos e podem provocar dermatite.
Sinergia com Outras Plantas Medicinais
Combinações de Tradição Anti-Inflamatória
Por reunir flavonoides e poliacetilenos com atividade anti-inflamatória observada em laboratório, a Bidens pilosa aparece em associações populares com outras plantas de uso semelhante, como a cúrcuma (Curcuma longa) e o gengibre (Zingiber officinale). A hipótese por trás dessas combinações é que os compostos de cada espécie atuariam em vias inflamatórias diferentes, mas esse efeito complementar ainda não foi testado em ensaios clínicos. É, portanto, um registro tradicional, e quem usa anticoagulantes deve conversar com um profissional de saúde antes de combinar essas plantas.
Combinações de Apoio Digestivo
Para desconfortos digestivos, a tradição fitoterápica associa a Bidens pilosa a plantas de registro carminativo e antiespasmódico, como a hortelã-pimenta (Mentha × piperita) e a erva-cidreira (Melissa officinalis). Na medicina popular, esses preparos são tradicionalmente usados para cólicas, flatulência e indigestão. Supõe-se que a ação conjunta desses extratos module a motilidade intestinal e reduza o desconforto, embora essa interação ainda dependa de confirmação em estudos controlados.
Combinações Ligadas ao Controle Glicêmico
No contexto da glicemia, a Bidens pilosa é citada ao lado da pata-de-vaca (Bauhinia forficata) e da gymnema (Gymnema sylvestre), espécies também investigadas pela influência sobre a sensibilidade à insulina e a absorção de glicose. Como o efeito hipoglicemiante do picão-preto foi observado sobretudo em animais, somar três plantas com essa característica pode baixar a glicose além do esperado, principalmente em quem já usa antidiabéticos. Por isso, essa associação só deve ser considerada com acompanhamento médico e monitoramento da glicemia.
Receitas e Protocolos de Uso do Picão-Preto
Chá de Picão-Preto para Desconfortos Digestivos
Esta decocção é tradicionalmente usada para desconfortos do estômago e da digestão, e a medicina popular também a cita em quadros como hepatite e diabetes, situações em que o uso só deve acontecer com acompanhamento médico e nunca no lugar da conduta indicada.
Ingredientes: Partes aéreas secas de picão-preto, de procedência conhecida e colhidas longe de estradas, áreas industriais e lavouras com agrotóxicos, e água.
Preparação: Colocar uma pequena porção da planta seca em uma panela com água, levar ao fogo e deixar ferver por 10 a 15 minutos. Em seguida, coar para retirar os resíduos sólidos e esperar o chá amornar antes de beber. A quantidade de planta, o número de xícaras por dia e a duração do uso não têm padrão validado, por isso consulte um profissional de saúde para definir esses pontos, sobretudo se você usa antidiabéticos, anticoagulantes ou sedativos.
Compressas Mornas para Dores Musculares e Reumatismo
Estas compressas são tradicionalmente usadas para o alívio de dores musculares e articulares de origem reumática, sempre em uso externo e sobre a pele íntegra.
Ingredientes: Partes de picão-preto secas ou frescas, de procedência conhecida, e água.
Preparação: Preparar uma infusão concentrada, usando mais planta do que no chá para a mesma quantidade de água, e deixar esfriar até atingir uma temperatura morna e confortável ao toque. Mergulhar compressas limpas ou gazes esterilizadas na infusão e aplicá-las sobre as articulações ou os músculos doloridos por 15 a 20 minutos, procedimento que pode ser repetido algumas vezes ao dia, conforme o registro tradicional.
Atenção: os poliacetilenos do picão-preto, como o fenil-heptatriino, são fototóxicos, e a exposição da região ao sol depois da aplicação pode causar dermatite. Prefira aplicar à noite ou mantenha a pele coberta e protegida da luz solar nas horas seguintes.
As preparações acima seguem registros tradicionais e não substituem orientação profissional. Antes de qualquer uso interno, consulte as contraindicações e interações descritas neste artigo.
Terapias Associadas ao Picão-Preto
Fitoterapia
Na fitoterapia, a Bidens pilosa é conhecida sobretudo pela riqueza fitoquímica. A tradição a emprega em inflamações, infecções e distúrbios metabólicos, geralmente na forma de chás, tinturas, extratos e formulações que combinam várias ervas. As atividades antioxidante, anti-inflamatória e antimicrobiana descritas em estudos de laboratório explicam parte do interesse científico pela planta. A pesquisa moderna procura agora verificar, com métodos controlados, quais desses usos tradicionais se sustentam em seres humanos.
Homeopatia
Na homeopatia, o uso da Bidens pilosa é pouco comum e pouco documentado. Eventuais preparações seguiriam os princípios dessa prática, que trabalha com doses ultradiluídas escolhidas a partir da totalidade dos sintomas do paciente e da semelhança com a patogenesia da planta. Segundo a doutrina homeopática, essas diluições estimulariam a capacidade de autocura do organismo, ideia que pertence ao referencial teórico próprio dessa prática.
Medicina Tradicional Chinesa (MTC)
Embora a Bidens pilosa não pertença ao repertório clássico da Medicina Tradicional Chinesa, plantas com perfil semelhante são usadas nesse sistema para remover calor e toxinas, dissipar a estase sanguínea e reduzir inchaços. Pelas ações anti-inflamatórias e depurativas descritas na tradição, a espécie seria, em tese, compatível com formulações voltadas a infecções, inflamações e problemas de pele, sempre de acordo com os princípios diagnósticos da MTC.
Contraindicações e Efeitos Colaterais do Picão-Preto
O picão-preto costuma ser descrito como bem tolerado no uso tradicional, mas a escassez de estudos clínicos de longo prazo em humanos exige atenção às contraindicações e aos efeitos colaterais possíveis. A orientação de um profissional de saúde é sempre recomendada antes de iniciar o uso de qualquer planta medicinal.
Fototoxicidade no Uso Tópico
Os poliacetilenos da planta, em especial o fenil-heptatriino, são fototóxicos, o que significa que o uso tópico seguido de exposição ao sol pode causar dermatite na área de contato. Por isso, qualquer banho, compressa ou cataplasma de picão-preto deve ser feito em região que permaneça protegida da luz solar nas horas seguintes, e o aviso vale para todas as receitas de uso externo.
Procedência, Metais Pesados e Nitratos
A planta acumula metais pesados, como o cádmio, e nitratos do solo, o que torna a origem do material tão importante quanto a forma de preparo. A recomendação é colher apenas em locais limpos, longe de estradas, lavouras tratadas e áreas industriais, e nunca comprar picão-preto sem procedência. O cuidado vale de modo especial para o suco de folhas frescas e para o consumo das folhas como hortaliça.
Alergias e Hipersensibilidade
Pessoas com histórico de alergia a plantas da família Asteraceae, como margaridas, crisântemos ou ambrósia, podem reagir também à Bidens pilosa. Os quadros vão da dermatite de contato a sintomas mais intensos, como urticária e angioedema, e, em casos raros, chegam à anafilaxia. Nessas situações, o mais prudente é evitar o uso ou adotá-lo apenas com orientação profissional.
Gravidez, Amamentação e Crianças
O uso da Bidens pilosa deve ser evitado na gravidez e na lactação. A planta tem registro tradicional como emenagogo em algumas regiões, e faltam estudos conclusivos sobre sua segurança nesses períodos. Alguns estudos sugerem um possível efeito uterotônico em doses muito elevadas e, embora não haja evidências claras em humanos, a prudência é a melhor forma de proteger a saúde da mãe e do bebê. Em crianças, o uso também não é recomendado sem avaliação de um profissional de saúde, já que faltam dados de segurança para essa faixa etária.
Interações Medicamentosas
A Bidens pilosa pode interagir com diversos medicamentos e, por conter cumarinas, pode potencializar o efeito de anticoagulantes como a varfarina, aumentando o risco de sangramentos. Ela também pode intensificar a ação de sedativos e ansiolíticos, com risco de sonolência excessiva. O efeito hipoglicemiante observado em animais pede cautela com antidiabéticos, cuja ação pode se somar à da planta, e o registro tradicional como hipotensora sugere atenção semelhante em quem usa anti-hipertensivos. Quem estiver tomando qualquer medicamento de uso contínuo deve consultar um profissional de saúde antes de usar o picão-preto.
Hipoglicemia e Alterações Cardíacas
Pessoas com diagnóstico de hipoglicemia ou com alterações cardíacas devem evitar o consumo de Bidens pilosa. As propriedades hipoglicemiantes da planta podem provocar uma queda excessiva do açúcar no sangue em quem já tem essa predisposição. A falta de estudos aprofundados sobre seus efeitos em condições cardíacas também exige cautela, e qualquer uso nesses casos deve ser estritamente supervisionado por um médico.
Distinção de Outras Espécies do Gênero Bidens
As informações deste artigo se referem apenas à Bidens pilosa e não devem ser estendidas a espécies próximas do mesmo gênero, como a Bidens alba e a Bidens tripartita, que têm composição química e registros de uso próprios. A Bidens alba, muitas vezes tratada como variedade da Bidens pilosa, se diferencia pelas flores liguladas brancas e bem desenvolvidas, enquanto a Bidens tripartita é uma espécie de áreas úmidas da Europa e da Ásia. A identificação botânica correta antes da colheita evita trocas e misturas entre elas.
Curiosidades e Fatos Históricos do Picão-Preto
- A espécie foi descrita por Lineu no século XVIII, o que explica a abreviatura L. que acompanha o nome científico Bidens pilosa.
- A Bidens pilosa é considerada erva daninha em muitos lugares, mas em outras regiões é cultivada justamente pelo interesse medicinal e alimentício.
- Os frutos, do tipo aquênio e chamados popularmente de sementes, têm estruturas em forma de gancho que se prendem com facilidade a roupas e pelos de animais, mecanismo que favorece a ampla dispersão da espécie.
- Nomes populares como fura-capa, carrapicho-de-agulha e piolho-de-padre fazem alusão justamente a esses frutos que grudam nas roupas de quem passa pela planta.
- O picão-preto integra a lista de plantas medicinais de interesse do Ministério da Saúde do Brasil, que reúne espécies com potencial para o desenvolvimento de fitoterápicos.
- Trata-se de uma planta cosmopolita, adaptada a uma vasta gama de ambientes nas regiões tropicais e subtropicais ao redor do mundo.
- As partes aéreas são ricas em flavonoides, poliacetilenos e outros compostos fenólicos, apontados como responsáveis por boa parte de suas atividades biológicas.
- Em algumas culturas, as folhas jovens são consumidas como hortaliça ou em saladas, costume que reforça a importância de colher a planta apenas em locais livres de contaminação.
Perguntas Frequentes sobre o Picão-Preto
O Chá de Picão-Preto Pode Ajudar no Controle da Diabetes?
O potencial hipoglicemiante do picão-preto é estudado sobretudo em animais e em laboratório, onde compostos da planta mostraram influência sobre os níveis de açúcar no sangue e a sensibilidade à insulina. Ainda faltam ensaios clínicos que confirmem esse efeito em pessoas. Por isso, o chá não substitui o tratamento médico da diabetes e só deve ser usado como complemento com orientação profissional, já que pode somar efeito aos antidiabéticos e provocar hipoglicemia.
Quais São os Principais Usos Tradicionais do Picão-Preto?
A medicina popular emprega o picão-preto em infecções urinárias, problemas digestivos, reumatismo e hipertensão. Em algumas regiões, também o associa a quadros como malária e herpes, que exigem diagnóstico e tratamento médico. Em laboratório e em animais, a planta mostrou atividades anti-inflamatória, antioxidante, antimicrobiana e hepatoprotetora, atribuídas à riqueza em flavonoides e poliacetilenos, mas esses achados ainda são preliminares.
Existem Contraindicações para o Consumo de Picão-Preto?
Sim, e elas são importantes: o picão-preto deve ser evitado na gravidez e na lactação, não é recomendado para crianças e pede cuidado em pessoas com hipoglicemia, alterações cardíacas ou alergia a plantas da família Asteraceae. A planta também pode interagir com anticoagulantes, sedativos e antidiabéticos. Como acumula metais pesados e nitratos do solo, só deve ser usada quando tiver procedência conhecida, e um profissional de saúde deve ser consultado antes do uso.
Como Preparar Corretamente o Chá de Picão-Preto?
No preparo tradicional, as partes aéreas secas são fervidas em água por 10 a 15 minutos, e o líquido é coado antes de ser bebido morno, de preferência com planta de origem conhecida. Como não existe dose validada em estudos clínicos, a quantidade de planta, o número de xícaras por dia e a duração do uso devem ser definidos com um profissional de saúde, que também avalia possíveis interações com os medicamentos em uso.
O Picão-Preto Pode Ser Usado para Problemas de Pele?
A tradição aplica o picão-preto sobre a pele, em compressas, banhos e cataplasmas, para feridas, irritações cutâneas e abscessos. Estudos de laboratório descrevem atividades anti-inflamatória e antimicrobiana que ajudam a explicar esse uso. É preciso, porém, evitar o sol na região depois da aplicação, porque os poliacetilenos da planta são fototóxicos e podem causar dermatite. Lesões extensas, profundas ou infectadas devem ser avaliadas por um especialista.
Onde Colher o Picão-Preto com Segurança?
O picão-preto acumula metais pesados, como o cádmio, e nitratos do solo, por isso só deve ser colhido em locais limpos, longe de estradas, lavouras tratadas e áreas industriais. Ao comprar a planta seca, prefira fornecedores que informem a procedência e evite material sem origem identificada, cuidado que também ajuda a não confundir a espécie com parentes próximos como a Bidens alba e a Bidens tripartita.
Aviso: este conteúdo é informativo e não substitui orientação de profissional de saúde. Consulte um médico ou fitoterapeuta antes de usar plantas medicinais, especialmente na gravidez, na lactação ou em uso de medicamentos.
Referências e Estudos Científicos
- PMC2025 Etukudo EM, et al. Exploring the phytochemical profile, antioxidant and anti-inflammatory potential of Bidens pilosa: A Systematic Review. Front Pharmacol. 2025.
- PMC2023 Rodríguez-Mesa XM, et al. Immunomodulatory Properties of Natural Extracts and Compounds Derived from Bidens pilosa L.: Literature Review. Pharmaceutics. 2023.
- PMC2022 Yan Z, et al. Bioactive polyacetylenes from Bidens pilosa L and their anti-inflammatory activity. Nat Prod Res. 2022.
- PMC2014 Yang WC. Botanical, Pharmacological, Phytochemical, and Toxicological Aspects of the Antidiabetic Plant Bidens pilosa L. Evid Based Complement Alternat Med. 2014.
- PMC2013 Bartolome AP, et al. Bidens pilosa L. (Asteraceae): Botanical Properties, Traditional Uses, Phytochemistry, and Pharmacology. Evid Based Complement Alternat Med. 2013.
