Persicaria hydropiper (L.) Delarbre / Pimenta-d’água, também conhecida popularmente como pimenta-do-brejo, persicária-picante e persicária-mordaz, é uma planta herbácea anual da família Polygonaceae. Foi descrita originalmente por Carl Linnaeus como Polygonum hydropiper e transferida mais tarde para o gênero Persicaria por Delarbre. A espécie tem ampla distribuição em regiões temperadas da Ásia, da Europa, da América do Norte, da Austrália e da Nova Zelândia. É valorizada há séculos na medicina tradicional e na culinária, sobretudo no Japão e na China, graças ao sabor picante característico das folhas e ao vasto repertório de usos populares que acumulou ao longo do tempo.

Historicamente, a Persicaria hydropiper foi empregada em várias culturas diante de queixas que vão de problemas digestivos a inflamações e infecções. Sua composição fitoquímica complexa, rica em sesquiterpenoides e flavonoides, está associada a atividades anti-inflamatórias, antioxidantes e antimicrobianas observadas sobretudo em estudos de laboratório e com animais. As pesquisas recentes vêm investigando vários desses usos tradicionais, o que explica o interesse crescente pela planta na fitoterapia contemporânea, ainda que faltem ensaios clínicos que confirmem esses efeitos em pessoas.
Nomes Populares e Internacionais da Pimenta-d’água
- Alemão: Pfefferknöterich, Wasserpfeffer.
- Chinês: la liao.
- Espanhol: chile de agua, persicaria picante, pimienta de agua.
- Francês: poivre d’eau, renouée poivre d’eau.
- Inglês: arse smart, marshpepper knotweed, water pepper.
- Italiano: pepe d’acqua, persicaria bruciante.
- Japonês: tade.
- Português: capiçoba, cataia, curage, persicária-mordaz, persicária-picante, pimenta-d’água, pimenta-do-brejo.
O nome erva-de-bicho, muitas vezes atribuído a esta planta, designa no Brasil sobretudo espécies nativas afins, como Persicaria punctata e Persicaria hydropiperoides, que pertencem ao mesmo gênero e devem ser tratadas como espécies afins, e não como sinônimos da pimenta-d’água. Por isso, as receitas brasileiras tradicionais de erva-de-bicho costumam se referir a essas plantas nativas, e não à espécie eurasiática descrita neste artigo.
Sinônimos Botânicos da Pimenta-d’água
O sinônimo botânico mais comum de Persicaria hydropiper (L.) Delarbre é Polygonum hydropiper L., denominação amplamente usada em classificações anteriores. Ela reflete a complexidade taxonômica da família Polygonaceae, na qual a separação entre os gêneros Polygonum e Persicaria mudou ao longo do tempo. Outro sinônimo registrado é Polygonum acre Lam., embora Persicaria hydropiper seja hoje o nome aceito pela maioria das bases de dados botânicas. Já o nome Polygonum hydropiperoides Michx., às vezes listado por engano entre os sinônimos, corresponde a uma espécie distinta, a Persicaria hydropiperoides, que é afim da pimenta-d’água, mas não equivalente a ela.
Família Botânica: Polygonaceae
A família Polygonaceae, conhecida como a família do trigo-sarraceno, é um grupo diversificado de plantas com flores que reúne cerca de 50 gêneros e mais de 1.200 espécies. O grupo se caracteriza com frequência por caules de nós intumescidos e por estípulas membranosas que envolvem a base dos pecíolos. A família abrange uma ampla gama de formas de vida, de ervas anuais a arbustos e árvores, e tem distribuição global, com maior concentração em regiões temperadas.
Muitas espécies de Polygonaceae são reconhecidas pelo uso medicinal, culinário e ornamental. Além da Persicaria hydropiper a família inclui membros bem conhecidos, como o ruibarbo (Rheum rhabarbarum) e o trigo-sarraceno (Fagopyrum esculentum). Compostos como flavonoides, taninos e antraquinonas são comuns no grupo e ajudam a explicar tanto as aplicações tradicionais dessas plantas quanto a sua importância ecológica.
Partes Utilizadas da Pimenta-d’água
- Caules
- Folhas
- Planta inteira (partes aéreas)
- Sementes
Usos Etnobotânicos e Tradicionais da Pimenta-d’água
Os registros etnobotânicos reúnem os usos populares listados a seguir, que refletem a tradição de diferentes povos e não equivalem a indicações clínicas comprovadas.
- Alívio de diarreia e dispepsia
- Antifertilidade (registro tradicional como emenagogo e abortivo)
- Anti-helmíntico (registro tradicional contra vermes intestinais)
- Antisséptico para feridas e doenças de pele (registro tradicional)
- Dor de cabeça e febres
- Edema e epilepsia (registro tradicional)
- Hemorroidas e problemas menstruais
- Inflamações diversas
- Resfriados e tosse
- Reumatismo e úlceras
Propriedades Terapêuticas da Pimenta-d’água
As propriedades abaixo vêm de registros tradicionais e de estudos preliminares, em grande parte feitos em laboratório e com animais, e não substituem a avaliação de um profissional de saúde.
- Analgésico (efeito sobre a dor investigado em estudos preliminares)
- Antibacteriano (atividade contra bactérias observada em laboratório)
- Antidiabético (estudos preliminares investigam efeito sobre a glicemia)
- Antifúngico (atividade contra fungos observada em laboratório)
- Anti-helmíntico (registro tradicional contra vermes intestinais)
- Anti-inflamatório (redução de inflamação observada em estudos preliminares)
- Antimicrobiano (atividade contra microrganismos observada em laboratório)
- Antinociceptivo (menor sensibilidade à dor em modelos animais)
- Antioxidante (neutralização de radicais livres em ensaios de laboratório)
- Antipirético (registro tradicional de uso em febres)
- Antiproliferativo (atividade observada em estudos de laboratório, sem comprovação clínica)
- Antisséptico (registro tradicional de uso em feridas)
- Antiviral (atividade investigada em estudos de laboratório)
- Hemostático (registro tradicional de uso para conter pequenos sangramentos)
- Imunomodulador (influência sobre o sistema imunológico em estudos preliminares)
- Neuroprotetor (efeito investigado em estudos de laboratório e com animais)
- Sedativo (registro tradicional de efeito calmante)
Perfil Fitoquímico Detalhado da Pimenta-d’água
- Ácidos Carboxílicos (ácido caproico, ácido cinâmico, ácido valérico)
- Ácidos Fenólicos
- Alcaloides
- Fitosteróis
- Flavonoides (apigenina, isorhamnetina, kaempferol, quercetina, rutina)
- Glicosídeos
- Óleos Essenciais (trans-β-bergamoteno, β-cariofileno, 1,4-cineol, fenchona, α-humuleno, α-pineno, β-pineno)
- Saponinas
- Sesquiterpenoides (poligodial ou tadeonal, warburganal)
- Taninos
Entre esses compostos, os sesquiterpenoides do tipo drimano, como o poligodial e o warburganal, respondem pelo ardor característico das folhas e também pela ação irritante sobre pele e mucosas. Já flavonoides como a quercetina e a rutina concentram boa parte da atividade antioxidante investigada em laboratório.
Formas de Preparo e Administração da Pimenta-d’água
- Cataplasma
- Chá (infusão ou decocção)
- Compressas
- Extrato fluido
- Extrato seco
- Tintura
Por conter compostos pungentes que irritam pele e mucosas, a pimenta-d’água pede preparo cuidadoso em qualquer forma de uso. Chás, tinturas e extratos de uso interno são tradicionalmente tomados em pequena quantidade e por poucos dias, enquanto cataplasmas e compressas devem ser testados antes em uma pequena área da pele. A dose adequada de cada preparação depende da forma escolhida, da concentração do produto e das condições de quem vai usá-lo, e por isso deve ser definida com um profissional de saúde.
Sinergia com Outras Plantas Medicinais
Para Problemas Digestivos
A tradição herbal associa a pimenta-d’água ao gengibre (Zingiber officinale) e à hortelã-pimenta (Mentha × piperita) em preparações tradicionalmente usadas contra cólicas, flatulência e indigestão. Nessa combinação, a tradição busca efeitos carminativos e antiespasmódicos complementares. O gengibre tem registro de uso como antiemético, e a hortelã-pimenta contribui com o mentol, associado ao relaxamento da musculatura lisa do trato gastrointestinal, o que completa a ação atribuída à pimenta-d’água.
Para Inflamações e Dores
Em registros tradicionais de uso contra dores articulares e musculares, a pimenta-d’água aparece ao lado do açafrão-da-terra (Curcuma longa) e da garra-do-diabo (Harpagophytum procumbens), plantas estudadas pela ação anti-inflamatória e analgésica. Segundo estudos preliminares, a curcumina do açafrão-da-terra e os iridoides da garra-do-diabo atuam em vias inflamatórias diferentes, e por isso a tradição vê a combinação com os sesquiterpenoides da pimenta-d’água como complementar, embora não existam ensaios clínicos que avaliem essa mistura.
Para Infecções
A associação da pimenta-d’água com a equinácea (Echinacea purpurea) e o alho (Allium sativum) tem registro tradicional em quadros infecciosos leves. A equinácea é estudada pela influência sobre o sistema imunológico, e o alho, pela atividade antimicrobiana observada em laboratório. A ideia dessa combinação é somar essas ações à atividade antibacteriana e antifúngica descrita para a pimenta-d’água em estudos preliminares, o que de forma alguma substitui o tratamento médico de uma infecção.
Receitas e Protocolos de Uso da Pimenta-d’água
Infusão para Problemas Digestivos
Ingredientes: uma pequena porção de folhas secas de pimenta-d’água, em quantidade definida com um profissional de saúde, e uma xícara de água fervente.
Modo de preparo: Colocar as folhas em uma xícara, adicionar a água fervente, tampar e deixar em infusão por 5 a 7 minutos antes de coar. Esta infusão é tradicionalmente usada em casos de diarreia leve, dispepsia e flatulência, tomada após as refeições principais, sempre em pequena quantidade e por curto período. Quem pretende usá-la deve consultar um profissional de saúde antes.
Cataplasma para Inflamações Cutâneas
Ingredientes: folhas frescas de pimenta-d’água e um pouco de água morna.
Modo de preparo: Amassar as folhas frescas até formar uma pasta, acrescentando um pouco de água morna se necessário para chegar à consistência desejada. Na tradição, a pasta é aplicada sobre inflamações, feridas leves ou picadas de insetos, coberta com um pano limpo e mantida por 20 a 30 minutos, até 2 ou 3 vezes ao dia. A finalidade tradicional é aliviar a inflamação e favorecer a cicatrização. Como os compostos pungentes da planta podem causar ardência e dermatite, convém testar a pasta antes em uma pequena área da pele, evitar mucosas e pele muito sensível e interromper o uso ao primeiro sinal de irritação.
Tintura para Uso Interno
Ingredientes: 50 g de folhas e caules secos de pimenta-d’água e 250 ml de álcool de cereais a 70%.
Modo de preparo: Colocar a planta seca em um frasco de vidro escuro, cobrir com o álcool, fechar bem e deixar macerar por 14 dias em local fresco e escuro, agitando diariamente, antes de coar e armazenar a tintura. A tradição emprega essa tintura diluída em água em queixas gastrointestinais, no reumatismo e como anti-helmíntico. A quantidade de gotas e a duração do uso, porém, devem ser definidas por um profissional de saúde, já que o uso interno da planta só é aceitável em dose pequena e por curto período.
Decocção para Hemorroidas
Ingredientes: 2 colheres de sopa de folhas e caules secos de pimenta-d’água e 500 ml de água.
Modo de preparo: Ferver a água, adicionar a planta seca e manter em fogo baixo por 10 minutos, depois retirar do fogo, tampar, deixar esfriar e coar. O líquido morno é tradicionalmente usado em banhos de assento, 2 vezes ao dia, para aliviar a inflamação e o desconforto associados às hemorroidas, efeito que a tradição atribui às propriedades adstringentes e hemostáticas da planta. Como o poligodial irrita mucosas, o banho de assento deve ser interrompido se surgir ardência. Quem tem hemorroidas com sangramento precisa de avaliação médica antes de qualquer uso caseiro.
As preparações acima seguem registros tradicionais e não substituem orientação profissional. Antes de qualquer uso interno, consulte as contraindicações e interações descritas neste artigo.
Terapias Associadas à Pimenta-d’água
Fitoterapia
Na fitoterapia, a pimenta-d’água é valorizada pelas atividades anti-inflamatória, antimicrobiana e hemostática que a tradição lhe atribui e que estudos preliminares vêm investigando. A planta aparece em formulações tradicionais voltadas a distúrbios gastrointestinais, como diarreia e dispepsia, e ao cuidado de pequenas feridas. Os extratos padronizados da planta buscam garantir uma concentração estável de compostos ativos como os sesquiterpenoides, aos quais se atribui boa parte dos efeitos estudados. A pesquisa atual examina a Persicaria hydropiper como candidata a novas aplicações, ainda sem confirmação em ensaios clínicos amplos.
Homeopatia
Na homeopatia, a planta recebe o nome Polygonum hydropiper e é empregada em quadros que envolvem inflamação e dor, sobretudo nos tratos gastrointestinal e urinário, além de hemorroidas, varizes e problemas circulatórios acompanhados de sensação de queimação. O medicamento homeopático é preparado a partir da planta fresca e administrado em potências específicas com o objetivo, segundo os princípios dessa prática, de estimular a capacidade de autocura do organismo. A escolha da potência e da posologia é individualizada de acordo com os sintomas de cada paciente.
Medicina Tradicional Chinesa (MTC)
Na MTC, a pimenta-d’água é conhecida como la liao e classificada como uma erva de natureza quente e sabor picante. Segundo os conceitos próprios desse sistema, ela é empregada para dispersar o frio, ativar a circulação sanguínea, remover a estagnação e aliviar a dor. Entre as suas indicações tradicionais estão dor abdominal, diarreia, disenteria, inchaço e picadas de insetos, e a planta também é aplicada topicamente sobre feridas e inflamações cutâneas. A MTC costuma integrar o la liao a fórmulas herbais complexas, ajustadas às síndromes de cada paciente, com o propósito de restaurar o equilíbrio energético do corpo.
Contraindicações e Efeitos Colaterais da Pimenta-d’água
Contraindicações Gerais
Poligodial e outros sesquiterpenos são irritantes de pele e mucosas, podendo causar ardência e dermatite em uso tópico. Isso exige cautela tanto em cataplasmas e compressas quanto em banhos de assento. A pimenta-d’água é contraindicada na gravidez, pelo registro tradicional como emenagogo e abortivo, e na lactação. Fora desses grupos, o uso interno só é aceitável em dose pequena e por curto período, sempre com orientação de um profissional de saúde. Pessoas com histórico de alergia a plantas da família Polygonaceae devem evitar a planta, e o uso em crianças não é recomendado sem acompanhamento profissional. Quem tem distúrbios hemorrágicos precisa de cautela, porque a tradição atribui à planta ação sobre a coagulação sanguínea.
Efeitos Colaterais Comuns
Em uso moderado, os efeitos colaterais relatados costumam ser leves, mas podem incluir irritação gastrointestinal, como náuseas e desconforto estomacal, sobretudo em doses elevadas. Também pode surgir irritação cutânea quando extratos concentrados ou folhas frescas entram em contato direto com a pele ou com mucosas, efeito ligado aos compostos pungentes da planta. Em caso de reação adversa, o uso deve ser interrompido e um médico deve ser consultado sem demora.
Interações Medicamentosas
Como a tradição atribui à pimenta-d’água ação sobre a coagulação sanguínea, o seu uso junto com anticoagulantes como a varfarina, com a aspirina ou com outros antiagregantes plaquetários pode alterar a resposta a esses medicamentos e aumentar o risco de hemorragias. A planta também pode influenciar o metabolismo de outros fármacos por meio de enzimas hepáticas. Estudos preliminares investigam um efeito sobre a glicemia, o que pede cautela em quem usa hipoglicemiantes. O registro tradicional de efeito calmante recomenda o mesmo cuidado com sedativos. Pacientes em uso contínuo de qualquer medicação devem procurar orientação médica antes de usar a pimenta-d’água, para evitar interações indesejadas.
Distinção da Erva-de-Bicho Brasileira
No Brasil, o nome erva-de-bicho designa espécies nativas afins, como Persicaria punctata e Persicaria hydropiperoides, que devem ser tratadas como espécies afins, e não como sinônimos da pimenta-d’água. As receitas brasileiras tradicionais de erva-de-bicho costumam se referir a essas plantas nativas. Por isso, as orientações de preparo e de segurança deste artigo não devem ser transferidas automaticamente para elas, nem as delas para a Persicaria hydropiper.
Curiosidades e Fatos Históricos da Pimenta-d’água
Nome Peculiar e Sabor Intenso
O nome peculiar da pimenta-d’água vem do sabor intensamente picante das folhas, que lembra a pimenta-do-reino. Esse ardor se deve principalmente ao poligodial, um sesquiterpeno que atua sobre os receptores de dor. No Japão, a planta é tão conhecida pelo sabor que deu origem a um provérbio popular, “Tade kuu mushi mo sukizuki” (蓼食う虫も好き好き), que significa “Alguns insetos comem pimenta-d’água e gostam” e equivale aos nossos “Gosto não se discute” ou “Cada um tem seu gosto”.
Substituto Histórico da Pimenta-do-Reino
Em períodos de escassez, como em tempos de guerra na Europa, a pimenta-d’água foi cultivada e usada como substituto acessível e picante da pimenta-do-reino, que era um condimento caro e difícil de obter. A capacidade de crescer em ambientes úmidos e a robustez da planta a tornaram uma alternativa valiosa para dar sabor aos alimentos nessas épocas de carestia.
Planta Indicadora de Solo
A Persicaria hydropiper é encontrada com frequência em solos úmidos, margens de rios, valas e áreas pantanosas. A sua presença pode servir como indicador natural de solos com boa umidade e, por vezes, de áreas perturbadas. Essa característica ecológica evidencia a adaptabilidade da espécie e o papel que ela desempenha em ecossistemas aquáticos e semiaquáticos.
Perguntas Frequentes sobre a Pimenta-d’água
A Pimenta-d’água É Segura para Consumo?
Em pequenas quantidades e como condimento, a pimenta-d’água tem longa tradição culinária, sobretudo nas variedades cultivadas, que são menos picantes. Já o tipo selvagem pode ser muito pungente e irritar a boca e o estômago. Para fins medicinais, o uso interno só é aceitável em dose pequena e por curto período. A planta é contraindicada na gravidez e na lactação, além de exigir cautela em pessoas com problemas de coagulação sanguínea. Por isso, consulte um profissional de saúde antes de usá-la com finalidade medicinal.
Qual a Diferença Entre Pimenta-d’água e Erva-de-Bicho?
Embora os dois nomes apareçam às vezes como equivalentes, no Brasil erva-de-bicho designa sobretudo espécies nativas afins, como Persicaria punctata e Persicaria hydropiperoides. Já pimenta-d’água se refere à Persicaria hydropiper, nome que alude ao sabor picante e ao habitat preferido da planta em locais úmidos. As receitas brasileiras tradicionais de erva-de-bicho costumam se referir às espécies nativas, que devem ser tratadas como afins, e não como sinônimos.
Como Usar a Pimenta-d’água em Receitas Culinárias?
No Japão, as folhas jovens da pimenta-d’água, cujos brotos avermelhados são conhecidos como beni-tade, são usadas frescas para guarnecer pratos como sashimi, tempurá e sushi, aos quais acrescentam um toque picante. A planta também entra em molhos como o tade-zu, que acompanha peixes grelhados. Em outras cozinhas, ela pode ser adicionada a saladas, sopas ou ensopados, sempre com moderação por causa da intensidade do sabor.
A Pimenta-d’água Tem Efeitos Colaterais?
Sim, e eles se relacionam principalmente aos compostos pungentes da planta. O poligodial e outros sesquiterpenos irritam pele e mucosas e podem provocar ardência e dermatite em uso tópico, além de náuseas e desconforto estomacal em doses elevadas. A planta deve ser evitada por pessoas alérgicas à família Polygonaceae, por grávidas e por lactantes. Quem usa anticoagulantes precisa de orientação médica antes de qualquer uso. Diante de uma reação adversa, o uso deve ser interrompido.
Grávidas Podem Usar a Pimenta-d’água?
Não, porque a pimenta-d’água é contraindicada na gravidez em razão do registro tradicional de uso como emenagogo e abortivo, que também aparece nos relatos etnobotânicos de efeito antifertilidade. A mesma restrição vale para a lactação, fase para a qual faltam dados de segurança. Qualquer dúvida sobre o uso nesses períodos deve ser levada a um profissional de saúde.
Por Que a Pimenta-d’água Tem Sabor Tão Picante?
O ardor das folhas vem principalmente do poligodial, também chamado tadeonal, um sesquiterpenoide que atua sobre os receptores de dor. Ao lado do warburganal, ele responde pela pungência que lembra a pimenta-do-reino. Esses mesmos compostos explicam por que a planta pode irritar pele e mucosas, motivo pelo qual o seu uso culinário e medicinal pede moderação.
Aviso: este conteúdo é informativo e não substitui orientação de profissional de saúde. Consulte um médico ou fitoterapeuta antes de usar plantas medicinais, especialmente na gravidez, na lactação ou em uso de medicamentos.
Referências e Estudos Científicos
- PMC2020 Ayaz M, et al. Persicaria hydropiper (L.) Delarbre: A review on traditional uses, bioactive chemical constituents and pharmacological and toxicological activities. Journal of Ethnopharmacology. 2020.
- PMC2014 Huq AK, et al. Ethnobotanical, Phytochemical, Pharmacological, and Toxicological Aspects of Persicaria hydropiper (L.) Delarbre. Evidence-Based Complementary and Alternative Medicine. 2014.
- PMC2024 Jovanović M, et al. New Perspectives on the Old Uses of Traditional Medicinal and Edible Herbs: Extract and Spent Material of Persicaria hydropiper (L.) Delarbre. Nutrients. 2024.
- PMC2021 Nasir A, et al. Review on Pharmacological and Phytochemical Prospects of Traditional Medicinal Plant: Persicaria hydropiper (Smartweed). Current Topics in Medicinal Chemistry. 2021.
