Canela-do-Ceilão (Cinnamomum verum): Benefícios e Usos

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Cinnamomum verum J. Presl / Canela-do-Ceilão, também conhecida como canela-verdadeira, é uma pequena árvore perene pertencente à família Lauraceae. Originária do Sri Lanka, esta especiaria é valorizada há milênios por suas propriedades aromáticas e medicinais. A casca interna da árvore é a fonte da canela, um condimento amplamente utilizado na culinária e na medicina tradicional em diversas culturas ao redor do mundo. A canela-do-ceilão distingue-se de outras variedades de canela, como a cássia, por seu sabor mais suave e perfil fitoquímico específico, que lhe confere um menor teor de cumarina, tornando-a mais segura para consumo regular.

Canela-do-Ceilão (Cinnamomum verum): ilustração botânica da árvore perene da família Lauraceae e de sua casca clara enrolada em bastões, a especiaria conhecida como canela.
Pequena árvore perene da família Lauraceae, de casca fina e clara cuja camada interna enrola-se em bastões após a secagem.

Historicamente, a canela tem sido empregada em rituais, como no processo de mumificação pelos egípcios, e como um valioso item de comércio. Sua importância medicinal é reconhecida em sistemas tradicionais como a Ayurveda, onde é utilizada para tratar uma variedade de doenças. A pesquisa científica moderna tem validado muitas dessas aplicações, destacando suas ações anti-inflamatórias, antioxidantes, antimicrobianas e antidiabéticas. A riqueza de seus compostos voláteis, como o cinamaldeído e o eugenol, é fundamental para seus efeitos terapêuticos e para o aroma característico que a torna uma das especiarias mais apreciadas globalmente.

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Nomes Populares e Internacionais da Canela-do-Ceilão

  • Português: canela, canela-do-ceilão, canela-verdadeira, caneleira, caneleira-do-ceilão.
  • Inglês: true cinnamon, Ceylon cinnamon.
  • Espanhol: canela, canela de Ceylán.
  • Francês: cannelle, cannelle de Ceylan.
  • Italiano: cannella, cannella di Ceylon.
  • Alemão: Ceylon-Zimt, Echter Zimt.

Sinônimos Botânicos da Canela-do-Ceilão

O sinônimo botânico mais frequentemente encontrado na literatura científica contemporânea para Cinnamomum verum J. Presl é Cinnamomum zeylanicum J. Presl. Essa denominação é amplamente utilizada em publicações farmacológicas e fitoquímicas. Outros sinônimos incluem Laurus cinnamomum L., Cinnamomum alexei Kosterm., Cinnamomum aromaticum J.Graham, Cinnamomum barthii Lukman., Cinnamomum bengalense Lukman., Cinnamomum biafranum Lukman., Cinnamomum bonplandii Lukman., Cinnamomum boutonii Lukman., Cinnamomum capense Lukman., Cinnamomum cayennense Lukman., Cinnamomum cinnamomum (L.) H.Karst. nom. inval., Cinnamomum commersonii Lukman., Cinnamomum cordifolium Lukman., Cinnamomum decandollei Lukman., Cinnamomum delessertii Lukman., Cinnamomum ellipticum Lukman., Cinnamomum erectum Lukman., Cinnamomum humboldtii Lukman., Cinnamomum iners Wight nom. illeg., Cinnamomum karrouwa Lukman., Cinnamomum leptopus A.C.Sm., Cinnamomum leschenaultii Lukman., Cinnamomum madrassicum Lukman., Cinnamomum maheanum Lukman., Cinnamomum mauritianum Lukman., Cinnamomum meissneri Lukman., Cinnamomum ovatum Lukman., Cinnamomum pallasii Lukman., Cinnamomum pleei Lukman., Cinnamomum pourretii Lukman., Cinnamomum regelii Lukman., Cinnamomum roxburghii Lukman., Cinnamomum sieberi Lukman., Cinnamomum sonneratii Lukman., Cinnamomum vaillantii Lukman., Cinnamomum variabile Lukman., Cinnamomum wolkensteinii Lukman., Cinnamomum zeylanicum Blume e Cinnamomum zollingeri Lukman.

Família Botânica: Lauraceae

A Cinnamomum verum pertence à família botânica Lauraceae, que inclui diversas outras espécies de plantas aromáticas e medicinais, como o louro e o abacateiro. Essa família é conhecida pela presença de óleos essenciais em suas folhas, caules e frutos, que conferem características distintivas e propriedades terapêuticas seus membros.

Partes Utilizadas da Canela-do-Ceilão

  • Casca (principalmente a casca interna seca)
  • Folhas
  • Frutos
  • Gomos
  • Talos

Usos Etnobotânicos e Tradicionais da Canela-do-Ceilão

A canela-do-ceilão possui uma rica história de uso etnobotânico e tradicional em diversas culturas. É amplamente empregada como condimento e especiaria, especialmente a casca interna, para realçar o sabor de pratos doces e salgados. Na culinária, é um saborizante popular em doces, gomas de mascar, enxaguantes bucais e pastas de dente.

Na Medicina Ayurvédica, é utilizada como antiemético, antidiarreico, antiflatulento e estimulante, e a tradição também lhe atribui propriedades antituberculares e como expectorante. Historicamente, os egípcios a empregavam no processo de mumificação, e tradicionalmente ela é usada para o alívio de dores de garganta, gripe, resfriado comum e dores de cabeça.

Além disso, a tradição atribui à canela-do-ceilão um papel de apoio no manejo da artrite reumatoide e no alívio de dores menstruais; estudos indicam que o consumo diário de água morna com canela pode reduzir o desconforto menstrual. Pesquisas também associam seu uso à redução do colesterol e ao fortalecimento da musculatura cardíaca.

Em outras aplicações, a madeira da caneleira é utilizada na fabricação de decorações, móveis, armários e compensados. A espécie C. politum tem sua casca adicionada a bebidas quentes para fortalecer músculos e reduzir desconforto. Folhas e casca trituradas de C. crassinervium são recomendadas para dores de cabeça, enquanto as folhas de C. rhynchophyllum e C. soegengii são usadas para tratar desconforto estomacal e intoxicação alimentar. A mucilagem de C. iners é empregada na produção de espirais de mosquito, incensos e fórmica. Na filosofia Ayurvédica, a canela-do-ceilão é valorizada por equilibrar as energias Vata e Pitta no corpo.

Propriedades Terapêuticas da Canela-do-Ceilão

  • Ansiolítico (efeito estudado na redução da ansiedade)
  • Anti-HIV (atividade estudada em laboratório contra o vírus HIV, sem eficácia clínica comprovada)
  • Anti-inflamatório (efeito estudado na redução de processos inflamatórios no corpo)
  • Antibacteriano (atividade estudada contra diversas bactérias)
  • Antidepressivo (efeito estudado sobre o humor, associado à redução de sintomas depressivos em pesquisas)
  • Antidiabético (efeito estudado sobre os níveis de glicose no sangue)
  • Antiespasmódico (uso tradicional para aliviar espasmos e cólicas)
  • Antioxidante (efeito estudado na proteção das células contra danos causados por radicais livres)
  • Antiparkinsoniano (apresenta efeitos protetores em modelos de doença de Parkinson)
  • Antiproliferativo (atividade observada em estudos de laboratório, sem comprovação clínica)
  • Cardiovascular (efeito estudado sobre a vasodilatação e a função cardíaca)
  • Cicatrização de feridas (efeito estudado sobre o processo de cicatrização de lesões cutâneas)
  • Hipolipemiante (efeito estudado sobre os níveis de lipídios no sangue)
  • Neuroprotetor (efeito protetor estudado sobre o sistema nervoso)

Perfil Fitoquímico Detalhado da Canela-do-Ceilão

A riqueza das propriedades terapêuticas da Cinnamomum verum é atribuída sua complexa composição fitoquímica, que inclui uma vasta gama de compostos bioativos. Esses fitoquímicos atuam sinergicamente, conferindo à planta seus efeitos medicinais.

  • Acetato de bornila
  • Acetato de cinamilo
  • Acetato de hidrocinamilo
  • Ácido cafeico
  • Ácido cinâmico
  • Ácido ferúlico
  • Ácido gálico
  • Ácido oleico
  • Ácido p-hidroxibenzoico
  • Alfa-bisabolol
  • Alfa-cubebeno
  • Alfa-felandreno
  • Alfa-terpineol
  • Alfa-terpineno
  • Alfa-tujeno
  • Álcool cinamílico
  • Benzenepropanal
  • Benzaldeído
  • Benzoato de benzila
  • Beta-cariofileno
  • Beta-pineno
  • Canfeno
  • Cânfora
  • Cinamaldeído
  • Cinamato
  • Cinzeilamina
  • Cinzeilanol
  • 1,4-cineol
  • 1,8-cineol
  • Citronelal
  • Cuminaldeído
  • D-glucano
  • D-xilose
  • Dietil acetal de cinamaldeído
  • Eugenol
  • Hidrocinâmico
  • L-arabino-D-xilose
  • L-borneol
  • Limoneno
  • Linalol
  • Manitol
  • Metil cinamato
  • Metoxicinamaldeído
  • Mucilagens
  • Nerolidol
  • Óxido de cariofileno
  • P-cimeno
  • Proantocianidinas oligoméricas
  • Terpinoleno
  • 2-metil-3-fenil-propanal

Formas de Preparo e Administração da Canela-do-Ceilão

A Cinnamomum verum pode ser utilizada de diversas formas para aproveitar suas propriedades medicinais e aromáticas. As preparações mais comuns incluem chás, tinturas e extratos, cada uma com suas particularidades de uso e concentração de princípios ativos.

Chá (Infusão ou Decocção)

O chá de canela é uma das formas mais populares de consumo. Pode ser preparado por infusão, utilizando a casca em pó ou em pedaços pequenos, ou por decocção, especialmente para pedaços maiores da casca, a fim de extrair melhor seus componentes. É amplamente consumido para auxiliar na digestão, aliviar resfriados e como um tônico geral.

Tintura

A tintura de canela é uma preparação alcoólica que concentra os princípios ativos da planta. É obtida pela maceração da casca em uma solução de álcool e água. As tinturas são mais potentes que os chás e são geralmente utilizadas em doses menores, sob orientação de um profissional de saúde, para tratar condições específicas como problemas digestivos e desequilíbrios metabólicos.

Extrato

Os extratos de canela são formas concentradas dos compostos bioativos da planta, que podem ser obtidos por diferentes métodos de extração (aquosa, alcoólica, supercrítica). Podem ser encontrados em cápsulas, líquidos ou pós, oferecendo uma dosagem padronizada e conveniente para uso terapêutico. São frequentemente empregados em suplementos para controle glicêmico e suporte antioxidante.

Sinergia com Outras Plantas Medicinais

A canela-do-ceilão, devido às suas amplas propriedades medicinais, pode ser combinada sinergicamente com outras plantas para potencializar efeitos terapêuticos específicos ou para criar formulações mais equilibradas. A combinação de plantas medicinais é uma prática comum na fitoterapia, visando otimizar os resultados e, por vezes, mitigar potenciais efeitos adversos.

Com Gengibre (Zingiber officinale)

A combinação de canela com gengibre é tradicionalmente utilizada para fortalecer o sistema digestivo e respiratório. Ambos possuem propriedades anti-inflamatórias e aquecedoras, sendo úteis em casos de resfriados, gripes, náuseas e para estimular a circulação. Juntos, podem contribuir para um alívio mais consistente das dores musculares e articulares.

Com Cúrcuma (Curcuma longa)

A sinergia entre canela e cúrcuma é notável por suas potentes ações anti-inflamatórias e antioxidantes. A curcumina, principal composto ativo da cúrcuma, e os cinamaldeídos da canela, atuam em diferentes vias inflamatórias, proporcionando um efeito mais abrangente. Essa combinação é particularmente interessante para o suporte à saúde articular e para a proteção celular contra o estresse oxidativo.

Com Chá Verde (Camellia sinensis)

A canela pode ser adicionada ao chá verde para melhorar o controle glicêmico e aumentar o potencial antioxidante da bebida. O chá verde é rico em catequinas, e a canela complementa seus efeitos no metabolismo da glicose, tornando esta combinação benéfica para indivíduos com resistência à insulina ou diabetes tipo 2, além de promover a saúde cardiovascular.

Com Cardamomo (Elettaria cardamomum)

A combinação de canela com cardamomo é frequentemente usada em preparações culinárias e medicinais para melhorar a digestão e aliviar o inchaço. Ambos têm propriedades carminativas e digestivas, ajudando a reduzir gases e desconfortos gastrointestinais. Essa sinergia também pode ser útil para refrescar o hálito e como um tônico geral.

Com Cravo-da-Índia (Syzygium aromaticum)

Canela e cravo-da-índia formam uma dupla com propriedades antimicrobianas e analgésicas estudadas. Essa combinação é tradicionalmente empregada para combater infecções, aliviar dores de dente e garganta, e como um expectorante natural. Seus óleos essenciais atuam de forma complementar, com atividade estudada contra diversos patógenos.

Receitas e Protocolos de Uso da Canela-do-Ceilão

A Cinnamomum verum pode ser incorporada à rotina de diversas maneiras, seja para fins culinários ou terapêuticos. É fundamental seguir as dosagens recomendadas e, em caso de dúvidas ou condições de saúde específicas, consultar um profissional de saúde.

Bochechos para Saúde Bucal

Para auxiliar na higiene bucal e combater bactérias, prepare um chá fraco de canela (1 colher de chá de canela em pó ou 1 pau de canela para 200 ml de água quente, infundir por 10 minutos e coar). Utilize o líquido morno para fazer bochechos por 30 segundos, duas a três vezes ao dia. Não ingerir.

Chá para Alívio Menstrual

Para aliviar cólicas e desconfortos menstruais, prepare um chá com 1 pau de canela (aproximadamente 2-3 gramas) ou 1 colher de chá de canela em pó para 250 ml de água. Ferva por 5 minutos, retire do fogo e deixe em infusão por mais 5 minutos. Coe e beba morno, até duas vezes ao dia, preferencialmente durante o período menstrual.

Chá para Controle Glicêmico

Para auxiliar no controle dos níveis de açúcar no sangue, prepare um chá com 1 colher de chá de canela em pó ou 1 pau de canela para 200 ml de água. Ferva por 5 minutos, coe e beba morno, uma vez ao dia, preferencialmente antes de uma refeição principal. É importante monitorar a glicemia e não substituir medicamentos prescritos sem orientação médica.

Infusão para Resfriados e Gripes

Em casos de resfriados, gripes e dores de garganta, prepare uma infusão com 1 colher de chá de canela em pó ou 1 pau de canela em 250 ml de água quente. Deixe em infusão por 10 minutos, coe e adicione mel e limão a gosto. Beba morno, até três vezes ao dia, para aliviar os sintomas e promover o bem-estar.

Uso Culinário e Aromático

A canela-do-ceilão é um excelente tempero para diversas preparações. Pode ser adicionada a sobremesas, frutas, iogurtes, cereais, cafés e chás. Além de realçar o sabor, contribui com suas propriedades antioxidantes e digestivas. Utilize a gosto, mas com moderação, especialmente a versão em pó, para evitar excessos.

As preparações acima seguem registros tradicionais e não substituem orientação profissional. Antes de qualquer uso interno, consulte as contraindicações e interações descritas neste artigo.

Terapias Associadas à Canela-do-Ceilão

A Cinnamomum verum, além de seus usos diretos na fitoterapia, pode ser integrada ou complementar a diversas outras terapias, potencializando seus efeitos ou oferecendo suporte em abordagens holísticas de saúde. É fundamental que a associação com outras terapias seja feita com acompanhamento de profissionais qualificados.

Aromaterapia

O óleo essencial de canela, extraído da casca ou das folhas, é amplamente utilizado na aromaterapia. Suas propriedades estimulantes e aquecedoras são empregadas para aliviar a fadiga mental, melhorar a concentração e promover uma sensação de bem-estar. Pode ser difundido no ambiente ou utilizado em massagens diluído em óleo vegetal, sempre com cautela devido ao seu potencial irritante.

Homeopatia

Na homeopatia, a canela (Cinnamomum) é utilizada em preparações diluídas e dinamizadas que, segundo os princípios dessa abordagem, indicam-se para condições específicas como hemorragias uterinas, diarreias e flatulências. A escolha do remédio homeopático e sua dosagem são individualizadas, baseadas nos sintomas do paciente e na totalidade de seu quadro clínico, sob a supervisão de um médico homeopata.

Fitoterapia Chinesa Tradicional

Na Medicina Tradicional Chinesa (MTC), a canela (conhecida como Rou Gui ou Gui Zhi, dependendo da parte utilizada) é valorizada por suas propriedades aquecedoras e por sua capacidade de tonificar o Yang do Rim e do Baço. É tradicionalmente empregada para tratar deficiências de Yang, como dores lombares, fadiga, impotência, diarreia crônica e resfriados, segundo essa medicina tradicional. Também é usada para aquecer os meridianos e dispersar o frio.

Fitoterapia Ayurvédica

No Ayurveda, a canela (Dalchini) é considerada uma especiaria que equilibra os doshas Vata e Kapha, enquanto pode aumentar Pitta em excesso. É tradicionalmente utilizada, segundo o Ayurveda, para melhorar a digestão, fortalecer o agni (fogo digestivo), tratar resfriados, tosse, congestão e auxiliar no controle do açúcar no sangue. É frequentemente combinada com outras ervas para formulações específicas.

Terapia Floral

Embora não seja uma flor de Bach tradicional, a essência floral de canela pode ser utilizada em sistemas florais contemporâneos para trabalhar questões relacionadas à vitalidade, paixão e conexão com a própria essência. Pode auxiliar indivíduos que se sentem apáticos, sem energia ou desconectados de seus desejos, promovendo um despertar da força interior e da criatividade.

Contraindicações e Efeitos Colaterais da Canela-do-Ceilão

Embora a canela-do-ceilão seja geralmente segura quando consumida em quantidades moderadas, é importante estar ciente de suas contraindicações e potenciais efeitos colaterais. O consumo de doses elevadas, especialmente do óleo da casca (acima de 0.2 gramas por dia) ou da droga bruta (15-20 gramas por dia), pode causar irritação. Indivíduos com alergia conhecida a plantas da família Lauraceae devem evitar o uso da canela. Além disso, devido às suas propriedades antidiabéticas e anticoagulantes, a canela pode interagir com medicamentos para diabetes e anticoagulantes, sendo crucial a consulta a um profissional de saúde antes de iniciar o uso terapêutico, especialmente para pessoas com condições médicas preexistentes ou que tomam outros medicamentos.

Curiosidades e Fatos Históricos da Canela-do-Ceilão

A canela-do-ceilão, além de suas aplicações medicinais e culinárias, possui uma rica tapeçaria de curiosidades e fatos históricos que a tornam uma das especiarias mais fascinantes do mundo. Sua história está entrelaçada com civilizações antigas e rotas comerciais que moldaram o mundo.

Antiguidade e Valor Comercial

Desde a antiguidade, a canela foi um item de luxo e um valioso produto comercial. Os egípcios a utilizavam não apenas como especiaria, mas também em rituais de embalsamamento, demonstrando seu alto valor e significado cultural. As rotas comerciais da canela eram guardadas a sete chaves, e sua origem era frequentemente envolta em mistério para manter seu preço elevado. Durante os séculos XVI e XVII, comerciantes portugueses foram os primeiros a trazer a canela do Ceilão (atual Sri Lanka) para a Europa, estabelecendo um monopólio que mais tarde seria disputado por holandeses e britânicos.

Lendas e Mitos

Diversas lendas cercam a canela. Uma delas, contada por Heródoto, o historiador grego, descrevia que a canela era colhida por pássaros gigantes que construíam seus ninhos com os paus de canela em montanhas inacessíveis. Os coletores de canela teriam que usar iscas de carne para atrair os pássaros, que levariam a carne para seus ninhos, fazendo-os desabar e permitindo a coleta da especiaria. Embora fantasiosa, essa história ilustra o fascínio e o mistério que a canela evocava.

Diferença entre Canela-do-Ceilão e Cássia

É uma curiosidade importante diferenciar a Cinnamomum verum (canela-do-ceilão ou canela-verdadeira) da Cinnamomum cassia (cássia ou canela chinesa). Embora ambas sejam chamadas de canela, a canela-do-ceilão é mais fina, de cor mais clara e tem um sabor mais delicado e doce. A cássia, por sua vez, é mais espessa, de cor mais escura e possui um sabor mais forte e picante. A principal diferença reside no teor de cumarina, um composto que pode ser hepatotóxico em grandes quantidades. A canela-do-ceilão possui níveis muito baixos de cumarina, tornando-a a escolha preferencial para uso terapêutico e consumo regular.

Uso na Culinária Mundial

A canela é um ingrediente versátil na culinária global. Na Índia, é um componente essencial de muitos masalas e curries. No Oriente Médio, é usada em pratos de carne e arroz. Na Europa e nas Américas, é popular em sobremesas, bebidas quentes e produtos de panificação. Sua capacidade de realçar tanto sabores doces quanto salgados a torna uma especiaria indispensável em cozinhas de todo o mundo.

Perguntas Frequentes sobre o Chá de Canela-do-Ceilão

O chá de canela-do-ceilão é uma bebida popular, apreciada tanto por seu sabor quanto por seus potenciais benefícios à saúde. Abaixo, respondemos a algumas das perguntas mais comuns sobre seu consumo e propriedades.

Qual a Diferença entre Canela-do-Ceilão e Canela Cássia?

A principal diferença reside na espécie da planta e no teor de cumarina. A canela-do-ceilão (Cinnamomum verum) é considerada a canela verdadeira, com sabor mais suave e baixo teor de cumarina. Já a canela cássia (Cinnamomum cassia) tem sabor mais forte e alto teor de cumarina, que pode ser prejudicial ao fígado em grandes quantidades. A canela-do-ceilão é a preferida para uso medicinal.

O Chá de Canela Ajuda a Emagrecer?

O chá de canela pode auxiliar no processo de emagrecimento indiretamente. Suas propriedades termogênicas e a capacidade de melhorar a sensibilidade à insulina podem contribuir para a regulação do metabolismo e a redução do acúmulo de gordura. No entanto, não é uma solução milagrosa e deve ser combinado com uma dieta equilibrada e exercícios físicos.

Quem Não Pode Tomar Chá de Canela?

Pessoas grávidas, lactantes, com problemas hepáticos, úlceras gástricas, ou que utilizam medicamentos anticoagulantes ou para diabetes devem evitar o consumo de chá de canela sem orientação médica. Indivíduos com alergia a plantas da família Lauraceae também devem abster-se. A cumarina presente na canela cássia, em altas doses, pode ser tóxica para o fígado.

Qual a Melhor Forma de Preparar o Chá de Canela?

Para preparar o chá, utilize 1 pau de canela (aproximadamente 2-3 gramas) ou 1 colher de chá de canela em pó para 250 ml de água. Se usar o pau, ferva por 5 minutos; se usar o pó, adicione à água quente e deixe em infusão por 10 minutos. Coe antes de beber. Para um sabor mais intenso, pode-se deixar o pau de canela em infusão por mais tempo.

O Chá de Canela Pode Ser Consumido Diariamente?

Sim, o chá de canela-do-ceilão pode ser consumido diariamente em quantidades moderadas. Recomenda-se uma a duas xícaras por dia para a maioria das pessoas. É importante observar a resposta de seu corpo e, em caso de qualquer desconforto, reduzir a frequência ou consultar um profissional de saúde. Evite o consumo excessivo, especialmente se for canela cássia.

Aviso: este conteúdo é informativo e não substitui orientação de profissional de saúde. Consulte um médico ou fitoterapeuta antes de usar plantas medicinais, especialmente na gravidez, na lactação ou em uso de medicamentos.

Referências e Estudos Científicos

4 Referências Citadas

Baseado em 4 Referências Citadas (3 Peer-Reviewed, 1 Complementar).

Estudos Científicos Peer-Reviewed (3)

  1. PMC2026 Edziri H, et al. Antibacterial and Antibiofilm Activity of a Chemically Characterized Cinnamomum verum Bark Methanolic Extract Against Multidrug-Resistant Bacteria: Preliminary Antibiotic-Interaction Screening and Exploratory Molecular Docking. Chemistry & Biodiversity. 2026.
  2. PMC2026 Gajewska S, et al. Comparative study of antioxidant activity and chemical composition of alcoholic extracts and essential oils from Cinnamomum verum and Cinnamomum cassia. Food Chemistry. 2026.
  3. PMC2026 Baishya D, Choudhury A. In Vivo Antidiabetic Efficacy of Ethyl Acetate Fractions Cinnamomum tamala (Buch.-Ham.) T. Nees & C. H. Eberm. and Cinnamomum verum J. Presl in Streptozotocin-Induced Diabetic Rats. Journal of Pharmacopuncture. 2026.

Leituras Complementares (1)

  1. 2021 Pathak, R., & Sharma, H. (2021). A Review on Medicinal Uses of Cinnamomum verum (Cinnamon). Journal of Drug Delivery and Therapeutics, 11(6-S), 161-166. Disponível em: https://jddtonline.info/index.php/jddt/article/view/5145
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