Hera-Terrestre (Glechoma hederacea): Propriedades e Benefícios

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Glechoma hederacea L. / Hera-Terrestre é uma erva perene e rasteira da família Lamiaceae, nativa da Europa e da Ásia. A espécie se naturalizou em boa parte da América do Norte e de outras regiões de clima temperado, onde forma tapetes densos em gramados, beiras de mata e terrenos úmidos e sombreados. O uso da planta na medicina popular europeia é antigo e aparece em herbários, na tradição cervejeira inglesa e em receitas caseiras de chás e compressas, quase sempre ligado às vias respiratórias, à digestão e à pele. Estudos de laboratório e com animais vêm investigando parte desses registros, com destaque para os compostos fenólicos e os triterpenos da planta, mas ainda faltam ensaios clínicos em humanos capazes de confirmar qualquer benefício. Por conter pulegona no óleo essencial, a hera-terrestre pede cuidados específicos de uso, descritos ao longo deste artigo, e não deve ser confundida com a hera comum, uma trepadeira tóxica de outra família botânica.

Hera-Terrestre (Glechoma hederacea) em ilustração botânica, com caules rasteiros, folhas arredondadas de margem crenada e flores azul-violeta da hera-terrestre nas axilas.
Caules rasteiros que enraízam nos nós, folhas arredondadas de margem crenada e pequenas flores azul-violeta reunidas nas axilas das folhas.

Nomes Populares e Internacionais da Hera-Terrestre

  • Português: glecoma, hera-terrestre.
  • Alemão: Efeublättriger Gundermann, Erd-Efeu, Gundermann.
  • Espanhol: hiedra terrestre, hierba terrestre, yedra terrestre.
  • Francês: gléchome, lierre terrestre.
  • Inglês: alehoof, catsfoot, creeping charlie, field balm, gill-over-the-ground, ground-ivy, run-away-robin, tunhoof.
  • Italiano: edera terrestre, ellera terrestre.

Boa parte desses nomes faz referência à semelhança das folhas arredondadas e do porte rasteiro com a hera, enquanto os ingleses alehoof e tunhoof lembram o antigo emprego da planta na fabricação de cerveja. Alguns nomes populares que circulam em fontes antigas foram deixados de fora desta lista por não serem verificáveis para a espécie ou por designarem outras plantas. É o caso de erva-de-são-joão, nome mais conhecido do hipericão (Hypericum perforatum), e a exclusão evita confusões na hora de comprar ou identificar a erva.

Sinônimos Botânicos da Hera-Terrestre

Os principais sinônimos botânicos de Glechoma hederacea L. são Nepeta glechoma Benth. e Nepeta hederacea, nomes que refletem a proximidade da planta com o gênero Nepeta, ao qual pertence a erva-dos-gatos, dentro da mesma linhagem da família Lamiaceae. Essas denominações aparecem em classificações taxonômicas mais antigas e em parte da literatura de herbário, mas Glechoma hederacea L. é o nome aceito atualmente. Na Ásia Oriental, a planta empregada na medicina tradicional costuma ser tratada como Glechoma hederacea var. longituba ou como espécie própria, Glechoma longituba, divergência que aparece com frequência nos estudos fitoquímicos publicados na China e na Coreia. Conhecer esses sinônimos e variedades ajuda a localizar pesquisas antigas e recentes sobre a mesma planta e reduz o risco de confundir espécies em bancos de dados, catálogos de herbário e rótulos de produtos.

Família Botânica: Lamiaceae

A Glechoma hederacea pertence à família Lamiaceae, a família da hortelã, que reúne mais de 7 mil espécies e inclui muitas plantas aromáticas usadas na culinária, na perfumaria e na fitoterapia, como alecrim, hortelã, lavanda e tomilho. As plantas desse grupo costumam ter caules de seção quadrangular, folhas opostas, flores bilabiadas e pequenas glândulas na superfície das folhas que armazenam óleos essenciais. A hera-terrestre compartilha essas características, que explicam o aroma levemente mentolado de suas folhas quando amassadas. O fruto típico da família se divide em quatro pequenas núculas, e a química do grupo é marcada por ácido rosmarínico, flavonoides e terpenoides, compostos que também aparecem em quantidade relevante na hera-terrestre. Dentro da família, o gênero Glechoma é pequeno e reúne poucas espécies distribuídas pela Eurásia, entre elas Glechoma hirsuta, que já foi analisada em estudos comparativos ao lado da hera-terrestre.

Partes Utilizadas da Hera-Terrestre

  • Flores
  • Folhas
  • Partes aéreas floridas, das quais também se obtém o óleo essencial

As folhas e as partes aéreas floridas concentram a maior parte dos compostos fenólicos e do óleo essencial, e são elas que aparecem nas receitas tradicionais de chá, tintura e compressa. A planta floresce na primavera, com pequenas flores azul-violeta reunidas nas axilas das folhas, e a tradição herbária europeia costuma colhê-la nesse período. O óleo essencial, obtido por destilação das partes aéreas, é um produto concentrado que serve apenas para uso externo diluído ou para inalação, nunca para ingestão.

Usos Etnobotânicos e Tradicionais da Hera-Terrestre

Os registros abaixo vêm da medicina popular europeia e de tradições asiáticas e descrevem como a planta foi empregada ao longo do tempo, sem valor de indicação clínica.

  • Ansiedade e nervosismo
  • Asma
  • Auxílio à expectoração
  • Bronquite
  • Catarro
  • Cistite
  • Cólicas intestinais e flatulência
  • Congestão das vias respiratórias
  • Dermatites
  • Diabetes (registro tradicional, sem comprovação clínica)
  • Diarreia
  • Distúrbios digestivos
  • Distúrbios do fígado e da bile
  • Doenças renais
  • Dores de cabeça
  • Febre
  • Feridas superficiais
  • Gripe
  • Hemorroidas
  • Hiperacidez gástrica
  • Inflamações (cutâneas, gerais e oculares)
  • Insônia
  • Prisão de ventre
  • Síndrome do intestino irritável
  • Tosse
  • Zumbido nos ouvidos

Boa parte desses usos se apoia na tradição oral e em herbários antigos, e só alguns deles, como a ação sobre o fígado, a vesícula biliar e a pele, foram explorados em estudos de laboratório e com animais. Diante de qualquer um desses quadros, sobretudo asma, diabetes, doenças renais ou do fígado, a avaliação de um profissional de saúde deve vir antes do uso de qualquer planta, que não substitui o tratamento indicado pelo médico.

Propriedades Terapêuticas da Hera-Terrestre

As propriedades listadas a seguir combinam termos da fitoterapia tradicional com atividades observadas em pesquisas preliminares. Em laboratório, extratos aquosos da planta mostraram ação antioxidante e anti-inflamatória, e em roedores houve redução da formação de cálculos biliares e da lesão hepática associada à obstrução das vias biliares, resultados que ainda não foram confirmados em pessoas. Por isso, cada item vem acompanhado de uma breve indicação do nível de evidência disponível até o momento.

  • Adstringente (atribuída aos taninos, com registro tradicional em diarreias leves e pequenas lesões)
  • Analgésica (registro tradicional para dores leves, sem confirmação clínica)
  • Antialérgica (atividade sugerida em estudos preliminares)
  • Antibacteriana (atividade observada em testes de laboratório)
  • Anticatarral (uso tradicional para reduzir o catarro)
  • Antiespasmódica (uso tradicional em cólicas e espasmos digestivos)
  • Anti-histamínica (mecanismo investigado em estudos preliminares)
  • Anti-inflamatória (efeito observado em estudos de laboratório com extrato aquoso)
  • Antioxidante (capacidade de neutralizar radicais livres medida em laboratório)
  • Antiproliferativa (atividade observada em estudos de laboratório, sem comprovação clínica)
  • Antiviral (atividade relatada em estudos de laboratório)
  • Carminativa (uso tradicional para auxiliar a eliminação de gases)
  • Cicatrizante (efeito observado em modelo animal de ferida cutânea)
  • Diurética (registro tradicional de aumento do volume urinário)
  • Estimulante (registro tradicional, sem estudos clínicos que o confirmem)
  • Expectorante (uso tradicional para facilitar a eliminação do muco)
  • Hepatoprotetora (efeito observado em estudos com roedores)
  • Hipoglicemiante (efeito sobre a glicemia investigado em estudos preliminares, sem substituir tratamento)
  • Neuroprotetora (proteção de células nervosas observada em cultura de laboratório)
  • Tônica (termo da fitoterapia tradicional para plantas usadas na convalescença)
  • Vulnerária (termo tradicional para plantas aplicadas sobre ferimentos superficiais)

Perfil Fitoquímico Detalhado da Hera-Terrestre

O perfil químico da hera-terrestre é dominado por compostos fenólicos, especialmente o ácido rosmarínico, acompanhado dos ácidos cafeico, clorogênico e ferúlico e de flavonoides como apigenina, luteolina, quercetina e rutina. Entre os triterpenos, os ácidos oleanólico e ursólico já foram quantificados nas partes aéreas, enquanto o óleo essencial reúne monoterpenos como a pulegona e o 1,8-cineol e sesquiterpenos como o beta-elemeno e os germacrenos B e D.

  • Ácido cafeico
  • Ácido clorogênico
  • Ácido ferúlico
  • Ácido oleanólico
  • Ácido rosmarínico
  • Ácido ursólico
  • Apigenina
  • Beta-elemeno
  • Cineol (1,8-cineol)
  • Flavonoides
  • Genistina
  • Germacreno B
  • Germacreno D
  • Luteolina
  • Mucilagens
  • Óleos essenciais
  • Potássio
  • Pulegona (monoterpeno de teor variável, relevante para a segurança)
  • Quercetina
  • Rutina
  • Saponinas
  • Taninos
  • Terpenoides

A composição varia bastante conforme o local de coleta, o cultivo e a época do ano, e estudos que compararam plantas silvestres e cultivadas em diferentes países encontraram diferenças importantes no teor de fenólicos e de óleo essencial. Essa variação explica por que a quantidade de pulegona não é fixa e reforça a cautela com preparações concentradas, já que não é possível saber de antemão quanto de cada composto um produto caseiro ou comercial contém.

Formas de Preparo e Administração da Hera-Terrestre

  • Cataplasma
  • Chás (infusões leves)
  • Compressas
  • Creme
  • Extratos (fluido e seco), de preferência para uso externo ou com acompanhamento profissional
  • Óleo essencial, apenas diluído para uso externo ou em inalação, nunca ingerido
  • Tinturas, de preferência para uso externo

Para uso interno, a única forma considerada adequada é a infusão leve das folhas ou das partes aéreas secas, preparada com pouca quantidade de planta e consumida por período curto. A quantidade e a duração devem ser sempre orientadas por um profissional de saúde. Tinturas e extratos concentrados ficam reservados ao uso externo ou ao acompanhamento profissional, porque concentram também a pulegona e os demais monoterpenos do óleo essencial. Cataplasmas, compressas e cremes são aplicados sobre a pele íntegra ou com pequenas lesões superficiais, e o óleo essencial deve ser sempre diluído em óleo vegetal antes de qualquer aplicação tópica, sem nunca ser ingerido.

Sinergia com Outras Plantas Medicinais

Ansiedade e Insônia

Na tradição herbária, a hera-terrestre aparece combinada com valeriana (Valeriana officinalis) e passiflora (Passiflora incarnata) em misturas tradicionalmente usadas para nervosismo e dificuldade para dormir. A ideia é que os compostos da hera-terrestre se somem à ação calmante atribuída à valeriana e à passiflora, que contam com mais estudos próprios, embora essa combinação específica nunca tenha sido testada em ensaios clínicos. Como as três plantas podem causar sonolência, a mistura não deve ser associada a medicamentos sedativos, ansiolíticos ou bebidas alcoólicas sem orientação médica, e quem dirige ou opera máquinas precisa de atenção redobrada.

Distúrbios Digestivos

Para desconfortos digestivos, a hera-terrestre é tradicionalmente associada à hortelã-pimenta (Mentha × piperita) e à erva-cidreira (Melissa officinalis), duas Lamiaceae com longo histórico de uso em dispepsia, flatulência e cólicas intestinais. O mentol da hortelã-pimenta e os compostos fenólicos da erva-cidreira, entre eles o próprio ácido rosmarínico, somam-se aos da hera-terrestre em uma mistura de sabor agradável, à qual a tradição atribui ação antiespasmódica, carminativa e anti-inflamatória no trato digestivo. Por envolver uso interno, essa combinação segue a mesma regra da planta isolada, ou seja, infusão leve, por pouco tempo e com orientação profissional.

Inflamações Cutâneas

Em aplicações externas, a hera-terrestre é tradicionalmente combinada com calêndula (Calendula officinalis) e hipericão (Hypericum perforatum) em compressas e pomadas caseiras usadas sobre pequenas feridas, queimaduras leves e dermatites. Os terpenoides da hera-terrestre, os triterpenos da calêndula e a hipericina do hipericão são os compostos aos quais se atribui o efeito da mistura, que continua sem avaliação clínica como combinação. O hipericão pode aumentar a sensibilidade da pele ao sol, por isso a área tratada deve ficar protegida da exposição solar, e feridas extensas, profundas ou com sinais de infecção precisam de avaliação médica antes de qualquer preparo caseiro.

Receitas e Protocolos de Uso da Hera-Terrestre

Infusão Leve de Hera-Terrestre para as Vias Respiratórias

Registro tradicional: esta infusão é tradicionalmente usada na medicina popular europeia em resfriados, tosse e congestão, sempre em preparo leve e por poucos dias, por causa da pulegona presente na planta.

Ingredientes:

  • Folhas secas de hera-terrestre (Glechoma hederacea) em pequena quantidade, conforme orientação de um profissional de saúde
  • 1 xícara de água fervente

Modo de Preparo:

  1. Coloque as folhas de hera-terrestre em uma xícara.
  2. Despeje a água fervente sobre as folhas.
  3. Tampe e deixe em infusão por 5 a 10 minutos.
  4. Coe e beba morno.

Modo de Uso: A quantidade de folhas, o número de xícaras por dia e a duração do uso devem ser definidos com um profissional de saúde, e o consumo deve se limitar a um período curto. A infusão não é indicada para gestantes, lactantes, crianças e pessoas com doença no fígado, e sintomas respiratórios que persistem ou vêm acompanhados de febre alta e falta de ar pedem avaliação médica.

Tintura de Hera-Terrestre para Uso Tópico

Registro tradicional: a tintura é tradicionalmente usada em compressas sobre inflamações superficiais da pele e nunca por via oral.

Ingredientes:

  • 50 g de folhas secas de hera-terrestre
  • 250 ml de álcool de cereais a 70%

Modo de Preparo:

  1. Coloque as folhas de hera-terrestre em um frasco de vidro esterilizado.
  2. Cubra com o álcool de cereais, garantindo que todas as folhas fiquem submersas.
  3. Feche bem o frasco e guarde-o em local fresco e escuro por 2 a 4 semanas, agitando diariamente.
  4. Após o período de maceração, coe a tintura e armazene-a em um frasco de vidro escuro.

Modo de Uso: Dilua de 10 a 20 gotas da tintura em água, umedeça uma compressa e aplique sobre a área afetada até 2 a 3 vezes ao dia, apenas em pele íntegra ou com inflamações superficiais. Antes do primeiro uso, teste a diluição em uma pequena área da pele e interrompa se houver vermelhidão, coceira ou ardor. Por conter álcool, a tintura não deve ser aplicada em feridas abertas, mucosas ou na pele de crianças, nem ser ingerida.

As preparações acima seguem registros tradicionais e não substituem orientação profissional. Antes de qualquer uso interno, consulte as contraindicações e interações descritas neste artigo.

Terapias Associadas à Hera-Terrestre

Aromaterapia

Na aromaterapia, o óleo essencial de hera-terrestre é associado a uma sensação de calma e relaxamento, com registro de uso em difusores ambientais e banhos mornos para aliviar o estresse e a ansiedade e favorecer um sono tranquilo. Esses efeitos vêm da tradição aromaterapêutica e não foram avaliados em estudos clínicos com essa espécie. Para aplicação tópica, inclusive em pontos de pulsação, o óleo deve estar sempre diluído em óleo vegetal, e no banho precisa ser previamente misturado a um óleo vegetal, porque não se dissolve na água. Pela presença de pulegona, o óleo essencial nunca deve ser ingerido e deve ser evitado por gestantes, lactantes, crianças e pessoas com doença no fígado, inclusive na difusão em ambientes fechados onde essas pessoas permaneçam por muito tempo.

Fitoterapia Ocidental

Na fitoterapia ocidental, a hera-terrestre é uma planta de uso tradicional versátil, citada em distúrbios digestivos como dispepsia, cólicas e síndrome do intestino irritável, em inflamações como gengivite e dermatite e em queixas como ansiedade, insônia e dores menstruais. Os herbários a apresentam em infusões, tinturas, extratos fluidos, cápsulas e preparações tópicas. Pelas razões de segurança ligadas à pulegona, porém, o uso interno mais prudente se limita à infusão leve e por pouco tempo, enquanto as formas concentradas exigem acompanhamento profissional. O interesse recente pela saúde bucal tem levado pesquisadores a investigar o efeito de extratos da planta sobre células envolvidas na reabsorção óssea, uma linha de estudo que ainda não saiu do laboratório.

Homeopatia

Em homeopatia, Glechoma hederacea figura em matérias médicas tradicionais como medicamento de uso pouco frequente, preparado em altas diluições. A escolha segue o princípio da semelhança e o conjunto de sintomas de cada pessoa, sem relação direta com a quantidade de planta usada na fitoterapia. As indicações descritas variam entre as obras de referência da prática, que valoriza uma abordagem individualizada e considera o paciente como um todo. Como em toda a homeopatia, não há eficácia demonstrada em ensaios clínicos de boa qualidade, e o uso não substitui avaliação médica, sobretudo em crianças, gestantes ou diante de sintomas que persistem.

Contraindicações e Efeitos Colaterais da Hera-Terrestre

A hera-terrestre contém pulegona em teor variável e outros monoterpenos, por isso deve ser evitada na gravidez, na lactação, em hepatopatas e em crianças. O uso interno deve ser feito apenas como infusão leve e por período curto, e o óleo essencial nunca deve ser ingerido. A pulegona é o mesmo composto ligado à toxicidade hepática do óleo de poejo, e a quantidade presente na planta muda conforme a origem e o cultivo, o que torna difícil prever a exposição em preparações concentradas. Fora desses grupos, a planta costuma ser descrita como bem tolerada em infusão leve, mas faltam estudos de segurança em humanos. Na prática, um profissional de saúde deve ser consultado antes do uso, principalmente por quem tem doença crônica ou toma medicamentos de uso contínuo.

Contraindicações

  • Alergia a plantas da família Lamiaceae: pessoas com sensibilidade conhecida a plantas como hortelã, orégano ou tomilho podem apresentar reações alérgicas à hera-terrestre.
  • Cirurgia: recomenda-se suspender o uso da hera-terrestre pelo menos duas semanas antes de qualquer cirurgia, por causa do potencial efeito anticoagulante observado em laboratório.
  • Confusão com a hera comum: a hera-terrestre não deve ser confundida com Hedera helix, a hera comum, trepadeira lenhosa da família Araliaceae, de folhas lobadas e coriáceas, que é tóxica quando ingerida. Apesar do nome popular parecido, as duas plantas não têm parentesco, e trocar uma pela outra em chás caseiros pode causar intoxicação.
  • Crianças: o uso deve ser evitado em crianças, tanto da infusão quanto da tintura e do óleo essencial, pela presença de pulegona.
  • Doença hepática: hepatopatas devem evitar a planta, já que a pulegona é tóxica para o fígado em doses elevadas.
  • Gravidez e lactação: a hera-terrestre deve ser evitada durante a gravidez e a amamentação, pela presença de pulegona e pela falta de estudos de segurança nessas fases.
  • Toxicidade para cavalos: a planta é tóxica para cavalos e pode intoxicar esses animais quando ingerida em quantidade, por isso deve ser controlada em pastagens e áreas onde eles se alimentam.

Interações Medicamentosas

  • Anticoagulantes e antiagregantes: a hera-terrestre mostrou efeito anticoagulante em estudos de laboratório e pode potencializar medicamentos como a varfarina, aumentando o risco de sangramentos.
  • Hipoglicemiantes: como a tradição e estudos preliminares atribuem à planta efeito sobre a glicemia, quem usa insulina ou outros medicamentos para diabetes deve conversar com o médico antes do uso.
  • Sedativos e ansiolíticos: a planta pode causar sonolência e somar efeito a sedativos, ansiolíticos, indutores do sono e bebidas alcoólicas, sobretudo quando combinada com valeriana e passiflora.

Efeitos Colaterais

  • Náuseas e vômitos: raramente, o consumo excessivo pode levar a náuseas e vômitos.
  • Reações alérgicas: podem ocorrer reações alérgicas, especialmente em pessoas sensíveis, com erupções cutâneas, urticária, inchaço ou, em casos raros, anafilaxia.
  • Sonolência: em quantidades elevadas, a hera-terrestre pode causar sonolência, o que se torna perigoso ao dirigir ou operar máquinas.

Curiosidades e Fatos Históricos da Hera-Terrestre

O nome do gênero vem do grego glechon, termo antigo para o poejo, uma espécie de hortelã, e o epíteto hederacea significa semelhante à hera, referência às folhas arredondadas e ao hábito rasteiro da planta. Por coincidência, a pulegona, principal motivo de cautela no uso da hera-terrestre, também tira seu nome do poejo, Mentha pulegium, planta em cujo óleo essencial esse composto é o constituinte principal.

Antes da difusão do lúpulo, a hera-terrestre era usada na Inglaterra para clarificar e aromatizar a cerveja, prática atribuída aos saxões e lembrada até hoje nos nomes ingleses alehoof e tunhoof. Herbários europeus dos séculos XVI e XVII, como o do inglês John Gerard, recomendavam a planta contra o zumbido nos ouvidos. A tradição popular também a empregava em inflamações dos olhos, usos que sobrevivem na lista de registros etnobotânicos da espécie.

Colonos europeus levaram a hera-terrestre para a América do Norte como erva medicinal e aromática, e ali ela se espalhou a ponto de ser considerada uma das invasoras mais persistentes de gramados, onde ganhou o apelido de creeping charlie. Do ponto de vista botânico, a espécie é ginodioica, ou seja, em uma mesma população convivem plantas de flores hermafroditas e plantas apenas com flores femininas, de estames estéreis, característica estudada pela biologia da reprodução vegetal.

Mais recentemente, grupos de pesquisa na Croácia testaram extratos de hera-terrestre encapsulados em balas e chocolates, interessados no teor de polifenóis da planta como ingrediente alimentar. Trata-se de uma linha de estudo ainda experimental, que não autoriza o consumo livre da erva.

Perguntas Frequentes sobre a Hera-Terrestre

Para Que Serve o Chá de Hera-Terrestre?

Na medicina popular, o chá de hera-terrestre é tradicionalmente usado em tosse, resfriados e congestão, em desconfortos digestivos como cólicas, flatulência e gastrite e como apoio ao relaxamento. Esses usos vêm da tradição e de estudos preliminares em laboratório e com animais, sem confirmação em ensaios clínicos com pessoas. Por causa da pulegona, o chá deve ser sempre uma infusão leve, tomada por pouco tempo e com orientação profissional.

A Hera-Terrestre Tem Contraindicações?

Sim, e por conter pulegona em teor variável a planta deve ser evitada na gravidez, na lactação, por crianças e por pessoas com doença no fígado, além de quem tem alergia a plantas da família Lamiaceae. Quem usa anticoagulantes, hipoglicemiantes ou sedativos precisa conversar com o médico antes, e o uso deve ser suspenso pelo menos duas semanas antes de cirurgias. O óleo essencial nunca deve ser ingerido.

Como Preparar o Chá de Hera-Terrestre?

O chá é uma infusão simples, em que as folhas secas são colocadas em uma xícara, cobertas com água fervente e deixadas em repouso, tampadas, por 5 a 10 minutos antes de coar. A quantidade de folhas, o número de xícaras e a duração do uso devem ser definidos com um profissional de saúde, mantendo sempre um preparo leve e por período curto. Para suavizar o sabor, é possível adicionar mel ou limão.

Hera-Terrestre e Hera Comum São a Mesma Planta?

Não, a hera-terrestre (Glechoma hederacea) é uma erva rasteira e aromática da família Lamiaceae, enquanto a hera comum (Hedera helix) é uma trepadeira lenhosa da família Araliaceae, tóxica quando ingerida. A semelhança está apenas no nome e no formato das folhas, por isso a identificação correta da planta antes de qualquer preparo é indispensável.

Quais os Nomes Populares da Hera-Terrestre?

Em português, a planta é conhecida principalmente como hera-terrestre e glecoma. Em outros idiomas, recebe nomes como ground-ivy e creeping charlie em inglês, Gundermann em alemão, hiedra terrestre em espanhol, lierre terrestre em francês e edera terrestre em italiano. O nome erva-de-são-joão, às vezes associado a ela, pertence ao hipericão e não deve ser usado para esta espécie, justamente para evitar confusões na compra e no preparo.

A Hera-Terrestre É Tóxica?

Para pessoas, a hera-terrestre em infusão leve costuma ser descrita como bem tolerada, mas a pulegona torna a planta inadequada para gestantes, lactantes, crianças e pessoas com doença no fígado, e o óleo essencial nunca deve ser ingerido. O consumo excessivo pode causar sonolência, náuseas e vômitos, e reações alérgicas são possíveis em pessoas sensíveis. A planta é tóxica para cavalos, enquanto para outros animais os relatos de toxicidade são conflitantes.

Aviso: este conteúdo é informativo e não substitui orientação de profissional de saúde. Consulte um médico ou fitoterapeuta antes de usar plantas medicinais, especialmente na gravidez, na lactação ou em uso de medicamentos.

Referências e Estudos Científicos

4 Referências Citadas

Baseado em 4 Referências Citadas (4 Peer-Reviewed).

  1. PMC2026 Krasocka W, et al. Glechoma hederacea: A Comprehensive Insight into the Botanical Specification, Traditional Uses, Phytochemistry, Nutritional Value, Pharmacology, and Non-medicinal Applications. Planta Med. 2026.
  2. PMC2022 Sile I, et al. Wild-Grown and Cultivated Glechoma hederacea L.: Chemical Composition and Potential for Cultivation in Organic Farming Conditions. Plants (Basel). 2022.
  3. PMC2023 Sławińska N, et al. New Aspect of Composition and Biological Properties of Glechoma hederacea L. Herb: Detailed Phytochemical Analysis and Evaluation of Antioxidant, Anticoagulant Activity and Toxicity in Selected Human Cells and Plasma In Vitro. Nutrients. 2023.
  4. PMC2023 Šeremet D, et al. Studying the Functional Potential of Ground Ivy (Glechoma hederacea L.) Extract Using an In Vitro Methodology. Int J Mol Sci. 2023.
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