Resumo rápido
Leptospermum scoparium J.R.Forst. & G.Forst. / Manuka, conhecida no Brasil pelo nome maori manuka e, nos viveiros de paisagismo, também como érica-japonesa, é uma planta perene com flores da família Myrtaceae, descrita por Johann Reinhold Forster e Georg Forster e nativa da Nova Zelândia, incluindo as Ilhas…
Cuidado principal: A manuka, em suas diversas formas, deve ser usada com cautela, e pessoas com hipersensibilidade conhecida a plantas da família Myrtaceae podem apresentar reações alérgicas. Recomenda-se consultar um profissional de…
Leptospermum scoparium J.R.Forst. & G.Forst. / Manuka, conhecida no Brasil pelo nome maori manuka e, nos viveiros de paisagismo, também como érica-japonesa, é uma planta perene com flores da família Myrtaceae, descrita por Johann Reinhold Forster e Georg Forster e nativa da Nova Zelândia, incluindo as Ilhas Chatham, e do sudeste da Austrália. A espécie ganhou fama internacional sobretudo pelo mel de manuka, que as abelhas produzem a partir do néctar das suas flores, mas a planta em si, com folhas, casca, goma e óleo essencial, tem uma história de uso bem mais antiga e variada.

Na rongoā, a medicina tradicional maori, a manuka é empregada há séculos em diversas queixas de saúde, e suas folhas, cascas e flores concentram compostos bioativos aos quais se atribuem atividades antibacteriana, anti-inflamatória e antioxidante. A pesquisa científica moderna vem investigando muitos desses usos tradicionais, com atenção especial ao óleo essencial e ao mel de manuka, embora a maior parte dos dados ainda venha de estudos de laboratório. Além do interesse medicinal, a adaptabilidade e a resiliência ecológica da espécie fazem dela uma peça importante na regeneração de ecossistemas.
Nomes Populares e Internacionais da Manuka
- Alemão: Manuka, Neuseeländischer Teebaum.
- Espanhol: árbol del té de Nueva Zelanda, leptospermo, manuka.
- Francês: arbre à thé de Nouvelle-Zélande, manuka.
- Inglês: broom tea-tree, manuka, New Zealand teatree, tea tree.
- Italiano: albero del tè della Nuova Zelanda, manuka.
- Maori: kāhikatoa, mānuka.
- Português: árvore-do-chá-da-nova-zelândia, érica-japonesa, leptospermo, manuka.
No Brasil, manuka é o nome consolidado pela circulação do mel, enquanto érica-japonesa é um nome de viveiro do paisagismo que engana, porque a planta não é uma Erica nem pertence à família Ericaceae. Também é preciso separar a manuka da árvore-do-chá da aromaterapia, já que o tea tree vendido como óleo essencial é Melaleuca alternifolia, outro gênero da mesma família, cujo óleo tem o terpinen-4-ol como componente marcante, ao passo que o óleo de manuka é rico em beta-tricetonas, como a leptospermona, e tem perfil químico próprio. A expressão inglesa tea tree aplicada à manuka é histórica e vem das viagens do capitão James Cook, assunto retomado nas curiosidades deste artigo.
Sinônimos Botânicos da Manuka
O nome aceito, segundo o World Flora Online, é Leptospermum scoparium J.R.Forst. & G.Forst., e a nomenclatura atual da espécie está amplamente consolidada, de modo que as denominações alternativas que aparecem em literatura mais antiga ou regional não têm uso corrente que justifique uma discussão aprofundada. Mais útil para o leitor é não tomar por sinônimo o que é apenas semelhança de nome popular, porque Melaleuca alternifolia, a tea tree australiana, é espécie de outro gênero, e a kānuka (Kunzea ericoides), parente próxima frequentemente confundida com a manuka na Nova Zelândia, também é uma planta distinta.
Família Botânica: Myrtaceae
A família Myrtaceae é um grupo diversificado de plantas com flores que reúne cerca de 130 gêneros e mais de 5.600 espécies, distribuídas sobretudo em regiões tropicais e subtropicais e com centros de diversidade na Austrália e na América do Sul. Muitas de suas espécies são aromáticas, como o eucalipto e o cravo-da-índia, e a família costuma se caracterizar por folhas perenes, flores com numerosos estames e frutos que podem ser cápsulas, bagas ou drupas.
A manuka compartilha as características típicas da família, incluindo as glândulas de óleo essencial nas folhas, e divide esse parentesco com a Melaleuca alternifolia, o que ajuda a explicar a confusão entre os nomes populares das duas. Muitas espécies de Myrtaceae têm importância econômica e medicinal nas indústrias alimentícia, cosmética e farmacêutica, e a presença de compostos fenólicos e terpenos, comum no grupo, contribui para suas propriedades aromáticas e medicinais.
Partes Utilizadas da Manuka
- Casca
- Flores
- Folhas
- Goma (pai mānuka)
- Madeira (construção, ferramentas e serragem para defumação)
- Mel de manuka (derivado produzido pelas abelhas a partir do néctar das flores)
- Óleo essencial
Usos Etnobotânicos e Tradicionais da Manuka
Os usos abaixo vêm principalmente da rongoā e de registros históricos da Nova Zelândia, descrevem a tradição de emprego da planta e não equivalem a indicações clínicas comprovadas.
- Afecções de pele (aplicações tópicas)
- Ansiedade e insônia (mastigação da casca)
- Construção (material, ferramentas, armamento)
- Dores musculares e articulares (decocção de uso tópico)
- Febres
- Problemas urinários (decocção das folhas)
- Queimaduras e escaldaduras (goma pai mānuka)
- Resfriados (inalação do vapor das folhas)
Propriedades Terapêuticas da Manuka
- Antibacteriano (atividade do óleo essencial e do mel observada sobretudo em estudos de laboratório)
- Anti-inflamatório (registro tradicional e estudos preliminares)
- Antioxidante (atividade observada em ensaios de laboratório)
- Antiviral (atividade contra HSV-1 e HSV-2 observada em laboratório, sem comprovação clínica)
- Cicatrizante (registro tradicional; em feridas, os estudos usam mel de grau médico esterilizado)
- Larvicida (óleo essencial ativo contra larvas do mosquito Aedes aegypti em laboratório)
- Sedativo (registro tradicional ligado à mastigação da casca, sem comprovação clínica)
Perfil Fitoquímico Detalhado da Manuka
O óleo essencial concentra beta-tricetonas e sesquiterpenos, enquanto marcadores como di-hidroxiacetona, metilglioxal e leptosperina dizem respeito ao néctar e ao mel, que entram aqui como derivados da planta e não como o foco deste artigo.
- Alfa-selineno
- Beta-cariofileno
- Beta-tricetonas
- Calameneno
- Cinamato de metila (isômero E)
- Di-hidroxiacetona (DHA, no néctar)
- Eudesma-4(14),11-dieno
- Flavesona
- Isoleptospermona
- Leptosperina (no mel)
- Leptospermona
- Metilglioxal (MGO, no mel)
- Monoterpenos
- Siringato de metila (MSYR, no mel)
Formas de Preparo e Administração da Manuka
- Decocção (folhas, casca)
- Infusão (folhas)
- Mel (alimento; em curativos, somente o de grau médico esterilizado)
- Óleo essencial (apenas uso externo e diluído, nunca ingerir)
- Vapor (inalação das folhas ou do óleo)
Sinergia com Outras Plantas Medicinais
Uso Tópico com Lavanda e Tea Tree
Na aromaterapia, o óleo essencial de manuka costuma ser combinado, sempre diluído em óleo vegetal, com plantas de tradição cicatrizante e antisséptica, como a lavanda (Lavandula angustifolia) e o tea tree australiano (Melaleuca alternifolia), em misturas tradicionalmente usadas no cuidado de pequenas feridas, da pele com tendência à acne e de outras condições dermatológicas leves. A lógica da combinação é somar perfis aromáticos e antimicrobianos diferentes, já que os três óleos têm composições químicas distintas, mas a eficácia dessas misturas não foi estabelecida em estudos clínicos e o teste de contato antes do uso continua indispensável.
Vias Respiratórias com Equinácea e Tomilho
Para o suporte imunológico e respiratório, a tradição herbal associa a inalação do óleo de manuka a preparações de equinácea (Echinacea purpurea) e tomilho (Thymus vulgaris), plantas tradicionalmente usadas em resfriados e gripes, a primeira pela fama imunoestimulante e a segunda pela ação expectorante que lhe é atribuída. Nesse arranjo, a manuka entra apenas pela via inalatória, nunca ingerida, enquanto equinácea e tomilho costumam ser tomados como chá ou tintura, combinação que pertence ao registro tradicional e não substitui a avaliação médica em infecções respiratórias.
Receitas e Protocolos de Uso da Manuka
Inalação de Vapor com Óleo de Manuka
Ingredientes: 5 a 10 gotas de óleo essencial de manuka, começando pela menor quantidade, e 1 litro de água fervente.
Preparo: Adicione o óleo essencial à água fervente em uma tigela grande, cubra a cabeça com uma toalha e inale o vapor por 5 a 10 minutos, de olhos fechados e a uma distância segura da água quente. A inalação é tradicionalmente usada para aliviar a sensação de congestão nasal, a dor de cabeça e outros sintomas do resfriado, efeito que a tradição atribui ao caráter descongestionante e antimicrobiano do óleo, e não é indicada para crianças, gestantes ou lactantes.
Infusão de Folhas Usada em Queixas Urinárias
Ingredientes: uma pequena porção de folhas secas de manuka e uma xícara de água fervente.
Preparo: Coloque as folhas na xícara, adicione a água fervente, tampe e deixe em infusão por 5 a 7 minutos antes de coar. Essa infusão é tradicionalmente usada em queixas urinárias e como febrífugo, por ação diurética e antipirética atribuída pela tradição, mas faltam dados de segurança para o uso interno regular, por isso a quantidade e a frequência devem ser definidas com orientação: consulte um profissional de saúde antes de consumir.
Máscara Facial de Argila Verde com Manuka
Ingredientes: 2 gotas de óleo essencial de manuka, 1 colher de sopa de argila verde e água filtrada.
Preparo: Misture a argila verde com água suficiente para formar uma pasta, acrescente o óleo essencial e mexa bem antes de aplicar no rosto limpo, evitando a área dos olhos, deixando agir por 10 a 15 minutos e enxaguando com água morna. A máscara é tradicionalmente usada na limpeza da pele oleosa ou com tendência à acne, unindo a argila às qualidades antibacterianas e anti-inflamatórias atribuídas ao óleo de manuka, mas a ação sobre a acne segue em estudo e o teste de contato em pequena área da pele deve vir antes da primeira aplicação.
Mel de Manuka de Grau Médico em Pequenos Ferimentos
Ingredientes: mel de manuka de grau médico, esterilizado e vendido como produto para curativo (UMF 10+ ou superior); mel de mesa nunca deve ser usado em ferida.
Preparo: Limpe a ferida com cuidado, aplique uma camada fina do mel de grau médico diretamente sobre a área afetada e cubra com curativo estéril, trocando-o diariamente. Esse tipo de mel é usado em curativos de feridas e queimaduras pequenas pela atividade antibacteriana associada ao metilglioxal, mas feridas profundas, extensas, com sinais de infecção ou em pessoas com diabetes exigem avaliação profissional, e quem tem alergia a produtos de abelha não deve usá-lo.
Óleo de Massagem com Manuka para Tensão Muscular
Ingredientes: 5 gotas de óleo essencial de manuka e 30 ml de óleo vegetal carreador, como amêndoas doces ou jojoba.
Preparo: Misture o óleo essencial ao óleo vegetal em um frasco de vidro escuro e aplique sobre músculos e articulações doloridos com massagem suave, sempre depois do teste de contato. A mistura é tradicionalmente usada para aliviar dores musculares, desconfortos reumáticos e tensão, efeito que a tradição atribui às qualidades anti-inflamatórias e analgésicas do óleo, sem comprovação clínica, e não deve ser aplicada em pele lesionada, em crianças, na gravidez ou na lactação.
As preparações acima seguem registros tradicionais e não substituem orientação profissional. Antes de qualquer uso interno, consulte as contraindicações e interações descritas neste artigo.
Terapias Associadas à Manuka
Aromaterapia
Na aromaterapia, o óleo essencial de manuka é valorizado pelas qualidades purificantes e calmantes que lhe são atribuídas, e seu uso em difusores é tradicionalmente associado à purificação do ar e a um ambiente relaxante. Em massagens, sempre diluído em óleo vegetal, é empregado para aliviar tensões musculares e promover o bem-estar geral, e muitos usuários associam a inalação do aroma a uma sensação de melhora do humor e de redução do estresse, percepção que ainda carece de estudos controlados.
Fitoterapia
Na fitoterapia, a manuka aparece em preparações como infusões e extratos, com registros de uso no suporte a queixas digestivas, infecções e inflamações que ainda dependem de confirmação clínica. A fitoterapia moderna procura padronizar os extratos para assegurar a concentração de compostos ativos como as beta-tricetonas, apontadas nos estudos como responsáveis por boa parte da atividade biológica da planta.
Homeopatia
A manuka não tem tradição homeopática consolidada, e as eventuais preparações com a planta são raras e voltadas a quadros específicos ligados a irritação, sensibilidade e inflamação. A homeopatia se baseia no princípio da similaridade, segundo o qual uma substância que provoca sintomas em pessoas saudáveis é usada em doses mínimas para tratar sintomas semelhantes em pessoas doentes, e qualquer uso nesse contexto deve ser orientado por um profissional homeopata habilitado.
Contraindicações e Efeitos Colaterais da Manuka
Contraindicações Gerais
A manuka, em suas diversas formas, deve ser usada com cautela, e pessoas com hipersensibilidade conhecida a plantas da família Myrtaceae podem apresentar reações alérgicas. Recomenda-se consultar um profissional de saúde antes de iniciar qualquer uso de produtos à base de manuka, sobretudo no caso de gestantes, lactantes, crianças, pessoas com doenças preexistentes ou de quem já usa outros medicamentos. Os benefícios divulgados contra acne, gengivite e Helicobacter pylori continuam em estudo e não substituem o tratamento indicado pelo médico ou pelo dentista.
Segurança do Óleo Essencial
O óleo essencial de manuka nunca deve ser ingerido, e o uso tópico exige diluição em óleo vegetal e teste de contato prévio em pequena área da pele. O óleo deve ser evitado na gravidez, na lactação e em crianças, especialmente nas menores de 6 anos, porque faltam estudos conclusivos sobre sua segurança nesses grupos. Ele também não deve ser confundido com o óleo de tea tree (Melaleuca alternifolia), que pertence a outro gênero, tem o terpinen-4-ol como componente marcante e apresenta perfil químico diferente do óleo de manuka, rico em beta-tricetonas como a leptospermona.
Segurança do Mel de Manuka
O mel de manuka nunca deve ser oferecido a menores de 1 ano, pelo risco de botulismo infantil, regra que vale para qualquer mel. Para pessoas com diabetes, é preciso lembrar que o mel é açúcar e conta na glicemia como qualquer outro, e quem tem alergia a produtos de abelha deve evitá-lo. O uso em feridas se refere exclusivamente a mel de grau médico esterilizado, aplicado com orientação profissional, e nunca a mel de mesa, que não deve ser colocado em ferida.
Efeitos Colaterais Comuns
Os efeitos colaterais associados à manuka costumam ser raros e leves, mas a aplicação tópica do óleo essencial pode causar irritação, vermelhidão ou dermatite em pessoas sensíveis, motivo pelo qual o teste de contato em pequena área da pele deve preceder qualquer aplicação mais ampla. O consumo excessivo de infusões ou extratos pode, em teoria, provocar desconforto gastrointestinal leve, como náuseas ou diarreia, embora esses casos sejam pouco documentados.
Interações Medicamentosas
Devido à presença de compostos bioativos, a manuka pode interagir com certos medicamentos, e, embora a pesquisa seja limitada, o uso de produtos à base de manuka junto com anticoagulantes pode, teoricamente, aumentar o risco de sangramentos por possíveis efeitos na agregação plaquetária. Pessoas que usam hipoglicemiantes ou outros medicamentos para diabetes devem monitorar a glicose, tanto porque alguns componentes da planta podem influenciar o metabolismo da glicose quanto porque o mel eleva a glicemia. Como a tradição atribui à casca um efeito relaxante, quem usa sedativos ou ansiolíticos deve conversar com o médico antes de combinar esses medicamentos com preparações de manuka, e a orientação de um médico ou farmacêutico é recomendada em qualquer dúvida sobre interações.
Curiosidades e Fatos Históricos da Manuka
A Origem do Nome Tea Tree
O nome popular tea tree (árvore-do-chá) foi atribuído à Leptospermum scoparium pelo capitão James Cook e sua tripulação durante as viagens à Nova Zelândia no século XVIII, quando usavam as folhas da planta para preparar uma bebida semelhante ao chá, que servia como substituto e, possivelmente, como medida preventiva contra o escorbuto. Esse uso histórico mostra a versatilidade da planta e sua importância para os exploradores da época, mas o mesmo nome em inglês também designa o tea tree australiano da aromaterapia, Melaleuca alternifolia, planta de outro gênero que não deve ser confundida com a manuka.
Resiliência Ecológica
A manuka é uma das poucas espécies nativas da Nova Zelândia adaptadas ao fogo, pois consegue liberar suas sementes depois de incêndios e colonizar rapidamente as áreas perturbadas. Essa característica faz dela uma espécie pioneira crucial na regeneração de ecossistemas, criando condições favoráveis ao estabelecimento de outras plantas nativas e contribuindo de forma significativa para a biodiversidade local.
Confusão com a Kānuka
A manuka é frequentemente confundida com a espécie aparentada kānuka (Kunzea ericoides), e a forma mais fácil de distinguir as duas é a textura das folhas, já que as da manuka são pontiagudas e ásperas ao toque, enquanto as da kānuka são macias. Além disso, as cápsulas de sementes da manuka são maiores e permanecem na planta por mais tempo do que as da kānuka, que são menores e caem mais rapidamente.
O Apelido Érica-Japonesa no Paisagismo
No paisagismo brasileiro, a manuka circula nos viveiros com o nome de érica-japonesa, apelido que não tem relação com a origem da planta, nativa da Nova Zelândia e do sudeste da Austrália, nem com o gênero Erica, da família Ericaceae, já que a espécie pertence às Myrtaceae. Para quem procura informação sobre a planta, sobre o óleo essencial ou sobre o mel, manuka continua sendo o nome que funciona, tanto em português quanto nas demais línguas.
Perguntas Frequentes sobre a Manuka
O Chá de Manuka Ajuda a Dormir?
Não há comprovação clínica de que o chá de manuka melhore o sono, e a pesquisa específica sobre a infusão é limitada. O que existe é o registro tradicional maori que associava a mastigação da casca a um efeito relaxante, além das qualidades calmantes atribuídas ao aroma do óleo essencial, que não deve ser ingerido. Quem quiser experimentar a infusão deve conversar antes com um profissional de saúde, principalmente se já usa sedativos ou medicamentos para dormir.
É Seguro Usar Óleo Essencial de Manuka Diretamente na Pele?
Não, porque o óleo essencial de manuka, como a maioria dos óleos essenciais, pode causar irritação, vermelhidão ou reações alérgicas quando aplicado puro. Antes de qualquer uso tópico, ele deve ser diluído em um óleo vegetal carreador, como amêndoas doces ou jojoba, e testado em pequena área da pele. O óleo nunca deve ser ingerido e deve ser evitado na gravidez, na lactação e em crianças.
Qual a Diferença do Mel de Manuka para o Mel Comum?
O mel de manuka é produzido pelas abelhas a partir do néctar das flores de Leptospermum scoparium e contém níveis bem mais altos de metilglioxal (MGO), composto ligado à sua atividade antibacteriana e acompanhado por selos como o UMF, enquanto a atividade antibacteriana do mel comum, derivado de diversas flores, vem principalmente do peróxido de hidrogênio. Apesar dessa diferença, o mel de manuka continua sendo açúcar, conta na glicemia de pessoas com diabetes e não deve ser dado a menores de 1 ano. Em feridas, o que se usa é o mel de grau médico esterilizado, nunca o mel de mesa.
Manuka e Tea Tree São a Mesma Planta?
Não, porque a árvore-do-chá da aromaterapia, vendida como óleo de tea tree, é Melaleuca alternifolia, espécie australiana de outro gênero cujo óleo tem o terpinen-4-ol como componente marcante. O óleo de manuka vem de Leptospermum scoparium, é rico em beta-tricetonas como a leptospermona e tem perfil químico próprio, por isso os dois não são intercambiáveis nem em receitas nem na leitura de rótulos.
O Mel de Manuka Pode Ser Dado a Bebês e Crianças?
O mel de manuka nunca deve ser oferecido a menores de 1 ano, por causa do risco de botulismo infantil, cuidado que vale para qualquer tipo de mel. A partir dessa idade, pode fazer parte da alimentação como um mel comum, desde que a criança não tenha alergia a produtos de abelha, e qualquer uso com finalidade medicinal deve ser orientado pelo pediatra.
A Manuka Tem Aplicação na Culinária?
Além do mel de manuka, que é alimento e também matéria-prima de produtos medicinais, a planta tem outras aplicações na cozinha, como a serragem da madeira, usada para defumar carnes e peixes com um sabor aromático característico. As folhas foram usadas pelos exploradores europeus para preparar uma bebida semelhante ao chá e ainda servem de aromatizante em algumas bebidas artesanais, como cervejas e tônicos, às quais acrescentam um toque herbáceo e picante.
Aviso: este conteúdo é informativo e não substitui orientação de profissional de saúde. Consulte um médico ou fitoterapeuta antes de usar plantas medicinais, especialmente na gravidez, na lactação ou em uso de medicamentos.
Como citar este artigo
NATUGREENS. Manuka (Leptospermum scoparium): Propriedades e Benefícios. Natugreens, 3 nov. 2026. Disponível em: https://natugreens.com/pt/leptospermum-scoparium-manuka/. Acesso em: 4 nov. 2026.
Natugreens. (2026). Manuka (Leptospermum scoparium): Propriedades e Benefícios. Natugreens. https://natugreens.com/pt/leptospermum-scoparium-manuka/
Referências e Estudos Científicos
- PMC2026 Bučková M, et al. Leptospermum scoparium Essential Oil: Antibacterial Properties, Cyto/Genotoxic Effects, Antioxidant Activity, and Wound-Healing Potential In Vitro. Molecules. 2026.
- PMC2020 Muturi EJ, et al. Leptospermum scoparium essential oil is a promising source of mosquito larvicide and its toxicity is enhanced by a biobased emulsifier. PLoS One. 2020.
- PMC2021 Porter GC, et al. Formulation of a Semisolid Emulsion Containing Leptospermum scoparium Essential Oil and Evaluation of In Vitro Antimicrobial and Antibiofilm Efficacy. Planta Medica. 2021.
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