Gergelim (Sesamum indicum): Propriedades e Benefícios

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O Sesamum indicum, popularmente conhecido como gergelim ou sésamo, é uma planta oleaginosa de grande valor, usada há milênios na culinária e na medicina tradicional, e tanto suas sementes quanto o óleo extraído delas são apreciados em praticamente todo o mundo. A riqueza em compostos bioativos, sobretudo em lignanas…

Cuidado principal: A semente de gergelim é um dos principais alérgenos alimentares reconhecidos, capaz de causar reações graves, incluindo anafilaxia, em pessoas sensibilizadas, e nos Estados Unidos passou a integrar a lista oficial dos…

Sesamum indicum L. / Gergelim

O Sesamum indicum, popularmente conhecido como gergelim ou sésamo, é uma planta oleaginosa de grande valor, usada há milênios na culinária e na medicina tradicional, e tanto suas sementes quanto o óleo extraído delas são apreciados em praticamente todo o mundo. A riqueza em compostos bioativos, sobretudo em lignanas como a sesamina, faz da espécie um objeto frequente de pesquisa, e estudos clínicos preliminares investigam seu papel no controle da glicemia e dos lipídios do sangue, enquanto a tradição popular o emprega para regular o funcionamento do intestino. Antes de qualquer uso, porém, é preciso saber que a semente de gergelim é um dos principais alérgenos alimentares reconhecidos, capaz de causar reações graves, incluindo anafilaxia, em pessoas sensibilizadas.

Gergelim (Sesamum indicum) em ilustração botânica com caule ereto, folhas opostas, flores tubulosas brancas a rosadas e cápsulas alongadas repletas de sementes de gergelim.
Flores tubulosas, brancas a rosadas, nascem nas axilas das folhas e originam cápsulas alongadas com muitas sementes pequenas e achatadas.

Nomes Populares e Internacionais do Gergelim

  • Alemão: Sesam, Gemeiner Sesam, Indischer Sesam, Sesamstrauch.
  • Árabe: simsim.
  • Chinês: zhima, hei zhima (variedade preta).
  • Coreano: chamkkae.
  • Espanhol: ajonjolí, sésamo, anjolí, ajonjolín, ajonjulí, aljonjolé, aljonjolí, jonjolé, haholí, jijirí, ejonjilí.
  • Esperanto: sezamo.
  • Finlandês: seesami.
  • Francês: sésame, gigiri.
  • Grego: sousámi.
  • Hindi: til.
  • Holandês: sesam, sesamzaad.
  • Indonésio: wijen.
  • Inglês: sesame, benne, benne seeds, benniseed, gingelly, gingelli.
  • Italiano: sesamo, giuggiulena, ciminu.
  • Japonês: goma.
  • Português: gergelim, sésamo, gergelim-branco, gergelim-preto, gerzelim, girgelim, jerxelim, zirzelim.
  • Punjabi: til.
  • Sânscrito: tila.
  • Sueco: sesam.
  • Tailandês: nga.
  • Turco: susam.
  • Vietnamita: vừng.

Sinônimos Botânicos do Gergelim

  • Sesamum africanum Tod.
  • Sesamum occidentale Heer & Regel
  • Sesamum oleiferum Sm.
  • Sesamum orientale L.

Família Botânica: Pedaliaceae

O gergelim pertence à família Pedaliaceae, e o gênero Sesamum reúne muitas espécies silvestres, em sua maioria nativas da África subsaariana, embora a forma cultivada tenha origem na Índia, como se detalha na seção de curiosidades.

Partes Utilizadas do Gergelim

  • Folhas
  • Sementes

As sementes são consumidas inteiras, tostadas, moídas em pasta ou na forma de óleo, enquanto as folhas aparecem sobretudo no preparo de chás de uso tradicional.

Usos Etnobotânicos e Tradicionais do Gergelim

Na tradição popular, o gergelim entra na alimentação diária como restaurador geral e estimulante das defesas do organismo, e tanto a Medicina Ayurvédica quanto a Medicina Tradicional Chinesa empregam a semente em práticas voltadas ao aumento da energia vital. Há também registros tradicionais de seu uso contra o cansaço e para dar tônus e firmeza aos músculos, além de menções à regularidade das funções intestinais e ao apoio ao sistema cardiovascular, usos que a pesquisa moderna ainda investiga.

A tradição popular atribui ao consumo de gergelim a capacidade de amenizar esgotamento nervoso e mental, estresse, perda de memória após trauma, depressão nervosa, irritabilidade e insônia, indicações que se apoiam no uso empírico, não em comprovação clínica, e que não substituem acompanhamento profissional, sobretudo nos quadros depressivos. Na cosmética, a semente e o óleo são empregados como calmantes, alisantes e condicionadores da pele e dos cabelos, e o óleo é largamente usado em massagens.

Os usos do gergelim também extrapolam a medicina, já que antigamente seus caules serviam como combustível. Na antiga Babilônia, segundo os relatos, as mulheres comiam halva, preparada com mel e sementes de gergelim, na esperança de prolongar a juventude e a beleza, enquanto soldados romanos recorriam à semente para ganhar força e energia. Entre os Maroons do Suriname, o gergelim aparece em cerimônias religiosas e é usado para afastar o Azeman, figura vampírica do folclore local.

Propriedades Terapêuticas do Gergelim

As propriedades abaixo reúnem registros da tradição e achados de pesquisa, e nenhuma delas autoriza o uso do gergelim no lugar de um tratamento médico.

  • Adstringente (registro tradicional, sobretudo do chá das folhas)
  • Analgésico (registro tradicional)
  • Antidiabético (estudos clínicos preliminares investigam o efeito sobre a glicemia)
  • Antidiarreico (registro tradicional do chá das folhas)
  • Anti-inflamatório (atividade da sesamina e da sesamolina observada em estudos de laboratório)
  • Antioxidante (atividade das lignanas e dos tocoferóis observada em estudos de laboratório)
  • Antirreumático (registro tradicional do óleo)
  • Bactericida (registro tradicional)
  • Cardioprotetor (estudos clínicos investigam efeitos sobre o colesterol LDL e a pressão arterial)
  • Diurético (registro tradicional)
  • Estimulante (registro tradicional como tônico geral)
  • Galactagogo (registro tradicional; ver as cautelas na amamentação)
  • Hipoglicemiante (efeito investigado em estudos, que pode somar-se ao de medicamentos para diabetes)
  • Laxante Brando (registro tradicional de regulação intestinal)
  • Neuroprotetor (atividade da sesamina observada em estudos de laboratório, sem comprovação clínica)
  • Regulador Intestinal (registro tradicional ligado às fibras e mucilagens)
  • Relaxante (registro tradicional)
  • Repelente (registro tradicional)
  • Resolutivo (registro tradicional em emplastros)

Perfil Fitoquímico Detalhado do Gergelim

  • Ácidos Graxos (insaturados: oleico e linoleico; saturados: palmítico e esteárico)
  • Antrasesamona F (na casca do gergelim preto, com atividade antioxidante)
  • Cálcio
  • Cobre
  • Cromo
  • Ferro
  • Fitoesteróis
  • Flavonoides
  • Fósforo
  • Glicosídeos Iridoides (sesamosídeo)
  • Globulinas
  • Lignanas (sesamina, sesamolina e sesamol)
  • Magnésio
  • Manganês
  • Mucilagens
  • Proteínas (de bom valor biológico, ricas em metionina)
  • Vitamina B1 (tiamina)
  • Vitamina B2 (riboflavina)
  • Vitamina E (tocoferóis)
  • Zinco

Entre esses compostos, as lignanas concentram boa parte das pesquisas sobre a espécie, e a literatura associa a sesamina, a sesamolina e o sesamol à notável estabilidade do óleo de gergelim contra a oxidação. É também nas lignanas que se observa a leve atividade semelhante a estrogênio discutida nas contraindicações, motivo pelo qual extratos concentrados pedem mais cautela do que o consumo alimentar da semente.

Formas de Preparo e Administração do Gergelim

Chá das Folhas

O chá preparado com as folhas do gergelim tem propriedades adstringentes e é tradicionalmente utilizado como remédio caseiro em episódios de diarreia, sendo feito por infusão das folhas em água quente, o que permite extrair seus compostos. Quadros de diarreia persistente, com febre ou sangue, ou em crianças pequenas e idosos pedem avaliação médica, e o chá não substitui a reidratação oral.

Fabricação de Cremes

O gergelim é um ingrediente valorizado na fabricação de cremes e cosméticos, e a tradição o emprega em formulações para pele irritada, inflamações e úlceras por suas qualidades calmantes e reparadoras. O óleo também aparece em produtos de proteção solar, sem dispensar um filtro solar adequado, e serve como óleo carreador em cosméticos em geral, facilitando a aplicação de outros princípios ativos e nutrindo a pele. Úlceras e feridas que não cicatrizam devem ser avaliadas por um profissional de saúde.

Infusão ou Decocção

A infusão ou a decocção das sementes é uma forma tradicional de consumo, e a literatura da Medicina Tradicional Chinesa registra quantidades de 9 a 30 gramas por dia, faixa próxima à do consumo alimentar. Para acentuar a ação tônica descrita nessa tradição, recomenda-se tostar o gergelim antes do preparo, e quem pretende usá-lo com finalidade medicinal, sobretudo em forma concentrada, deve consultar um profissional de saúde.

Óleo das Sementes

O óleo extraído das sementes de gergelim é versátil e tem registro tradicional como laxante brando, usado para regular o trânsito intestinal, e também como aplicação local em dores de ouvido e queimaduras. A medicina tradicional o emprega ainda em clisteres, em cólicas abdominais, como galactagogo, no reumatismo e na taquicardia, além de emplastros para queimaduras, valorizando tanto o uso tópico quanto o interno. Pingar óleo no ouvido não é seguro quando há suspeita de perfuração do tímpano ou secreção, queimaduras recentes pedem resfriamento com água corrente e não aplicação de óleos, e a taquicardia exige sempre avaliação médica.

Sementes Levemente Tostadas

Levemente tostadas, as sementes de gergelim podem ser consumidas diretamente, e o registro tradicional cita 2 a 3 colheres de chá, duas ou três vezes ao dia, quantidade compatível com o consumo alimentar habitual. Amplamente usadas na culinária, elas integram pratos de origem judaica, pães, biscoitos, massas e patês, e o óleo das sementes tostadas é um ingrediente apreciado em saladas e margarinas pelo sabor característico e pelo valor nutricional. Para conservar as sementes, guarde-as em recipiente hermético, em local fresco, seco e escuro, lembrando que a refrigeração ou o congelamento ajudam a prolongar seu frescor.

Sinergia com Outras Plantas Medicinais

As fontes consultadas não descrevem sinergias específicas do gergelim com outras plantas medicinais, mas a semente é frequentemente combinada a outros ingredientes na culinária e na medicina tradicional, e sua versatilidade permite integrá-la a formulações bastante diversas. Na cozinha, costuma ser associada a especiarias e ervas aromáticas para realçar o sabor dos pratos, e o uso conjunto com outras oleaginosas é comum, enriquecendo o perfil nutricional das preparações. Na fitoterapia, a tradição sugere combiná-lo com plantas de uso digestivo ou anti-inflamatório, prática que deve ser orientada por um profissional de saúde, já que associações de plantas também podem somar efeitos indesejados.

Receitas e Protocolos de Uso do Gergelim

Gomashio

O gomashio é um condimento japonês feito com sementes de gergelim tostadas e sal marinho, tradicionalmente usado como alternativa ao sal comum por acrescentar sabor e nutrientes a diversos pratos. Para prepará-lo, toste as sementes até ficarem aromáticas e misture-as ao sal marinho na proporção de 10 partes de gergelim para 1 de sal, moendo tudo em um pilão ou processador até obter uma textura granulada, que vai bem com arroz, saladas, sopas e legumes.

Halva

A halva é um doce tradicional do Oriente Médio e dos Bálcãs, frequentemente feito com pasta de gergelim (tahine) e tradicionalmente consumido como alimento energético, com muitas variações cuja base costuma ser tahine com açúcar ou mel. Para uma versão simples, misture tahine com mel ou xarope de bordo até obter uma consistência firme e, se quiser, acrescente nozes, pistaches ou chocolate para enriquecer o sabor, servindo a halva como sobremesa ou acompanhamento de chás.

Óleo de Gergelim Prensado a Frio

O óleo de gergelim prensado a frio e não refinado é um ingrediente culinário de alta qualidade, rico em antioxidantes e ácidos graxos essenciais, tradicionalmente usado em saladas, molhos, marinadas e na finalização de pratos, aos quais confere sabor marcante. Na medicina tradicional, também é aplicado em massagens ou como base para diluir óleos essenciais, e convém escolher um produto de boa procedência, guardando-o em recipiente bem fechado, longe da luz e do calor, para retardar a oxidação.

Tahine

O tahine é uma pasta cremosa de sementes de gergelim moídas, muito popular na culinária do Oriente Médio, base do homus e do babaganoush e tradicionalmente usada também em molhos, patês e sobremesas. Para fazê-lo em casa, toste levemente as sementes e processe-as no liquidificador ou processador com um pouco de óleo vegetal, de preferência o próprio óleo de gergelim, até obter uma pasta lisa e homogênea, que deve ser guardada em recipiente hermético na geladeira.

As preparações acima seguem registros tradicionais e não substituem orientação profissional. Antes de qualquer uso interno, consulte as contraindicações e interações descritas neste artigo.

Terapias Associadas ao Gergelim

Ayurveda

Na medicina ayurvédica, o gergelim é considerado uma planta aquecedora e nutritiva, frequentemente usada para equilibrar os doshas Vata e Kapha, e seu óleo está entre os mais valorizados para a massagem conhecida como abhyanga, empregada para nutrir a pele e os tecidos e acalmar o sistema nervoso. Internamente, as sementes são usadas nessa tradição para promover força, vitalidade e longevidade, além de apoiar a saúde dos ossos e da digestão.

Medicina Tradicional Chinesa

Na Medicina Tradicional Chinesa (MTC), o gergelim, especialmente o preto, é valorizado por nutrir o Sangue e o Yin e está associado aos meridianos do Fígado e do Rim, sendo empregado tradicionalmente em quadros como tonturas, zumbidos, visão turva, queda de cabelo e envelhecimento precoce, que esse sistema atribui à deficiência de Sangue e de Yin. As sementes também são consideradas laxativas e aparecem em fórmulas tradicionais para a prisão de ventre associada à secura, e a MTC considera o gergelim preto mais potente para fins medicinais do que o branco.

Contraindicações e Efeitos Colaterais do Gergelim

Alergia ao Gergelim e Risco de Anafilaxia

A semente de gergelim é um dos principais alérgenos alimentares reconhecidos, capaz de causar reações graves, incluindo anafilaxia, em pessoas sensibilizadas, e nos Estados Unidos passou a integrar a lista oficial dos grandes alérgenos alimentares por lei aprovada em 2021. As reações variam de dermatite de contato e urticária até a anafilaxia, uma reação grave e potencialmente fatal que exige atendimento de emergência imediato, e podem ser desencadeadas inclusive por quantidades pequenas presentes em pães, molhos, tahine, óleos e produtos industrializados.

Pessoas com alergia conhecida ao gergelim devem evitá-lo em qualquer forma e conferir sempre os rótulos, e quem tem histórico de alergia a sementes, nozes ou castanhas deve procurar orientação médica antes de consumir gergelim ou produtos que o contenham. Em crianças, a introdução da semente na alimentação deve seguir a orientação do pediatra, sobretudo quando já existem outras alergias alimentares.

Atividade Semelhante a Estrogênio e Anticoagulantes

As lignanas presentes na semente, como a sesamina, têm leve atividade semelhante a estrogênio e podem ter efeito somado a anticoagulantes, o que pede cautela em quem tem histórico de câncer hormônio-dependente e em quem usa medicação anticoagulante. O uso alimentar comum é considerado seguro, e a cautela se aplica a extratos e óleo concentrados usados com finalidade medicinal, que só devem ser considerados com acompanhamento de um profissional de saúde.

Gravidez e Amamentação

Não há informações confiáveis suficientes sobre a segurança do uso medicinal do gergelim durante a gravidez e a amamentação, e por isso gestantes e lactantes devem limitar-se ao consumo em quantidades alimentares habituais, evitando doses medicinais, extratos e óleo concentrado. Como a semente tem registro tradicional de uso galactagogo e suas lignanas apresentam leve atividade semelhante a estrogênio, qualquer uso com finalidade medicinal nesse período deve ser discutido antes com um profissional de saúde, para preservar a segurança da mãe e do bebê.

Obstrução Gástrica

As sementes de gergelim são ricas em fibras e, em pessoas com condições como a estenose anastomótica benigna, que causa obstrução gástrica, o consumo de grandes quantidades pode aumentar o risco de obstrução intestinal. Nesses casos, a ingestão das sementes deve ser monitorada e, se necessário, evitada, sempre sob orientação médica.

Cirurgia

Como o gergelim pode influenciar os níveis de açúcar no sangue, seu uso em quantidades medicinais pode dificultar o controle glicêmico durante e após procedimentos cirúrgicos. Por precaução, recomenda-se interromper esse uso pelo menos duas semanas antes de qualquer cirurgia agendada, medida que ajuda a evitar complicações relacionadas à regulação da glicose no período perioperatório, e informar a equipe sobre extratos ou óleo concentrado em uso, já que as lignanas podem somar efeito a anticoagulantes.

Interações Medicamentosas

O gergelim pode interagir com certos medicamentos, potencializando o efeito dos hipoglicemiantes usados no diabetes e levando a quedas excessivas do açúcar no sangue (hipoglicemia), além de intensificar a ação dos remédios para pressão alta, com risco de queda acentuada da pressão arterial. Também pode alterar a forma como o fígado metaboliza alguns fármacos, mudando sua ação e seus efeitos colaterais, há indícios de que reduza a eficácia do tamoxifeno, e suas lignanas podem ter efeito somado a anticoagulantes. Por isso, quem usa medicação contínua deve informar o médico sobre o consumo de gergelim em quantidades medicinais, especialmente na forma de extratos e óleo concentrados.

Toxicidade

Os compostos sesamol e sesamolina podem causar dermatite alérgica de contato em indivíduos sensíveis, e, embora o gergelim seja geralmente seguro em quantidades alimentares, o uso excessivo ou em formas concentradas favorece essas reações. A literatura consultada não aponta outros efeitos colaterais ou contraindicações relevantes além dos descritos nesta seção, o que sugere um perfil de segurança favorável no uso alimentar, sem dispensar as cautelas acima para quem é alérgico, para gestantes e lactantes e para quem usa medicamentos.

Curiosidades e Fatos Históricos do Gergelim

O gergelim é uma das culturas oleaginosas mais antigas do mundo, com domesticação que remonta a mais de três mil anos, e restos de sementes carbonizadas encontrados na Índia foram datados de 3500 a 3050 a.C. O gênero Sesamum reúne muitas espécies silvestres, a maioria nativa da África subsaariana, mas o Sesamum indicum cultivado teve origem na Índia, e a planta se destaca pela tolerância à seca, prosperando onde outras culturas fracassam, o que lhe rendeu o apelido de “cultura sobrevivente”.

O nome sésamo, assim como o inglês sesame, deriva do latim sesamum e do grego sēsamon, com raízes em línguas semíticas antigas como o acádio šamaššamu, enquanto a palavra inglesa benne vem do crioulo afro-americano gullah, derivado do malinke bĕne. O comércio de gergelim entre a Mesopotâmia e a Índia já ocorria por volta de 2000 a.C., e no antigo Egito, onde era chamado sesemt, a planta foi cultivada e mencionada no Papiro de Ebers (c. 1550 a.C.), enquanto cestas de gergelim foram encontradas na tumba de Tutancâmon (1350 a.C.).

Textos védicos como o Atharva Veda (1200 a 1000 a.C.) mencionam o gergelim, chamado tila em sânscrito, em rituais, e gregos e romanos antigos o descreviam como planta oriental de usos medicinais. A variedade preta, considerada mais forte, é usada no preparo do gersal (gergelim com sal) da culinária macrobiótica, ao passo que a semente clara, tostada e moída, dá origem ao tahine. Do ponto de vista nutricional, o gergelim-branco tem maior teor de lipídios, carboidratos, fibra solúvel e calorias, enquanto o gergelim-preto concentra mais fibras insolúveis e totais e apresenta maior potencial antioxidante.

Perguntas Frequentes sobre o Gergelim

O Gergelim Pode Ser Consumido Diariamente?

Sim, em quantidades alimentares o gergelim pode fazer parte da dieta diária e é uma boa fonte de nutrientes dentro de uma alimentação equilibrada. Para usos medicinais, doses elevadas, extratos ou óleo concentrado, porém, é fundamental consultar um profissional de saúde, especialmente quando há doenças preexistentes ou uso de medicamentos. A exceção absoluta são as pessoas alérgicas ao gergelim, que devem evitá-lo em qualquer quantidade.

O Gergelim Pode Causar Alergia Grave?

Sim, a semente de gergelim é um dos principais alérgenos alimentares reconhecidos e pode causar reações graves, incluindo anafilaxia, em pessoas sensibilizadas. As reações vão de urticária e dermatite de contato até a anafilaxia, que exige atendimento de emergência imediato. Quem tem alergia conhecida deve evitar o gergelim e conferir os rótulos dos alimentos, e quem tem histórico de alergia a sementes, nozes ou castanhas deve buscar orientação médica antes de consumi-lo.

O Gergelim Ajuda a Controlar o Açúcar no Sangue?

Estudos preliminares sugerem que compostos bioativos do gergelim podem influenciar os níveis de açúcar no sangue, mas os resultados ainda não permitem considerá-lo um remédio para o diabetes. Como o efeito pode somar-se ao dos medicamentos antidiabéticos, quem tem diabetes deve monitorar a glicemia com cuidado e discutir o consumo em quantidades medicinais com o médico.

O Gergelim É Bom para o Coração?

O gergelim é rico em ácidos graxos insaturados e em antioxidantes como a sesamina e a sesamolina, compostos que estudos investigam pela possível redução do colesterol LDL, o colesterol “ruim”, e pela proteção dos vasos sanguíneos. Esses achados são promissores, mas não fazem do gergelim um meio de evitar doenças cardíacas, e ele deve ser visto apenas como parte de uma alimentação equilibrada.

O Gergelim Interage com Medicamentos?

Sim, o gergelim pode potencializar o efeito de remédios para diabetes e para pressão alta, levando a quedas excessivas da glicose ou da pressão arterial, e pode alterar a forma como o fígado metaboliza alguns fármacos. Suas lignanas, como a sesamina, têm leve atividade semelhante a estrogênio e podem ter efeito somado a anticoagulantes, o que pede cautela em quem usa esses medicamentos ou tem histórico de câncer hormônio-dependente. Em todos esses casos, informe o médico sobre o uso de gergelim em quantidades medicinais, extratos ou óleo concentrado.

O Gergelim Pode Ser Usado na Gravidez?

Não há dados suficientes sobre a segurança do uso medicinal do gergelim na gravidez e na amamentação, por isso gestantes e lactantes devem limitar o consumo às quantidades alimentares habituais. Doses medicinais, extratos e óleo concentrado devem ser evitados sem orientação profissional, e o ideal é consultar o médico ou o nutricionista antes de qualquer uso com essa finalidade.

Aviso: este conteúdo é informativo e não substitui orientação de profissional de saúde. Consulte um médico ou fitoterapeuta antes de usar plantas medicinais, especialmente na gravidez, na lactação ou em uso de medicamentos.

Como citar este artigo

ABNT NATUGREENS. Gergelim (Sesamum indicum): Propriedades e Benefícios. Natugreens, 3 nov. 2026. Disponível em: https://natugreens.com/pt/sesamum-indicum-gergelim/. Acesso em: 4 nov. 2026.
APA Natugreens. (2026). Gergelim (Sesamum indicum): Propriedades e Benefícios. Natugreens. https://natugreens.com/pt/sesamum-indicum-gergelim/

Referências e Estudos Científicos

4 Referências Citadas

Baseado em 4 Referências Citadas (4 Peer-Reviewed).

  1. PMC2021 Andargie M, et al. Lignans of Sesame (Sesamum indicum L.): A Comprehensive Review. Molecules. 2021.
  2. PMC2025 Jafari A, et al. Clinical evidence of sesame (Sesamum indicum L.) products and its bioactive compounds on anthropometric measures, blood pressure, glycemic control, inflammatory biomarkers, lipid profile, and oxidative stress parameters in humans: a GRADE-assessed systematic review and dose-response meta-analysis. Nutr Metab (Lond). 2025.
  3. PMC2021 Mili A, et al. A comprehensive review on Sesamum indicum L.: Botanical, ethnopharmacological, phytochemical, and pharmacological aspects. J Ethnopharmacol. 2021.
  4. PMC2022 Wei P, et al. Sesame (Sesamum indicum L.): A Comprehensive Review of Nutritional Value, Phytochemical Composition, Health Benefits, Development of Food, and Industrial Applications. Nutrients. 2022.
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