Murta (Myrtus communis): Propriedades e Benefícios

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Resumo rápido

A murta (Myrtus communis L.), também chamada de murta-comum ou murta-verdadeira, é um arbusto perene e aromático da família Myrtaceae, nativo do sul da Europa, do norte da África, da Ásia Ocidental e da Macaronésia. Cultivada há séculos tanto pelo valor ornamental quanto pelo uso medicinal, ela se tornou na região…

Cuidado principal: A murta foi por muito tempo um símbolo de amor, fertilidade e imortalidade, sagrada para Afrodite na Grécia Antiga e associada a Vênus em Roma. Coroas de murta enfeitavam casamentos e celebrações como sinal de pureza e…

A murta (Myrtus communis L.), também chamada de murta-comum ou murta-verdadeira, é um arbusto perene e aromático da família Myrtaceae, nativo do sul da Europa, do norte da África, da Ásia Ocidental e da Macaronésia. Cultivada há séculos tanto pelo valor ornamental quanto pelo uso medicinal, ela se tornou na região mediterrânea um símbolo de amor e de imortalidade, presença constante em jardins, rituais e na cozinha local.

Murta (Myrtus communis) em ilustração botânica com ramos de folhas opostas e lustrosas, flores brancas de estames numerosos e bagas azul-escuras da murta mediterrânea.
Arbusto perene de folhas pequenas, coriáceas e opostas, com flores brancas de cinco pétalas e um tufo denso de estames longos.

Suas folhas, de 2 a 5 centímetros de comprimento, liberam um óleo essencial fragrante quando esmagadas, enquanto as flores, brancas ou levemente rosadas, exibem cinco pétalas e um tufo de estames longos e proeminentes. O fruto é uma baga comestível que fica azul-escura quando madura, e a medicina popular registra o emprego da planta em inflamações e infecções, uso que a pesquisa científica ainda investiga sobretudo em estudos de laboratório.

Nomes Populares e Internacionais da Murta

  • Alemão: Gemeine Myrte, Myrte.
  • Espanhol: arrayán, mirto, murta.
  • Francês: myrte, myrte commun.
  • Inglês: common myrtle, myrtle, true myrtle.
  • Italiano: mirto, mirto comune.
  • Português: murta, murta-comum, murta-verdadeira.

Sinônimos Botânicos da Murta

Myrtus communis L. é o nome botânico aceito, mas a literatura mais antiga registra alguns sinônimos históricos, entre eles Myrtus acuta, Myrtus italica e Myrtus romana. Embora a taxonomia da murta já tenha sido objeto de vários estudos, a maioria das fontes botânicas reconhece Myrtus communis como a espécie principal do gênero, e os outros nomes costumam aparecer apenas em obras antigas.

No Brasil, o nome popular exige atenção redobrada, porque “murta” e “murta-de-cheiro” designam com frequência a Murraya paniculata, arbusto ornamental da família Rutaceae muito usado em cercas vivas, e, em algumas regiões, espécies nativas de Myrciaria e Eugenia. Este artigo trata exclusivamente da murta mediterrânea, Myrtus communis, e nenhum dado aqui descrito deve ser transferido para essas outras plantas.

Família Botânica: Myrtaceae

A Myrtaceae é uma grande família de plantas com flores, com mais de uma centena de gêneros e alguns milhares de espécies distribuídas por regiões temperadas, tropicais e subtropicais, entre elas o eucalipto, a goiabeira e a jabuticabeira. O gênero Myrtus é pequeno e reúne apenas a murta e Myrtus nivellei, espécie das montanhas do Saara, e a família como um todo é conhecida pela produção de óleos essenciais e compostos fenólicos.

Partes Utilizadas da Murta

  • Bagas (frutos)
  • Flores
  • Folhas
  • Óleo essencial (somente uso externo ou inalatório, sempre diluído)

Usos Etnobotânicos e Tradicionais da Murta

Os registros da medicina popular mediterrânea e do Oriente Médio citam a murta nos seguintes contextos, sem que isso represente eficácia comprovada:

  • Alívio de queixas respiratórias (bronquite, sinusite)
  • Antisséptico tradicional em feridas e infecções cutâneas
  • Distúrbios digestivos (diarreia, disenteria)
  • Infecções do trato urinário
  • Inflamações (hemorroidas, prostatite)
  • Problemas menstruais
  • Reumatismo

Propriedades Terapêuticas da Murta

  • Antibacteriano (atividade observada em estudos de laboratório com extratos e óleo essencial)
  • Anti-inflamatório (efeito investigado em estudos experimentais e em poucos ensaios clínicos preliminares)
  • Antioxidante (captação de radicais livres observada em ensaios laboratoriais)
  • Antiproliferativo (atividade observada em estudos de laboratório, sem comprovação clínica)
  • Antiviral (atividade observada in vitro, sem comprovação clínica)
  • Cardioprotetor (efeito descrito em estudos com animais)
  • Hepatoprotetor (efeito descrito em estudos com animais)
  • Hipoglicemiante (redução da glicemia observada em estudos com folha e extrato; exige cautela com antidiabéticos)
  • Neuroprotetor (estudos preliminares em modelos animais)

Perfil Fitoquímico Detalhado da Murta

  • 1,8-Cineol
  • Acetato de linalila
  • Acetato de mirtenila
  • Ácidos fenólicos
  • Alfa-pineno
  • Antocianinas
  • Flavonoides (miricetina, quercetina)
  • Limoneno
  • Linalol
  • Taninos
  • Terpineol
  • Terpinoleno

Formas de Preparo e Administração da Murta

  • Cataplasma
  • Compressas
  • Decocção
  • Extrato fluido
  • Extrato seco
  • Infusão
  • Óleo essencial (nunca por via oral; uso tópico diluído ou inalação, longe do rosto de crianças)
  • Tintura

Sinergia com Outras Plantas Medicinais

Vias Respiratórias

Na tradição aromática, a murta é combinada com eucalipto (Eucalyptus globulus) e tomilho (Thymus vulgaris), associação que o registro popular considera expectorante e antisséptica e que aparece em inalações e difusores usados por adultos durante resfriados, bronquites e quadros de congestão nasal. Como os óleos essenciais dessas três plantas compartilham compostos voláteis semelhantes, valem para a mistura as mesmas restrições de cada um, inclusive a proibição de uso perto do rosto de bebês e crianças pequenas.

Conforto Digestivo

Para queixas digestivas, a murta é tradicionalmente associada à hortelã-pimenta (Mentha × piperita) e à camomila (Matricaria chamomilla), uma combinação a que a fitoterapia popular atribui ação antiespasmódica e carminativa. Esse trio de folhas e flores aparece em registros de uso para diarreia, disenteria e cólicas, sempre na forma de chá e nunca com óleo essencial por via oral.

Cuidado com a Pele

Em aplicações tópicas, a murta é tradicionalmente usada ao lado da calêndula (Calendula officinalis) e da lavanda (Lavandula angustifolia) em compressas e preparações para pequenas feridas, irritações e inflamações cutâneas. Nesse registro, a adstringência da murta se somaria ao uso histórico da calêndula e da lavanda na cicatrização e no conforto da pele, embora não existam estudos clínicos sobre essa associação específica.

Receitas e Protocolos de Uso da Murta

Infusão Tradicional para as Vias Respiratórias

Esta infusão de folhas é tradicionalmente usada em períodos de congestão e não substitui a avaliação médica de quadros como sinusite ou bronquite.

Ingredientes:

  • 1 colher de chá de folhas secas de murta
  • 250 ml de água fervente

Modo de Preparo:

  1. Coloque as folhas de murta em uma xícara.
  2. Despeje a água fervente sobre as folhas.
  3. Cubra e deixe em infusão por 10 a 15 minutos.
  4. Coe e beba morno.

Orientação de uso: o consumo deve ser ocasional e por pouco tempo, já que os taninos das folhas podem causar prisão de ventre e interferir na absorção de ferro; para definir frequência e duração, consulte um profissional de saúde.

Compressa Tradicional para a Pele

Esta compressa de uso externo é tradicionalmente usada sobre pequenas irritações e inflamações cutâneas.

Ingredientes:

  • 2 colheres de sopa de folhas secas de murta
  • 500 ml de água

Modo de Preparo:

  1. Ferva a água e adicione as folhas de murta.
  2. Deixe em infusão por 15 minutos e coe.
  3. Espere esfriar até ficar morno.

Aplicação: embeba um pano limpo na infusão e aplique sobre a área por 15 a 20 minutos, até 2 ou 3 vezes ao dia, interrompendo o uso se surgir vermelhidão ou coceira; feridas profundas ou infeccionadas pedem avaliação de um profissional de saúde.

As preparações acima seguem registros tradicionais e não substituem orientação profissional. Antes de qualquer uso interno, consulte as contraindicações e interações descritas neste artigo.

Terapias Associadas à Murta

Aromaterapia

O óleo essencial de murta é valorizado na aromaterapia pelo perfil considerado purificante e revigorante, e a inalação do vapor ou a difusão do óleo são tradicionalmente usadas por adultos para a sensação de vias respiratórias mais livres e de bem-estar. Ele costuma ser combinado com óleos de pinho ou cipreste, sempre em ambiente ventilado, diluído no uso sobre a pele e mantido longe do rosto de bebês e crianças pequenas.

Fitoterapia Ocidental

Na fitoterapia ocidental, a murta tem registro tradicional em queixas respiratórias, digestivas e inflamatórias, além do alívio de sintomas de resfriados e gripes, e é apreciada sobretudo pelas qualidades antissépticas e adstringentes atribuídas às folhas. Os estudos disponíveis, porém, são em grande parte laboratoriais ou feitos em animais, de modo que essas indicações refletem a tradição e não uma eficácia comprovada contra infecções.

Medicina Tradicional Persa

A murta ocupa lugar de destaque nos textos clássicos da medicina tradicional persa, que a descrevem como planta adstringente e a empregam em queixas digestivas, hemorroidas, aftas e problemas de pele. Revisões recentes investigam esse acervo histórico e alguns ensaios clínicos pequenos com preparações tópicas, mas os resultados ainda são preliminares e não autorizam o uso como tratamento.

Contraindicações e Efeitos Colaterais da Murta

Contraindicações e Interações

  • Alergia: pessoas com alergia conhecida a plantas da família Myrtaceae devem evitar a murta, que pode provocar reações alérgicas.
  • Bebês e Crianças Pequenas: o óleo essencial (1,8-cineol, alfa-pineno, acetato de mirtenila) é contraindicado em bebês e crianças pequenas por risco de laringoespasmo e broncoespasmo quando aplicado perto do rosto, a mesma regra que vale para o eucalipto.
  • Diabetes e Antidiabéticos: estudos com folha e extrato mostram efeito hipoglicemiante, por isso quem usa antidiabéticos orais ou insulina deve ter cautela e falar com o médico antes de qualquer uso, pelo risco de queda excessiva da glicemia.
  • Doenças Hepáticas ou Renais: pessoas com essas condições devem usar a planta apenas com orientação profissional, já que a murta pode interagir com medicamentos.
  • Ferro e Medicamentos: folhas e frutos são ricos em taninos, por isso o chá deve ser tomado com intervalo de 2 horas em relação a suplementos de ferro e a outros medicamentos.
  • Gravidez e Lactação: evite o óleo essencial e os extratos durante a gravidez e a amamentação, períodos para os quais não há estudos suficientes de segurança.
  • Óleo Essencial por Via Oral: o óleo essencial de murta nunca deve ser ingerido; no uso tópico, aplique somente diluído e depois de um teste cutâneo.

Efeitos Colaterais

  • Distúrbios Digestivos: em doses elevadas, a murta pode causar náuseas ou vômitos.
  • Irritação Cutânea: o óleo essencial pode irritar peles sensíveis, motivo pelo qual se recomenda o teste cutâneo em pequena área antes do uso.
  • Prisão de Ventre: o uso prolongado de folhas e frutos, ricos em taninos, tende a prender o intestino.

Curiosidades e Fatos Históricos da Murta

Símbolo Antigo

A murta foi por muito tempo um símbolo de amor, fertilidade e imortalidade, sagrada para Afrodite na Grécia Antiga e associada a Vênus em Roma. Coroas de murta enfeitavam casamentos e celebrações como sinal de pureza e de continuidade da vida, e a planta era presença comum nos jardins da Antiguidade.

Uso Culinário

Bagas e folhas de murta aparecem na culinária mediterrânea, onde dão um sabor aromático a pratos de carne, e as folhas secas podem substituir o louro em ensopados e assados, com um aroma levemente picante e resinoso. Na Sardenha, as bagas dão origem ao licor mirto, bebida alcoólica tradicional que interessa aqui apenas como curiosidade gastronômica, sem qualquer finalidade medicinal.

Planta Ornamental

Graças à folhagem perene e às flores perfumadas, a murta é uma planta ornamental popular em jardins e projetos de paisagismo, podendo ser conduzida como arbusto ou pequena árvore. Resistente e adaptável a diferentes climas, ela é valorizada pela beleza e pelo aroma agradável, o que não deve ser confundido com a murta-de-cheiro das cercas vivas brasileiras, que é outra espécie.

Perguntas Frequentes sobre a Murta

A Murta Mediterrânea É a Mesma Murta dos Jardins Brasileiros?

Não. No Brasil, “murta” e “murta-de-cheiro” costumam designar a Murraya paniculata, arbusto ornamental da família Rutaceae, e, em algumas regiões, espécies nativas de Myrciaria e Eugenia. Este artigo trata apenas de Myrtus communis, e nenhuma informação sobre usos ou segurança deve ser transferida para essas outras plantas.

O Chá de Murta É Seguro para Todos?

O chá de folhas costuma ser bem tolerado por adultos saudáveis em uso ocasional, mas grávidas, lactantes e crianças pequenas devem evitar a planta. Pessoas com doenças hepáticas ou renais, ou que usam antidiabéticos, suplementos de ferro e outros medicamentos, precisam de orientação profissional, e o uso prolongado pode causar prisão de ventre por causa dos taninos.

Quais São os Usos Tradicionais da Murta?

A tradição emprega o chá de murta em queixas respiratórias, como tosse e bronquite, e em desconfortos digestivos, além de atribuir à planta ação antisséptica e adstringente. Estudos de laboratório observam atividade anti-inflamatória e antioxidante, mas esses achados ainda não foram confirmados por ensaios clínicos robustos.

Como Preparar o Chá de Murta?

A forma tradicional usa uma colher de chá de folhas secas em 250 ml de água fervente, deixando em infusão abafada por 10 a 15 minutos antes de coar e beber morno, com mel ou limão a gosto. A infusão, e não a fervura direta das folhas, é o método que preserva melhor os compostos aromáticos, e a frequência de consumo deve ser definida com um profissional de saúde.

Os Estudos com Mirtol Valem para o Chá de Murta?

Não. O fitoterápico padronizado mirtol é um destilado de eucalipto, laranja-doce, murta e limão que tem ensaios clínicos em sinusite e bronquite, mas não é chá nem óleo essencial de murta. Por isso, os resultados obtidos com esse produto não podem ser transferidos para preparações caseiras da planta.

O Óleo Essencial de Murta Pode Ser Usado em Crianças?

Em bebês e crianças pequenas o óleo essencial é contraindicado, pelo risco de laringoespasmo e broncoespasmo quando aplicado perto do rosto, regra idêntica à do eucalipto. Em nenhuma idade ele deve ser ingerido, e em adultos o uso sobre a pele só deve ser feito com o óleo diluído e após um teste cutâneo.

Aviso: este conteúdo é informativo e não substitui orientação de profissional de saúde. Consulte um médico ou fitoterapeuta antes de usar plantas medicinais, especialmente na gravidez, na lactação ou em uso de medicamentos.

Como citar este artigo

ABNT NATUGREENS. Murta (Myrtus communis): Propriedades e Benefícios. Natugreens, 4 nov. 2026. Disponível em: https://natugreens.com/pt/myrtus-communis-murta/. Acesso em: 4 nov. 2026.
APA Natugreens. (2026). Murta (Myrtus communis): Propriedades e Benefícios. Natugreens. https://natugreens.com/pt/myrtus-communis-murta/

Referências e Estudos Científicos

5 Referências Citadas

Nível de Evidência: 🥈 Moderado

Baseado em 5 Referências Citadas (5 Peer-Reviewed).

  1. PMC2024 Al-Snafi AE, et al. The therapeutic value of Myrtus communis L.: an updated review. Naunyn Schmiedebergs Arch Pharmacol. 2024.
  2. PMC2023 Dabbaghi MM, et al. A review of the biological effects of Myrtus communis. Physiol Rep. 2023.
  3. PMC2018 Jabri MA, et al. Ethnobotanical, phytochemical and therapeutic effects of Myrtus communis L. berries seeds on gastrointestinal tract diseases: a review. Arch Physiol Biochem. 2018.
  4. PMC2017 Mahboubi M. Effectiveness of Myrtus communis in the treatment of hemorrhoids. J Integr Med. 2017.
  5. PMC2026 Tahrali I, et al. Anti-inflammatory effects of Myrtus communis L. (myrtle): experimental and clinical evidence with an immunological perspective. Inflammopharmacology. 2026.
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