Erva-de-Santa-Maria (Dysphania ambrosioides): Usos e Benefícios

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Dysphania ambrosioides (L.) Mosyakin & Clemants / Erva-de-Santa-Maria, conhecida popularmente como erva-de-santa-maria, mastruz ou mentruz, é uma planta herbácea anual ou perene de vida curta, de folhas intensamente aromáticas, que pertence à família Amaranthaceae. Originária da América Central e do Sul, a espécie se espalhou por diversas regiões tropicais e subtropicais do mundo, levada tanto pelo interesse medicinal quanto pelo uso culinário. Há séculos ela ocupa um lugar na medicina tradicional de várias culturas, sobretudo na América Latina, onde é empregada contra uma ampla gama de males.

Erva-de-Santa-Maria (Dysphania ambrosioides) em ilustração botânica: ramo com folhas lanceoladas de margem dentada e espigas de flores verdes miúdas nas axilas, traços típicos da dysphania.
Folhas alongadas de margem dentada e pequenas flores esverdeadas reunidas em glomérulos densos nas axilas, com forte aroma quando as folhas são esmagadas.

Na tradição popular brasileira, a erva-de-santa-maria se destaca como vermífugo e anti-inflamatório, com aplicações que vão da expulsão de vermes intestinais ao alívio de dores e inflamações. Sua composição fitoquímica inclui monoterpenos, sesquiterpenos, ácidos fenólicos e flavonoides, associados às atividades biológicas investigadas em laboratório. Estudos experimentais vêm examinando parte desses usos tradicionais, embora a evidência clínica em humanos ainda seja limitada. Como o principal constituinte do óleo essencial, o ascaridol, é tóxico, convém separar com clareza o uso culinário das folhas frescas, em pequena quantidade, do uso medicinal concentrado, que exige muita cautela.

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Nomes Populares e Internacionais da Erva-de-Santa-Maria

  • Alemão: Epazote, Mexikanischer Drüsengänsefuß, Mexikanischer Traubentee, Mexiko-Drüsengänsefuß, Wohlriechender Gänsefuß.
  • Espanhol: apazote, epazote, ka’are, paico, paico macho, pasote.
  • Francês: ansérine vermifuge, épazote, thé des Jésuites, thé du Mexique.
  • Inglês: American wormseed, epazote, Jesuit’s tea, Mexican tea, wormseed.
  • Italiano: ambrosia messicana, epazote, farinello aromatico, tè messicano.
  • Português: chá-do-méxico, erva-de-santa-maria, erva-formigueira, lombrigueira, mastruço, mastruz, mentruz, quenopódio (BR); erva-de-santa-maria (PT).

Sinônimos Botânicos da Erva-de-Santa-Maria

O sinônimo botânico mais frequente na literatura científica para Dysphania ambrosioides é Chenopodium ambrosioides L., nome sob o qual a espécie foi descrita por Lineu. Essa denominação circulou amplamente até a reclassificação taxonômica que a transferiu para o gênero Dysphania, no início dos anos 2000. Por essa razão, grande parte dos estudos farmacológicos mais antigos ainda usa a denominação anterior. Outros sinônimos registrados incluem:

  • Ambrina ambrosioides (L.) Spach
  • Ambrina anthelmintica (L.) Spach
  • Ambrina incisa Moq.
  • Ambrina parvula Phil.
  • Ambrina spathulata Moq.
  • Atriplex ambrosioides (L.) Crantz
  • Atriplex anthelmintica (L.) Crantz
  • Blitum ambrosioides (L.) Beck
  • Botrys ambrosioides (L.) Nieuwl.
  • Botrys anthelmintica (L.) Nieuwl.
  • Chenopodium amboanum (Murr) Aellen
  • Chenopodium angustifolium Pav. ex Moq.
  • Chenopodium anthelminticum L.
  • Chenopodium citriodorum Steud.
  • Chenopodium cuneifolium Vent. ex Moq.
  • Chenopodium integrifolium Vorosch.
  • Chenopodium querciforme Murr
  • Chenopodium sancta-maria Vell.
  • Chenopodium santamaria Vell.
  • Chenopodium spathulatum (Moq.) Sieber ex Moq.
  • Chenopodium suffruticosum Willd.
  • Chenopodium vagans Standl.
  • Chenopodium variegatum Gouan
  • Dysphania anthelmintica (L.) Mosyakin & Clemants
  • Orthosporum ambrosioides (L.) Kostel.
  • Orthosporum suffruticosum Kostel.
  • Roubieva anthelmintica (L.) Hook. & Arn.
  • Teloxys ambrosioides (L.) W.A. Weber
  • Vulvaria ambrosioides (L.) Bubani

Família Botânica: Amaranthaceae

A Dysphania ambrosioides pertence à família Amaranthaceae, um vasto grupo de plantas com flores de distribuição global que reúne cerca de 180 gêneros e 2.500 espécies e que, em sua delimitação atual, incorpora as antigas Chenopodiaceae. A família se destaca pela diversidade morfológica e pela presença de espécies de importância alimentar, ornamental e medicinal, como o amaranto, a beterraba, o espinafre e a quinoa. Suas representantes costumam ter folhas simples, flores pequenas e frutos do tipo aquênio ou utrículo.

A erva-de-santa-maria compartilha com a família a facilidade de adaptação a ambientes variados, inclusive solos perturbados e beiras de caminho, e a produção de metabólitos secundários com atividade biológica. Muitas espécies do grupo são valorizadas por suas qualidades nutricionais e medicinais em diferentes culturas. Na erva-de-santa-maria, a pesquisa fitoquímica identificou saponinas, flavonoides e alcaloides, compostos que ajudam a explicar as atividades biológicas investigadas em estudos de laboratório.

Partes Utilizadas da Erva-de-Santa-Maria

As folhas são a parte mais empregada, frescas e em pequena quantidade como tempero culinário ou secas no preparo caseiro. Já as flores, as sementes e as partes aéreas floridas são tradicionalmente a fonte do óleo essencial rico em ascaridol, o que torna o uso medicinal concentrado dessas partes especialmente arriscado.

  • Flores
  • Folhas
  • Partes aéreas
  • Sementes

Usos Etnobotânicos e Tradicionais da Erva-de-Santa-Maria

Os usos a seguir correspondem a registros da medicina popular e da etnobotânica, sem comprovação clínica equivalente, e vários deles são hoje desaconselhados por causa da toxicidade do ascaridol presente na planta.

  • Alívio de cólicas intestinais e flatulência (registro tradicional)
  • Antipirético (uso popular para baixar a febre)
  • Antirreumático (uso popular em dores reumáticas)
  • Cicatrizante (aplicação externa tradicional sobre feridas)
  • Digestivo (auxílio tradicional na digestão)
  • Infecções fúngicas (registro tradicional)
  • Malária (registro tradicional em algumas regiões, sem comprovação clínica)
  • Tempero culinário (folhas frescas em pequena quantidade, como no feijão mexicano)
  • Vermífugo (registro tradicional contra parasitas intestinais, hoje desaconselhado por via interna)

Propriedades Terapêuticas da Erva-de-Santa-Maria

As propriedades listadas resumem o que a tradição atribui à planta e o que estudos de laboratório e em animais vêm investigando, o que não equivale a eficácia demonstrada em seres humanos nem autoriza o uso interno sem orientação profissional.

  • Antibacteriano (atividade do óleo essencial observada em ensaios de laboratório)
  • Antiespasmódico (efeito relaxante sobre a musculatura lisa observado em estudos experimentais)
  • Antifúngico (atividade observada em ensaios de laboratório)
  • Anti-inflamatório (registro tradicional, com atividade investigada em estudos experimentais)
  • Antimalárico (atividade observada em estudos de laboratório, sem comprovação clínica)
  • Antioxidante (atividade observada em ensaios de laboratório)
  • Antipirético (registro tradicional para baixar a febre)
  • Antirreumático (registro tradicional no alívio de dores reumáticas)
  • Cicatrizante (registro tradicional em aplicação externa sobre feridas)
  • Digestivo (registro tradicional de auxílio à digestão)
  • Regenerador ósseo (efeito investigado em estudos preliminares com animais, sem comprovação em humanos)
  • Vermífugo (registro tradicional ligado ao ascaridol, hoje desaconselhado por via interna pela toxicidade)

Perfil Fitoquímico Detalhado da Erva-de-Santa-Maria

A Dysphania ambrosioides reúne compostos de várias classes químicas, e seu óleo essencial é dominado por monoterpenos, entre os quais se destacam o ascaridol, o p-cimeno e o carvacrol. As proporções desses compostos variam bastante conforme a origem geográfica, a parte da planta e o estágio de desenvolvimento. Os principais constituintes descritos incluem:

  • Ácidos fenólicos
  • Alcaloides
  • Ascaridol (principal componente do óleo essencial)
  • Carvacrol
  • Flavonoides
  • Monoterpenos
  • Saponinas
  • Sesquiterpenos (como o β-cariofileno)
  • Taninos

O ascaridol, um endoperóxido monoterpênico, responde ao mesmo tempo pela fama vermífuga da planta e pela sua toxicidade. A margem entre a quantidade ativa contra parasitas e a quantidade tóxica para o organismo humano é estreita, motivo pelo qual o óleo essencial deve ser tratado como produto perigoso, e não como remédio caseiro.

Formas de Preparo e Administração da Erva-de-Santa-Maria

Convém distinguir dois usos bem diferentes da planta. O culinário, com folhas frescas em pequena quantidade como tempero, é considerado seguro pela tradição, enquanto o medicinal concentrado, sobretudo na forma de óleo essencial, reúne o ascaridol e responde pelos casos graves de intoxicação descritos na literatura médica.

  • Cataplasma de folhas frescas (uso externo)
  • Chá (infusão ou decocção), somente com orientação profissional
  • Extrato fluido
  • Extrato seco
  • Óleo essencial (exclusivamente externo e com extrema cautela, nunca por via interna)
  • Tempero culinário (folhas frescas em pequena quantidade)
  • Tintura (uso externo)

Sinergia com Outras Plantas Medicinais

Associação Tradicional com Plantas de Uso Vermífugo

Na medicina popular, a erva-de-santa-maria aparece associada a outras plantas de uso vermífugo tradicional, como o alho (Allium sativum) e a semente de abóbora (Cucurbita pepo), em preparações caseiras destinadas a expulsar parasitas intestinais. Não há estudos clínicos que confirmem um efeito sinérgico dessa combinação. Além disso, a toxicidade do ascaridol impede seu uso por conta própria, e qualquer emprego desse tipo depende da avaliação de um profissional de saúde, que hoje dispõe de antiparasitários convencionais mais seguros.

Compressas Tradicionais para Dores e Inflamações Localizadas

Para dores e inflamações localizadas, a tradição associa a erva-de-santa-maria a plantas estudadas por sua atividade anti-inflamatória, como a cúrcuma (Curcuma longa) e o gengibre (Zingiber officinale), em cataplasmas ou compressas aplicados sobre a pele. É um registro tradicional de uso externo, sem comprovação de sinergia em estudos clínicos, que não deve ser transposto para o consumo interno da erva-de-santa-maria, já que este exige acompanhamento profissional pelo risco de efeitos adversos.

Receitas e Protocolos de Uso da Erva-de-Santa-Maria

Cataplasma de Folhas Frescas para Contusões e Dores Musculares

Ingredientes: folhas frescas de erva-de-santa-maria e um pouco de água quente.

Preparação: Amassar as folhas frescas até formar uma pasta e aquecê-la levemente em banho-maria ou com um pouco de água quente, conferindo a temperatura no dorso da mão antes de aplicar. Espalhar a pasta diretamente sobre a área dolorida, cobrir com um pano limpo e deixar agir por 30 minutos a 1 hora, repetindo de 2 a 3 vezes ao dia. Este cataplasma é tradicionalmente usado para aliviar dores musculares, contusões e inflamações localizadas. O uso deve ser suspenso se surgir vermelhidão, coceira ou ardor, porque a planta pode irritar peles sensíveis.

Infusão Tradicional de Uso Digestivo

Ingredientes: pequena quantidade de folhas secas de erva-de-santa-maria e água fervente, nas proporções indicadas por um profissional de saúde.

Preparação: Colocar as folhas em uma xícara, cobrir com a água fervente, tampar e deixar em infusão por alguns minutos antes de coar. Na tradição popular, o chá é tomado morno após as refeições em casos de má digestão e gases. Como a planta contém ascaridol, porém, a quantidade, a frequência e a duração do uso não devem ser definidas por conta própria, por isso consulte um profissional de saúde antes de preparar a infusão. O chá é contraindicado na gravidez, na lactação e em crianças, e o uso, quando autorizado, deve ser pontual e nunca prolongado.

Tintura para Uso Externo

Ingredientes: 50 g de folhas e flores secas de erva-de-santa-maria e 250 ml de álcool de cereais a 70%.

Preparação: Colocar as folhas e as flores em um recipiente de vidro escuro, cobrir com o álcool e deixar macerar por 14 dias em local escuro, agitando diariamente. Depois, coar e guardar em frasco escuro, bem fechado e fora do alcance de crianças. Na tradição popular, a tintura é usada apenas externamente, diluída em água, em compressas e fricções locais. Ela não deve ser ingerida nem usada como vermífugo por via oral, porque o álcool extrai o ascaridol da planta e o uso interno sem controle traz risco de intoxicação grave.

Folhas Frescas como Tempero no Feijão

Ingredientes: feijão cozido e um raminho pequeno de folhas frescas de erva-de-santa-maria.

Preparação: Lavar as folhas e acrescentá-las ao feijão nos minutos finais do cozimento, retirando o raminho antes de servir para quem preferir um sabor mais suave. Essa é a forma de uso que a culinária mexicana consagrou com o nome de epazote, na qual a erva entra como tempero em pequena quantidade e é tradicionalmente usada para reduzir os gases associados às leguminosas. É um uso culinário ocasional, bem diferente do uso medicinal concentrado.

As preparações acima seguem registros tradicionais e não substituem orientação profissional. Antes de qualquer uso interno, consulte as contraindicações e interações descritas neste artigo.

Terapias Associadas à Erva-de-Santa-Maria

Fitoterapia Clínica

Na fitoterapia clínica, a Dysphania ambrosioides é estudada por suas atividades antiparasitária, anti-inflamatória e cicatrizante. Extratos padronizados da planta vêm sendo investigados para o desenvolvimento de fitoterápicos, com atenção especial à segurança, já que a toxicidade do ascaridol limita o uso interno. Quando há indicação, a prescrição é individualizada, leva em conta a concentração dos princípios ativos e o estado de saúde de cada paciente e exige acompanhamento profissional para monitorar efeitos adversos e interações medicamentosas.

Medicina Tradicional Indígena

Em diversas comunidades indígenas da América Latina, a erva-de-santa-maria é um pilar da medicina tradicional, presente em práticas rituais de cura e em remédios para uma variedade de males, de problemas gastrointestinais a afecções da pele. O conhecimento sobre seu uso é transmitido oralmente e integra um sistema de saúde holístico, no qual a planta se articula com aspectos espirituais e culturais. A forma de preparo e de administração varia conforme a tradição de cada povo.

Contraindicações e Efeitos Colaterais da Erva-de-Santa-Maria

Alerta sobre o Óleo Essencial

A distinção mais importante, no caso da erva-de-santa-maria, é a que separa o tempero do remédio concentrado. O óleo essencial da planta é rico em ascaridol, composto com histórico documentado de intoxicações graves e mortes, inclusive em crianças, quando usado de forma concentrada como vermífugo tradicional. Por isso, o óleo essencial da planta NUNCA deve ser usado por via interna, pelo risco real e documentado de intoxicação grave e morte, mesmo em doses consideradas tradicionais como vermífugo. O uso culinário tradicional (folhas frescas, pequena quantidade, como tempero) é considerado seguro e é diferente do uso medicinal concentrado.

Contraindicações Gerais

Não usar na gravidez e lactação além do tempero culinário ocasional, já que a planta tem potencial abortivo e é tóxica para o feto e para o lactente. Também não usar em crianças por via interna além do tempero culinário ocasional, regra que vale para chás, tinturas e extratos e, com mais razão ainda, para o óleo essencial. Pessoas com doenças do fígado ou dos rins e quem tem histórico de convulsões ou epilepsia também devem evitar o uso medicinal. Pacientes em tratamento com anticoagulantes ou com medicamentos que atuam no sistema nervoso central, como sedativos e anticonvulsivantes, precisam consultar o médico antes de qualquer preparação, pelo risco de interação.

Efeitos Colaterais e Sinais de Intoxicação

O uso inadequado ou em doses elevadas da erva-de-santa-maria pode causar náuseas, vômitos, diarreia, tontura, dor de cabeça e convulsões e, em casos extremos, insuficiência cardiorrespiratória e coma. A toxicidade está ligada principalmente ao ascaridol do óleo essencial, e relatos de intoxicação pelo óleo de quenopódio descrevem também lesões no fígado, nos rins e na audição, inclusive em crianças. Na aplicação tópica, a planta pode provocar irritação cutânea em pessoas sensíveis, e qualquer sinal de intoxicação após o uso exige atendimento médico imediato.

Interações Medicamentosas

A erva-de-santa-maria pode interagir com anticoagulantes, com possível aumento do risco de sangramento, e com fármacos que atuam no sistema nervoso central, como sedativos e anticonvulsivantes, alterando sua eficácia ou somando efeitos. Essa cautela é reforçada por estudos em camundongos nos quais o óleo essencial inalado mostrou efeito sedativo por via GABAérgica. O uso junto com vermífugos sintéticos deve ser evitado pelo risco de sobrecarga tóxica, e o médico precisa sempre ser informado sobre o uso de plantas medicinais.

Curiosidades e Fatos Históricos da Erva-de-Santa-Maria

Origem do Nome

O nome popular “erva-de-santa-maria” vem da associação da planta com a Virgem Maria em algumas tradições populares, sobretudo na América Latina. Já nomes como “mastruz” e “mentruz” são variações regionais que refletem a diversidade cultural e linguística dos lugares onde ela é usada. No México, a planta é conhecida como epazote, palavra de origem náuatle, e ocupa um lugar tradicional na culinária.

Uso Culinário no México

No México, a erva-de-santa-maria é um ingrediente essencial da culinária tradicional e tempera pratos como feijão, quesadillas, sopas e tamales, sempre em pequena quantidade de folhas frescas. Além do sabor pungente e característico, o epazote tem fama tradicional de carminativo, usado para reduzir os gases associados ao consumo de leguminosas. Esse emprego mostra como a medicina popular se integra à dieta do dia a dia.

Do Vermífugo Oficial ao Abandono

Na primeira metade do século XX, o óleo de quenopódio, extraído da planta, foi amplamente usado como vermífugo contra lombrigas e ancilóstomos e chegou a constar em farmacopeias oficiais. O acúmulo de relatos de intoxicações graves, várias delas em crianças, e a chegada de antiparasitários mais seguros levaram ao abandono progressivo desse uso. É dessa história que vem o alerta atual contra o consumo do óleo essencial.

Perguntas Frequentes sobre a Erva-de-Santa-Maria

A Erva-de-Santa-Maria Pode Ser Usada por Crianças?

Por via interna, a erva-de-santa-maria não deve ser usada por crianças além do tempero culinário ocasional. Chás, tinturas e sobretudo o óleo essencial expõem a criança ao ascaridol, composto ligado a intoxicações graves e mortes infantis na época em que a planta era usada como vermífugo. Pequenas quantidades de folhas frescas como tempero, na comida da família, fazem parte do uso culinário tradicional. Qualquer outro uso deve ser discutido antes com um pediatra.

Qual a Diferença entre Erva-de-Santa-Maria e Mastruço?

Erva-de-santa-maria, mastruz e mastruço são nomes populares usados com frequência para a mesma planta, Dysphania ambrosioides. Em algumas regiões do Brasil, porém, “mastruço” também designa outras espécies, como Coronopus didymus (hoje Lepidium didymum), de características botânicas e usos diferentes. Por isso, conferir o nome científico é a forma mais segura de garantir que a planta certa está sendo usada.

É Seguro Consumir o Chá de Erva-de-Santa-Maria Regularmente?

Não é seguro consumir o chá regularmente ou em grande quantidade, porque a planta contém ascaridol, composto tóxico que pode causar efeitos colaterais graves, sobretudo no fígado e nos rins. Quando houver uso medicinal, ele deve ser pontual e com quantidade definida por um profissional de saúde, que também pode indicar alternativas mais seguras para quem precisa de uso contínuo.

O Óleo Essencial de Erva-de-Santa-Maria Pode Ser Ingerido?

O óleo essencial da planta nunca deve ser usado por via interna, pelo risco real e documentado de intoxicação grave e morte, mesmo em doses consideradas tradicionais como vermífugo. Rico em ascaridol, ele está associado a casos fatais registrados na literatura médica, inclusive em crianças, e só admite uso externo, ainda assim com extrema cautela.

A Erva-de-Santa-Maria Pode Ser Usada como Tempero?

O uso culinário tradicional, com folhas frescas em pequena quantidade, como no feijão mexicano temperado com epazote, é considerado seguro e bem diferente do uso medicinal concentrado. O cuidado está em não confundir o tempero ocasional com chás fortes, tinturas ou óleo essencial, que concentram o ascaridol e exigem orientação profissional ou, no caso do óleo, estão vetados por via interna.

Gestantes e Lactantes Podem Usar Erva-de-Santa-Maria?

Gestantes e lactantes não devem usar a planta além do tempero culinário ocasional, já que ela tem potencial abortivo e o ascaridol pode ser tóxico para o feto e para o lactente. Chás, tinturas, extratos e óleo essencial ficam excluídos nesse período, e qualquer dúvida deve ser levada ao obstetra ou ao profissional de saúde que acompanha a gestação.

Aviso: este conteúdo é informativo e não substitui orientação de profissional de saúde. Consulte um médico ou fitoterapeuta antes de usar plantas medicinais, especialmente na gravidez, na lactação ou em uso de medicamentos.

Referências e Estudos Científicos

6 Referências Citadas

Nível de Evidência: 🥈 Moderado

Baseado em 6 Referências Citadas (6 Peer-Reviewed).

  1. PMC2021 Dougnon G, et al. Role of Ascaridole and p-Cymene in the Sleep-Promoting Effects of Dysphania ambrosioides Essential Oil via the GABAergic System in a ddY Mouse Inhalation Model. J Nat Prod. 2021.
  2. PMC2025 Heredia Severino A, et al. Essential Oils and Extracts from Epazote (Dysphania ambrosioides): A Phytochemical Treasure with Multiple Applications. Plants (Basel). 2025.
  3. PMC2021 Kandsi F, et al. Phytochemical Analysis, Antispasmodic, Myorelaxant, and Antioxidant Effect of Dysphania ambrosioides (L.) Mosyakin and Clemants Flower Hydroethanolic Extracts and Its Chloroform and Ethyl Acetate Fractions. Molecules. 2021.
  4. PMC2022 Kandsi F, et al. Antibacterial and Antioxidant Activity of Dysphania ambrosioides (L.) Mosyakin and Clemants Essential Oils: Experimental and Computational Approaches. Antibiotics (Basel). 2022.
  5. PMC2022 Kandsi F, et al. Evaluation of Acute and Subacute Toxicity and LC-MS/MS Compositional Alkaloid Determination of the Hydroethanolic Extract of Dysphania ambrosioides (L.) Mosyakin and Clemants Flowers. Toxins (Basel). 2022.
  6. PMC1996 Montoya-Cabrera MA, et al. Fatal poisoning caused by oil of epazote, Chenopodium graveolens. Gac Med Mex. 1996.
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