Drosera rotundifolia L. / Orvalhinha, conhecida como orvalhinha em Portugal e como drósera no Brasil, é uma planta herbácea perene e carnívora da família Droseraceae, descrita por Carl Linnaeus em 1753. Com distribuição circumboreal, a espécie ocorre em pântanos, lamaçais e brejos da Europa, da Sibéria e da América do Norte, sempre em solos encharcados, ácidos e pobres em nutrientes. A orvalhinha se reconhece pela roseta basal de folhas arredondadas, cobertas por tentáculos glandulares que secretam uma mucilagem pegajosa usada na captura de insetos, enquanto as flores, delicadas e de cor branca ou rosada, surgem no alto de hastes finas e eretas que dão um toque de beleza a esses ambientes úmidos e ácidos.

O uso da Drosera rotundifolia na medicina tradicional europeia é antigo, e a tradição atribui ao médico italiano Matthaeus Platearius, da Escola de Salerno, um dos primeiros registros da planta como remédio, ainda no século XII. Desde então, herbalistas europeus a recomendaram para diversas afecções respiratórias, como tosse persistente, bronquite e asma. Sua composição, rica em naftoquinonas e flavonoides, é a base das ações expectorante, antiespasmódica e anti-inflamatória que a tradição lhe atribui, e estudos de laboratório recentes investigam esses compostos, embora ainda faltem ensaios clínicos robustos que confirmem os usos tradicionais em pessoas.
Nomes Populares e Internacionais da Orvalhinha
- Português: drósera (BR), orvalhinha (PT), orvalho-do-sol, papa-moscas, rorela.
- Alemão: Rundblättriger Sonnentau, Sonnenthau.
- Espanhol: atrapamoscas, hierba de la gota, hierba del rocío, rocío de sol, rocío de sol de hojas redondeadas.
- Francês: droséra à feuilles rondes, rossolis à feuilles rondes.
- Inglês: common sundew, dew plant, red rot, round-leaved sundew, roundleaf sundew, sundew.
- Italiano: rosolida, rugiada, rugiada del sole.
Sinônimos Botânicos da Orvalhinha
O nome científico Drosera rotundifolia L. é amplamente aceito e reconhecido pelas principais bases de nomenclatura botânica, e a estabilidade do binômio criado por Linnaeus em 1753 reflete a precisão da descrição original e a ampla aceitação que ela teve na comunidade científica. Ao longo da história da botânica, porém, outras denominações foram propostas para a espécie, e alguns desses sinônimos, embora pouco comuns na literatura atual, ainda aparecem em registros mais antigos ou em contextos taxonômicos específicos.
- Rorella rotundifolia (L.) All.
A combinação no gênero Rorella foi proposta pelo botânico italiano Carlo Allioni no século XVIII, e o nome, derivado do latim ros, orvalho, ecoa no nome popular português rorela.
Família Botânica: Droseraceae
A família Droseraceae reúne plantas carnívoras dos gêneros Aldrovanda, Dionaea (a conhecida dioneia, ou vênus-papa-moscas) e Drosera, todas marcadas pela adaptação a ambientes com solos pobres em nutrientes, à qual responderam com mecanismos sofisticados para capturar e digerir insetos. As espécies da família se distribuem por diversas regiões do mundo e preferem habitats úmidos, como pântanos, turfeiras e charnecas, onde as raízes encontram pouco nitrogênio disponível e a captura de presas compensa essa carência.
Como membro dessa família, a Drosera rotundifolia exemplifica bem a engenhosidade evolutiva das plantas carnívoras, já que seus tentáculos glandulares, que secretam uma substância pegajosa, permitem capturar pequenas presas e absorver delas nutrientes essenciais. Por essa biologia singular, a família Droseraceae interessa a botânicos e ecólogos não apenas como curiosidade, mas também como modelo para compreender a adaptação vegetal a condições ambientais desafiadoras.
Partes Utilizadas da Orvalhinha
- Flores e hastes florais
- Folhas da roseta basal, com os tentáculos glandulares
- Planta inteira, com predomínio das partes aéreas
Na fitoterapia, a orvalhinha costuma ser empregada inteira, com foco nas partes aéreas, ou seja, nas folhas e nas flores, que concentram a maior parte dos compostos bioativos descritos para a espécie. O material é usado seco no preparo de chás, tinturas, extratos e xaropes, e a colheita responsável é decisiva, já que a planta é pequena e tem populações silvestres protegidas em vários países europeus.
Usos Etnobotânicos e Tradicionais da Orvalhinha
A Drosera rotundifolia tem uma longa história de uso etnobotânico e foi valorizada por diferentes culturas europeias ao longo dos séculos, sobretudo como remédio para problemas respiratórios. A tradição atribui a Matthaeus Platearius, da renomada Escola de Salerno, um dos primeiros registros de suas propriedades medicinais, com destaque para o uso contra a tosse, e esse costume atravessou os séculos até fazer da orvalhinha um componente frequente de preparados de ervas para o trato respiratório.
Tradicionalmente, a orvalhinha é empregada para aliviar tosses persistentes, bronquite, asma e coqueluche, e sua ação antiespasmódica e expectorante era especialmente apreciada para acalmar a irritação da garganta e facilitar a expulsão do muco. Na homeopatia, a Drosera rotundifolia também é indicada para rouquidão e outras condições respiratórias, e esse conhecimento antigo continua a orientar a fitoterapia moderna, que procura investigar com métodos científicos aquilo que a tradição registrou. Os registros tradicionais e homeopáticos citam a planta principalmente nos seguintes contextos:
- Asma, como apoio tradicional e nunca em substituição ao tratamento médico
- Bronquite e catarro das vias respiratórias
- Coqueluche, uso histórico anterior às vacinas e aos antibióticos
- Irritação da garganta e laringite
- Rouquidão
- Tosse persistente, seca ou espasmódica
Propriedades Terapêuticas da Orvalhinha
As propriedades a seguir resumem o que a tradição e os estudos de laboratório atribuem à orvalhinha, e nenhuma delas foi confirmada por ensaios clínicos amplos em seres humanos.
- Antibacteriano (atividade observada em estudos de laboratório, inclusive contra biofilmes bacterianos)
- Antiespasmódico brônquico (registro tradicional de alívio dos espasmos dos brônquios)
- Anti-inflamatório (estudos preliminares em laboratório)
- Antitússico (uso tradicional mais conhecido, para acalmar a tosse)
- Broncodilatador (efeito sobre a musculatura das vias aéreas investigado em estudos experimentais)
- Calmante (registro tradicional)
- Diurético (registro tradicional de aumento da produção de urina)
- Emoliente (registro tradicional de proteção das mucosas, associado às mucilagens)
- Expectorante (registro tradicional de auxílio na expulsão do muco)
- Mucolítico (registro tradicional de fluidificação do muco)
Perfil Fitoquímico Detalhado da Orvalhinha
O interesse farmacológico pela Drosera rotundifolia está na sua composição fitoquímica, que reúne diversas classes de compostos bioativos. As naftoquinonas formam um dos grupos mais estudados, com destaque para a plumbagina, a droserona, a 7-metiljuglona, a ramentaceona, a ramentona e a biramentaceona, substâncias que estudos de laboratório associam a atividades antimicrobianas e anti-inflamatórias e que ajudam a explicar o uso tradicional da planta nas afecções respiratórias. A plumbagina, porém, também pode irritar as mucosas quando ingerida em excesso, e é por isso que o uso interno prolongado ou em doses altas não é recomendado.
Além das naftoquinonas, a orvalhinha contém flavonoides como quercetina, miricetina, hiperosídeo, isoquercitrina, kaempferol-3-O-β-galactopiranosídeo, astragalina e 2”-O-galoil-hiperosídeo, com atividade antioxidante e anti-inflamatória descrita em estudos experimentais, que complementaria a ação das naftoquinonas. Um estudo de 2022 investigou justamente extratos e flavonoides da planta quanto aos efeitos sobre a frequência de batimento ciliar e sobre a musculatura lisa das vias aéreas de camundongos, enquanto outro, de 2021, comparou os perfis metabólicos e as atividades biológicas de plantas colhidas no campo e propagadas in vitro. A planta contém ainda ácidos fenólicos, taninos, mucilagens, às quais se atribui a ação emoliente, ácidos orgânicos e enzimas proteolíticas, que ela usa para digerir as presas, num conjunto cuja interação ainda é pouco compreendida.
- Ácidos fenólicos
- Ácidos orgânicos: cítrico, málico e tartárico
- Enzimas proteolíticas
- Flavonoides: 2”-O-galoil-hiperosídeo, astragalina, hiperosídeo, isoquercitrina, kaempferol-3-O-β-galactopiranosídeo, miricetina e quercetina
- Mucilagens
- Naftoquinonas: 7-metiljuglona, biramentaceona, droserona, plumbagina, ramentaceona e ramentona
- Taninos
Formas de Preparo e Administração da Orvalhinha
A Drosera rotundifolia pode ser preparada e administrada de diversas formas, conforme a finalidade e a orientação recebida. A infusão, conhecida como chá, é uma das formas mais populares e acessíveis de consumir a planta, enquanto tinturas e extratos oferecem concentração maior dos princípios ativos e costumam entrar em formulações mais específicas, e a homeopatia, por sua vez, emprega a orvalhinha em preparações diluídas, de acordo com seus próprios princípios.
- Extrato seco ou fluido, geralmente em produtos padronizados
- Infusão (chá) da planta seca
- Preparações homeopáticas em glóbulos ou gotas
- Tintura alcoólica
- Xarope, muitas vezes em associação com outras ervas
A escolha da forma de preparo deve considerar a dose e a biodisponibilidade dos compostos, e xaropes e tinturas costumam ser preferidos nos quadros agudos de tosse, enquanto as infusões são a forma mais simples, desde que usadas por períodos curtos. Seja qual for a forma, convém seguir as orientações de um profissional de saúde ou as instruções de produtos padronizados, sobretudo porque o uso interno prolongado ou em doses altas é desaconselhado pelo teor de naftoquinonas da planta.
Sinergia com Outras Plantas Medicinais
Combinações Tradicionais para Tosse e Vias Respiratórias
Na fitoterapia europeia, a Drosera rotundifolia é tradicionalmente combinada com outras plantas medicinais em fórmulas para afecções respiratórias. A associação com o tomilho (Thymus vulgaris) é registrada pela tradição por somar ações expectorante e antisséptica, e a raiz de alcaçuz (Glycyrrhiza glabra) entra nessas fórmulas pelas propriedades emolientes e anti-inflamatórias que lhe são atribuídas, usadas para acalmar a irritação das vias aéreas. O verbasco (Verbascum thapsus) e a Grindelia robusta completam o grupo de parceiros tradicionais, o primeiro associado a efeitos mucolíticos e a segunda a efeitos antiespasmódicos, e essas combinações aparecem com frequência em xaropes e chás para tosse. Cada planta tem cautelas próprias, como o alcaçuz, que não é indicado para pessoas com hipertensão, e qualquer mistura deve ser orientada por um profissional de saúde.
Receitas e Protocolos de Uso da Orvalhinha
Cordial Ros Solis (Receita Histórica)
O Cordial Ros Solis é uma receita histórica em que as folhas de Drosera rotundifolia eram maceradas em aguardente, base à qual se acrescentavam especiarias como canela, cravo, gengibre e noz-moscada. Além do uso medicinal que lhe atribuíam, o licor era apreciado pelo sabor e pelo aroma, e hoje interessa sobretudo como documento da história da farmácia, já que leva álcool e não tem dose definida, o que o torna inadequado para gestantes, lactantes, crianças e pessoas que precisam evitar bebidas alcoólicas.
Infusão Tradicional para a Tosse
Na tradição europeia, a infusão da erva seca de Drosera rotundifolia é tradicionalmente usada para tosse e irritação das vias respiratórias. O preparo consiste em colocar uma pequena quantidade da planta seca em uma xícara de água fervente, deixar em infusão por 5 a 10 minutos, coar e beber.
A quantidade de planta, o número de xícaras por dia e a duração do uso devem ser definidos com orientação, pois o teor de naftoquinonas desaconselha o uso prolongado ou em doses altas; consulte um profissional de saúde. A Comissão E alemã, que avaliou a erva em monografia própria, estabeleceu um limite diário para a planta seca, o que reforça que a dose não deve ser improvisada.
Tintura
A tintura de Drosera rotundifolia é tradicionalmente usada para tosse como forma concentrada e prática de administrar os princípios ativos da planta, e costuma ser diluída em água ou suco antes do consumo. Por ser mais concentrada que o chá, ela exige atenção redobrada à dose, que deve ser indicada por um profissional de saúde de acordo com a concentração do produto, a idade e o tempo de uso, e, como toda tintura, contém álcool, o que a torna inadequada para crianças, gestantes e pessoas que precisam evitar bebidas alcoólicas.
Xaropes
A Drosera rotundifolia é ingrediente comum em xaropes tradicionalmente usados para tosse, muitas vezes ao lado de outras ervas, em fórmulas voltadas a acalmar a garganta e facilitar a expectoração. Ao usar um xarope comercial, siga as instruções de dose e de faixa etária do fabricante, verifique se o produto está regularizado na autoridade sanitária e não combine vários xaropes para tosse ao mesmo tempo sem orientação profissional.
As preparações acima seguem registros tradicionais e não substituem orientação profissional. Antes de qualquer uso interno, consulte as contraindicações e interações descritas neste artigo.
Terapias Associadas à Orvalhinha
Fitoterapia Ocidental
Na fitoterapia ocidental, a Drosera rotundifolia é um remédio tradicional reconhecido para diversas condições respiratórias e aparece em infusões, tinturas e extratos padronizados indicados tradicionalmente para tosse, bronquite e asma. O uso se apoia sobretudo na tradição e na monografia da Comissão E alemã, enquanto estudos modernos de laboratório investigam seus compostos ativos, e a planta é valorizada pela ação que se lhe atribui de acalmar os espasmos brônquicos e favorecer a expectoração, sem que isso dispense avaliação médica em casos de asma ou de tosse prolongada.
Homeopatia
A Drosera rotundifolia é um dos medicamentos mais conhecidos da homeopatia, que a indica sobretudo para tosse espasmódica, bronquite, laringite e rouquidão e, historicamente, também para a coqueluche, doença que exige diagnóstico e tratamento médico. As preparações aparecem em glóbulos e em diferentes potências, como 3X (3DH), 6CH, 9CH e 30CH, e, segundo os princípios da homeopatia, atuariam estimulando a capacidade de autocura do organismo, uma premissa própria dessa prática. A posologia deve seguir a orientação de um homeopata qualificado ou as instruções do rótulo, e um estudo in vitro publicado em 2021 observou alterações na expressão gênica de células epiteliais brônquicas humanas expostas a doses baixas da planta, achado de laboratório que não demonstra efeito clínico.
Contraindicações e Efeitos Colaterais da Orvalhinha
A drósera, ou orvalhinha (Drosera rotundifolia), é tradicionalmente usada como antitussígeno e antiespasmódico das vias respiratórias e costuma ser bem tolerada em doses usuais e por períodos curtos, mas, como qualquer planta medicinal, tem contraindicações e efeitos colaterais que precisam ser conhecidos antes do uso. Os principais cuidados são: evitar uso interno prolongado ou em doses altas, pelo teor de naftoquinonas (plumbagina), que pode irritar mucosas em excesso; não usar na gravidez e lactação sem orientação profissional; cautela em crianças pequenas, preferindo orientação profissional para dosagem; suspender em caso de irritação gástrica.
Uso Prolongado e Doses Altas
As naftoquinonas, em especial a plumbagina, respondem por parte do interesse farmacológico pela planta, mas em excesso podem irritar as mucosas, e por isso o uso interno deve ficar restrito a períodos curtos e a doses moderadas, definidas com um profissional de saúde. Tosse que persiste por mais de algumas semanas ou que vem acompanhada de febre alta, falta de ar ou sangue precisa de avaliação médica, e não deve ser conduzida apenas com preparados caseiros.
Irritação Gastrointestinal
Em algumas pessoas, o consumo de Drosera rotundifolia pode causar irritação gastrointestinal leve, com desconforto no estômago ou náuseas, sobretudo em indivíduos mais sensíveis. Diante desses sintomas, a orientação é suspender o uso e procurar aconselhamento médico caso o desconforto não desapareça em pouco tempo.
Gravidez e Amamentação
Na gravidez e na lactação, a orvalhinha não deve ser usada sem orientação profissional, porque a falta de estudos conclusivos sobre a segurança da planta nesses períodos torna prudente evitar o uso, a menos que haja indicação expressa do médico. O cuidado vale em dobro para tinturas e licores, que contêm álcool.
Crianças Pequenas
Em crianças pequenas, a cautela é maior, e a dosagem deve sempre partir de orientação profissional, preferindo-se produtos próprios para a idade a preparações caseiras ou tinturas alcoólicas. Asma e coqueluche, duas condições citadas nos usos tradicionais da planta, exigem diagnóstico e acompanhamento médico, e nenhum preparo de orvalhinha substitui vacinas, antibióticos ou medicamentos prescritos.
Coloração da Urina
Um efeito sem gravidade, mas que pode causar estranheza, é a mudança na cor da urina, descrita em fontes de fitoterapia como consequência do uso interno da planta e relacionada à presença de alguns de seus compostos. A alteração costuma ser considerada inofensiva, mas, se vier acompanhada de dor, febre ou outros sintomas, convém buscar avaliação médica.
Interações Medicamentosas
Não há informações detalhadas sobre interações medicamentosas específicas da Drosera rotundifolia, o que não significa ausência de risco, e por isso é aconselhável consultar um médico ou farmacêutico antes de iniciar o uso, especialmente se você estiver tomando outros medicamentos. A precaução vale também para a combinação com outros xaropes ou remédios para tosse e para fórmulas que incluam alcaçuz, planta que exige cuidado em pessoas com hipertensão ou que usam diuréticos e corticoides.
Curiosidades e Fatos Históricos da Orvalhinha
Pequena e intrigante, a Drosera rotundifolia acumula curiosidades ao longo de sua história. O nome do gênero, Drosera, vem do grego droserós, “orvalhado”, derivado de drósos, “orvalho”, e faz alusão às gotículas brilhantes e pegajosas que cobrem as folhas, semelhantes ao orvalho da manhã e capazes de prender insetos desavisados, numa adaptação que permite à planta prosperar em solos pobres em nutrientes.
Um dos maiores entusiastas da espécie foi o naturalista Charles Darwin, que dedicou a ela boa parte das pesquisas reunidas no livro Insectivorous Plants, de 1875, no qual documentou com experimentos cuidadosos o comportamento carnívoro no reino vegetal. Darwin ficou intrigado com a capacidade da orvalhinha de atrair, capturar e digerir insetos, fenômeno que desafiava as concepções botânicas da época, e suas observações detalhadas contribuíram muito para a compreensão da biologia das plantas carnívoras.
Na Idade Média, a orvalhinha era cercada de misticismo e crenças populares, e as gotículas das folhas eram vistas como um “orvalho da juventude” ou “orvalho da virilidade”, motivo pelo qual a planta entrava em poções que prometiam retardar o envelhecimento. Há também registros de um uso peculiar na culinária de regiões da Escandinávia, onde as enzimas secretadas pelas folhas teriam sido empregadas para coalhar o leite na fabricação de queijos, costume que mostra o lugar que essa pequena planta ocupou na cultura popular.
Hoje, como as populações silvestres são protegidas em vários países europeus, a obtenção de matéria-prima de qualidade virou tema de pesquisa, e um estudo de 2024 propôs parâmetros de qualidade para a Drosera rotundifolia como planta medicinal, enquanto outro, de 2025, avaliou em laboratório extratos da espécie como inibidores de biofilme de Escherichia coli, incluindo testes de toxicidade.
Perguntas Frequentes sobre a Orvalhinha
A Orvalhinha É Segura para Consumo?
Em doses usuais e por períodos curtos, a Drosera rotundifolia costuma ser considerada bem tolerada por adultos, seja em preparações fitoterápicas ou homeopáticas. O teor de naftoquinonas, porém, desaconselha o uso interno prolongado ou em doses altas, e o uso deve ser suspenso em caso de irritação gástrica. Gestantes, lactantes, pais de crianças pequenas e pessoas que tomam outros medicamentos devem consultar um profissional de saúde antes de usar a planta.
Quais São os Principais Usos Tradicionais da Orvalhinha?
A orvalhinha é tradicionalmente valorizada para problemas respiratórios e aparece em registros de uso para tosse seca e espasmódica, bronquite, laringite e irritação na garganta, além de usos históricos na asma e na coqueluche. As propriedades expectorante, antiespasmódica, anti-inflamatória e mucolítica atribuídas a ela explicam esse emprego tradicional, mas ainda faltam estudos clínicos robustos, e doenças como asma e coqueluche exigem acompanhamento médico.
Como a Orvalhinha Captura Insetos?
A Drosera rotundifolia tem um mecanismo de captura altamente especializado, baseado em folhas cobertas por pequenos tentáculos glandulares que secretam uma substância pegajosa e brilhante, semelhante a gotas de orvalho. Atraídos por essa secreção, os insetos pousam nas folhas e ficam presos, e as folhas então se curvam lentamente para envolver a presa. A planta libera enzimas digestivas e absorve os nutrientes do inseto, complementando a nutrição que obtém de solos pobres.
Posso Cultivar Orvalhinha em Casa?
Sim, é possível cultivar a Drosera rotundifolia em casa, desde que se reproduzam as condições do seu habitat, com ambiente úmido, substrato ácido e bastante luz solar. Costuma-se usar uma mistura de turfa e areia mantida sempre úmida, e a planta precisa de um período de dormência no inverno, que deve ser simulado para manter o ciclo de vida saudável. Prefira mudas de viveiros, porque a coleta na natureza ameaça populações silvestres que são protegidas em vários países.
Quais Partes da Planta São Usadas na Fitoterapia?
Tradicionalmente, a planta é usada inteira, com foco nas partes aéreas, ou seja, nas folhas e nas flores, que concentram a maior parte dos compostos bioativos estudados. A colheita deve ser feita de forma sustentável, tanto para preservar a espécie quanto para assegurar a qualidade do material vegetal.
Por Que Evitar o Uso Prolongado da Orvalhinha?
A orvalhinha contém naftoquinonas, como a plumbagina, que em excesso podem irritar as mucosas, e por isso a recomendação é evitar o uso interno prolongado ou em doses altas. O ideal é usar a planta por períodos curtos, com dose definida por um profissional de saúde, e suspender o uso ao primeiro sinal de irritação gástrica. Na gravidez, na lactação e em crianças pequenas, a planta só deve ser usada com orientação profissional.
Aviso: este conteúdo é informativo e não substitui orientação de profissional de saúde. Consulte um médico ou fitoterapeuta antes de usar plantas medicinais, especialmente na gravidez, na lactação ou em uso de medicamentos.
Referências e Estudos Científicos
- PMC2021 Arruda-Silva F, et al. Low-dose Drosera rotundifolia induces gene expression changes in 16HBE human bronchial epithelial cells. Sci Rep. 2021.
- PMC2024 Gerschler S, et al. Quality parameters for the medicinal plant Drosera rotundifolia L.: A new approach with established techniques. Arch Pharm (Weinheim). 2024.
- PMC2025 Gerschler S, et al. Drosera rotundifolia L. as E. coli biofilm inhibitor: Insights into the mechanism of action using proteomics/metabolomics and toxicity studies. Biofilm. 2025.
- PMC2022 Hake A, et al. Effects of Extracts and Flavonoids from Drosera rotundifolia L. on Ciliary Beat Frequency and Murine Airway Smooth Muscle. Molecules. 2022.
- PMC2021 Tienaho J, et al. Field-Grown and In Vitro Propagated Round-Leaved Sundew (Drosera rotundifolia L.) Show Differences in Metabolic Profiles and Biological Activities. Molecules. 2021.
