Pêssego (Prunus persica): Propriedades e Benefícios

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Prunus persica (L.) Batsch / Pêssego, conhecido popularmente como pêssego, pessegueiro e, em algumas regiões, nectarina (nome dado à variedade de pele lisa), é uma árvore decídua da família Rosaceae. Originária da China, onde é cultivada desde o período Neolítico, a espécie se espalhou pelo mundo graças aos frutos suculentos e nutritivos. O epíteto persica faz referência ao amplo cultivo na Pérsia (atual Irã), de onde chegou à Europa. O pêssego é valorizado tanto pela fruta quanto pelas flores ornamentais que surgem na primavera.

Pêssego (Prunus persica) em ilustração botânica do pessegueiro, com o fruto de pêssego de casca aveludada em tons de amarelo e vermelho, folhas alongadas de margem serrilhada e flores rosadas.
O pessegueiro abre flores rosadas de cinco pétalas antes das folhas e forma drupas de casca aveludada com um caroço duro e sulcado.

Na medicina tradicional chinesa e em outras culturas, diversas partes do pessegueiro, como folhas, flores, casca e sementes, têm sido utilizadas para fins medicinais. A pesquisa moderna explora as propriedades antioxidantes, anti-inflamatórias e outras ações biológicas de seus compostos fitoquímicos, quase sempre em estudos de laboratório ou com animais. Entre os frutos de clima temperado, o pêssego só é superado em produção pela maçã e pela pera, e em várias culturas asiáticas ele é um símbolo de longevidade. As folhas, a casca e sobretudo a amêndoa do caroço, porém, contêm amigdalina, o que exige cautela no uso medicinal dessas partes, tema detalhado na seção de contraindicações.

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Nomes Populares e Internacionais do Pêssego

  • Alemão: Echter Pfirsich, Nektarine, Pfirsich.
  • Espanhol: durazno (América Latina), melocotón (Espanha), nectarina.
  • Francês: brugnon, nectarine, pavie, pêche.
  • Inglês: clingstone peach, common peach, freestone peach, nectarine, peach.
  • Italiano: nettarina, pesca.
  • Português: nectarina (variedade de pele lisa), pêssego (fruto), pessegueiro (árvore).

Sinônimos Botânicos do Pêssego

Amygdalus persica L. é um sinônimo botânico frequente na literatura, atribuído por Carl Linnaeus em 1753 na obra Species Plantarum, ao passo que a combinação aceita, Prunus persica, foi publicada por August Batsch em 1801. Entre os demais sinônimos registrados estão Persica vulgaris Mill. e Prunus persica var. densa, nomes que ainda aparecem em catálogos de horticultura e em trabalhos mais antigos. Embora a maioria das fontes adote Prunus persica, algumas floras, como a Flora of China, continuam tratando o pêssego dentro do gênero Amygdalus, o que mantém viva a discussão sobre a delimitação do grupo em parte das publicações científicas.

Família Botânica: Rosaceae

A família Rosaceae, também conhecida como família das rosas, é uma das maiores e mais diversas famílias de plantas com flores, com cerca de 100 gêneros e mais de 4.800 espécies distribuídas pelo mundo. Ela reúne desde ervas até arbustos e árvores, muitos de grande importância econômica, alimentar e ornamental, como maçãs, peras, morangos, framboesas, amêndoas e, claro, os pêssegos.

As plantas da família Rosaceae se caracterizam por flores geralmente hermafroditas e de simetria radial, com cinco sépalas, cinco pétalas e numerosos estames, enquanto os frutos variam bastante e incluem drupas (como o pêssego), pomos (como a maçã) e aquênios (como os do morango). A diversidade fitoquímica da família também é grande, com muitas espécies produzindo compostos bioativos como polifenóis e flavonoides, que contribuem para suas propriedades medicinais e nutricionais, e várias delas, inclusive o pessegueiro, acumulam glicosídeos cianogênicos nas sementes.

Partes Utilizadas do Pêssego

  • Casca
  • Flores
  • Folhas
  • Frutos
  • Sementes (amêndoa do caroço)

Das partes listadas, apenas o fruto maduro tem uso alimentar habitual e seguro, já que folhas, casca e sementes concentram amigdalina e pedem cautela redobrada em qualquer preparo medicinal.

Usos Etnobotânicos e Tradicionais do Pêssego

Os registros etnobotânicos atribuem ao pessegueiro os usos listados abaixo, que refletem a tradição popular e a medicina tradicional chinesa, e não indicações clínicas comprovadas.

  • Alívio de náuseas e vômitos
  • Ansiedade e inquietação (apoio ao sistema nervoso)
  • Catarro brônquico
  • Dermatites e erupções cutâneas
  • Distúrbios gastrointestinais superiores
  • Distúrbios menstruais (amenorreia, dismenorreia)
  • Dores em geral
  • Febres e resfriados
  • Feridas e chagas
  • Gripe
  • Prisão de ventre
  • Tosse e bronquite

Propriedades Terapêuticas do Pêssego

As propriedades a seguir reúnem registros da tradição e achados de estudos de laboratório ou com animais, de modo que nenhuma delas deve ser lida como efeito comprovado em seres humanos nem substitui uma avaliação médica.

  • Analgésico (registro tradicional para alívio de dores)
  • Anti-inflamatório (atividade observada em estudos de laboratório com extratos da planta e das flores)
  • Antibacteriano (atividade descrita em ensaios de laboratório com extratos)
  • Antiespasmódico (registro tradicional para alívio de espasmos)
  • Antioxidante (compostos fenólicos e carotenoides neutralizam radicais livres em ensaios de laboratório)
  • Antiparasitário (registro tradicional, sem confirmação clínica)
  • Cardioprotetor (hipótese investigada em estudos preliminares)
  • Demulcente (registro tradicional de ação suavizante sobre as mucosas)
  • Diurético (registro tradicional, sobretudo das flores na medicina chinesa)
  • Expectorante (registro tradicional para a casca)
  • Hipoglicemiante (efeito observado em estudos com animais, sem comprovação clínica)
  • Laxante (efeito suave atribuído às flores e às fibras do fruto)
  • Neuroprotetor (atividade investigada em células nervosas em laboratório)
  • Sedativo (registro tradicional para as folhas)

Perfil Fitoquímico Detalhado do Pêssego

  • Ácidos fenólicos (ácido cafeico, ácido clorogênico)
  • Amigdalina (glicosídeo cianogênico da amêndoa do caroço, presente também nas folhas e na casca)
  • Antocianinas (cianidina-3-glicosídeo)
  • Carotenoides (beta-caroteno, luteína, zeaxantina)
  • Cumarinas
  • Flavan-3-óis (catequina, epicatequina)
  • Flavonoides (kaempferol, quercetina)
  • Minerais (fósforo, magnésio, potássio)
  • Vitaminas (A, B3, B6, C, E, K)

A composição muda bastante conforme a parte da planta: a polpa madura reúne sobretudo carotenoides, compostos fenólicos, vitaminas e minerais, enquanto a amigdalina se concentra na amêndoa do caroço e aparece em menor quantidade nas folhas e na casca. Isso explica a diferença de segurança entre comer a fruta e usar as demais partes.

Formas de Preparo e Administração do Pêssego

  • Cataplasma (folhas frescas, uso externo)
  • Chá (infusão de folhas ou flores)
  • Consumo do fruto (fresco, em compotas ou em sucos)
  • Decocção (casca e, na medicina chinesa, sementes processadas sob prescrição profissional)
  • Extrato
  • Óleo das sementes (uso externo)
  • Tintura

As doses variam conforme a parte da planta e a forma de preparo, e a definição de quantidade, frequência e duração deve ficar a cargo de um profissional de saúde ou fitoterapeuta qualificado. No chá de folhas, a orientação tradicional é usar pouca folha, apenas em infusão e sem fervura prolongada. A decocção da casca, que pode concentrar amigdalina, não é recomendada para uso caseiro, e a tintura de flores precisa ter a dose ajustada individualmente.

Extratos de sementes só devem ser usados sob supervisão profissional, devido à presença de amigdalina, e o uso tópico, em cataplasma ou óleo, pode ser feito conforme a necessidade sobre a área afetada, desde que antes se faça um teste de sensibilidade em uma pequena região da pele.

Sinergia com Outras Plantas Medicinais

Saúde Digestiva

Na tradição herbal, as folhas de pessegueiro aparecem combinadas com hortelã-pimenta (Mentha × piperita) e gengibre (Zingiber officinale) em infusões leves voltadas ao alívio de náuseas, vômitos e desconfortos gastrointestinais. O raciocínio por trás da mistura é que as propriedades carminativas atribuídas à hortelã e ao gengibre complementariam a ação sedativa e demulcente que a tradição reconhece nas folhas de pêssego, compondo um preparo de perfil calmante e digestivo. Esse preparo é tradicionalmente usado em quadros de indigestão e flatulência, sempre com pequena quantidade de folhas de pessegueiro e infusão breve, sem fervura.

Suporte ao Sistema Nervoso

Em registros tradicionais de ansiedade e inquietação, o pêssego é associado à valeriana (Valeriana officinalis) ou à passiflora (Passiflora incarnata). As folhas, com as propriedades sedativas leves que a tradição lhes atribui, somariam sua ação à dos compostos com atividade ansiolítica estudada nessas duas plantas. Essa combinação é tradicionalmente usada para favorecer o relaxamento, a qualidade do sono e o equilíbrio emocional, mas quem já usa sedativos, ansiolíticos ou indutores do sono deve evitá-la sem orientação profissional, pelo risco de somar efeitos.

Saúde da Pele

Em aplicações tópicas, o extrato de folhas de pêssego é combinado tradicionalmente com calêndula (Calendula officinalis) e babosa (Aloe vera) em irritações cutâneas, erupções e pequenas feridas. As propriedades anti-inflamatórias observadas em estudos de laboratório com extratos do pessegueiro se somam, nessa tradição, à ação cicatrizante atribuída à calêndula e ao efeito hidratante e calmante da babosa. A combinação é registrada para diversas condições dermatológicas leves, e convém testá-la antes em uma pequena região da pele.

Receitas e Protocolos de Uso do Pêssego

Chá de Folhas de Pessegueiro para Náuseas

Preparo tradicionalmente usado para náuseas, vômitos e desconfortos estomacais leves, feito por infusão breve e com pouca quantidade de folhas, justamente para não concentrar a amigdalina presente nelas.

Ingredientes: uma pequena quantidade de folhas secas de pessegueiro e 200 ml de água recém-fervida.

Preparo: Coloque as folhas em uma xícara, despeje a água com o fogo já desligado, abafe por poucos minutos e coe, sem nunca levar as folhas à fervura. A quantidade de folhas, a frequência e o tempo de uso devem ser definidos com um profissional de saúde, e esse chá não deve ser oferecido a crianças pequenas, gestantes ou lactantes; consulte um profissional de saúde antes de usar.

Cataplasma de Folhas Frescas para Erupções Cutâneas

Aplicação externa tradicionalmente usada em erupções cutâneas, picadas de insetos e pequenas irritações da pele, sem contato com feridas abertas ou extensas.

Ingredientes: folhas frescas de pessegueiro e água.

Preparo: Amasse as folhas frescas até formar uma pasta, acrescentando um pouco de água se for preciso para chegar a uma consistência adequada, e aplique diretamente sobre a área afetada. Cubra com gaze limpa e deixe agir por 20 a 30 minutos, repetindo até 2 vezes ao dia, conforme o registro tradicional, e interrompa o uso se surgir vermelhidão, coceira ou ardor no local.

Decocção da Casca para Tosse e Bronquite: Por Que Evitar em Casa

A decocção da casca de pessegueiro aparece em registros tradicionais para tosse persistente e sintomas de bronquite, apoiada nas propriedades expectorantes e demulcentes que a medicina popular atribui a essa parte da árvore.

Como a casca contém amigdalina e a fervura prolongada pode concentrar o composto, este guia não traz receita caseira com quantidades nem tempo de fervura para esse preparo. Quem tiver interesse no uso tradicional da casca deve procurar um fitoterapeuta ou profissional de saúde habilitado, capaz de avaliar a real necessidade, a procedência do material e alternativas mais seguras para as vias respiratórias.

Óleo de Sementes de Pêssego para Massagem

Óleo de uso exclusivamente externo, tradicionalmente usado para hidratar e nutrir peles secas ou maduras em massagens feitas após o banho.

Ingredientes: óleo de sementes de pêssego puro, prensado a frio e de grau cosmético.

Preparo: Aqueça ligeiramente uma pequena quantidade do óleo entre as mãos e massageie a pele com movimentos suaves. Rico em vitaminas e ácidos graxos essenciais, o óleo pode ser usado diariamente, desde que tenha sido testado antes em uma pequena área da pele, e nunca deve ser ingerido.

Tintura de Flores de Pessegueiro para Prisão de Ventre

Preparo tradicionalmente usado para a prisão de ventre leve, já que a tradição atribui às flores do pessegueiro um efeito laxante suave.

Ingredientes: 50 g de flores frescas de pessegueiro e 250 ml de álcool de cereais a 70%.

Preparo: Coloque as flores em um frasco de vidro escuro, cubra com o álcool, feche bem e deixe macerar por 2 semanas em local fresco e escuro, agitando diariamente, e depois coe e armazene a tintura. A quantidade de gotas, a diluição em água e a frequência de uso devem ser definidas por um profissional de saúde, e a tintura, por conter álcool, não é indicada para crianças, gestantes, lactantes ou pessoas que evitam bebidas alcoólicas; consulte um profissional de saúde antes de usar.

As preparações acima seguem registros tradicionais e não substituem orientação profissional. Antes de qualquer uso interno, consulte as contraindicações e interações descritas neste artigo.

Terapias Associadas ao Pêssego

Aromaterapia

Embora o pêssego não seja fonte comum de óleo essencial para aromaterapia, o aroma do fruto é muito usado em produtos de bem-estar, e essências e fragrâncias de pêssego entram na composição de ambientes pensados para transmitir relaxamento, conforto e alegria. A doçura e o frescor desse aroma podem ter efeito positivo sobre o humor e ajudar a aliviar o estresse e a tensão emocional, o que faz dessa prática uma terapia complementar voltada ao bem-estar psicológico, e não ao tratamento de doenças.

Fitoterapia Clínica

Na fitoterapia clínica, o pessegueiro interessa sobretudo pelas folhas, flores e sementes, utilizadas em diversas preparações, e extratos padronizados de folhas de Prunus persica vêm sendo estudados por suas propriedades anti-inflamatórias e antioxidantes. Em pesquisas recentes, um extrato de folhas foi avaliado em ratos submetidos a dieta rica em frutose, e extratos da planta e das flores foram testados em células cultivadas em laboratório, com resultados que ainda não foram confirmados em seres humanos. Na prática tradicional, o pessegueiro é empregado como apoio em distúrbios digestivos, inflamações e cuidados com a pele. A dose e a forma de administração são ajustadas por profissionais conforme a condição de cada paciente e as possíveis interações com outros medicamentos.

Medicina Tradicional Chinesa (MTC)

Na Medicina Tradicional Chinesa, as sementes de pêssego, conhecidas como Tao Ren, são amplamente utilizadas e consideradas amargas, doces e de natureza neutra, com ação sobre os meridianos do coração, do fígado e do intestino grosso. A tradição emprega Tao Ren para mover o sangue e desfazer a estagnação, com indicação histórica em amenorreia, dismenorreia e massas abdominais, além de usá-lo para umedecer os intestinos, aliviar a prisão de ventre e acalmar a tosse. A mesma tradição recorre às flores para estimular a diurese e às folhas em quadros de febre e inflamação. Nessa prática, as sementes entram processadas em fórmulas prescritas por profissionais habilitados, prática que não deve ser reproduzida em casa, já que a amêndoa do caroço contém amigdalina e nunca deve ser ingerida por conta própria.

Contraindicações e Efeitos Colaterais do Pêssego

Risco de Intoxicação por Cianeto

O pessegueiro (Prunus persica) tem o fruto de uso alimentar comum e seguro, mas as folhas, a casca e principalmente a amêndoa do caroço contêm amigdalina, um glicosídeo cianogênico que libera cianeto na digestão. Por isso, a orientação é nunca ingerir a amêndoa do caroço (caroço do pêssego) nem preparações concentradas de folhas em quantidade, pelo risco real de intoxicação por cianeto, inclusive fatal em crianças. O chá das folhas, quando usado tradicionalmente, deve ser preparado com moderação e nunca com folhas em excesso ou fervura prolongada que concentre o composto. Não usar em crianças pequenas sem orientação profissional, lembrando que a fruta madura, sem o caroço, não apresenta esse risco em consumo alimentar usual.

Dor de cabeça, tontura, náuseas, vômitos, falta de ar e confusão mental após a ingestão de amêndoas de caroço ou de preparos concentrados da planta são sinais de alerta, e em caso de ingestão acidental, sobretudo por crianças, é preciso procurar imediatamente um serviço de emergência ou um centro de informação toxicológica.

Contraindicações Gerais

O consumo do fruto e de seus derivados alimentares é geralmente seguro para a maioria das pessoas. Quem tem alergia conhecida a frutas da família Rosaceae, como maçã, pera ou ameixa, porém, pode apresentar reações ao pêssego, com sintomas que incluem urticária, inchaço, coceira e, em casos raros, anafilaxia. Gestantes e lactantes devem evitar chás, tinturas e extratos de folhas, flores, casca ou sementes, porque faltam dados de segurança para essas fases e a tradição chinesa emprega a semente justamente para mover o sangue e em distúrbios menstruais. Crianças pequenas, por sua vez, não devem receber nenhuma dessas preparações sem orientação profissional.

Efeitos Colaterais Comuns

Os efeitos colaterais do fruto são raros e geralmente leves, embora em algumas pessoas sensíveis o consumo excessivo de pêssegos possa causar desconforto gastrointestinal, como inchaço, gases ou diarreia, por causa do teor de fibras. A aplicação tópica de extratos de pêssego pode, ocasionalmente, provocar irritação em quem tem pele muito sensível, por isso é sempre aconselhável fazer um teste de sensibilidade em uma pequena área antes de usar produtos tópicos derivados do pêssego em regiões maiores do corpo.

Interações Medicamentosas

Não há interações medicamentosas significativas conhecidas com o consumo do fruto, mas extratos concentrados de certas partes da planta, como as sementes ricas em amigdalina, podem, em teoria, interagir com medicamentos que dependem do metabolismo hepático. Quem usa anticoagulantes deve ter cautela com sementes de pêssego e preparações concentradas da planta, devido ao potencial efeito atribuído às cumarinas presentes nela. Pessoas em tratamento com hipoglicemiantes ou com sedativos e indutores do sono também devem conversar com o médico antes de usar extratos de folhas, já que a tradição e estudos com animais atribuem a eles efeitos sobre a glicemia e sobre o relaxamento. Recomenda-se sempre consultar um profissional de saúde antes de iniciar qualquer tratamento fitoterápico, especialmente para quem estiver tomando outros medicamentos.

Curiosidades e Fatos Históricos do Pêssego

Origem e Simbolismo

O pêssego é originário da China, onde é cultivado há mais de 4.000 anos e se tornou um poderoso símbolo de longevidade, imortalidade e prosperidade, frequentemente associado a divindades e a rituais de boa sorte. Sua chegada à Europa ocorreu por meio da Pérsia, o que deu origem ao nome científico Prunus persica, ou “ameixa persa”, e os romanos chamavam o fruto de persicum malum, isto é, “maçã persa”.

Variedades e Cultivo

Existem milhares de variedades de pêssego, divididas principalmente entre as de polpa aderente ao caroço (clingstone) e as de polpa solta (freestone), e as nectarinas são uma variedade de pele lisa, sem a penugem característica do fruto. O cultivo do pessegueiro exige clima temperado, com invernos frios para a dormência e verões quentes para o amadurecimento dos frutos, e a árvore tem vida relativamente curta, que geralmente não passa de 20 anos.

Uso Culinário e Cultural

Além do consumo fresco, o pêssego é amplamente utilizado na culinária no preparo de doces, compotas, sucos, sobremesas e bebidas, e em muitas culturas funciona como ingrediente versátil, que acrescenta sabor e aroma a pratos doces e salgados. Sua popularidade global reflete a capacidade de adaptação da árvore e o valor nutricional do fruto, que é uma boa fonte de vitaminas, minerais e antioxidantes.

Perguntas Frequentes sobre o Pêssego

O Pêssego É Bom para a Digestão?

Sim, o pêssego é rico em fibras alimentares, solúveis e insolúveis, que são importantes para a saúde digestiva e ajudam a regular o trânsito intestinal, contribuindo para evitar a prisão de ventre e para a formação de fezes de consistência adequada. Além disso, as fibras solúveis podem atuar como prebióticos, alimentando bactérias benéficas do intestino e contribuindo para o equilíbrio do microbioma intestinal.

Quais São os Benefícios do Pêssego para a Pele?

O pêssego contém vitaminas A e C, além de antioxidantes, nutrientes ligados à saúde da pele: a vitamina C participa da produção de colágeno, que mantém a pele firme e elástica, e a vitamina A e outros antioxidantes ajudam a protegê-la dos danos causados pelos radicais livres. Extratos de folhas de pêssego também aparecem em produtos cosméticos voltados à hidratação e à uniformização do tom da pele, e estudos de laboratório com extratos de flores investigam sua ação sobre células da pele.

As Sementes de Pêssego São Seguras para Consumo?

Não, a amêndoa que fica dentro do caroço do pêssego contém amigdalina, um glicosídeo cianogênico que libera cianeto na digestão, e por isso nunca deve ser ingerida, nem crua nem em preparações caseiras, pelo risco real de intoxicação por cianeto, inclusive fatal em crianças. A quantidade capaz de causar intoxicação é menor quanto menor o peso de quem a ingere, de modo que o correto é descartar o caroço e consumir apenas a polpa do fruto.

O Pêssego Pode Ajudar na Perda de Peso?

O pêssego pode fazer parte de uma alimentação voltada à perda de peso, por ser uma fruta de baixo teor calórico, com bastante água e fibras. As fibras favorecem a saciedade, o que ajuda a moderar o apetite e a ingestão calórica total. Além disso, o sabor naturalmente doce da fruta pode satisfazer a vontade de comer doces, tornando-a uma boa opção para lanches e sobremesas em dietas de emagrecimento acompanhadas por um profissional.

O Pêssego Tem Contraindicações?

Para o fruto, as principais contraindicações estão ligadas à alergia a frutas da família Rosaceae, e quem tem sensibilidade a maçã, pera ou ameixa deve ter cautela. Já a amêndoa do caroço é tóxica e nunca deve ser ingerida, e chás, tinturas e extratos de folhas, flores ou casca devem ser evitados por gestantes e lactantes e não devem ser dados a crianças pequenas sem orientação profissional. Em geral, o consumo moderado do fruto é seguro para a maioria das pessoas, mas, diante de dúvidas ou de condições de saúde específicas, o mais indicado é consultar um profissional de saúde.

Comer Pêssego Oferece Risco de Intoxicação por Cianeto?

Não no consumo alimentar usual, porque a fruta madura, sem o caroço, não apresenta esse risco, já que a amigdalina se concentra na amêndoa do caroço e aparece também nas folhas e na casca da árvore. O cuidado deve recair sobre essas partes, pois a ingestão da amêndoa ou de preparações concentradas de folhas pode causar intoxicação por cianeto, e em caso de ingestão acidental, sobretudo por crianças, é preciso procurar atendimento de emergência imediatamente.

Aviso: este conteúdo é informativo e não substitui orientação de profissional de saúde. Consulte um médico ou fitoterapeuta antes de usar plantas medicinais, especialmente na gravidez, na lactação ou em uso de medicamentos.

Referências e Estudos Científicos

6 Referências Citadas

Nível de Evidência: 🥈 Moderado

Baseado em 6 Referências Citadas (6 Peer-Reviewed).

  1. PMC2025 Bali D, et al. Peach Leaf Extract (Prunus persica L.) Mitigates Metabolic Syndrome and Oxidative Stress in High-Fructose Diet Rats. Plants (Basel). 2025.
  2. PMC2026 Choi YJ, et al. Mandelamide Isolated from Prunus persica Flowers Attenuates TNF-α-Driven Oxidative and Inflammatory Responses in Human Skin Cells. Biomolecules. 2026.
  3. PMC2020 Seo KH, et al. Anti-inflammatory role of Prunus persica L. Batsch methanol extract on lipopolysaccharide-stimulated glial cells. Mol Med Rep. 2020.
  4. PMC2020 Serra S, et al. Determination of Biochemical Composition in Peach (Prunus persica L. Batsch) Accessions Characterized by Different Flesh Color and Textural Typologies. Foods. 2020.
  5. PMC2015 Sauer H, et al. Severe cyanide poisoning from an alternative medicine treatment with amygdalin and apricot kernels in a 4-year-old child. Wien Med Wochenschr. 2015.
  6. PMC2021 Jaszczak-Wilke E, et al. Amygdalin: Toxicity, Anticancer Activity and Analytical Procedures for Its Determination in Plant Seeds. Molecules. 2021.
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